Vitória de Pirro
O governo conseguiu convencer os partidos de sua base a concederem novo prazo para votação do orçamento impositivo. O problema é que depois de tudo o que foi dito em relação á resistência dos parlamentares, especialmente do PMDB, que juravam de pés juntos que desta vez ficariam livres da pressão governamental para votação de qualquer matéria, o acerto cheirou pólvora. Que argumentos terá usado o interlocutor governamental que não se sabe mais se é Ideli Salvatti, assessorada por Gleisi Hoffmann, ou o ministro de Educação, Aloísio Mercadante assessorado por Gilberto Carvalho (a voz de Lula no governo)? A preocupação com os gastos no orçamento, certamente não serão, na medida em que esse, como se sabe, é uma peça de ficção. Convencer os parlamentares da base que o pagamento obrigatório das emendas favoreceria seus adversários, também não soa como argumento válido, já que os peemedebistas, até Lula assumir, eram parceiros preferenciais do PSDB e dos Democratas; os adversários eram os petistas. A afirmação de Gilberto Carvalho de que não se poderia pagar todas as emendas, uma vez que não se tem estrutura para fiscalizar a aplicação dessa dinheirama, também soa falsa; ao que se saiba as emendas sempre foram pagas como contrapartida a parlamentares que votaram com o governo, por vezes afrontando suas consciências: um mensalão oficializado, diferente do outro, de dinheiro desviado por baixo do pano. Sem qualquer preocupação com suas aplicações. Seja qual for o desfecho dessa novela, uma coisa é certa: o povo pagará a conta e a ética será mais uma vez enfiada para baixo do tapete. O ideal seria que as emendas individuais fossem abolidas. Permanecessem apenas as de bancada, em favor do estado de origem dos parlamentares.
Espionagem…
Acontecem coisas incríveis na área pública deste país. Agora um contrato assinado pelo TSE para fornecer os dados dos 141 milhões de eleitores brasileiros a uma empresa privada de compilação de informações, escandaliza até ministros do Tribunal. Assunto gravíssimo, num país em que, pela antidemocrática obrigatoriedade do voto, todos os eleitores são obrigados a fornecer seus dados pessoais para retirarem seus títulos.
…autorizada
O curioso é a Serasa Experian, multinacional beneficiária do convênio, vir passar um atestado de idiotice nos brasileiros afirmando que o convênio é desnecessário na medida em que os dados do eleitor são públicos, divulgados no site do TSE. O detalhe sutil do convênio é que ele permitia que a Serasa vendesse as informações que receberia do Tribunal. E ainda criticam os EUA pela espionagem que praticam!
De onde sai!
Ao conseguir o retardamento da votação que torna o pagamento das emendas parlamentares, impositivo, a presidente Dilma criticou o projeto por não indicar a fonte de onde sairá o dinheiro para pagamento de todas as emendas. Ora! Da mesma fonte que sai o pagamento de emendas para os apaniguados, já que no modelo atual o governo paga quem quer e quando quer. É verdade que o Orçamento é uma peça de ficção, feito por estimativa de arrecadação, o que quase nunca se confirma. Daí a dúvida se haverá dinheiro para honrar o pagamento das emendas.
Calote inverso
Uma das verdades reveladas pela CPI do Transporte Coletivo na Câmara de Curitiba é a informação de que quem paga a passagem com cartão vendido pela Urbs, mesmo no domingo em que a passagem custa R$ 1,50 (antes era R$ 1 real), paga o preço normal da semana ($R$2,70). Um detalhe que a prefeitura nunca teve preocupação de explicar ao usuário. Outras situações do velho contrato das concessionárias começam a vir à tona.
Em choque
Mais uma medida que vai dar pano pra manga no projeto Mais Médicos: a obrigatoriedade de médicos militares prestarem serviço para o SUS. São 6 mil médicos que pelo tratamento agora recebido, nas Forças Armadas não têm nenhuma utilidade! A outra medida que retorna é a contratação de médicos do exterior. Preferencialmente cubanos.
