Duas pirâmides

Numa conversa com vereadores de Quarto Centenário, cidade que pouca gente do governo conhece, entre Formosa, e a 12 quilômetros de Goioerê, no médio oeste do Paraná, o colunista verbalizou uma situação na qual pouca gente presta atenção. O Brasil, como o Egito, tem suas pirâmides. No caso brasileiro e é aí que a porca torce o rabo, pouca gente se dá conta que, a base da pirâmide econômica é a que menos recebe. Aos 5.565 municípios brasileiros, segundo o IBGE, onde é gerado o hoje mais de um trilhão de impostos, base da pirâmide econômica, estão reservados apenas 18% dessa montanha de dinheiro, maior parte da qual é recolhida a Brasília. Base que por sinal é onde o povo vive e trabalha.  O restante dessa pirâmide com seus resultados, começa a subir chegando ao topo, a Capital Federal, que não por acaso é chamada de Ilha da Fantasia. Ali grande parte desses valores gerados na base, algo em torno de 54% são consumidos, com pouco retorno em investimentos produtivos. Já os estados ficam com 28%. Como se vê uma pirâmide invertida, com o vértice para baixo e o resultado maior, mais largo, para cima. Na outra pirâmide, a política, a base, povo e suas representação municipal, na posição original: base larga embaixo. A começar pelo povo votante e sua representação primeira que são os vereadores. Logo acima os deputados estaduais, na seqüência superior os deputados estaduais, governadores, federais e senadores, até chegar ao vértice superior, (o) a Presidente e os que cercam seu trono: que são os que mandam nessa montanha de dinheiro gerada em baixo e mal gasta pelos de cima. Mais uma vez eles representam a Ilha da Fantasia, um Brasil bem distante, inclusive em quilometragem, do Brasil real. À partir dessas distorções, tudo acontece.  

Equívoco feio

Uma postura do governador do Paraná, na vinda da presidente Dilma ao estado, foi mal interpretada por órgãos de imprensa. Ao afirmarem que Beto clonou a presidente, não se descolando dela, esqueceram-se que ele cumpriu uma função instituída pelo Cerimonial. Dilma era a visitante ilustre (Presidente da República) que mereceu as atenções do dono da casa (o governador do Paraná). Não se trata de candidato, fazendo as vezes de papagaio de pirata.

Acusação…

Ao discursar na Câmara Municipal, na segunda-feira, abrindo o período legislativo, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, escancarou as dificuldades iniciais que enfrenta com os valores pendentes deixados pela administração anterior. Inclusive com dívidas substanciais, não previstas no Orçamento municipal de 2013. No total, R$ 446 milhões.

…e réplica

As denúncias de Fruet  mereceram manifestação em sentido contrário do ex-prefeito Luciano Ducci. Voltou a repetir que deixou R$ 250 milhões em caixa e que cerca de R$ 200 milhões desse total (R$ 446 milhões) referem-se a despesas efetuadas em dezembro que só poderiam ser quitadas em janeiro. A valer esse  raciocínio sobrariam R$ 4 milhões e nenhuma dívida.

Chamem os mediadores

A solução é entregar os levantamentos ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público, aguardando-se uma informação desses órgãos. Uma coisa é visível: obras iniciadas três meses antes da eleição (e inacabadas) como a extensão do azulão, na linha Santa Cândida x Praça do Japão (altamente questionada pelos moradores da Praça), foram visivelmente eleitoreiras. A derrota eleitoral é que não estava no programa!

Em choque

Não só em Brasília as rusgas entre Câmara Federal e Supremo Tribunal Federal, estão acirradas. A quem cabe punir deputados condenados pelo mensalão é a discussão! Por aqui, a posse do novo presidente do Tribunal de Justiça foi marcada pela lamentação do desembargador Clayton Camargo, por não terem sido votadas pela Assembleia Legislativa as matérias que reajustavam taxas dos cartórios em 2012, bem como a criação de cargos no TJ. Cabe exclusivamente ao Judiciário julgar, interpretar as leis e aplicá-las insistiu o presidente do Tribunal.