Vida dura

Eleição é o momento mais tenso da vida política. Todo o trabalho da vida de um político é julgado nas eleições a que ele se submete. Em inúmeras delas, ganhar e perder vira rotina. Embora na filosofia do expert Aníbal Khury, a única coisa que não vale em política é perder, na derrota o que mais se ouve é, além do agradecimento aos que em si votaram, o respeito às decisões das urnas que no regime democrático representam a vontade do povo. Na intimidade, expressões delicadas como essas são substituídas por outras bem menos republicanas. Assim, o que mais se ouviu Brasil afora, depois das eleições municipais, foram expressões que fariam corar uma prostituta, por parte dos derrotados. Do outro lado por enquanto, só risos. Até que as coligações, muitas vezes espúrias, feitas para atender á premissa defendida por Aníbal, comecem a derreter. Num país de legislação leniente que permite até, por incrível que possa parecer, a substituição de um candidato atingido pela lei da Ficha Limpa, até horas antes da eleição, quando nome e a foto do substituído já estejam na urna eletrônica. Vota-se no João e elege-se, se o atingido pela lei não for punido pelos eleitores, o José. Um dos absurdos que ainda se vê neste país, não obstante o esforço do eleitorado que viu a lei da ficha Limpa surgir, fruto de um movimento, esse sim altamente democrático, com mais de 1 milhão de assinaturas. Já é um ganho, embora parlamentares tenham feito na sua aprovação, alterações que por pouco não a transforma em mais uma lei eleitoral inócua.

Sub judice

Alguns casos ocorridos na atual eleição, vão ser objeto de decisões posteriores de Tribunais superiores, muito embora tenham caracterizado uma afronta à legislação e especialmente, à decisão de juizes de primeira instância. Candidaturas impugnadas poderiam ser mudadas até horas antes da eleição, sob pena de os votos concedidos a esses candidatos nem serem contabilizados. Uma aberração eleitoral!  Como dito acima, se ocorrida a substituição, vota-se num e elege-se outro.

Tendência

Em alguns casos, a mudança não ocorreu. O resultado é que, mesmo o candidato punido tendo sido o mais sufragado, seu nome nem apareceu no resultado divulgado pela Justiça Eleitoral. A tendência nesses casos é as instâncias superiores acompanharem a decisão de 1a. instância. Até por estar o TSE assoberbado por ações do segundo turno. Caso o mais sufragado tenha obtido mais de 50% dos votos, nova eleição será convocada. Caso contrário, assume o segundo colocado.

Segundo turno

Segundo turno é outra eleição. De nada valem as inúmeras coligações que garantiram aumento de tempo  nas rádios e TVs, para as diversas candidaturas, no primeiro turno. Ficam dois candidatos frente a frente, com mesmo tempo e alguns debates para mostrarem seus apoiamentos e projetos para a cidade. Embora, tal tempo de TV e rádio, já não tenha a mesma importância, face a audiência perdida no caso das TVs, para as emissoras fechadas, não obrigadas a esse ‘sacrifício’. Mais uma das bobagens oficiais.

Horários gratuitos

Valeria um movimento entre as redes de TVs abertas, parafraseando a frase que Millor Fernandes plantou: Ou se obrigam todas as TVs, abertas e fechadas a transmitir tais programas ou, restabeleça-se o respeito ao telespectador. Até por que tais programas são denominados pela Justiça Eleitoral como ‘gratuitos’, quando são pagos pelo cidadão comum, na medida em que as TVs abatem seus custos do Imposto de Renda.

Em choque

Até 16 horas, quando a coluna foi transmitida, apenas o voto do ministro Tofolli havia sido concluído, no julgamento da Ação Penal 470. Como esperado, condenando os demais réus e absolvendo o ex- Chefa da Casa Civil, José Dirceu. Além do voto de Lewandowski que colocou o placar em 3×1, havia a certeza da torcida organizada que pelas suas relações anteriores com o citado réu, Tofolli iria absolvê-lo. Já na seqüência, a ministra Carmem Lúcia, seguiu o voto do relator, incriminando José Dirceu. Voto que parece sinalizar para uma tendência entre os demais.