Toma lá, dá cá!
Quando o povo diz que o Congresso virou um imenso balcão de negócios, afirmação avalizada também para os municípios onde as mais estapafúrdias coligações estão sendo montadas, unindo alhos a bugalhos, parece não lhe faltar razão. Depois desse cenário grotesco das coligações municipais paranaenses, em que o próprio governo estadual, teoricamente do PSDB, impediu candidaturas de seu partido para apoiar terceiros que atendam mais aos seus interesses eleitorais, um fato ocorrido em Brasília confirma a vocação negocista da política brasileira, desta vez envolvendo Executivo e Legislativo. Com uma agenda na Câmara ameaçando aprovar projetos que pela sua natureza impactariam nos gastos públicos, num momento em que a presidente Dilma acenava com a necessidade na redução de tais gastos, e por isso mesmo denominada de pauta louca, feitos os cálculos pelo governo chegou-se a uma proposta que confirma o espírito mensaleiro que se apoderou de Brasília. Entendeu o governo que ficaria mais barato voltar atrás, revogando a intenção de não pagar as emendas parlamentares anunciada ainda este ano. Para não ver aprovados projetos como o fator previdenciário e outro que obrigaria o investimento de 10% do PIB em educação, mais os reajustes salariais de até 56% pedidos pelo Judiciário, com custo estimado em R$ 57 bilhões, acenou com a liberação de R$ 4,5 milhões de emendas para cada parlamentar. Assim, somados os 513 federais e os 81 senadores, o gasto será de apenas R$ 2,67 bi. Aparentemente até a oposição que pode criar problema nas votações será aquinhoada. Para o governo um grande negócio. Para a moral da política que já anda beirando o chão, nada bom.
Fora de…
Curiosamente, depois de ter passado pelo Rio, já em Buenos Aires, o primeiro-ministro chinês propôs, numa videoconferência, a criação de uma zona de livre comércio entre o Mercosul e a China. Nada a opor, não fora o fato de avaliar quem leva vantagem nisso. Até biquínis fios-dentais, lembra Elio Gaspari, a China exporta mais que o Brasil.
…foco
O Mercosul por sinal, depois dessas demonstrações de esquerdismo explícito, feitas pelos países que gelaram o Paraguai e introduziram a Venezuela, aproxima-se cada vez mais do fracasso. Afora o Brasil e Uruguai mais estabilizados, os outros dois países com inflações que beiram os 25% têm pouco a oferecer. Alguém sabe se a Venezuela pagou a parceria que fez com o Brasil para a construção de uma refinaria em Pernambuco?
Equívoco
Até jornais de grande penetração de Curitiba incorreram em equívoco. Confundiram a votação feita na Comissão de Constituição e Justiça sobre a proibição de contratação de funcionários comissionados nos três poderes do Estado, com a lei da Ficha Limpa. Esta, por sinal com sua validade nesta eleição já derrubada liminarmente no STJ, fala de candidaturas de pessoas declaradas culpadas por órgão colegiado. Mesmo sem julgamento definitivo. Não de contratação. Não basta a ideia ser boa. É necessário que para ser transformada em lei, não confronte a Constituição.
Contra-mão
Uma tese que recebe apoio quase total da população brasileira que acompanha os fatos políticos, a extinção do voto secreto nos julgamentos de órgãos legislativos, mais uma vez não vai prosperar. O resultado é que se continuará assistindo votações, especialmente pela cassação de mandatos em que o deputado ou senador, discursa de um jeito e lá na cabine indevassável, vota ao contrário. Demóstenes Torres conta com isso quando seu julgamento entrar em pauta no Senado.
Em choque
Há um enorme contra-senso entre as medidas protecionistas do governo em relação a alguns setores industriais com resultado imediato, caso da venda de automóveis que cresceu assustadoramente, no mesmo mês em que a produção industrial, inclusive da indústria automobilística acumula queda de 3,4%.
