Coragem para continuar…
Não tem jeito. A única maneira de dar paz a um governo em que tantas mazelas são trazidas à tona (fruto dos maus hábitos a que a política brasileira ficou exposta pela impunidade – soma da condescendência dos governos e lentidão da Justiça) é aprofundar as tentativas do Congresso de calar a imprensa. Enquanto a liberdade que lhe foi restituída com a redemocratização do Brasil existir, a cada dia novos fatos serão denunciados em todos os níveis: serão corrupções municipais, estaduais e federais. Especialmente no governo Lula, em que o presidente sempre se empenhou em não saber de nada, prometendo inclusive à sua saída demonstrar que o mensalão nunca existiu, projeto que como os outros – lutar contra a fome nos países africanos, por exemplo – parece ter abandonado em favor das rendosas palestras (R$ 200 mil – dólares ou reais?) e das campanhas municipais em que promete se envolver, a corrupção parece ter prosperado. Passando à presidente Dilma, amplificada, a herança maldita que alegava ter recebido de FHC. Talvez para mostrar seu estilo nada condescendente, a Presidente aventurou-se pelo caminho da verdade. Tarefa nada fácil num país infectado pelas malfeitorias. As reações não demoraram. As bases, compostas por gente como a do PP, que segundo o ministro indicado por eles, Mário Negromonte (Cidades) afirma ter alguns deputados com folha corrida, parecem ter assustado a presidente Dilma. Resta saber se as reações populares de apoio a ela serão suficientes para mantê-la na faina de moralização. As denúncias continuam inclusive em relação às negadas utilizações de aviões de empreiteiros, por membros do governo. Caso de um vídeo registrado no You Tube, envolvendo o paranaense Paulo Bernardo.
Inferno astral…
A propósito de denúncias: continua o inferno político do presidente da Câmara de Curitiba, João Cláudio Derrosso, há 14 anos mandando na Casa. Prova que poder demais representa perigo. Perde-se a noção do público e do privado. Até por que acaba envolvendo outros companheiros que depois, como no caso atual parece estar acontecendo, ficam sem moral para acusar.
…político
O fato palpável no caso curitibano é que a tentativa de blindagem do presidente acusado é cada dia mais evidente. Inclusive as tentativas de calar os oposicionistas mais renitentes. Acusações que se feitas em outro momento teriam validade. Perdem a força por serem extemporâneas, só levantadas agora depois que o escândalo da contratação de agências de publicidade para cuidar da imagem da Câmara, foi denunciado.
FOLCLORE POLÍTICO
Campanha de 1974. Senado e eleições proporcionais. O empresário Jaime Canet Jr., vice de Emílio Gomes, já escolhido para governador em 75 (eleição indireta) participa de um comício em Campo Mourão. Além de João Mansur, candidato ao Senado, uma penca de candidatos a deputado. Pouco experiente em comícios, Canet viu a praça tomada por mais de 6 mil pessoas. Começam os discursos e um cidadão visivelmente embriagado, próximo ao palanque, a cada frase do orador batia num jornal e dizia: Ta tudo aqui, oh! Canet pede à segurança que delicadamente o afaste. Colocam-no no carro e o deixam próximo à sua residência com alguns reais no bolso. Duas horas depois, já com o público diminuindo, chega a vez de Canet falar. O bebum estava de volta, ainda mais alterado. Quando Canet inicia dizendo Campo Mourão amiga. Há uma semana aqui estive estivemos para somar tristeza. (Tinha vindo para o enterro do Horácio Amaral que morrera em acidente). A ideia era prosseguir dizendo: Agora aqui voltamos para um momento festivo. Não houve tempo. O bebum gritou: O sêo Canet. Não põe o falecido no comício!. A gargalhada foi geral entre os que o acompanhavam no palanque. O próprio, normalmente de semblante fechado, não resistiu e começou a rir.
