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Com a abertura da comunidade virtual da Câmara Federal visando receber sugestões sobre a reforma política, a coluna, consciente de que não se resolverá todos os problemas eleitorais que descaracterizam nossa incipiente democracia, enviará a sugestão de se extinguir as possibilidades de coligações. Nas eleições majoritárias, todos os partidos seriam obrigados a lançar candidaturas próprias a prefeito, governador e presidente da República. Coligações só seriam permitidas após a posse dos eleitos, para garantir a governabilidade. Ainda assim entre partidos com afinidade ideológica. Essa única providência já eliminaria do cenário político mais de 80% dos 30 partidos hoje existentes, que, a se levar a sério uma das mais marcantes imagens das manifestações populares de junho, não representam ninguém. Apenas utilizam os poucos segundos que lhes cabem nos horários eleitorais para servirem de moeda de troca, o que os transforma em partidos de aluguel. Salvo raras exceções tais partidos chamados de nanicos, sequer exibem um programa que os diferenciem entre si. É claro que outras medidas precisarão ser tomadas, especialmente em relação aos mandatos, que devem passar de fato e de direito aos partidos, especialmente nos legislativos, onde raros eleitos obtém o quociente eleitoral. Como a maioria se elege pelos votos de legenda, é justo que ao tentarem mudar de partido, percam o cargo para o qual foram eleitos. As pessoas que ainda acreditam na política como processo de transformação do país, podem encaminhar sugestões para www.camara.leg.br. Lembrando uma frase que a coluna sempre repete:’ quem se omite abre mão do direito de decidir, mas perde o direito de criticar.
Frase sem sentido
Uma frase atribuída ao presidente do Senado, Renan Calheiros, merece um final diferente, depois de a classe política só fazer que ouve após as intimidatórias passeatas nacionais. Afirma ele: Se existe alguém que pode e deve pautar o Congresso é a sociedade. Antes ser pautado pela sociedade do que ser esquecido por ela. A frase teria sentido se fosse um pautar espontâneo, não forçado pelas atuais circunstâncias. Repudiado pela sociedade, grande parte do Congresso tem sido!
Disposição para a luta
José Serra parece ser adepto de uma frase que os gaúchos repetem com freqüência: Não está morto quem peleia. Depois de duas derrotas (Lula perdeu três antes de ser guindado à Presidência), ainda alimenta esperança de uma terceira disputa. Convites não parecem lhe faltar, depois de aparecer em pesquisas espontâneas em melhor posição que Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos.
Recesso interrompido
Apanhado de surpresa, é possível que algum deputado da base governista não tenha conseguido chegar a tempo à sessão extraordinária convocada pelo presidente da Assembleia, Legislativa, Valdir Rossoni, para as 18 horas de ontem. Especialmente os que têm base eleitoral no interior e que aproveitavam os poucos dias de recesso para visitar seus municípios. A segunda sessão extraordinária deve ocorrer hoje, certamente com melhor possibilidade de quorum.
Bem vindo
A convocação feita às pressas, chegada aos gabinetes parlamentares às dezoito horas da terça-feira, após a aprovação do Tribunal de Justiça cedendo 30% dos fundos judiciais para compor o caixa único do governo. A iniciativa da convocação partiu do Palácio Iguaçu, visando agilizar a apropriação desse recurso substancial (R$ 1,8 bilhão) que certamente fará muito bem aos programas estaduais. Premido pelas dificuldades o governo estadual acaba de contingenciar R$ 1,1 bilhão do orçamento deste ano.
Em choque
Uma frase do ex-presidente Lula, em relação à posição do PMDB (apoiada pelo PSDB) que sugere uma redução substancial no número de ministérios federais, deixa uma indagação no ar: A gente não tem que diminuir ou aumentar. Tem que entender para que serve o ministério, diz Lula. A pergunta que não cala: Para que é mesmo que alguns deles servem?
