Comparação inevitável

Especialista em criar factóides quando em seus governos surgiam fatos desabonadores como esses que ele colocou nos armários, esqueletos que Dilma herdou, o presidente Lula faz mais uma jogada de marketing num momento difícil de sua vida. Antecipando-se às conseqüências que a violenta  quimioterapia a que está sendo submetido por conta de um câncer detectado em sua laringe, raspou cabelos e barba que cairiam naturalmente. Não sem antes a presença de um fotógrafo para registrar a cena estampada posteriormente em todos os jornais. Enquanto isso ocorre com o ex, sob o olhar consternado até de adversários, a atual presidente se debate com mais um dos esqueletos do armário. O quinto a ser derrubado. Situações que vêm do tempo em que Lula governou e que Dilma, até mesmo por reconhecimento, não pode defenestrar com críticas. Habilidosamente tem deixado o ministro denunciado sangrar até decretar a própria morte. Em principio, receberam todos um  voto de confiança. Exatamente como está fazendo com Carlos Lupi. Não se a acuse pois de ter derrubado os companheiros de Lula, montando um governo à sua feição. Os derrubados, caíram de maduros (ou podres). Por não terem tido a percepção de que Dilma, diferentemente de Lula, talvez até pela sua formação mais técnica, não iria assumir a responsabilidade de manter ministros com manchas capazes de comprometer seu governo. Em circunstância diversa, não estivesse Lula vivendo a sua via-crucis, os dedos estariam apontados na sua direção pelos problemas que Dilma enfrenta, afrontando uma corrupção desenfreada  que inclusive está levando o até então indiferente povo brasileiro às ruas. É bom lembrar que muito do que está vindo à tona agora, em outros tempos passou ao largo. A corrupção no Brasil é endêmica. Se a democracia pode ser contestada em alguns dos seus aspectos, pelo menos a liberdade de imprensa está sendo aproveitada para desnudar o mar de lama em que o país sempre chafurdou.

 

Fim da linha

O destino de Carlos Lupi parece selado (se é que já não o foi nestas últimas horas). A desfaçatez com que mentiu à Comissão da Câmara afirmando que não conhecia o lobista e jamais viajado em avião citado pela revista Veja, procurando em papel por várias vezes o nome de Adair Meira, agora beira o ridículo.  Não por acaso nem seus próprios companheiros aceitam as explicações que tem dado. A presidente Dilma também não. Espera apenas que o próprio PDT dê rumo ao episódio.

 

Quem se beneficia!

Analistas curitibanos acreditam que a crise vivida pelo PDT nacional não atinge a candidatura de Gustavo Fruet e sua pretensão de disputar a prefeitura de Curitiba. Trata-se de episódio isolado, sem  interferência na disputa local, entendem. Há  os que vêem como o grande beneficiário da crise nacional do brizolismo  o deputado Ratinho Jr., que disputa com Gustavo os apoios oficiais da base governista federal.

 

Volta ao pódio

Outro que pode ascender nos escalões governamentais federais com uma quase certa queda de Carlos Lupi, é o presidente regional, ex-senador Osmar Dias, hoje ocupando a vice-presidência de agro-negócio do BB. Num entendimento maior poderá ser guindado inclusive ao MAPA (Ministério da  Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

 

A conferir

Anuncia-se que a eventual mudança nos ministérios, em alguns casos forçada pela saída de ministros que disputarão prefeituras, caso de Haddad, candidato de Lula à prefeitura de São Paulo, poderá ser o pretexto para a presidente Dilma realizar a tão desejada redução no número de ministérios, diminuindo o custo da fantástica estrutura governamental brasileira.

 

Em choque

Os puxões de orelha que a presidente Dilma aplica em seus assessores, não importa a graduação, percorrem o mundo através a Internet. Desde que matéria da Folha mostrou seu estilo pavio curto. Do estilo duro de Dilma ao bonachão de Lula, vai uma grande diferença.