Alívio afinal
Assim como Deus, escreve certo por linhas que nos parecem tortas, a política por vezes chega a objetivos por caminhos estranhos. De há muito o governo do Paraná tenta obter recursos que lhe permitam realizar projetos importantes, prometidos em campanha. Idas e vindas, empréstimos nacionais e internacionais aprovados e desculpas oficiais para que não fossem integralizados. A cada momento, uma nova exigência e o governo correndo contra o tempo. Acontece que os prejuízos causados ao estado, seriam depois cobrados em campanha, na medida em que forças divergentes nos cenários nacional e estadual, iriam se defrontar logo adiante. Para complicar, o grupo que mandava no estado perdeu o comando da capital que, com sua região metropolitana representa um terço do eleitorado do estado. Porém, se a nova liderança agregada ao grupo situacionista nacional não tivesse bom desempenho aqui, comprometeria os objetivos estaduais da oposição e também os nacionais, na medida em que esse grupo nunca venceu no Paraná. Nesta altura o bem informado leitor já entendeu que se está falando de Beto Richa, Gleisi Hoffmann, Gustavo Fruet e Dilma Rousseff. Percebe também que um benefício anunciado pela presidente Dilma, ontem aqui, a construção do metrô, vai ter a paternidade disputada por governos federal, estadual e municipal. O governador Beto Richa fica com mais um ônus e grandes benefícios: na negociação tripartite do novo modelo de metrô curitibano, Brasília aumenta sua participação para R$ 1,7 a 2 bilhões; o estado igualmente de R$ 300 para 700 milhões; a prefeitura de 600 para 900 e a iniciativa privada entra com 1,3 bi. Em compensação o Tesouro Nacional compromete-se a autorizar as operações de crédito solicitadas pelo estado. Com mais prováveis R$ 500 milhões de depósitos judiciais tributários, a fase de vacas magras vivida pelo governo estadual, tende a desaparecer, transformando o último ano de Beto, num festival de obras. Nada mal para quem pretende se reeleger.
Possibilidade…
Uma nova fase na economia do Paraná está prestes a ser iniciada. Com o leilão de áreas para prospecção de hidrocarboneto (gás natural ou petróleo leve) no Paraná, com três empresas interessadas, entre elas a Copel e sua subsidiária Compagás, uma perspectiva extraordinária se abre para o estado. Para a ANP (Agência Nacional do Petróleo) há certeza da existência de gás, mas ainda não conseguimos viabilizar. Esse potencial está mais próximo agora.
…entusiasmante
Com razão, um dos mais entusiasmados defensores da participação da Copel na 12ª. rodada de licitações da ANP, é o presidente da Compagas, empresário Luciano Pizzatto. Gás natural não é só energia; é matéria prima e insumo para muitas indústrias, afirma ele, já vislumbrando a revolução econômica que a descoberta de reservas comerciais de gás poderia provocar. Perspectivas animadoras para o Estado.
Prestação de contas incompleta
Numa segunda safra de comerciais do PT dirigidos ao Paraná (a primeira foi suspensa pelo TRE) a ministra Gleisi Hoffmann faz um apanhado dos investimentos do governo federal na saúde do Paraná. Não informou o que se pretende fazer para salvar o Hospital de Clínicas, que sem contratações suficientes fechou leitos de UTI. Logo ele que é referência em algumas especialidades e que tem um fluxo enorme de pacientes vindos de todos os cantos do sul do Brasil.
Em choque
Nas consultas que o TSE pretende promover inclusive junto à opinião pública através de audiências, uma boa sugestão a ser dada é a proibição na divulgação de pesquisas, pelo menos 20 dias antes das eleições. Instrumento caríssimo de aferição as pesquisas têm sido usadas para influenciar eleitores indecisos, aqueles que não querem perder o voto. Caso houve em eleição municipal curitibana, em que pesquisa apontou Carlos Simões como vencedor. Perdeu de lavada para o candidato de Lerner que na época elegia um poste. Numa eleição apertada poderia ter mudado o resultado. Nem punição o Instituto autor da façanha e o contratante, sofreram.
