Acredite quem quiser!

Devem existir Pangloss por aqui! Aquele personagem do Voltaire, eterno otimista, capaz de acreditar que não ocorreram interferências para bloquear os empréstimos externos e internos que o governo do Paraná pleiteava. Este colunista não está entre os Pangloss regionais. Foram sete empréstimos desde 2011 à espera de liberação. Provocando um acirrado conflito político entre o governo estadual e personagens do governo federal. Três agora liberados. A presidente Dilma, por óbvio, fiel ao estilo consagrado por seu antecessor, não sabia de nada!. Mas a  sua Chefe da Civil sabia. Tanto estava informada que ao ser anunciada a liberação dos empréstimos de R$ 812, 156 e 131 milhões respectivamente, afirmou: A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) entendeu que o estado passou a cumprir os limites de gastos com pessoal com a recente contabilização do fundo de previdência, afirmação clara de quem acompanhava a tramitação e conhecia as desculpas apresentadas pelo órgão  responsável  pelos avais. A liberação agora é a prova de que não houve interferências externas justificarão os nossos Pangloss. Mais uma tentativa de fazer os menos avisados de bobos. Só agora  porque dos três, dois precisam ainda passar pela Casa Civil, um deles pelo Ministério do Planejamento e finalmente pelo Senado, que em dezembro estará entrando em recesso, além da resistência que certamente Requião oporá, como de vezes anteriores no governo Jaime Lerner. Na prática, mesmo que haja boa vontade na tramitação rápida dos outros dois, só o empréstimo de R$ 812 milhões, negociado junto ao Banco Mundial, deverá ser liberado este ano, com os efeitos sendo produzidos na agricultura, na educação, saúde e.meio ambiente, em 2014.  Como depois de abril, a lei eleitoral não permite a abertura de novos projetos, o governo Beto Richa ficará a ver navios. Cobrem o colunista se não estiver com a razão!

Paraná discriminado

Dias atrás esta coluna referiu-se à liberação de empréstimo governamental federal para que os estados fizessem frente à crise que se abateu sobre o mundo à partir de 2008. Como sempre, um nome pomposo:  Programa de Apoio ao Investimento de Estados e do Distrito Federal (Proinveste). Todos receberam, a maioria baseada em acatamento de suas contas pelos respectivos Tribunais de Contas. Menos o Paraná!

Exemplo gaucho

Agora o estado recorre ao STF, onde o ministro Ricardo Lewandowski acatou ação movida pelo governo do Rio Grande do Sul, que nas mesmas condições do Paraná, não tivera suas contas aprovadas. Mesmo tendo passado pelo TC regional. São mais R$ 817 milhões que o estado pretende venha para seus minguados cofres.

Reunião problemática

É nesse clima que ocorrerá a reunião do governador Beto Richa com a presidente Dilma. Como o conhecido estilo da presidente é o de dizer o que pensa, é capaz do nosso educado governador  sair dessa audiência com cobras e lagartos pela boca. Afinal o estilo bonzinho do Paraná, pelos tempos afora, só tem trazido prejuízos. Só Requião, em seu tempo de governador, atropelou as ofertas de investimentos que vinham do governo federal, em sua opinião carregados demais.

FOLCLORE POLÍTICO

Nestes tempos de restrições ao governo federal por supostamente estar prejudicando o Paraná, vale lembrar um momento, no período revolucionário, em que o estado foi muito bem tratado. Com Ney no Ministério da Educação e muita força em Brasília, Jaime Canet Jr. no governo e Saul Raiz na prefeitura de Curitiba, tudo que fosse pedido era considerado. Até porque o presidente Geisel tinha absoluta confiança no governador Canet, empresário que fora guindado ao governo e o administrava com absoluto rigor.

Várias frases que ele repetia, ainda hoje são lembradas com respeito. Não prometo; assumo compromisso, é a que fazia a confiança dos prefeitos que reivindicavam obras.

E uma que deveria ser considerada por eleitores, já que temos eleições pela frente: Lugar não fica vazio; se não for ocupado pelos bons, será ocupado pelos outros. Frase que leva à conclusão: a política atual é a soma de nosso desinteresse.