Males visíveis

Duas notícias do dia de ontem, levam a conclusões iguais. Não fora a hipocrisia que reina no Brasil, situações vividas  aqui seriam diferentes. A prisão de um importante delegado, que durante dois anos e meio comandou a Polícia Civil, é conseqüência  permanente de uma guerra por poder, que sempre envolveu a área policial do Paraná. Em boa parte responsabilidade da proibição ao jogo, especialmente o de bicho,  iniciada no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946/50) por influência da esposa daquele presidente, num dos episódios mais grotescos que se tem notícia. De lá para cá, a jogatina na clandestinidade só serviu para corromper as polícias, vulneráveis, por mal pagas, e por parecer ser a corrupção da índole humana. Aumentando inclusive as disputas entre polícias civis e militares. Sem entrar no mérito do conflito, apenas registrando-o, resta  analisar qual o mal maior! A experiência que o Uruguai tenta realizar visando combater o tráfico de drogas que tem sua maior expressão na repressão ao consumo de maconha, é um ato de coragem. Grande parte da corrupção policial também se abastece nela. Aquele país enfrenta o problema, anunciando antecipadamente que se trata de uma tentativa  de matar o mal por uma de suas raízes. Este Brasil que ocupa lugar nada lisonjeiro na escala mundial da corrupção poderia ter a coragem de tentar mudar a fonte de alguns de seus muitos males. Só a repressão, não é solução!

Dificuldades…

As dificuldades esperadas na contratação de médicos estrangeiros para o programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde, encontram no Tribunal de Contas da União seus primeiros percalços. Além do contrato com a OPAS para recrutamento de médicos cubanos, que previa valores entre R$ 10 e 30 mil, dependendo da localização onde exerceriam as funções, a referência maior é a norma, atestam técnicos do TCU.

…previstas

Entre as explicações solicitadas pelo órgão fiscalizador ao governo, constam as atividades a serem desenvolvidas por 20 consultores internacionais e outros 20 especialistas contratados pela OPAS com salários estimados em R$ 25 mil reais. Os técnicos do TCU encontraram ainda tratamento diferenciado a médicos formados no Brasil e intercambistas.

Burocracia e…

Um dos problemas levantados pela imprensa curitibana em relação às diárias gastas pelos prefeitos do Paraná, em seus deslocamentos a Curitiba ou Brasília, ficam por conta da necessidade de acompanhamento de projetos em andamento nos governos. Fora o país menos burocrático e os recursos distribuídos de maneira mais equânime, tais andanças de prefeitos seriam menos justificáveis.

…falência

Na semana, centenas deles, de municípios menores que vivem á custa do Fundo de Participação dos Municípios na medida em que seus orçamentos cobrem apenas as exigências administrativas, com as responsabilidades que cada vez mais são impostas às prefeituras em educação e saúde, principalmente, nada restando para investimentos em infraestrutura, estiveram em Brasília: reivindicam, mais uma vez, aumento nos recursos do FPM. Fundo que por sinal diminui a cada redução do IPI concedida a setores industriais e a cada município novo criado.

Reflexão

Pesada, em função dos assuntos que focaliza, num país em que poucos bons registros se tem a fazer na área pública, esta coluna  reservará o espaço final para amenidades. Como o diálogo entre um frei, responsável por instituição de grande ação na área social, e um doador. O frei ao receber a doação,  por momentos, dialoga amavelmente  com o cidadão. O doador questiona: Não está faltando alguma coisa, frei? Faltando o que! pergunta o religioso. Um agradecimento formal. Afinal estou doando uma importância significativa contrapõe o doador. O senhor é que deve agradecer a Deus, que lhe deu a oportunidade de ficar tão rico  a ponto de poder colaborar com os mais necessitados.