Denuncismo flagrante

Em matéria de denúncias o ano foi trágico. Nunca se denunciou tanto quanto agora. Entre outros motivos pela atenção que a imprensa está dando para os assuntos corrupção e malfeitoria (palavra recuperada para o Aurélio pela própria presidente). A mudança de estilo entre a atual governante e o ex que empurrava para o armário todas as situações adversas, razão até para grande número de projetos sociais terem saído do papel, na medida em que, com uma situação infamante para o governo Lula criava um fato novo para nele concentrar a atenção da mídia. Especialmente a composta pelos grandes grupos, abastecidos pelos recursos publicitários do governo (sempre é bom lembrar que seu prestígio produzido em 8 anos, foi construído à custa de R$ 8 bi em comunicação). Além dos sociais, programas com títulos grandiloquentes que nem sempre correspondiam à realidade, como o PAC, que ainda não atingiu um porcentual razoável de suas ambiciosas metas. Um pouco mais sairá agora por conta dos investimentos em cidades-sede da Copa do Mundo, assim mesmo com o preocupante atraso anunciado pelo próprio presidente da Fifa. Por tudo isso, no governo Dilma, os esqueletos começaram a ser tirados do armário. Muito do que herdou de Lula, despencou! O pior porém está acontecendo agora no STF, com denúncias envolvendo o nome de ministros que já pertenceram ao TJ de São Paulo, por conta de uma decisão suspendendo investigação do CNJ contra aquela instituição pelo ministro Lewandowski. Justo ele que teve seu nome envolvido em assuntos da época, juntamente com Cézar Peluso, atual presidente do Supremo. Isso e a retirada de poder do CNJ, pelo mesmo ministro, deixou a oposição ouriçada. Vem discussão grossa por aí!

 

Pressa…

Após as declarações (e talvez por isso mesmo) ao jornal Folha de São Paulo, pelo revisor do processo do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski, dando a entender que o atraso no julgamento poderá levar à prescrição de vários crimes imputados aos mensaleiros, o ministro Joaquim Barbosa finalizou o relatório, produzindo 122 páginas em que resume a investigação.

 

…afinal

A entrega dessa súmula aos demais ministros para que possam ir formando juízo de valor, embora em recesso, solicitada  pelo presidente Peluso, tenta  derrubar a preocupação de que passados tantos anos desde a deflagração do que foi o maior ato de corrupção do governo passado, ainda se tente a prescrição das penas a serem impostas. Ampliando a descrença dos brasileiros, na política, nos políticos e também na Justiça.

 

Feliz 2012

Nos próximos dias este articulista estará distante dos fatos que diariamente escarafuncha. Com enorme desgaste pessoal, na medida em que, quanto mais informação se tem, mais aumenta a nossa dúvida sobre soluções a curto prazo nesse cenário que hoje domina o país. Vale como consolo neste final de ano a certeza de que este é um país em que ainda vale a pena viver.  

 

FOLCLORE POLÍTICO

A revolução de 64 que produziu situações terríveis (inclusive à presidente Dilma) para os que eram contra o golpe que se transformara em ditadura, produziu ao seu início alguns fatos pitorescos. Um deles protagonizado pelo Jorge Khury, irmão de um dos homens mais poderosos que a política do Paraná produziu: deputado Aníbal Khury. Na noite de 31 de março, quando a revolução estourou, Jorge, presidente da Câmara de União da Vitória (PR), exercia  a prefeitura por viagem do prefeito. Com poucas informações, a não ser a Cadeia da Legalidade montada por Brizola no sul, Jorge resolve consultar seu amigo, prefeito de Porto União (SC) (as duas cidades são irmãs gêmeas). Atravessou a linha do trem (fronteira) e foi consultar Salustiano Costa. O catarinense já tinha se programado: Olha Jorge; se o segundo Exército descer, desço com ele; se o terceiro subir, vou junto. Nascia ali o primeiro político tucano.