“Marginais do poder”
Dia desses o comentário desta coluna versou sobre a frase irretocável da ministra Carmem Lúcia, ao proferir um voto acusatório contra personagens do mensalão, em julgamento no STF. Hoje vamos nos referir à manifestação do ministro Celso de Mello, proferida depois de algumas outras de seus pares dando a impressão de que o julgamento caminhava para uma liberação geral. A fala de Celso foi um verdadeiro libelo contra a manifestação dos que o antecederam e que abriam espaço a decisão mais amena do STF. Foi duro sem ser grosseiro. Voto que traduziu em juridiquês o que o povo, desiludido sim, mas ainda não conspurcado, endossaria. Até parceiros seus de bancada na mais alta corte do país, fizeram ‘ar de paisagem’. Uma de suas falas: O Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem tolera o poder que se deixa corromper. Meia verdade no momento em que a filosofia que vinga ainda é aquela que foi objeto de uma charge do Millor Fernandes: Ou nos locupletamos todos ou restabeleça-se a moralidade. Humor inequívoco de quem entendia que o povo já se contaminara com a tese do Mateus, cadê o meu, que vigora no país. A valer o pronunciamento de Celso de Mello, ainda haverá esperança. Um alerta aos que detém o poder: quem tem o poder e a força do Estado em suas mãos, não tem o direito de usá-lo para exercer em seu próprio benefício a autoridade que lhe é conferida pelas leis da República. Para completar, entre outras verdades: as acusações imputadas aos réus no processo do mensalão representam um verdadeiro assalto à administração pública. Com suas afirmações que se espera sirvam de exemplo, o ministro Celso, assim como Joaquim Barbosa, passa a ombrear-se com gente como Ruy Barbosa, cujas palavras repercutem até hoje (Oração aos Moços).
FPM …
A coluna já advertira, quando em comentário recente afirmou que o governo federal ao abrir mão de impostos a segmentos industriais, fazia cortesia com chapéu alheio. Na medida em que o IPI compõe com o IR o Fundo de Participação dos Municípios, de cujos repasses dependem seguramente 70% das municipalidades brasileiras (ou mais), a grita viria em seguida.
… reduzido
A queda de 37% do Fundo em setembro, repercute agora. Foram quase R$ 10 milhões a menos para os 50 municípios do oeste (segundo estimativa da Amop divulgada por este jornal). Não se tem a extensão do prejuízo aos demais 349. O que se tem como certo é que os dependentes do FPM terão dificuldade em fechar as contas de 2012.
Prática espúria
Em pleno julgamento do mensalão os políticos não se dão conta de que algo de novo está acontecendo no país. Continuam com as mesmas práticas anteriores, especialmente quando se trata de eleição. Em Curitiba a Gazeta do Povo flagrou 4 gabinetes de vereadores, candidatos à reeleição, com distribuição de propaganda em seus gabinetes, prática que não é permitida pela direção da Casa.
Prejuízo
Depois de amanhã, a vida nas TVs e rádios volta ao normal. Encerra-se o período de propaganda gratuita (título que a coluna insiste em descartar, na medida em que, quem paga o pato é o de sempre: o contribuinte). Na quarta os últimos programas e debates. Para infelicidade das dezenas de TVs de canal fechado que, não sendo obrigadas a transmitir esses chatíssimos programas, atraíram para si grande parte da audiência.
Perdas
Se o julgamento dos principais ex-dirigentes do PT tiver o mesmo caminho de outros réus do mensalão, com a condenação de José Dirceu, Genoino e Delúbio Soares, antes da eleição, certamente algum reflexo a decisão terá no conceito do PT. Automaticamente a perda de votos num cenário em que as suas perdas já são expressivas.
Em choque
Há um consenso: se ao final do julgamento ocorrerem algumas prisões (a dúvida é sobre o número delas), entre as quais a do publicitário Marcos Valério, a matéria da Veja vai se materializar com novas denúncias dele sobre os mentores do mensalão.
