Indignação latente
A declaração de uma jovem que participou da criação do Movimento Passe Livre, que promove manifestações em várias capitais contra o aumento no transporte coletivo, leva a várias conclusões. Disse ela que as lideranças do movimento perderam o controle das manifestações, para justificar situações como as depredações que fugiram ao objetivo e provocaram os confrontos com as polícias, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Tais fugas do objetivo acabam por provocar um efeito contrário: ao invés da adesão popular em nome de quem tais manifestações são feitas, acabam por provocar críticas pelos prejuízos causados não apenas ao patrimônio de terceiros mas também, à mobilidade dos transeuntes, gente que voltava para casa depois de um dia de trabalho. Outra observação a ser extraída dessas manifestações, têm a ver com as dificuldades vividas pela juventude brasileira. Falta de vagas em escolas, falta de oportunidade de trabalho, além do descontentamento provocado pelo noticiário permanente de desvirtuamento no comportamento das autoridades. Trocando em miúdos: noticiário sobre benesses aos mais bem aquinhoados no serviço público, atraso e superfaturamento em obras, assim como obras de utilidade discutível como, por exemplo, as que absorveram bilhões de reais para atender às exigências da Fifa, dinheiro que falta à saúde, à educação e à segurança. Corrupção enfim, minando a paciência não apenas dos jovens, mas da imensa maioria dos brasileiros. O que fica patente e que os governantes precisam atentar para isso é que, o brasileiro começa a reagir, adquirir a capacidade de se indignar. Por enquanto é o aumento no transporte coletivo de má qualidade. A qualquer pretexto outras manifestações podem ocorrer.
Complicação adicional
Um fato que complica a situação do governo, já comentada aqui, pelo controle que exerce sobre as grandes redes de comunicação através as milionárias e também discutíveis verbas publicitárias das estatais, é essa espécie de censura enrustida. Permitem que as TVs dediquem boa parte de seus noticiários à insegurança (crimes cada vez mais hediondos), dêem ênfase ao noticiário internacional, e pouquíssima ao noticiário político nacional. Espaço só para o governo! De qualquer modo as malfeitoras acabam vazando pelos jornais independentes ou pela Internet, estimulando a imaginação negativa.
Discussão estéril
A divulgação excessiva de crimes e incompetência policial, quando não comprometimento da mesma, acaba tendo efeito contrário. Como a discussão entre o governador de São Paulo que atribui grande parcela da criminalidade à falta de controle das fronteiras, pontos de acesso das drogas, fonte maior da criminalidade, e a resposta do ministro da Justiça, que vê na reclamação de Alckmin, desculpa para a ineficiência do governo paulista.
Equívoco
Na coluna de ontem, um equívoco fruto da desatenção: ao invés de José, no comentário inicial, leia-se Antônio Ermírio de Morais. José é irmão de Antônio. Foi este que disputou com Maluf e Quércia o governo de São Paulo, sendo vítima dos gênios do mal que são abundantes nas campanhas de políticos mal intencionados. Gente encarregada de encontrar defeito nos adversários.
Pessoa diferenciada
Antônio Ermírio faz parte de um tipo de empresário que, apesar de suas múltiplas ocupações na área empresarial e sucesso financeiro, não se preocupa com exibicionismos. Não frequenta colunas sociais, dirige seu próprio carro nacional e por vezes modesto, em suas locomoções, e não vive rodeado de seguranças. Encontra tempo para atividade como a de provedor, há muitos anos, de uma entidade filantrópica chamada Beneficência Portuguesa.
Em choque
Entra em vigor o Conta Única do governo estadual. Se conseguir alcançar os objetivos propostos, administrando bem os recursos estaduais nela reunidos, um avanço. Beto Richa entende que o modelo já utilizado no governo federal, pode dar bons resultados por aqui.
