Atenções divididas
Os políticos brasileiros – o Paraná não é exceção – estão com ‘um olho no padre, outro na missa’. É que apesar da Copa do Mundo, que está a exigir a atenção de todos especialmente na finalização das obras, não podem descuidar das eleições, para eles muito mais importantes que o evento esportivo. Como há uma íntima interligação entre a eleição nacional que dirá se o projeto do PT de permanecer no poder por mais oito anos, confirma-se com a reeleição da presidente Dilma e as eleições estaduais, fundamentais para confirmar essa pretensão, toda a atenção é pouca. Daí estarem todos de olho no Diário Oficial da União, onde jogadas podem ser anunciadas, como a liberação de recursos para obras que, à partir de um determinado momento não serão mais permitidas. Uma especial atenção vai merecer o Supremo. Não pela complementação do julgamento do mensalão que já produziu seus efeitos na opinião pública, com muita gente achando que o resultado, que já foi complacente em alguns casos, poderá ser ainda muito mais. Ou ainda pela entrada em julgamento do chamado mensalão de Minas. A preocupação maior dos políticos, especialmente partidos beneficiados com as generosas doações de empresas que mantém altos negócios na área oficial, será com a possível proibição de tais contribuições. Uma situação que pode mudar o rumo das campanhas, especialmente na televisão, retirando os caríssimos shows midiáticos produzidos pelas agências de propaganda no horário eleitoral, preocupados muito mais com o efeito junto ao eleitorado e nenhuma responsabilidade com as propostas ou promessas. Uma medida que poderá, a longo prazo, obrigar os partidos a exibirem nas TVs suas verdadeiras caras.
Enfim…
Em março, se nenhuma intervenção nova ocorrer sugerindo alterações por parte das empresas interessadas, de vez que no site da prefeitura curitibana a primeira versão do edital de licitação está exposto em detalhes até início de fevereiro para avaliação, o edital para a construção do metrô de Curitiba estará sendo lançado oficialmente. Para o prefeito Gustavo Fruet, até o segundo semestre as obras deverão ser iniciadas.
Momento delicado
O metrô de Curitiba, que há anos é discutido entre muros (órgãos de planejamento) ainda não é unanimidade nem entre os técnicos. Uma opinião contrária ao modelo escolhido, por exemplo, é a de Jaime Lerner, que por tudo que representou para Curitiba, merece respeito. Outra preocupação é o fato de ser iniciada num ano em que mudanças podem ocorrer, não apenas no cenário nacional, como igualmente no estadual. Eleição como futebol, ´e uma caixinha de surpresas.
Nervos tensos
Um fator a ser levado em consideração neste ano complicado será o efeito que a Copa pode produzir no humor eleitoral do povo brasileiro. A insatisfação levantada em junho passado no país não deixa dúvidas de que em junho/julho, os nervos estarão à flor da pele. Depois das reiteradas denúncias sobre superfaturamento de obras, uma rotina no Brasil, uma derrota inesperada em campo, num país que não digeriu ainda a de 1950 como mostram as matérias agora exibidas sobre o tema, sabe-se lá que reação provocará.
Modelo novo
O que não aconteceu com o mensalão, vai acontecer agora com o julgamento do inquérito que investiga possíveis fraudes em licitações de trens e do metrô em São Paulo. Por iniciativa do ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, quatro dos que estão sob suspeição, um deputado federal e três secretários estaduais, igualmente deputados licenciados, terão direito ao foro privilegiado (julgamento pelo Supremo).
Em choque
Os demais, seis investigados, deverão ter seus julgamentos pela Justiça Federal de São Paulo: três são ex-dirigentes da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos; duas são parentes de ex-diretores e um lobista. Pela primeira vez, no país, um esquema de corrupção com formação de cartel por 18 empresas é denunciado por uma das participantes: a Siemens alemã. O que aumentará o afastamento de novos investidores.
