Brizolismo em xeque

Leonel Brizola, o líder que mesmo do exílio exerceu forte ascendência política entre os trabalhistas, só não tendo assumido o comando do PTB ao seu regresso por uma jogada do maquiavélico ministro Chefe da Casa Civil,  Golbery do Couto e Silva  que utilizou Ivete Vargas para se adonar da agremiação, obrigando-o a fundar o PDT, a esta altura estará se revirando no túmulo. Ver a agremiação ideológica que fundou, caminhar rapidamente para o caldeirão em que a sopa de letrinhas (não importa se da Knorr ou da Maggi) em que a imensa maioria dos partidos brasileiros é cozida, por obra e graça de uma liderança que não chega aos pés da sua, é inimaginável para os remanescentes da antiga legenda como Miro Teixeira. Mais grave ainda é depois das trapalhadas do ainda ministro Lupi em seus depoimentos, uma vez dizendo, noutra desdizendo, e sem pegar o boné e dar adeus ao cargo,  ser apoiado pela cúpula do partido que deixa a seu critério a decisão! Um caso explícito de falta de senso de ridículo, especialmente depois daquelas atitudes em que batendo no peito afirmou que só um tiro  o abate, seguida do beija-mão e da declaração de amor à presidente. Como escrevemos aqui: patético! Bastaria isso  para caracterizar que Carlos Lupi não está em nível de ministério num governo que se pretende sério. O capital político que a presidente acumulou com medidas duras como as demissões anteriores, não deve ser arriscado por ela por conta dessa indefinição que já se arrasta no caso Lupi e faz a alegria dos humoristas de plantão. Essas medidas  (ela talvez até para se diferenciar prefere ser chamada da  Presidenta) tomadas ainda sob o retrospecto da corrupção que se implantou desde o rouba mas faz de Ademar, comprovam a intolerância que toma conta dos brasileiros.

Avaliação a ser feita

A situação criada pelo ministro Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT (por decisão judicial), ainda não tem seus reflexos medidos pelas pesquisas de opinião. Se derrubado, pontos a acrescentar ao já extraordinário patrimônio político da presidente Dilma. De qualquer forma porém, com reflexos no país.

Posição estratégica

Menos mal para Gustavo, em Curitiba, que  o presidente regional Osmar Dias já assumiu postura de recomendar a  saída de Lupi do Ministério do Trabalho. O que automaticamente o esvaziará na liderança do PDT. Tábua de salvação para o antes imbatível Gustavo Fruet que vê agora Ratinho Jr. aproximar-se perigosamente. Melhor para Fruet se a queda de Lupi, aumentar o cacife eleitoral de Osmar.

Perigo à vista

A eleição de 2012 em Curitiba, vital para o futuro político de Beto Richa, começa a ficar perigosamente à deriva. Mesmo com Beto a apoiá-lo, as obras do PAC e das Copas a beneficiá-lo, o atual prefeito Luciano Ducci  vê que sua vitória em  2012, já não são favas contadas.

Pior a emenda…

O que os vereadores curitibanos se negaram a fazer, por corporativismo e em alguns casos, por comprometimento, fingindo que colocavam em risco a cadeira de presidente e o mandato de João Cláudio Derosso por conta de pesadas denúncias, o Ministério Público se encarregou de fazer: pediu à Justiça seu afastamento e bloqueio de seus bens.

Ouvidos de mercador

Um recado presente em todas as recentes manifestações populares (não só lá fora), alguns componentes da chamada  classe política estão tendo dificuldade em assimilar: a população, especialmente a classe média mais esclarecida, parece ter-se cansado de ouvir notícias sobre corrupção impune. A primavera brasileira parece ter chegado para ficar.

Em choque

A língua é o chicote da região glútea, ensina a sabedoria popular. Ficar sem falar jamais, é o lema de um ex-governador, hoje senador. Para poder criticar o exagerado número de ministérios no governo federal teve que admitir que cometeu o mesmo erro, mantendo um número exagerado de secretarias em seu governo.