Fim de festa

A chamada festa da democracia, que de festa não tem nada, chegou ao fim. Nestes momentos finais de campanha, encerrados na madrugada deste domingo em que nenhuma nova manifestação pública é permitida aos candidatos, a não ser os apertos de mão, ficam algumas avaliações sobre esses três meses de campanha. A principal delas, já focalizada aqui é de que o maior tempo de exposição nas rádios e especialmente nas TVs, já não tem maior efeito. Isto por que a propaganda restrita ao espaços cedidos  pela Justiça Eleitoral, restrito às emissoras abertas, fez com que a audiência dos de melhor poder aquisitivo que compram as programações dos canais fechados, migrasse para esses durante o maçante horário gratuito. Outra constatação que atinge a todos, mas principalmente a emergente classe C que ainda depende muito das benesses governamentais, é a de que o brasileiro, na contra-mão da frase famosa de John Kennedy – não pergunte o que o país pode fazer por você. Responda o que você pode fazer pelo seu país, o eleitor brasileiro quer saber o que o candidato pode fazer por ele e não pela cidade.No mínimo as promessas de melhorias no seu bairro, já são aceitas. O resto é na base do cada um por si…No mais, os métodos continuam a ser os mesmos, excluindo-se os showmícios e outras pequenas proibições impostas pela Justiça Eleitoral. Incluindo-se aí o despreparo dos candidatos que não tem um projeto próprio, limitando-se a repetir o programa que seus assessores técnicos prepararam. Por vezes sem nenhuma base factível. De ruim nesta campanha a cidade inundada de cavaletes que poluíram ainda mais o seu visual.

Campanhas…

Quanto ao tempo de TV e rádio, uma constatação aqui e em São Paulo: os que pontearam as pesquisas, Ratinho Jr. e Russomano, não se limitaram ao tempo da Justiça. Já são comunicadores de longa data. O jovem Ratinho Jr. com a vantagem do programa de seu famoso pai não ter sido afastado durante o período eleitoral. No rádio e na TV, esses profissionais fazem o tipo ‘solucionador de problemas’ o que os aproxima mais da população, especialmente a carente.

…permanentes

Muitos outros radialistas fizeram (e fazem)  o nome na política graças a esses artifícios. Houve em Curitiba um caso famoso de dois irmãos que cresceram politicamente na base da distribuição de óculos, dentaduras e cadeiras de roda. Curiosamente foram afastados por outros motivos, embora suas atividades caracterizassem clara compra de votos antecipada. Sob os olhos complacentes da Justiça Eleitoral.

FOLCLORE POLÍTICO

Este é um comentário nada folclórico. A Justiça Eleitoral determina que nos casos de candidatos cassados, com processo ainda em fase de recurso, sua participação na campanha seja mantida. Em caso de cassação definitiva, se eleito com mais de 50% dos votos válidos, uma nova eleição será feita (com a substituição do cassado). Caso a sua votação  seja inferior a 50%, o segundo colocado assume. Alguns casos no Paraná podem terminar assim. O mais notório já ocorrido foi o da eleição passada em Londrina. O radialista Antônio Belinatti, Luiz Carlos Haully (atual secretário de Fazenda do Paraná) e radialista Barbosa Neto na disputa. Segundo turno entre os dois primeiros. Com a vitória de Belinatti, cassação confirmada antes de assumir, estranhamente, ao invés de assumir Haully, a Justiça determinou nova (cara) eleição, ganha por Barbosa, agora também cassado. Deu no que deu!