Mensalões nacionais
A coluna errou no atacado e acertou no varejo: anunciou que nesta quinta a programação das TVs abertas voltaria ao normal. Esqueceu-se que ainda restariam, depois dos agradecimentos dos candidatos a prefeito, no caso em Curitiba onde a coluna é produzida, um espaço na quinta para que as centenas de candidatos a vereador renovassem os projetos que sabem que não poderão cumprir por não serem de suas alçadas. Ou será que ignoram mesmo! Na democracia à brasileira, legislativos não podem apresentar projetos que impliquem em despesas fora do orçamento dos executivos. Orçamentos aprovados pelas compradas e obedientes bancadas legislativas, de véspera (avalizados em um ano para vigorar no outro). São mensalões nacionais aplicados à custa de dinheiro público, em todos os níveis (grandes e pequenos municípios), como o hoje festejado ministro Joaquim Barbosa tenta provar que ocorreu no cenário nacional, no primeiro governo do então presidente Lula. É verdade que o ministro do STF tenta provar em juridiquês, o que no popular não deixa margem a dúvida; ou alguém em sã consciência, sem partidarismos, acha que o ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente do PT que avalizou promissórias, José Genoino, o tesoureiro Delúbio Soares, que autorizou a distribuição da dinheirama, não sabiam de nada! Sem falar no ex-presidente Lula que, segundo o publicitário Marcus Valério deixou antever à revista Veja, acompanhava tudo. Com sua imensa capacidade de ‘tirar o corpo fora’ desta e de outras situações comprometedoras, é certo que ele, tanto quanto José Dirceu, segundo versões que circulam, estará preocupado. Até porque, se a situação prosseguir, a fama de milionário que seu filho adquiriu, virá à tona.
Lições…
Campanha política tem alguma semelhança com a guerra. Uns ficam na retaguarda, no caso de campanha, arrecadando recursos e montando estratégias; outros vão para o campo de batalha, enfrentando o fogo cruzado adversário. Certos de que num caso de vitória serão tratados como heróis.
…de campanhas
Ledo engano. Assim como na guerra, vencido um obstáculo os soldados de frente são colocados num jipe e vão para outras batalhas. Há outros inimigos a serem destruídos. Nas áreas vencedoras chegam os ricos carros sem capota, com os que ficaram lá atrás distribuindo sorrisos e chocolates às áreas conquistadas.
Lambendo os beiços…
Com a experiência de quem já viu muito, o colunista alerta os possíveis vencedores de domingo: não se iludam. Quem vencer será um só, cercado de centenas cobrando a fatura da participação. Os que ficaram na retaguarda estarão à espera da oportunidade de dar o bote. Passando centenas de guerrilheiros da linha de frente para traz.
Exemplo
O que está acontecendo em Brasília, espera-se, sirva de exemplo. Quando as maiores figuras de um projeto político de poder são julgadas como criminosos comuns, é hora de se repensar os métodos utilizados na democracia à brasileira. Embora se saiba que para alguns o importante seja vencer a qualquer preço. Daí a importância do recado dado pelo Ministro Celso de Mello sobre a reimplantação dos bons costumes nas disputas políticas.
Em choque
Terminado o primeiro turno no domingo, municípios com mais de 200 mil eleitores podem estar iniciando o segundo. Hora de botar todas as cartas na mesa. Em Curitiba, Beto Richa, se o seu candidato à reeleição estiver na disputa, aumentará sua participação. Se do outro lado estiver Ratinho Jr., ao que tudo indica, Lula, Dilma, os ministros Gleisi e Paulo Bernardo, ampliarão em muito a pouca (quase nenhuma) participação que tiveram na campanha de Gustavo Fruet. Como dito ontem aqui, o Guga foi a grande vítima desta campanha. Com 650 mil votos para o Senado na capital, foi rejeitado pela cúpula de seu partido. Seria uma ameaça futura a um projeto cheio de donos. Coisa de um país sem partidos fortes.
