Contravenção oficializada
Quando uma manchete de jornal curitibano questiona se a Máfia chegou em Curitiba, pelo estouro de uma fortaleza supostamente ligada ao jogo de bicho e expandida para outras áreas, confirma-se uma tese defendida por esta coluna e evidenciada inclusive na novela da Globo hoje em cartaz. O jogo de bicho, colocado na ilegalidade no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1950), de inocente virou contravenção ampliada por outras práticas. Na simplicidade da época, era jogo de cozinheira, pedreiro e outras profissões tidas à época como menos nobres. Preconceito que existe até hoje. Jogava-se centavos, reais, com um papel sem timbre, duplicado através de carbono como ainda hoje. Se vitoriosa a aposta, o comprovante em poder do bicheiro garantia o recebimento. Diferente do que acontece hoje com a sofisticada estrutura montada pela Caixa Econômica em que se o comprovante for perdido (sem amigas para revistar a casa e achá-lo), nada feito. Daí milhões estarem na Caixa sem que os interessados venham pedir o resgate dos valores. O ingênuo jogo-de-bicho, sobrevivendo apesar de colocado na ilegalidade, virou vítima de policiais mal intencionados. Sobrevive hoje, ampliado para outras áreas. Afinal as mordidas oficiais a que é submetido obrigam incorporar atividades mais rendosas e bem mais comprometedoras. De ilícito virou fonte de corrupção (onde há corruptores há corruptos). Num país em que a Caixa virou o maior cassino virtual do mundo, e ao lado da casa lotérica autorizada por ela vinga uma lojinha de jogo-de-bicho, mais os milhares de botecos que aceitam apostas prosperam, só não vê, a quem não convém ver. Vale aí a adaptação da frase de Millor Fernandes: ou libera-se o jogo-de-bicho, ou restabeleça-se a moralidade.
Pano pra manga
Frase do deputado Reinhold Stephanes (neo PSD) que está dando pano pra manga: Fechar as portas da Câmara (municipal), não teria impacto na vida do cidadão. Os vereadores deveriam estar lá para aprovar leis mas a prefeitura as elabora e acerta com os vereadores, paga, dá empregos e eles viram assistentes sociais de luxo e usam isso para conseguir votos. Qualquer semelhança com a Câmara Federal e o mensalão não será mera coincidência!
Novela local
Outra novela paranaense. Igual à que ocorreu no período de Jaime, governador e Roberto Requião senador. Um empréstimo internacional à época conseguido no Japão para a Sanepar, ficou meses no Senado em 1997, prejudicado pelo três senadores paranaenses de então. Depois de liberado, Requião, governador, beneficiou-se dele.
Contra (de novo)
Burro velho perde os dentes mas não perde a balda (vicio); agora quem precisa do aval do Senado para um financiamento internacional de US$ 350 milhões é o governo Beto Richa. Boa vontade internacional para empréstimo, existe. Requião porém já avisa que vota contra e dificulta a tramitação. Osmar Dias, contrário ao empréstimo anterior quando senador, agora lembra que graças à sua atuação liberando o estado da multa que lhe cabia por não cumprir o acordo na venda do Banestado agora pode contrair empréstimos.
Ausências
A situação de João Cláudio Derosso na Câmara de Curitiba se complica. Os dois diretores da agência Visão que recebeu R$ 48 milhões para a comunicação da Casa, não compareceram à audiência na CPI sobre supostos desvios da verba. Um, Luiz Turkiewicz apresentou atestado médico para não comparecer (atestados médicos estão na moda na Câmara e na Assembleia). Adalberto Gelbecke Jr., o outro sócio, simplesmente não foi encontrado para ser convocado.
Em choque
Vai esquentar muito o ambiente na Procuradoria Geral do Estado. Acossado por antecessores no cargo, o procurador Júlio César Cardoso, pode entrar com processo contra Sérgio Botto de Lacerda por ter realizado gravação de conversa entre ele e o atual procurador. Gravação não autorizada que vazou para a imprensa.
