Modelo imutável

Numa roda de companheiros as  preocupações externadas eram duas: a mudança do clima, com os EUA vivendo mais um momento difícil (aqui chuva e seca como raramente se viu) e os desentendimentos  no mundo que vão muito além da Síria, da caça ao Kadafi, Egito e outros que se estendem há anos. Sem falar na eterna disputa entre judeus e palestinos. Caso de países da África que além das mais cruel seca, e fome como conseqüência, ainda convivem com guerra civil há anos. Rebeliões chegando agora ao Chile, até meses atrás o mais democrático país do continente sul, desde que Pinochet foi deposto. No Brasil há unanimidade: aqui, revolução se faz sem sangue. Graças à indolência e desinformação do país-continente, onde as mais divergentes culturas, estilos e situações convivem, todas abrigadas sob a mesma língua que, com variantes – gaúchos e nordestinos divergem – acopladas sob o guarda-chuva de língua portuguesa. A síntese de tudo é Brasília, especialmente o Congresso, onde as divergências nos plenários terminam em abraços no cafezinho de Câmara e Senado. Quando não em acordos para a criação  de novos estados que dividem os 25% que sobram aos estados  e municípios (15%) da arrecadação nacional. Quem  imagina um governo central que fica com 60% (mais o que arrecada com Contribuições, cujas rendas são exclusivas dele) concordando em liberar o Congresso para votar mudança que mude o rumo da prosa tributária! Recursos que  ministros nomeados por partidos e não pelo presidente de plantão, nesse modelo espúrio que se pratica por aqui, distribuem a seus estados e municípios de origem, quando não a empresas que bancaram suas eleições (ou seu prestígio). Se levada a sério a vassoura de Dilma tem muito o que fazer!

 

Justiça…

No final da semana que passou a coluna referiu-se à impunidade, fruto da fantástica burocracia da Justiça brasileira capaz de beneficiar os grandes escritórios de advocacia, prorrogando ad aeternum um processo. Claro que para quem pode pagar. Aí está o Cacciola deixando a prisão por crimes contra o sistema financeiro, e não foi por roubo de galinha, de cujos autores as cadeias estão cheias….

 

…tolerante

Para receber tais benesses o cidadão brasileiro infrator precisa ter profissão definida, residência fixa e outros que tais que o beneficie. Diferente dos que  roubam uma lata de leite em pó ou um frango no supermercado que ninguém nos grandes centros cria mais galinha no quintal.

 

Prazo curto

O assunto vem à baila porque  nesta semana prescrevem as ações que correm contra os supostos autores do mensalão, apontado pela imprensa (sempre ela!), exatos seis anos depois de o processo contra eles ser instaurado. O leitor que ainda tem boa-fé poderá imaginar que alguém será punido. Se dos 37 ou 38 denunciados, algum tiver caído em desgraça (não é o caso dos Zés Dirceu e Genoino, bem ao contrário), esse sim poderá ser execrado. Punido nunca, que nem a denúncia contra eles foi formalizada no STF.

 

Prestígio

Matéria de revista semanal (sempre elas) mostrando o prestígio que Zé Dirceu, defenestrado do governo e um dos indiciados no mensalão, ainda tem em Brasília. O que confirma uma tese de Maquiavel, em seu livro O Príncipe, que deveria estar na cabeceira de todos os políticos atuais, embora  escrito há mais de 250 anos: É melhor ser amigo do Príncipe do que trabalhar com ele!

 

Em choque

Hospedado no Naum, melhor e mais caro hotel de Brasília, Zé quando vai à capital (certamente nunca sem objetivo) recebe em sua suíte, ministros, senadores, deputados e diretores de estatais. Para tomar cafezinho  com ele é que não será!

 

Em choque

Conselho de quem sabe o que diz: Chico Anísio recém saído de um leito quase de morte: O sucesso é um acidente de percurso. Não humilhe ninguém quando estiver subindo. Mantenha-se humilde. Daqui a pouco você não sabe como será!