Medidas moralizadoras

Um dos capítulos do livro Paraná Político de Cabo a Rabo, deste colunista, usa a expressão: mal termina uma eleição, outra está sendo articulada. Situação que ocorre pela alternância dos pleitos que elegem prefeitos e vereadores numa e presidente, governador, senadores e deputados em outra. O que além de encarecer o processo eleitoral, cria inúmeras dificuldades administrativas pelas limitações que a legislação impõe. Conveniente para os políticos na medida em que permite que um deputado estadual, por exemplo, dispute a prefeitura de seu município de origem. Vencendo passa a dominar a política local. Se perder, certamente fortalecerá seu nome para dois anos depois pleitear a reeleição de deputado. Para o cidadão comum, essa não coincidência de mandatos é incômoda, de vez que o voto sendo obrigatório, a cada dois anos é intimado às urnas sob pena de sofrer várias retaliações. Essa talvez fosse uma das principais medidas a serem adotadas numa desejada reforma eleitoral: eleições gerais de cinco em cinco anos, de presidente da República a vereador. Sem direito a reeleição nos cargos executivos e apenas uma reeleição nos legislativos. Fora disso, com reeleições ilimitadas, dá-se a senadores, deputados e vereadores o direito de pleitearem aposentadorias. Uma outra medida altamente moralizadora, seria a obrigação de todos os partidos apresentarem candidaturas majoritárias. Nada da nefasta coligação, feita apenas para aquisição dos poucos segundos a que os partidos têm direito no horário eleitoral, dito gratuito.Acaba-se com o balcão de negócios em que tais partidos (inclusive alguns grandes, especialidade do PMDB que de há muito não concorre à Presidência com candidato próprio) se transformaram. Bastariam essas medidas para dar uma agitada no corrompido ambiente político brasileiro.  

Para felicidade dos governadores a ameaçada retenção do repasse do Fundo de Participação dos Estados, não se confirmou. Quinta-feira estarão nas contas de 26 estados e do Distrito Federal R$ 4 bilhões de reais. A controvérsia teve início com a decisão do Supremo de que tais repasses, com a divisão atual, são ilegais. Um entendimento entre o Ministro Interino da Fazenda, do Advogado Geral da União com o Ministro Joaquim Barbosa, liberou momentaneamente tais recursos.

A derrota de Luciano Ducci em sua pretensão de obter um segundo mandato na prefeitura de Curitiba, desencadeou uma série de especulações políticas. Dá-se como certo que o PMDB vai ampliar sua participação no governo, possivelmente com a transferência de Luiz Cláudio Romanelli dá secretaria do Trabalho, para a Casa Civil. Ideia que encontra resistência nos companheiros de Beto de primeira hora.

Armas à mostra

Essa medida, entre outras, teria por objetivo reforçar a posição de Beto para 2014, de vez que a oposição já começa a mostrar as suas armas. Com Gustavo na prefeitura curitibana, a candidatura de Gleisi Hoffmann ganha substancial reforço. Acrescente-se a boa aceitação demonstrada em pesquisa ao nome de Osmar Dias, ao Senado, em sua chapa, mais um vice escolhido no eixo oeste-sudoeste e se antevê uma disputa ferrenha.

Fiel da balança!

O coringa que o governador tem na manga para reforçar sua candidatura é Ratinho Jr. Embora sem admitir, o deputado que recebeu 40% dos votos de Curitiba (mais sua força no interior do Paraná), é dado como certo para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, antes ocupada por César Silvestri Fº, que se elegeu prefeito de Guarapuava. Ratinho inclusive seria o vice na chapa encabeçada por Beto Richa. 

Em choque

Tudo por enquanto não passa de especulação. Como onde há fumaça, há fogo, alguma coisa realmente ronda o ambiente político paranaense. Restam porém uns 17 meses até as articulações tomarem forma. Tempo em que Beto, Gustavo, Gleisi precisam mostrar serviço e garantir que seus prestígios chegarão às vésperas de outubro de 2014, em alta. A conferir!