Passado perdido
Enquanto as atenções se voltam para os destinos que o ex-presidente Lula determina aos acontecimentos, brigando com ministros, fazendo afirmações extemporâneas, elas (as atenções) são desviadas das estranhas ações do BNDES. Depois de ter financiado operações bilionárias da F&B, na aquisição de frigoríficos inclusive fora do Brasil, a ponto de ter de comprar 39% de seu capital; depois assistir essa mesma F&B tentar adquirir o controle acionário da Delta, só não o fazendo por ter essa empresa que hoje está no centro das fiscalizações da CPMI do Cachoeira, submetida a uma quebra de seu sigilo fiscal que pode comprometer meio mundo empresarial e político. Com certeza se tal operação tivesse sido concretizada, mais dinheiro público estaria sendo jogado no colo de empresários que não se sabe a quem servem. Uma única certeza amigo leitor: ao seu interesse é que não é! Posto isso, voltemos ao fato concreto: todas as tentativas estão sendo feitas para desviar a atenção de fatos jurídicos e fatos políticos que ocorrem neste país. Não admira que de repente, não mais que de repente, imensas fortunas venham à tona. Fortunas feitas à custa dos governos, já que não são herança de família que, por sua vez em sua maioria, foram construídas à custa do Tesouro. Onde tem fumaça tem fogo ensina a sabedoria popular. Uma crítica do ex- presidente da ACP, Cláudio Slaviero, à propalada fortuna do filho de Lula, cuja ascensão econômica causa inveja a um Eike Batista, é o parâmetro para se analisar o comportamento de gente que pertence a um PT que surgiu propondo-se a atuar de maneira diferente das legendas tradicionais. Inclusive condenando suas práticas privatizantes do dinheiro público. Pelo visto esse PT ficou na saudade!
Bases sem voz
A mudança de métodos no PT nacional está mais visível na escolha de candidatos às próximas eleições municipais. Sem falar na escolha curitibana onde dois candidatos de tradição na legenda foram preteridos em favor de uma coligação pouco aceita pelos autênticos do partido, e a escolha de São Paulo, obedecendo sem piar a intervenção de Lula, tem-se agora o caso de Recife em que o candidato escolhido pelo partido local será substituído pelo indicado do Diretório Nacional.
…insatisfeitas
A substituição do prefeito da capital pernambucana, João da Costa, que não poderá disputar a reeleição por ter prevalecido a vontade de Lula que indica o senador Humberto Costa, gerou manifestação de desagravo ao prefeito com faixas do tipo: Oi, Lula. Decepção. Em Recife você não manda não.
Mais uma manifestação…
Só faltava essa para completar o rol de besteiras políticas que antecedem o julgamento do mensalão pelo STF, deixando cada vez mais seus ministros em palpos de aranha. Em encontro com estudantes que participavam do 16º Congresso Nacional da Juventude Socialista, o ex-ministro José Dirceu, um dos principais articuladores do mensalão, segundo a Procuradoria Geral da República, fez um apelo patético:
…patética
Todos sabem que esse julgamento é uma batalha política. E essa batalha deve ser travada nas ruas também porque senão a gente vai ouvir só uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês. Estava custando para colocarem a imprensa como responsável por mais esse episódio.
Em choque
Alguém precisa lembrar ao Zé Dirceu que se há um monopólio da mídia, especialmente das grandes redes de comunicação, esse é promovido pelo governo federal através as bilionárias verbas de estatais. Basta ligar qualquer programa de notícia para se perceber a presença constante da Caixa (que só perde em número de inserções para as Casas Bahia – em valores deve pagar mais), do BB, da Petrobras (quem são os concorrentes dela?) e outras. Inclusive, desde Franklin Martins – 2º governo Lula – tenta o Planalto enquadrar jornais e revistas não alinhados.
