Troco
Um detalhe não escapa ao observador: opiniões de políticos estão vinculadas ao lado em que ele está. Daí não ser surpresa alguém desdizer hoje o que disse ontem. O momento atual é um exemplo disso, aqui e em Brasília. Lá, a custa de sacrifícios que a presidente Dilma é obrigada a fazer para manter a sua base unida. De outra forma já teria despachado mais dois ministros: Carlos Lupi (PDT), do Trabalho e Negromomte (PP), das Cidades, envolvidos em situações suspeitas. As ONGs mal intencionadas, lá, graças à imprensa, derrubaram ministros e causaram sérios prejuízos para entidades sérias. Terceirização como a dos aeroportos e rodovias são bem aceitas pelos congressistas governistas. Aqui, a tentativa de repassar a administração de alguns sistemas do governo para a iniciativa privada causa enorme reação da oposição (que lá é governo). Em ambas as situações funcionam os rolos compressores. Se bem que a maioria obtida lá, a se julgar pelo mensalão, custa mais caro. No Paraná, o apoio ao governo foi obtido quase de graça. Inclusive causando mal estar entre os governistas de primeira hora a adesão dos peemedebistas que antes teciam loas a Requião. Nem as cotas privilegiaram os governistas natos. Todos os 54 parlamentares foram aquinhoados com os mesmos R$ 2 milhões em emendas. Nessa linha de raciocínio, não passa despercebida a campanha publicitária dos tucanos, em nível nacional. Usaram os mesmos ratos da campanha petista do tempo de FHC, com o xô corrupção! Mostrando que hoje o ratão da corrupção está bem nutrido. O arroto de satisfação é genial!
Esquerdismo…
Nem todos concordavam com as convicções estatizantes de Requião, quando governador. O ex-superintendente da APPA, Daniel Lúcio de Oliveira Souza, em seu segundo depoimento à CPI dos Portos da AL, afirmou que propôs a mudança jurídica da administração, criando uma economia mista nos moldes da Copel, encerrando o sistema autárquico e privatizando os silos públicos.
…retrógrado
O dado mais importante do depoimento de Daniel, além de denunciar a existência de uma indústria de ações trabalhistas que geram um passivo anual de R$ 50 milhões, foi afirmar seu rompimento com Eduardo Requião quando por interferência deste num processo de classificação de grãos. A expectativa fica agora pelo depoimento de Eduardo, previsto para hoje na CPI.
Campanha…
Dois fatos e um só objetivo: a comemoração em almoço do PSDB, em pleno dia de semana ( terça-feira) comemorando o dia da vitória de Beto – esvaziando repartições e a Câmara Municipal – para 3 mil pessoas, aparentemente com boca livre, teve objetivo claro de iniciar a campanha de Luciano Ducci à reeleição.
…explícita
Já os telefonemas disparados por uma central de telemarketing, em que o prefeito cumprimenta o eleitor e anuncia as obras que está realizando na cidade, identificando-se pelo nome, pode dar margem a problemas jurídicos, se comprovado que o custo foi bancado pela prefeitura. Do jeito que o povo anda mal humorado com os políticos, é bom não abusar.
Civilidade em baixa
A maneira com que vereadores curitibanos demonstraram seu desconforto com a colega Renata Bueno, não faz justiça ao conceito de Curitiba de cidade civilizada. As vaias e contestações a convidados da vereadora do PPS, diretoras da Universidade de Roma, presentes à Câmara, deveriam ser deixadas para outra hora.
Semelhanças
Há semelhança entre as situações vividas pela URBS em Curitiba e a Controlar, empresa beneficiada pela prefeitura com a inspeção veicular aos carros dos paulistanos. Aqui o TJ tirou da URBS o direito de fiscalizar o trânsito e multar. Lá o MP tenta obrigar a prefeitura a realizar outra licitação.
Em choque
Não é de somenos: a Controlar que cobra em São Paulo praticamente R$ 62 reais por carro vistoriado (são 7 milhões em circulação), teria ganho um contrato irregular.
