“Sorriso de engolir sapo”
Nereu Ramos foi um político catarinense, que alcançou expressão nacional, chegando mesmo quando presidente do Senado a ocupar por uns dias a Presidência da República. Num dos muitos momentos em que a democracia no Brasil esteve em risco, após o suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 1954, criando um episódio tumultuado, em que o vice-presidente Café Filho, assume a presidência. Juscelino, terminando mandato de governador mineiro é lançado candidato pelo PSD à eleição presidencial que se realizaria em 55. Candidatura reforçada pela presença de Jango Goulart, na vice. Café Filho deixa o governo para tratamento de saúde, sendo substituído por Carlos Luz, presidente da Câmara. Este substitui o general Lott pelo general Álvaro Fiúza de Castro, sabidamente contrário à posse de Juscelino na Presidência. Num episódio rocambolesco, Carlos Luz é afastado e Nereu é imposto como presidente provisório. Até a posse de JK. Todo esse intróito foi necessário para lembrar uma imagem cunhada por Nereu: Política é a arte de engolir sapos. Nenhuma imagem mais apropriada para uma foto que o hoje senador Collor de Mello postou em seu facebook. Feita no avião presidencial que voou para os funerais de Nelson Mandella. Nela, ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, Lula, José Sarney e Collor, mais a presidente Dilma. Todos em volta do Mosca (Renato), Chefe do Cerimonial da Presidência. Nada mais artificial! Pela postura alegre, dir-se-ia que se dirigiam a um convescote, jamais a um funeral. Daqui para a frente, quando vários políticos divergentes estiverem reunidos para uma foto, o fotógrafo deve pedir, ao invés do X, habitual, façam aquele sorriso de engolindo sapo. É o mesmo!
Reforma ignorada
Agora que o STF, pela reclamação do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, invadindo a seara legislativa se prepara para votar a proibição de doação eleitoral por parte das empresas, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) lembra que a reforma política proposta pela presidente Dilma, logo após as manifestações de junho, ignorada pelo Congresso, teria evitado o choque hoje existente entre Judiciário e Legislativo.
Reforminha de brinquedo
A reforma política está em discussão nas Casas de Leis, desde 2011, assim como outras absolutamente necessárias, sem que os deputados e senadores tenham demonstrado interesse por aprofundar seriamente tais assuntos. A reforminha de agora é uma brincadeira de quem não levou a sério as manifestações populares, logo desmontadas pelos blacks blocs.
Pressão
Os parlamentares resistem a mudanças que os tirem da comodidade atual. Comodidade que permite por exemplo, pressionar o governo a oferecer um bônus de mais R$ 2 milhões em emendas que interessem aos senhores parlamentares das Comissões Mistas de Orçamento, privilegiando assim uns 100 parlamentares. Como as resistências foram vencidas, a aprovação do Orçamento está garantida ao custo de mais R$ 200 milhões.
O caos da saúde
Ministros preparam suas candidaturas, como o da Saúde, Alexandre Padilha, que pretende ser candidato ao governo de São Paulo. Enquanto administra o ainda discutível sucesso do Mais Médicos, deixa de lado parte de suas funções. Denúncias da Band News, através seu âncora Ricardo Boechat que não tem papas na língua, apontam para a extrema precariedade dos hospitais federais no Rio de Janeiro. No restante do país não é diferente, como mostrou o Globo Repórter.
Palavra em dúvida
A resistência de alguns conselheiros à intenção do ditador Mário Celso Petraglia, que agora quer uma fundação com todo o patrimônio do Atlético, irritou-o. Aos gritos afirmou que nem ele nem ninguém de sua família ocupará qualquer cargo, antes de retirar-se. Sua postura com Paulo Baier prova que sua palavra não pode merecer muito crédito!
