Para entender

Várias avaliações são feitas agora, na comemoração dos 30 anos dos comícios por Diretas-Já que mobilizaram o país, de início timidamente com os de Abreu Lima (Pernambuco), Goiânia, Curitiba, até as explosões da Candelária (Rio) e Anhangabaú (SP) com mais de um milhão de pessoas. No dizer do professor José Murilo de Carvalho em entrevista ao programa de Miriam Leitão, ao lado de Christiane Torloni,  o povo começou a entrar na República em 1945, pois até ali só 5% dos brasileiros votavam. Algumas movimentações memoráveis passaram a ocorrer como a de defesa da Petrobras. Depois veio o corte de 1964. Os militares sequestraram o hino nacional e impuseram regras para o uso da bandeira. No comício das Diretas, lembra Torloni, foi o momento em que o povo cantou para dizer ‘é o meu hino’. E ele fazia sentido. Murilo de Carvalho complementa: Símbolos são importantes. E Fafá (de Belém) cantava o hino fora das normas. Em canto-capela, sem acompanhamento e sem ritmo. Havia outras características. Entre os presentes, caminhando entre o povo, figuras como Ulisses, Covas, Montoro, Arraes, Brizola. Os novos eram Fernando Henrique e Lula,  lembra Torloni. Havia confiança na política. O povo confiava neles e na política como instrumento. Já na sequência, na análise dos fatos que ocorreram em junho passado, aconteceu de repente. Ninguém esperava e houve rejeição aos políticos e à política. Significa que a juventude está perdida em relação ao sistema atual, afirma José Murilo. Para Christiane junho veio atrasado. Quando começou era de novo a volta para casa. Depois vieram os black blocs. Que gente é essa? São pessoas que gostam do Brasil? Não. Se gostassem mostravam a cara! Nas Diretas não havia ninguém de máscara, encerrou a atriz.

Simples mas muito caros!

A uma afirmação da presidente Dilma para justificar a sua certeza de que todos os estádios estarão prontos para realizar a melhor de todas as Copas, convicção passada em seu pronunciamento aos participantes dos encontros de Davos, estádios são obras simples, a coluna perguntaria: se simples, por que tão caras!

Falta o MP

A propósito: a sugestão dada pela coluna de que, a nova comissão que vai acompanhar o que se imagina seja a finalização da Arena da Baixada, estádio do Clube Atlético Paranaense (ou da CAP S/A?), encheu a caixa postal da coluna. Todos unânimes em que um representante do Ministério Público e do TC estivessem na comissão, acompanhando a aplicação dos recursos. Afinal, haverá muito dinheiro público numa obra particular que a cada dia aumenta de preço.

Galhofa

A sequência das punições aos mensaleiros, se Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) vivo estivesse, já estaria sendo encaminhada para o perigoso caminho da galhofa, uma de suas expressões favoritas, quando coisas sérias eram mal tratadas. Depois de permitir a transferência dos aprisionados na Papuda, para suas cidades de origem e das  ordens para trabalho externo, com remunerações estranhas, uma aberração: um dos apenados vai gerenciar a própria empresa. Com a condição de abrir espaço a outros prisioneiros para nela trabalharem. Seriam também mensaleiros?

Sem prisão; sem cassação!

A sequência das punições tem criado desgaste até para  os Ministros do STF. Depois do presidente o STF confirmar a prisão de João Paulo Cunha e viajar sem expedir a ordem, iniciou-se uma discussão entre  Joaquim Barbosa, ministra Carmem Lúcia e Lewandowski, que se negaram a assumir essa missão. Outra situação a criar problema será a provável negativa do plenário da Câmara em cassar o mandato do deputado, hipótese levantada pelo deputado paranaense, André Vargas.

Em choque

As autoridades ligadas ao estádio da Copa em Curitiba (governo e prefeitura) confiam em que valerá a palavra do presidente Petraglia de que o Atlético cobriria o que excedesse aos entendimentos tripartites iniciais. Não vou pagar essa conta sozinho é a mais nova versão do presidente da CAP S/A.