Nivelando por baixo

Enfim o bom senso que andava ausente nas discussões de problemas que acabaram na prevalência de grupos que impõem sua verdade pela força, ou pelas maiorias cooptadas como ocorre em legislativos, pelos métodos que o mensalão descreveu, parece que vai prevalecer. A formação de uma Comissão na Câmara Federal com o objetivo de discutir a PEC 37, que retira do Ministério Público o poder de investigação, especialmente em crime do colarinho branco, deixando apenas às polícias esse poder, é nivelar mais uma vez o Brasil por baixo. Haja vista que apenas em três países isso é adotado: Uganda, Quênia e Indonésia. Há fontes de pressão para que os MPs sejam afastados: o corporativismo das polícias, detectado pelo Ministro da Justiça, esquecidos os delegados que têm boa remuneração que o restante das corporações policiais não recebem o mesmo tratamento financeiro, o que  torna alguns de seus membros menos convictos, vulneráveis, facilmente cooptáveis pelo crime organizado, como comprovam os noticiários policiais diários. Superado esse problema pelo melhor resultado que certamente advirá dessa Comissão; praticamente esvaziado outro episódio que antepôs o STF e o Congresso pela postura conciliadora dos presidentes da Câmara e do Senado, vem agora o deputado petista Marco Maia retomando o problema, tentando limitar a ação do STF. Justo ele que na Presidência da Câmara, tentara evitar a cassação dos mandatos de deputados condenados. Só pode ser uma retaliação ao resultado do julgamento do mensalão, que expôs a ação de  companheiros seus. Metalúrgico de ofício, Maia, pouco afeito às lides judiciais, esquece-se que o STF pode não ter agradado ao PT mas é fundamental para a preservação do regime democrático. O que não se pode imaginar aqui, é um STF curvado ao poder central como na Venezuela. Apesar da obsoleta forma de escolha dos seus ministros.

Acordo necessário

Em episódio ligado ao transporte coletivo, que envolve o governo do Estado e as prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba, a da capital  por divergências políticas recentes, o entendimento parece estar perto de prevalecer. Comec (estadual) e Urbs (município de Curitiba) estão aparentemente próximos de um acordo. Reuniões continuam a acontecer.

Prejuízo eminente

De outra forma, o transporte integrado da RMC estará a partir do dia 8, quando vence o subsídio oferecido pelo governo do Estado à administração anterior, penalizando quem nada tem a ver com a disputa política: os usuários do transporte coletivo, em sua maioria gente que mora em municípios vizinhos  e que exerce suas atividades profissionais (por vezes mal remuneradas) em Curitiba. A filosofia popular, presente em todas as situações com suas tiradas anônimas e inteligentes, ensina que bom senso e caldo de galinha, não fazem mal a ninguém.

Isenção bem vinda

Nessa discussão, uma boa nova surgiu! O governo abriu mão do ICMS incidente sobre o óleo diesel utilizado em ônibus do transporte coletivo. Isenção que representará economia de R$ 1.750 milhão para Curitiba e seus 13 municípios vizinhos da Rede Integrada. Favorecerá Londrina em R$ 515 mil; Ponta Grossa (321 mil), Cascavel( 292 mil), Foz (255 mil), Guarapuava (169) mil e Paranaguá (142), além de sistemas menores.

Tiro no pé

Um projeto que criou polêmica na Câmara Municipal de Curitiba, concedendo título de cidadania a um líder religioso não curitibano, não passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Foi devolvido à vereadora proponente para adequação, que se espera, fique por aí. Um tiro no pé!

Em choque

Se a moda de homenagear líderes religiosos que não residem no local, num país em que denominações religiosas e sindicatos brotam a cada dia (sindicatos são 250 novos em 2012, esvaziando a força das categorias), as câmaras, onde prosperam mais títulos de cidadania e nomes de ruas, acusadas hoje de pouca produtividade pelo custo que representam (de 4 a 6% dos orçamentos municipais), vão ter ainda mais diminuídas as visões de suas utilidades pelas suas comunidades.