Mudança desejável

Um pronunciamento do senador Valdir Raupp, se apoiado pelo seu partido o PMDB, pode sinalizar para tentativa séria de se realizar reforma política consistente. Defende ele mandatos de cinco anos e fim do direito de reeleição nas eleições majoritárias. Claro está que mesmo sendo encaminhado um projeto como esse para discussão, não valerá para a eleição de 2014. A argumentação do senador, com a qual a coluna concorda, até porque já defendida aqui, trata da necessidade de cláusula de barreira para impedir a formação de novos partidos, um dos agravantes para a situação de descrédito que grassa na opinião pública em relação à política e seus atores. Os leitores habituais desta, sabem que ela vai mais longe, visando reduzir o número de agremiações hoje existentes, caracterizando muitos deles com o que o senador classifica: partidos de aluguel. Bastaria para tanto que se obrigasse todos os partidos na eleições majoritárias, a apresentarem candidaturas próprias. Extinguindo-se igualmente as coligações nas proporcionais. Partido que não atendesse a essa exigência ficaria fora das verbas partidárias e dos espaços de televisão e rádio do TSE. Verbas partidárias que hoje somam mais de R$ 800 milhões de reais, o que invalida o argumento dos que são contra o financiamento público de campanha. Medidas que certamente contribuiriam para reduzir os partidos a não mais que cinco ou seis. Somando-se as propostas do senador Raupp a estas teses levantadas pela coluna, que de há muito devem estar aguardando serem colocadas em pauta pois já foram apresentadas pelo falecido deputado Affonso Camargo Neto, certamente teríamos uma mudança positiva na democracia que hoje se pratica no país.

Agosto tenso

A promessa é do presidente da Câmara, Henrique Alves: O toma lá, da cá, termina na quarta-feira (hoje) ao garantir que colocará em votação o projeto que torna obrigatório o pagamento pelo governo, da emendas parlamentares. Esse é o projeto que torna mais independentes os deputados, mesmo os que pertencem a partidos da base e que o governo certamente vai se esforçar em derrotar.

Projeto a perigo

Os demais, previstos para serem votados nas próximas sessões da Câmara, receberão empenho do governo Dilma. Entre eles o que cria enorme atrito com a classe médica e suas entidades representativas: o Mais Médicos. Mesmo tendo mudado a exigência de mais dois anos no currículo, período que seria adotado como obrigatoriedade para prestar serviços ao SUS, as exigências do projeto continuam a não agradá-los.

Apoio maciço

O deputado paranaense Eduardo Sciarra (PSD empenha-se em conseguir a derrubada do veto aposto por Dilma ao projeto de lei que acaba com a multa de 10% sobre o FGTS, paga pelos empregadores à União, quando a demissão é classificada como sem justa causa. Esse veto da presidente deverá estar em pauta depois do dia 20 e  sua suspensão contará com grande apoio empresarial.

Mais carinho

O deputado André Vargas, hoje um dos mais destacados parlamentares do PT, trabalha para superar o mal estar  existente entre o governo Dilma e sua base. Vê na falta de carinho da presidente, a razão principal da rebelião  existente. Todo político quer ter espaço para conversar. Quer afago, carinho. Não se aprofunda qualquer relação sem diálogo, diz ele, ao tempo em que afirma que apenas trocar representantes como a ministra Ideli Salvatti e líderes governistas, não ameniza o problema.

Em choque

Líderes políticos paranaenses com assento em Brasília como Alex Canziani (PTB), Osmar Serraglio (PMDB), Nelson Meurer (PP), além de Vargas e Sciarra, vêem da mesma forma. O diálogo tem que ter mão dupla, entre governo e parlamentares da base.

Para eles, também o empenho das emendas é fator essencial de respeito do governo com os parlamentares. Situação que muda fundamentalmente se aprovado o orçamento impositivo que o presidente da Câmara quer votar hoje.