“Timing” perdido
Uma crise política se desenha no horizonte de Brasília. Podendo levar de roldão uma imagem que a presidente Dilma vinha construindo, de severidade no trato da coisa pública. O povo, em sua parte mais consciente por melhor informada, conviveu mas não aceitava o jeito maroto com que Lula tratava as malfeitorias cometidas em seu governo. Dilma, ao revés, em seus primeiros meses parecia não conviver com comportamentos inadequados. A sequência de atitudes duras dela, condensadas em matéria de duas páginas da Folha de São Paulo, passava essa impressão: escreveu, não leu, reações irritadas da Presidente. Até surgir um Carlos Lupi e o número de denúncias que vão de extorsão, propina, aparelhamento do Ministério (as ONGs beneficiadas eram de cupinchas), até mentiras, mescladas com declarações que por não serem adequadas não caberiam a um ministro. Culminando com denúncia de dois cargos exercidos a mais de 1500 quilômetros um do outro, ao mesmo tempo: na Câmara Federal e na Câmara carioca. O que é proibido por lei. Esta última, um dia depois da decisão proposta pela Comissão de Ética da Presidência da República, que recomendava a exoneração de Lupi. O que complica ainda mais a situação. Ou a presidente Dilma faz o que foi sugerido pela CEPR, ou esta ficará desmoralizada, só restando a gente do nível de Sepúlveda Pertence, ministro aposentado do STF que a preside, pedir demissão. Aliás uma demissão coletiva na medida em que a relatora Marília Muricy admite ter dificuldade para mudar seu parecer, acompanhado pelos demais componentes da Comissão. De qualquer modo, já deram chance ao atento e atuante senador Álvaro Dias, que lidera a oposição, afirmar: Se não houver providência da presidente, se não houver acolhimento a um pedido desta natureza, não há razão que justifique a existência dessa Comissão.
Desdobramento
O episódio Lupi tem outros desdobramentos como a avaliação do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, que reconhece na ocupação de cargos no Rio e em Brasília, sem prestação dos serviços, num mesmo período – 2000 a 2005, como crime.
Esperança
A mudança do voto do relator do projeto Ficha Limpa, ministro Luiz Fux, apresentado depois que o também ministro Joaquim Barbosa proferiu o seu, validando as inelegibilidades previstas na lei, acena para uma possível vitória da tese que faria com que ela valesse já para a próxima eleição. A dificuldade resiste em o ministro Dias Tofoli ter pedido vista, o que pode retardar a votação para 2012, sem vigência portanto nas eleições municipais.
Porta arrombada
Depois de João Cláudio Derosso ter exercido por 15 anos o poder na Câmara curitibana, com o resultado que todos conhecem, seus vereadores resolveram agora mudar a Lei Orgânica (que rege os destinos da Casa), não permitindo a reeleição. Exageram na dose. Quem participou de uma Mesa Executiva, não pode participar de outra. Assim mesmo; sendo quarto secretário no exagero de cargos (presidente e mais três vices, um secretário e mais três suplentes) está fora da próxima.
Megaoperação
Praticamente todo o efetivo policial de Curitiba, nada menos que 1400 policiais, estará em ação no domingo, cobrindo o Atletiba. Um excesso justificado pelos acontecimentos que frequentemente ocorrem antes, durante e depois de clássicos como esse, desta vez com características muito especiais. A preocupação, embora tenha razão de ser por poder ter conseqüências na escolha do estádio da Baixada na Copa, cria outro problema.
Em choque
Sabedores de que todo o policiamento da cidade está concentrado nesse evento esportivo, poderemos ter um efeito perverso: a bandidagem que tem provado não ser pequena, solta no restante da cidade praticando malfeitorias. Como tem ficado provado o cobertor da segurança é curto: se cobre a cabeça, deixa os pés de fora!
