De assistente a partícipe
A cada um a sua responsabilidade: assim como cabe aos governantes darem explicações sobre seus atos, hoje mais que ontem pela Lei daTransparência, aos tribunais de contas a constatação de que os atos públicos foram aplicados conforme a legislação vigente; dúvidas devem ser investigadas pelo Ministério Público. Assim também, à imprensa, cabe obter a melhor versão da verdade. De acordo com esses pressupostos, a ninguém é dado deixar sem explicação situações que vêm a público, como os fatos oficiais recentes investigados pelo MP, divulgados pela imprensa com as versões que lhes são oferecidas. Não apenas o mensalão, amplamente discutido no STF, como fatos que foram empurrados para baixo dos tapetes: caso do falso dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra, segundo a versão do presidente Lula que não podendo fazer ouvidos moucos afirmou tratar-se de atitude de aloprados. Entre os quais um certo Freud que ocupava uma das salas próximas ao seu gabinete no Planalto. Estamos novamente diante de fatos que envolvem gente muito próxima ao ex-governante e de declarações feitas por um dos mentores do mensalão; pelo menos o seu maior braço operacional: Marcos Valério, supostamente em conluio com José Dirceu. Suas afirmações, por menor credibilidade que possam merecer, são gravíssimas, até prova em contrário. Não basta tentar desqualificá-lo como informante do MP, por estar sobre pressão de uma condenação que o fará supostamente morrer na cadeia. Ele foi protagonista dos fatos e como tal, suas afirmações precisam ser no mínimo investigadas. Até porque agora, a própria presidente Dilma que até então mantivera distância do mensalão e outras malfeitorias, limitando-se a como se esperava dela, precipitar a demissão de envolvidos, ter assumido a defesa do ex-presidente. Volta de Paris na mesma condição de outros petistas: procurando blindar Lula.
Com esses amigos…
Uma das frases mais repetidas nesse mundo de traições e falsidades que é a política é esta: com certos amigos que se tem, não se precisa de inimigos. Afirmação que cabe como luva na base de apoio do governo Dilma. O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que cresceu nos últimos tempos (embora em situações como a de Curitiba não tenha correspondido ao que dele se esperava com a derrota de Ducci), além de não ter sido aliado em inúmeras situações municipais, agora rivaliza com o PSDB nas críticas à gestão do governo federal.
PSB em confronto
Vai além: sob os olhares complacentes de Campos (afinal dizer que nada viu parece ter virado moda), um deputado federal do partido contrapõe-se à fórmula acordada com o PMDB a quem coube indicar (sob protestos de alguns petistas) o candidato oficial à Presidência da Câmara Federal, hoje sob comando do petista Marco Maia. Também rompe com o governo do Distrito Federal, sinal evidente de que prepara uma campanha solo à Presidência da República.
PT de quem!
Tudo isso acontece num momento em que o PT divide-se entre o PT do Lula, isto é, dos que alijados por Dilma, anseiam pela volta do companheiro de vistas grossas e os da até então durona companheira presidenta Dilma. A propósito da qual até piadas já surgem, sob aplausos da opinião pública. Como a do DVD supostamente enviado a ela pela cantora Madona. De Madona para a mandona.
Hostilidade flagrante
Algumas medidas tomadas recentemente pelo governador Beto Richa, com despesas que contrariam sua determinação de redução de 20% nos gastos públicos, têm merecido ásperas críticas especialmente do pessoal do PT. Especialmente depois que em ato público de inauguração da usina Mauá, Richa e Gleisi Hoffmann mostraram suas flagrantes divergências pessoais.
Em choque
Uma decisão do futuro prefeito curitibano Gustavo Fruet já mereceu uma crítica sutil de seu oponente Ratinho Jr.: Ano que vem o metrô de Curitiba deixa de ser viável. Assunto para amanhã!
