Opinião abalizada
Uma frase de comentário do senador Cristovam Buarque sobre o voto secreto nas votações do Congresso, é irretocável. Diz ele: Não há democracia plena sem o voto secreto para o eleitor, nem com voto secreto para o eleito. Na longa dissertação que faz sobre o tema, Buarque defende a necessidade de se estender o voto aberto aprovado pelo Senado em relação às votações para cassação de mandato de parlamentar, assunto que adquiriu notoriedade agora com a tentativa de cassar Demóstenes Torres, para todos os temas em pauta. O assunto que dormia nas gavetas das Comissões daquela Casa, aprovado de afogadilho, não vai surtir efeito de vez que ainda necessita passar pela Câmara. Assim o senador goiano pode ser salvo pelo voto secreto de seus pares na próxima semana. O que, no Congresso brasileiro não será novidade. Inúmeras situações de grande repercussão nacional, foram para o arquivo através esse nefasto sistema. Transparência nos governos é assunto recente. Num país em que a submissão de parlamentares aos encantos dos poderes executivos em todos os níveis (federal, estaduais e municipais), o voto secreto é uma afronta ao eleitor por não permitir a este saber em que questões seu eleito se diferencia dos demais. Ainda ontem, um chargista extraordinário nascido em Japira, hoje talvez o melhor do Brasil, o Paixão, produzia uma de suas melhores peças: a presidente Dilma, com um tonel na cabeça de onde por uma torneira jorrava água santa, molhando a mão de parlamentares em fila. Alusão à oportuna liberação das emendas que fez deputados e senadores mudarem de ideia em relação a projetos cuja aprovação não interessava ao governo. Está na hora do eleitor ser mais respeitado, podendo fiscalizar o que seus representantes fazem em seu nome.
TJ-PR em xeque
A decisão do CNJ, obrigando a que os Tribunais de Justiça do país divulguem salários e vantagens de todos os seus servidores, coloca em xeque a decisão adotada pelo Tribunal de Justiça do Paraná que recentemente julgou inconstitucional tal dispositivo na Lei de Transparência Estadual.
Patrimônio fermentado
Finalmente um ex-diretor de empresa estatal, contrariando a impunidade vigente até agora, foi punido com mandato de prisão. Trata-se de José Francisco das Neves, mais conhecido nos meios políticos nacionais como Juquinha, ex-diretor da Valec, estatal federal que cuida da construção de ferrovias (das poucas que hoje ainda existem neste país continental em que esse modal seria o mais indicado). Juquinha fez seu modesto patrimônio de R$ 560 mil, crescer para algo próximo de R$ 60 milhões. Algo impensável só com salário!
Suor nas mãos
As convocações de Fernando Cavendish, dono da construtora Delta (lIcenciado do cargo de presidente) e do ex-diretor geral do Dnit, marcam duas posições diferentes. Os governistas afirmam que Fernando não tem nada a dizer, embora o DNA de sua empresa esteja em quase todas as obras negociadas por Carlinhos Cachoeira. Já Pagot pediu para ser convocado e afirma que tem muito a dizer. Tem gente com suor nas mãos…
Substituição a fórceps
Hoje, um sábado, a suplente Maria Goreti (PSDB) assume a vaga de vereador que pertenceu a João Cláudio Derosso, que por mais de 14 anos presidiu a Câmara Municipal de Curitiba. Sob protesto do agora ex-vereador que cresceu politicamente no Xaxim, bairro que seu pai por 25 anos representou. Derrosso afirma que lhe foi negado o direito de defesa no partido.
Em choque
Mais um prefeito municipal em palpos de aranha. Ninguém menos que o atual presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Gabriel Jorge Samaha, mais conhecido por Gabão. Seus bens estão bloqueados pela Justiça, juntamente com o de três empresários de transporte coletivo, por suposto direcionamento nas licitações para contratação de empresas do ramo. Gabriel vai recorrer alegando não ter culpa se apenas duas empresas (dos mesmos sócios) se habilitaram na licitação.
