Constatações

Dez dias de permanência no interior de São Paulo,  forçado pelas circunstâncias da vida, dá ao jornalista  uma visão mais crítica, provando que cada estado deste país é uma unidade diferenciada da Federação. Inclusive no aspecto administrativo. A começar pelo tratamento que cada um deles recebe, reforçando a convicção de que o estado do Paraná é o filho enjeitado, desde há muito. Como esse próprio adjetivo diz, abandonado, desprezado.  Talvez até pelo fato de durante muito tempo ter sido a 5a. Colônia de São Paulo. Ao regressar, tomando conhecimento de que a situação do governo paranaense continua a mesma, impedido de tomar empréstimos internacionais e nacionais pela sua inadimplência perante a LRF, logo vem à mente o tratamento dispensado a outros estados. Informações veiculadas na imprensa paulista dão conta do oferecido ao governo petista de Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, onde obras abundam. Igualmente, em São Paulo,  situações não imaginadas por aqui, onde as divergências políticas vão ao extremo, mesmo quando o interesse do Paraná está em jogo. Quando a presidente Dilma, pressionada pela inesperada movimentação das ruas, passou a anunciar medidas que acalmassem a populaçãodespertada, um investimento de R$ 50 bilhões aos estados e municípios surgiu. Duas semanas depois o governador do estado (PSDB) e o prefeito de São Paulo (PT) eram recebidos em audiência, pleiteando em conjunto R$ 17 bilhões. Em contrapartida, a ministra Chefe da Casa Civil da Presidência, acossada por entidades de classe paranaenses para que atuasse em favor da liberação de recursos para o seu Estado, consultou órgãos do governo federal responsáveis pelo sime  alegou que as condições exigidas não estavam contempladas, inviabilizando tais empréstimos. Esquecida que o Estado que a projetou e um  dia tem a pretensão de administrar, banca R$ 1 bilhão em universidades estaduais, que por obrigação seriam mantidas pelo governo a que ela serve. Entre outras perdas. Recursos que são incluídos nos custos que hoje o Paraná ultrapassa.

Parceria

Ao regressar a Curitiba, em pleno vôo, acompanhei pela TV a bordo, lances da visita de Dilma Rousseff, a Ponta Grossa, onde inaugurou 1438 casas populares. A parceria entre o governo federal e o estado, foi elogiada pelo governador Beto Richa, que afirmouter o Paraná o maior programa habitacional do país, segundo a Caixa Econômica Federal.

No olho do furacão

Beto foi a única figura do estado no foco das câmeras de TV. À direita da presidente Dilma, e ao lado do ministro Paulo Bernardo com quem ainda tem melindres. À esquerda de Dilma, a ministra Gleisi Hoffmann. Na fileira detrás, deputados federais do PT. Personalidades do Paraná, inclusive o prefeito pontagrossense, fora do foco central.

Assessorias questionadas

Com a ministra Gleisi, festejada no Paraná como a possível candidata do PT em 2014, a imprensa paulista não é condescendente. Aponta-a em queda de prestígio junto à cúpula petista, ao lado da catarinense Ideli Salvatti. Responsabiliza a elas e outros nomes do governo, pelo assessoramento equivocado prestado à presidente Dilma,  colocando-a no foco do descontentamento popular que tem contribuído para suas recentes más avaliações nas pesquisas. 

Silêncio estranho

Outro fato que tem estado no foco das críticas da imprensa paulistana é o silêncio obsequioso a que Lula se impôs. Sua viagem à África no auge das manifestações que atingiram em cheio a popularidade do governo Dilma, somado ao descontentamento manifestado por parlamentares da base, inclusive do PT e do PMDB, protagonistas do volta Lula, tem deixado governistas preocupados.

Em choque

Tão logo proclamada a vitória do agora ex-deputado Fábio Camargo para a vaga de Conselheiro do TC, este apressou-se em  renunciar à condição de deputado. Mesmo que o questionamento sobre o resultado da eleição prospere, o julgamento caberá ao Tribunal de Justiça presidido pelo pai do ex-parlamentar e novo Conselheiro.