Corrupção tolerada
Alguns fatos do momento deixam margem a indagações. Afinal, combater a corrupção é realmente uma prioridade neste país que vive reclamando da falta de recursos para ações importantes como a melhoria do ensino, da saúde, da segurança, mas não é exigente quando obras para a Copa, atendendo a uma exigência da FIFA, são superfaturadas. Ou então quando a presidente Dilma reclama da sugestão feita pelo Tribunal de Contas da União ao Senado, para que obras comprovadamente superfaturadas, sejam paralisadas! È verdade que Dilma tem razão num ponto: obra paralisada, quando retomada ficará muito mais cara. Aí fica o dilema: ou se toma prejuízo agora com o superfaturamento ou depois com o encarecimento embutido na obra pela inflação. Alguma coisa precisa ser feita para que o país não caia nessa armadilha. Quem sabe se até uma mudança na legislação que hoje permite à fantástica burocracia, curiosamente criada para evitar a corrupção, acabar dela se prevalecendo, criando dificuldade, para vender facilidade, como insistia Afif Domingos, antes de entrar no governo (a coluna não tem notícia se mudou de opinião)! O certo é que, talvez pela liberdade que a imprensa goza hoje, que incomoda muita gente que tenta amordaçá-la, a cada dia um escândalo é denunciado. A corrupção é maior hoje? Os valores podem ser mas ela sempre existiu neste país. Hoje, felizmente, com a imprensa tendo liberdade para informá-la e a Polícia Federal cumprindo o papel de investigar.
Solução prática
No governo Jaime Canet Jr., para agilizar obras, criou-se uma norma em relação à construção de estradas: um longo trecho em construção era dividido em lotes, cada um deles entregue a uma empresa. Quando uma atrasava, a empreiteira vizinha que se adiantara ocupava o trecho em atraso. Sem que a primeira recorresse ao famoso aditivo (mais recursos), um dos males das viciadas empreiteiras brasileiras: atrasar para pedir mais!
Com razão
Um dos pontos, na discussão que envolve o governo do Estado e os ministros que representam o Paraná no atual governo federal, é indiscutivelmente favorável às reclamações do governador. Trata-se do programa criado pelo Banco do Brasil para investimento em infraestrutura: Proinveste. O único, entre todos os estados, a não receber a cota solicitada (R$ 817 milhões) foi o Paraná. Acho que qualquer pessoa, até a mais simples e menos informada, sabe que o Paraná não tem a pior situação fiscal do Brasil, reclama Beto com razão!
Longo trajeto
O Proinveste é uma linha de crédito não incluída entre os 7 empréstimos que o governo do Paraná pleiteia, dos quais 3 foram liberados condicionalmente. Ainda precisam passar por outras etapas até chegar ao Senado (antes do recesso de preferência) que dará a palavra final. As razões alegadas pelo governo para não conceder a parcela do Proinveste ao Paraná foram as mesmas que seguraram os demais empréstimos.
Esperteza política
Pode-se até não gostar do ex-presidente Lula! O que não dá é para deixar de reconhecer seu extraordinário feeling político. Alertado pelas pesquisas que a aprovação do governo Dilma, entre eleitores cujas idades variam entre 16 e mais de 55 anos, caíra de 56% para 27% em junho (recuperou 5% até novembro), está pregando uma reaproximação, especialmente com os jovens, como em seu discurso na eleição interna do PT. Assim como sua aproximação com as lideranças do agronegócio, repudiadas por Marina Silva.
Em choque
Pressionado por novo pedido de aumento de taxas que será pedido pelo Tribunal de Justiça, a tempo de ser aprovado até o final de 2013, para poder valer em 2014, o presidente da Assembleia Legislativa anuncia que precisará colocar em votação, desde que o aumento seja razoável. Em 2012, o mesmo assunto chegou às mãos de Valdir Rossoni, que não aceitando o aumento proposto, exagerado segundo ele, não o colocou em votação.
