Contra-senso

Seguindo a trilha dos dirigentes sul-americanos mal avaliados pelas populações de seus países, por aqui a moda é políticos culparem a imprensa por tudo que de ruim lhes acontece. O hoje condenado José Dirceu não foge à regra. Embora continue procurando, e o que contradiz suas reclamações, recebendo espaço nos jornais brasileiros como se ainda fosse uma personalidade positiva. Num de seus mais recentes artigos, depois de acusar o STF de ter trilhado o caminho do julgamento eminentemente político, volta a dizer que foi condenado sem provas. Vai mais longe: investe contra o ministro Joaquim Barbosa, hoje uma quase unanimidade na opinião pública, cansada de ver o Brasil como lembrou Chico Buarque nestes versos:

Num tempo

Página infeliz da nossa história

Passagem desbotada na memória

Das nossas novas gerações

Dormia

A nossa pátria mãe tão distraída

Sem perceber que era subtraída

Em tenebrosas transações

Transações que culminaram no mensalão. Outras muitas deveriam ter merecido um julgamento tão visível e uma atuação tão rigorosa como a que teve o relator Joaquim Barbosa. Alguns  petistas (não se deve generalizar)  e asseclas (segundo o Procurador Geral da República e a maior parte dos ministros do STF entenderam) capitaneados por José Dirceu, foram fundo na bolsa da viúva. Mereceram cada pena que receberam, embora algumas alterações ainda possam ser feitas. Quanto à responsabilização da imprensa que na visão da ‘pretensa vítima’ forjou um herói nacional, não pelas massas e movimentos sociais mas, das letras e imagens midiáticas que nos perdoe o ex-ministro Chefe da Casa Civil que desde Waldomiro Diniz usara mal o cargo: que ela permaneça livre para apontar erros e ajudando a condenar culpados. Até porque, que se saiba, Dirceu não fala mais pelas massas que já acreditaram nele, nem pelos movimentos sociais cuja força o Brasil tem resgatado.   

Frases de 2012 a serem repetidas

De Frei Beto antigo militante do PT: Gostaria que o partido viesse a público esclarecer se houve ou não culpa, se houve ou não ações que faltaram à ética. Acho que está precisando de uma palavra do partido a respeito de todos esses fatos que têm sido manchetes na nossa imprensa.

Da presidente Dilma contradizendo inclusive seu ministro de Minas e Energia, Edson Lobão sobre apagões de energia: O dia em que falarem para vocês que é raio, gargalhem. Raio não pode desligar o sistema; se apagou é falha humana.

De matéria do jornalista Igor Castanho da Gazeta do Povo: É o 12º ano consecutivo que a agricultura ajuda o país a fechar o ano com saldo positivo entre exportações e importações.

Do presidente da Associação dos Municípios Brasileiros, criticando o modelo que privilegia a centralização dos recursos (em Brasília): Se a maioria dos prefeitos eleitos soubesse o que vai encontrar, não passaria pela frente da prefeitura.

Dentre as sugestões colhidas entre os ex-prefeitos vivos de Curitiba (Saul, Lerner, Requião, Greca e Beto – só Taniguchi não opinou) a Gustavo Fruet, destaque para um tópico de Saul Raiz: Curitiba precisa de planejamento para o futuro. O Ippuc deve voltar a ser como antes: pensar o amanhã. A luta contra o automóvel, já perdemos. (…) Nós estamos lutando para que Curitiba não fique como São Paulo.

Coincidência

A posse de Gustavo, filho de Maurício Fruet na prefeitura de Curitiba, com Beto, filho de José Richa no governo do Estado, coincide com um fato de 1983. Richa (pai) governador,  nomeou Maurício para prefeito. A situação só difere no fato de agora as duas famílias estarem politicamente separadas. Gustavo pelo PDT elegeu-se apesar do Beto ser contra.

Em choque

Um lembrete aos prefeitos que assumiram ou reassumem seus mandatos. Além de boas intenções é preciso cautela. Os tempos são outros e qualquer deslize pode ter severas conseqüências. Boas sorte e competência a todos.