Velhos hábitos

Por mais boa vontade que se tenha, é difícil tecer comentários sem o viés mais crítico. Sempre se afirmou que o problema do Brasil em relação ao comportamento dos políticos, que em boa parte se apropriam do dinheiro público ao conquistar mandatos, como se deles fosse, é o fato de as revoluções, como a de 31 de março de 1964, e outras como a proclamação da República, sempre terem ocorrido sem derramamento de sangue. A valer esse raciocínio as manifestações populares de agora, pacíficas em sua maioria mas terminadas em pancadaria pela ação de baderneiros, poderiam ser entendidas como com derramamento de sangue pela primeira vez. Nem isso porém muda o comportamento dos que se acostumaram ao status quo anterior. Basta que se recorde o que aqui se escreveu esta semana, com a mudança do comportamento dos senadores que já voltaram ao estilo anterior de votações, depois de algumas atuações que pareciam demonstrar mudança de comportamento. Caso da votação na CCJ das regras de votação secreta. Não mais as situações exigidas pela ética. Apenas as baseadas na conveniência. Caso inclusive da manutenção do voto secreto para cassação de mandatos de parlamentares. Por aqui, além da duvidosa condução da eleição para escolha do substituto de Hermas Brandão no TC, a vergonhosa disputa pelo gabinete de Fábio Camargo. Definitivamente,  não será a nossa geração que verá as mudanças necessárias para a moralização da política serem implantadas. O que permitirá que ela seja recheada de gente mal intencionada, para desgosto inclusive dos políticos sérios (e eles sobrevivem) nivelados por baixo na opinião pública como provam as pesquisas.

Mui amigo

Dois fatos desabonadores a provar que o efeito momentâneo  das manifestações já deixou de causar sobressaltos: a postura de deputado aliado a Valdemar Costa Neto, um dos condenados pelo STF no caso do mensalão, evitando a votação da nova norma que cassaria o mandato dos punidos que ainda exercem mandato na Câmara Federal, imediatamente.

Vexame

Igualmente a notícia do jantar oferecido pelo presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) a seus colegas da bancada partidária, ao vice-presidente Michel Temer e aos ministros Garibaldi Alves (Previdência) e Antonio Andrade (Agricultura). Nada a condenar, não fora os R$ 28,4 mil pagos pelos cofres da Câmara. Dinheirinho público, seu, meu!

Desrespeito

Repercutiu mal a postura de uma jovem estudante curitibana do Movimento Passe Livre, que atingiu com uma torta o rosto do diretor da Urbs que aceitara a convocação para prestar esclarecimentos à CPI do Transporte Coletivo da Câmara. Uma lição de anti-democracia, tão degradante quanto as arruaças ocorridas nas manifestações populares.

Lucro expressivo

A propósito: poucas são as informações que a atual diretoria da Urbs, empresa mista curitibana que  administra o transporte coletivo metropolitano, têm podido repassar à CPI. A mais importante, a ser confirmada: o lucro das empresas chegaria a R$ 8,5 milhões mensais.  

FOLCLORE

Por vezes fatos pitorescos voltam à memória deste escriba já avançado em anos. Como um fato da eleição de 1960, quando Jânio se elegeu presidente com fantástica votação, para meses depois causar grande frustração popular. Como o vice era votado separadamente, Jango Goulart venceu. Este,  logo após a eleição veio descansar em sua casa em Camboriu. Fez um pedido original a este escriba que à época dirigia o Depto. de Relações Públicas do Banco Inco e a emissora de Rádio loca, que pertencia ao Banco. Com um excelente departamento de notícias, acompanhávamos, com as dificuldades de comunicação da época as apurações nacionais. Diariamente levava a ele um relatório da votação com os resultados do dia, numa apuração que durava mais de uma semana. Homem cordial, recebia-me com um bom whisky e uma  hora de bom papo. Poucos terão tido a oportunidade de conversar com um vice-presidente eleito, tanto quanto eu.