Calar os jornais, é o objetivo!

A verdade tem duas faces, dependendo do ponto de vista em que se está! Essa afirmação cabe bem nos dias atuais quando alguns petistas (não generalizemos que tem gente do partido envergonhada) procuram agora fazer coro à presidente Cristina Kirchner, cujo governo nunca esteve tão em baixa por culpa da imprensa segundo ela. Esses mesmo petistas que liderados por José Dirceu já esboçavam anteriormente um movimento para colocar a imprensa sobre controle, hoje aplaudem a presidente Argentina por sua luta, especialmente contra o grupo que edita um forte jornal. Lá como aqui, têm sido exatamente os jornais que levantaram para a opinião pública os recentes escândalos que abalaram as estrutura do PT. Repetindo: curiosamente, quando suas críticas ao governo FHC eram acolhidas, especialmente a herança maldita que de maldita não tinha nada, tanto que foi a sustentação dos governos Lula, os jornais eram ótimos. Deixaram de sê-lo? Não. O que ocorreu é que ao deixar de ser estilingue para virar vidraça e comprovando o dito popular de que quem nunca comeu melado quando come se lambuza, os petistas, agora no poder, praticaram uma série de desmandos. Menos mal para o PT, embora os defenestrados por Dilma sonhem com os bons tempos do Lula que não via nada, que a atual presidente tem sido menos condescendente com os mal feitos – expressão dela. É preciso que o país se mobilize para evitar que, especialmente os jornais sejam bloqueados. Das redes de TV, encharcadas de verbas da Petrobras, Caixa, BB, BNDES e outros que tais, o governo não tem nada a temer. 

Cesteiro

Ora, ora, ora! Não é que agora, no desenrolar da Operação Porto Seguro (a coluna afirmou esta semana que muita lama ainda passaria por baixo da ponte) mais uma vez o nome do notório Valdemar Costa Neto, volta à tona. Ele que já está condenado pelo mensalão, agora aparece como o homem que indicou Tiago Pereira Lima que acaba de ser afastado da Antaq e do igualmente afastado Paulo Rodrigues Vieira, da ANA. Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.

Nova suspeita

As investigações já resvalam também em gente importante, do calibre de um presidente do Senado, José Sarney. Citado pelo Cyonil Borges, delator do esquema de tráfico de influência e venda de pareceres técnicos, que afirma ter ouvido de Paulo Vieira que recorreria ao presidente do Senado para intervir junto ao TCU. 

Defesa

Já a Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em sua passagem por Curitiba para receber o troféu Cooperativas Orgulho do Paraná, assumiu uma postura corajosa mas precipitada. Defendeu o ministro Luiz Inácio Adams, da Advocacia Geral da União, chefe e responsável pela indicação do seu substituto, José Weber Holanda, comprovadamente envolvido no esquema detonado pela PF. 

Turismo

Enquanto tudo isso acontece no Brasil, Lula flauteia na Europa, fazendo palestras e recebendo homenagens. Sem demonstrar surpresa sobre os fatos agora apurados, mas sem se estender em comentários sobre gente sua hoje presa.

FOLCLORE POLÍTICO

A propósito do comer melado citado acima, um fato sugestivo do Paraná confirma o dito. Bom parlamentar mas sem expressão maior no estado, Haroldo Leon Peres, por uma circunstância risível, no desentendimento entre Pimentel e Ney Braga, em torno da sucessão de 1970, viu o cargo de governador cair no seu colo. Indicado por um coronel,  poderoso assessor do presidente  Médici, cuja esposa jogava biriba com dona Helena, esposa de Haroldo. Ao descer no aeroporto Afonso Pena, já cercado de áulicos (gente com faro para o poder) declarou: Sou o delegado da Revolução. ‘Com um pote de melado nas mãos (simbolicamente)’ começou a questionar Pimentel, ainda governador. Até ser apanhado com a boca na botija. O mesmo Médici que o nomeara chamou-o: ou o senhor renuncia ou eu o demito. Renunciou!