Credibilidade chamuscada

O ano de 2013 começa mal para o governo federal. Curiosamente, vive situações já previstas por Roberto Campos (já falecido, recentemente citado aqui), no que diz respeito às dificuldades hoje vividas pela Petrobras, que  teve um preocupante 2012 e ameaça ter um ano não muito diferente, neste. Outro nome que com Campos divide o rol dos economistas cujas opiniões provocam acesos debates, admirados por uns, contrafeitos por outros, Delfim Neto, que habitualmente  seria ouvido pela presidente Dilma, entrou este ano com críticas ao governo. Deitou falação na Folha, entrevistada por Érica Fraga. Com seu linguajar típico afirmou inicialmente que não é uma política das mais inteligentes, formar oligopsônios (só ele mesmo para lembrar uma palavra dessas) e oligopólios com recursos do Tesouro, porque é óbvio que não são instrumentos eficientes no processo competitivo. São contra a competição. Oligopólio, sabe-se é pequeno número de  fornecedores de um produto; já oligopsônio (explica a jornalista Miriam Leitão) é a concentração de compradores. A crítica dirige-se ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho que desde 2007 está convicto de que, financiar e virar sócio na concentração de setores como fez recentemente com um frigorífico, é bom para o país. As críticas do ex-ministro não ficaram por aí. Aponta, entre outros, erros na política cambial; depois de o dólar subir a R$ 2,13 (bom para os exportadores) com Mantega afirmando que ainda havia defasagem, vem o Banco Central e entra no mercado para forçar a baixa, reduzindo o impacto da inflação crescente. Empresas com dívidas em dólar fizeram hedge, isto é, compraram dólares por acreditar em mais altas. Ficaram no prejuízo. Apesar das críticas, a inflação aparenta estar sob controle, há menos desigualdade, houve redução de juros e queda no preço de energia. A credibilidade junto a investidores porém, vai demorar a ser resgatada.

Casa de ferreiro…

Convocado pela Câmara Municipal de Curitiba para falar sobre o tema da moda que são as normas de segurança em ambientes fechados, o coronel Luiz Henrique Pombo do Nascimento, comandante do Corpo de Bombeiros, apontou o dedo para os dirigentes da Casa. É que a Câmara não cumpre tais normas. Casa de ferreiro, espeto de pau, lembra a filosofia dos representados.

Às moscas

A falta de Brigada de Incêndio, ausência de sinalização adequada para saída de emergência e falta de extintores, são algumas das falhas. O interessante é que o plenário tradicional da Câmara, com o Palácio Rio Branco inteiramente recuperado, está às moscas. As sessões continuam sendo feitas em auditório improvisado (e irregular em relação à segurança) no prédio anexo.

Ameaça infeliz

A ironia dessa história ficou por conta do vereador Valdemir Soares que, ao ser entrevistado pela Band News, ameaçou o órgão de imprensa que citar as irregularidades da Casa quanto à segurança (outras, de outra espécie foram denunciadas na Câmara em 2012), de que exigiria documento do Corpo de Bombeiros que provassem a regularidade de suas instalações. Deve ter se referido à Gazeta do Povo que, premida pelas circunstâncias deve deixar seu tradicional endereço da Praça Carlos Gomes, que ficou pequeno para sua expansão atual.

Lenha na fogueira

A reunião do PT no próximo dia 20 para comemorar os 10 anos no poder, deve ficar ainda mais inflamada com a decisão do Procurador Geral  da República. Gurgel,  após anunciar que mandaria as denúncias do publicitário Marcos Valério, implicando o ex-presidente Lula no mensalão,  ao MPF de  São Paulo para investigação, de vez que ao deixar a presidência Lula perdeu o foro privilegiado, que o investigaria no STF, acabou remetendo-o para o MPF de Minas.  

Em choque

A expressão da presidente Dilma sobre políticos vilipendiados, em defesa desses em sua fala no Congresso, caberia, se não fossem os próprios a se vilipendiar. Dois estavam a seu lado.