Teias entrelaçadas

Quando o mensalão caminha para o seu final,  com a certeza de que os envolvidos não terão vida fácil daqui para a frente, ainda mais com o ex-relator agora guindado ao comando do STF; o Congresso com sua CPI do Cachoeira frustra mais uma vez a opinião pública produzindo um vexatório relatório final contestado pela oposição que apresentará conclusão separada, relatório que transforma a Comissão como de hábito numa esperada ‘pizza’, ampliando o desrespeito que a opinião pública tem com as duas Casas que seriam de Leis; quando Carlinhos Cachoeira que não abriu a boca durante os pífios interrogatórios a que foi submetido na CPI, agora solto, ameaça por os pingos nos is, certamente uma nova fase se inaugura. Desde já tem gente com suor nas mãos, na medida em que ele anuncia falar a história toda. Também nesse momento, a Polícia Federal desarticula uma quadrilha que dentro de órgãos do governo (Agência Nacional de Águas –ANA), Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Agência Nacional dos Correios), acelerava ou fraudava contratos milionários. Curiosamente, na sua base um nome com ligações fortes: Rosemary Novoa de Noronha, Chefe de Gabinete dos escritórios da Presidência da República em São Paulo. Responsável pela indicação de alguns dos diretores das agências envolvidas, um deles, Paulo Rodrigues Vieira, da ANA, já recolhido à carceragem. Essa senhora que prestava assessoria ao presidente Lula em suas viagens internacionais, o conhecera em 1990, quando trabalhava com um personagem muito em evidência no julgamento do mensalão: José Dirceu, então presidente nacional do PT. O que prova que as teias de desvios se entrelaçam.

Em todo o caso fica daqui para a frente a esperança de que, como apregoa o Boris Casoi, o Brasil possa ser passado a limpo. 

Estratégias conjuntas

Anda bem o governador Beto Richa quando se reúne com o governador paulista Geraldo Alckmin, para tratar estratégias conjuntas para o combate ao crime organizado. O mesmo que já acontecera com o governador de Santa Catarina. Afinal o Paraná não é uma ilha de tranqüilidade entre esses dois pólos em que as ações da bandidagem produzem um clima de terrorismo.

Segurança frágil

Ainda mais que em nossas esgarçadas fronteiras, fragilizadas por uma segurança dispersa,  ainda não se dá combate eficiente ao contrabando de armas e de drogas. Uma única vez em muitos anos, um comandante da Polícia Militar em Foz, coronel Peres (hoje na reserva),  conseguiu reunir em ação conjunta todos os órgãos de repressão civis e militares, além das Receitas federal e estadual.

Homenagem dupla

Dia 14 de dezembro, um importante personagem nas atividades bancárias, do cooperativismo, agronegócio e humanitária (APAE) da região oeste , será homenageado. Trata-se de figura conhecida em todo o Paraná, e em outros estados, onde sua condição de diretor do extinto Bamerindus o levou. Ibrahim Faiad vai receber nesse dia em Cascavel, dupla honraria: Cidadão Honorário da cidade, proposta pela Câmara Municipal e Benemérito do Estado, proposto pelo deputado Elio Rusch, na AL.

FOLCLORE POLÍTICO

Jaime Canet Jr., marcante governador do Paraná na década de 70 do século passado (dito assim parece tão longe…e no entanto se passam apenas  37 anos), homem realizado empresarialmente, aceitou a muito custo ser inicialmente vice e depois governador. Homem de múltiplas atividades, ser governador representava um ônus para ele: além do prejuízo material, a possibilidade de alguém achar que  sua tranqüilidade financeira veio do governo, como costuma acontecer. Uma das regras impostas pela segurança do Palácio ele não aceitou: que colocassem uma guarita com soldado armado na frente de sua casa na Sete de Setembro (onde ainda hoje reside), vá lá. Dentro do grande pátio de sua casa quem continuaria cuidando era seu caseiro. Ainda mais que agora ele estava se sentindo importante por poder ser o segurança interno do governador e andar armado. Afastá-lo dessa função Canet não aceitou. Até por que quatro anos passam depressa e depois, a vida continua.