Percalços a serem vencidos
Ontem a coluna analisava as várias hipóteses já levantadas em relação às eleições de 2014.
Análises precipitadas pela derrota sofrida pelo governador Beto Richa na eleição de Curitiba. Culpa do entusiasmo com que seus principais interlocutores o convenceram que, com o prestígio com que deixou a prefeitura de Curitiba, ninguém conseguiria se antepor a quem indicasse: no caso Luciano Ducci, seu vice. Esquecidos porém que juntamente com ele, uma suicida candidatura de Gustavo Fruet ao Senado fora tentada pelo PSDB, objetivando derrubar Roberto Requião que disputava uma das vagas – a outra era de Gleisi, indicavam as pesquisas; uma surpresa aconteceu naquela eleição. Gustavo, que vinha longe dos dois favoritos, aproximara-se tão perigosamente do segundo colocado que por 1% dos votos, não derruba o lendário peemedebista (agora derrotado no partido pelos próprios companheiros que criou). Um pouco mais de empenho, e Gustavo hoje seria senador. Não se poderia portanto deixar de considerar os mais de 600 mil votos que conquistou em Curitiba. Neutralizá-lo no tucanato acabou forçando uma situação que hoje é extremamente incômoda: Gustavo é o prefeito de Curitiba, pelo PDT, com apoio de Gleisi, Bernardo e a maioria dos petistas. Comprometido portanto com esses que o ajudaram, quando a mão amiga, não lhe foi estendida. A avaliação de que agora, trazer Ratinho Jr. para o reduto betista, como Beto fez com o PMDB, é uma solução, ainda tem alguns percalços. Especialmente a estreita relação de amizade e de negócios (TVs, rádios) do Carlos Roberto Massa (pai) com Lula e o governo petista, com suas milionárias verbas de comunicação. Além de um PSB da base governamental.
Licença estranha
A licença de Wilson Picler do comando do PDT, sob o pretexto de retomar seus negócios na área educacional, deixados à parte pelo seu empenho na campanha vitoriosa de Gustavo Fruet, não convence. Mesmo afirmando que vai retomar suas atividades políticas em 2014, quando disputará nova vaga na Câmara Federal, à qual já pertenceu.
Esperteza não prevista na lei
Só os que não são do ramo se surpreendem: enquanto aguarda um pronunciamento do TSE, a ex-deputada e vencedora da eleição municipal em Colombo, Bete Pavin, que teve sua candidatura cassada mas obteve 52% dos votos válidos. O que, na pior das hipóteses obrigará a uma nova eleição. Enquanto a decisão definitiva não sai, ela oferece seus préstimos gratuitamente ao presidente da Câmara (Pelé), de seu grupo político, que assumiu a prefeitura. Virou uma espécie de prefeito ad hoc.
Amigos para sempre
A pressa com que a diplomacia brasileira apóia o retardamento da posse do presidente venezuelano, Hugo Chavez para novo mandato que se iniciaria hoje, contrapõe-se inclusive à opinião de abalizados comentaristas que entendem o adiamento como inconstitucional. A admiração do governo brasileiro pelos métodos de Chavez que se perpetua no poder (já são 14 anos) deixa margem a questionamentos.
Situação parecida
A situação sem Chavez no poder (as informações sobre seu estado real de saúde são desencontradas) pode se complicar. Lembra um pouco a posse de Sarney, enquanto Tancredo agonizava. Legalmente, quem deveria assumir seria o presidente da Câmara, Ulisses Guimarães e marcar nova eleição presidencial. Daí o porque do presidente João Batista Figueiredo ter saído pelos fundos do Planalto para não lhe passar a faixa.
Em choque
Um detalhe adicional: o vice na Venezuela não participa da chapa que disputa a eleição. É indicado pelo presidente. Lá como aqui, o presidente da Câmara assume na vacância do cargo. Coisa que ocorrerá, já que Chavez não está em condições de assumir o novo mandato e a indicação do vice só seria válida depois de empossado. A atitude brasileira coloca a nossa diplomacia na mesma situação apressada que enfrentou quando da deposição (legal) de Fernando Lugo, do Paraguai.
