“Estórias” na História
Os governos têm razão de reclamar da imprensa que nem sempre aceita o que ele diz. Mas, quando jornalistas econômicos como a Míriam Leitão, da agência O Globo, ligada à rede que recebe muitos milhões do governo em publicidade, começa um comentário dizendo o que esta coluna reproduz, é hora de prestar atenção. Diz ela: Com truques contábeis, jeitinho, mudanças de regras, invenções, o ministro Guido Mantega está minando o que o Brasil levou duas décadas para construir: a base da estabilização. De todos os erros do ministro, este é o pior. Mantega está tirando a credibilidade das contas públicas. Mesmo quem acompanha o assunto já não sabe mais o valor de cada número que é divulgado. Imagine-se os pobres mortais, pouco versados em economia! Uma área governamental pouco (ou nada) transparente, apesar das novas leis que regulam o setor. O que dá ao colunista o direito de achar que o ‘mensalão’, com todo o alarde que se fez em torno dele, foi na realidade uma cortina de fumaça. Melhor deixar o povo vibrar pelas punições impostas ‘a grandes nomes da política nacional’, pensando bem, em termos, na medida em que o mais importante deles, Zé Dirceu, de há muito estava ganhando dinheiro fora do governo. Assumira o que Maquiavel ensinava na sua obra escrita em 1513 é melhor ser amigo do príncipe que trabalhar com ele (A obra foi publicada pos-morte em 1532). O Zé, o Palocci, o ministro Pimentel, conhecem bem essa história, mesmo sem terem lido O Príncipe. É da índole de um país surgido de situações que o maringaense Laurentino Gomes descreveu bem em suas obras imperdíveis 1808 e 1822: a vinda da família real portuguesa, fugindo de Napoleão que depois de conquistar países vizinhos à França, chegava nas barbas de Lisboa. A fuga foi um perereco que sobrou para a colônia chamada Brasil!
Problema de origem
Já que entramos no assunto, vamos nos aprofundar um pouco mais. Nem se negue ao colunista o direito de comentar: por traz do Pedro Washington tem um sobrenome Almeida, que identifica a origem da família. O que não o impede de achar que se a organização inicial do país-continente fosse outra, uma dissidência religiosa inglesa por exemplo como a que originou os EUA, com regras claras, talvez a situação fosse diferente por aqui. A ponto dos sulistas pleitearem: O Sul é meu país.
Miscigenação tardia
Começamos mal, com uma Maria Louca e um Dom João ainda mais complicado; seguidos de um mulherengo Dom Pedro I, que vinha do Rio, a cavalo, para viver um romance com a marquesa de Santos e por vias ‘transversas’ proclamava a Independência (a versão retratada no quadro de Pedro Américo, valeu mais que o fato real) e chegamos onde chegamos. Do Império modorrento herdamos a índole que nem a miscigenação ocorrida séculos depois (especialmente através de outros europeus que para aqui vieram ) resolveu!
Escândalos maiores
A tese exposta no início da coluna que foi preferível expor alguns nomes em dois escândalos – mensalão e compra de sentenças, que a cada dia complica mais Rosemary Nogueira, que deixar o MP e a PF entrarem em situações como a compra pela Petrobras de parcela de empresa petrolífera adquirida por empresa belga – um escândalo que derrubou a direção da empresa que tinha a presidente Dilma no Conselho Administrativo; ou a compra de boa parte do banco Panamericano (Sílvio Santos) pela Caixa Econômica, pouco antes dele quebrar. Um negócio que desestabilizou o banco estatal, obrigando o governo a colocar nele, dinheiro público (seu dinheirinho!).
Em choque
Prevaleceu nessas decisões a teoria de que vão-se os anéis mas salva-se os dedos (no caso do Lula os que sobraram). Melhor sacrificar alguns companheiros que escancarar escândalos dessa proporção. O silêncio das principais redes de TV nos casos da Caixa e da Petrobras, comprados à custa de mais propaganda que as Casa Bahia.
