“Propinocracia”
O leitor, como o eleitor, pouco se manifesta em relação à política, fora das urnas. Como se essa não fosse uma atividade que impacta na sua vida. Raras vezes a caixa postal do colunista dá sinal de vida. O leitor, lê, concorda ou não com a opinião emitida e fica por isso mesmo. De vez em quando, opina, como no caso da afirmação que a coluna fez, antecipando a saída de ministros para se incorporarem à campanha, para vencer as resistências finais que a frágil candidatura de Marina Silva apresenta. Frágil pela legenda. Frágil pela estrutura física (inclusive pessoal) e econômica de que dispõe. Frágil pelo tempotrês vezes menor no rádio e nas TVs, que o governo comprou a peso de ouro. Com duas coisas a seu favor: a sua história, de menina surgida dos seringais da Amazônia, reforçada pela derrota que sofreu ao tentar montar um partido político diferente dos demais, onde pudesse defender suas ideias, em função da pressão do governo que ao mesmo tempo aprovava o PSD de Kassab que jurava submissão; beneficiada pela comoção despertada pela inesperada e violenta morte de Eduardo Campos, cuja candidatura substituiu. Em segundo lugar, pela intenção popular que por algum tempo ocupou as manchetes, de mudaro estado de coisas reinante no país. A começar pelo governo que agora promete realizar “os desejos de junho”. Curiosamente o leitor que agora se manifesta, chama a atenção para um fato que o colunista antecipara: as grandes redes de comunicação, parece já terem sentido a mão pesada do governo que cria e retira concessões de rádios e TVs, através um ministro que, pela abrangência de seu cargo,tem largo trânsito entre elas. Restam alguns veículos de expressão menor (jornais e revistas) ou de impacto regional, cuja liberdade mantém incólume a ideia de que vivemos numa “democracia”. Pelo andar da carruagem nos últimos anos, uma “propinocracia”, seria a definição mais apropriada ao regime.
Destino
Se o atilado leitor observar a sequência dos fatos, Marina Silva virou um obstáculo ao assumir a figura em quem os desejos populares se concentraram, por obra do destino. Associada a Eduardo Campos, tinha nas pesquisas números muito mais suculentos do que o candidato. Mas, não transferia a ele seu prestígio, confirmando uma máxima política que Lula quebrou: “prestígio não se transfere”. Lula elegeu Dilma afirmando “que ela venceria a crise”. Não venceu. Pelo contrário. Ela está aí acenando atempos piores.
Esperança vã
Com Aécio, que vinha de um aparentemente bem sucedido governo mineiro, e Eduardo Campos, igualmente coroado de êxito em sua administração pernambucana, imaginava-se que a disputa seria equilibrada. Ao início não foi. Um e outroconfundiam-se com as aristocracias políticas que mandam há séculos no país. Precisou a candidatura cair no colo de Marina, para as poucas brasas da fogueira em cinzas, reaquecerem : a mudança parecia possível! Em sua boa fé, os brasileiros descontentes imaginavam que a fogueira damudança reapareceria; constata-se que o regime hoje vigente no país, precisa de muito mais que simples vontade popular para ser derrubado. A corrupção que tudo compra, está incrustrada no DNA da política brasileira.
Cuidado com a História
Até quando o povo irá conviver na base do “pão e circo”, que imperadores romanos e francesesimplantaram. O pior está por vir. Com trinta e três partidos ansiosos por serem partícipes do poder (alguns autênticos), nem que seja através das migalhas que caem do jantar suntuoso (não há o menor interesse numa reforma), fundo partidário (dinheiro do orçamento, curto para as necessidades maiores) , horárioeleitoral (dito|) gratuito para engambelarem o povo, coligações esdrúxulas feitas a custa de cargos com os resultados que se viu na Petrobras, um judiciário sedento de vantagens ( a exemplo de legislativos) que o governo atende com prazer para cooptá-lo, o cenário para a situação continuar está armado. Com tanto poder nas mãos, esquecem-se porém de um detalhe: a História se repete. Fica o alerta!
