Reforma, já!
Uma das preocupações que os ocupantes de altos cargos da República deveriam ter é com a palavra empenhada. Não significa mudar de opinião que isso é característica das pessoas, inclusive vista como sinal de inteligência e humildade. Mas sim, não desdizer o que antes se disse sem uma justificativa, perfeitamente aceitável, ou não se contradizer. Caso por exemplo da reforma tributária, tão badalada e nunca praticada. Ainda na sexta-feira tivemos uma prova de que, o governo sabe o quanto ela seria importante. Ocorre porém que aplicada, ocorreria uma reformulação no direcionamento dos valores, obrigando o Estado, aí entendido o governo federal, a reduzir seu tamanho. Coisa que num país dominado por um partido que leva o aparelhamento do Estado ao extremo, não é conveniente. Ao revés! Procura ele estender seus tentáculos como agora se anuncia com mais uma Secretaria com status de Ministério. Voltando porém à palavra, vamos nos ater à fala da presidente Dilma em seu longo pronunciamento sobre o Dia Internacional da Mulher. Ao anunciar a bem vinda redução de impostos sobre mais alguns produtos da cesta básica, disse textualmente: Aproveito agora para mandar um recado muito particular para os nossos produtores e comerciantes do campo e da cidade. Vocês vão logo perceber que essa medida trará uma forte redução nos seus custos, e isso vai dar margem para a expansão dos seus negócios. Se ela acredita que uma desoneração próxima a 9% produz tal efeito, quanto não crescerão as vendas, a produção, o consumo, os empregos e a capacidade de competição de nossa indústria inclusive no cenário internacional, com a reforma! Chega de intervenções pontuais como essa anunciada, ou outra que aumenta o número de carros e diminui os usuários de transporte coletivo. Questão de vontade política e coragem!
Ascensão social
A novidade no pronunciamento de Dilma Rousseff foi a introdução de artigos de limpeza e higiene, entre os itens da cesta básica. Sub-repticiamente sugeriu que isso se deve à ascensão de mais de 22 milhões de brasileiros (?) à classe média (o papel e a TV aceitam tudo). O governo não perde oportunidade para o auto-elogio.
Pano pra manga
Como previsto, o aumento da passagem de ônibus na rede integrada ainda não aconteceu. Uma medida do governador que anuncia retirar o subsídio ao transporte coletivo da RMC em maio (R$ 64 milhões), desonera o ICMS do diesel e deve provocar queda de R$ 0,4 no custo da frota. Insuficiente para cobrir o que falta para a tarifa técnica real que é de pouco mais de R$ 3,00. Assunto que vai dar pano pra manga!
Mudanças
Uma mudança de comportamento as redes sociais na Internet já provocaram: o povo brasileiro parece estar saindo da letargia que o caracterizou. O que obrigará os políticos que sempre agiram na contra-mão da opinião pública a também mudarem de comportamento. Manifestos contra Renan na presidência do Senado já atingem 74% da opinião pública, contra. Igualmente manifestos contra a escolha do pastor/deputado Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, começam a bombar no Facebook.
Em choque
Movimentos populares em defesa ou contra algum órgão ou escolha, hoje são mais freqüentes. Com as informações chegando mais rapidamente aos brasileiros, e com espaços a suas opiniões na Internet, as reações começam a se ampliar. Bom para a democracia! Diferentemente de outros tempos em que precisava o governo tomar a frente, com seus poder quase único de comunicação, em defesa de instituições como a Petrobras (O petróleo é nosso!). Com a situação de hoje da empresa, movimento que ficam amais difícil. Também a Copel, personagem de grande movimentação em sua defesa no governo Jaime Lerner, agora anunciando investimentos bilionários fora do Estado e resistindo a aceitar diminuir seu faturamento no Estado, dificilmente hoje teria o mesmo apoio.
