Quem venceu?
Pela primeira vez numa campanha política, vencedores e vencidos terminam o verdadeiro duelo eleitoral travado, cheios de preocupação. Os vencedores por sentirem que foi uma vitória que pode ser de Pirro: sem ter o que comemorar, tal o nível a que chegou e tais as resistências que sua candidata terá que vencer. Os derrotados,temerosos de que os problemas do primeiro mandato, e os dois anteriores do mesmo grupo, não sejam vencidos, tais as dificuldades que o vencedor irá enfrentar. Além da radicalização da campanha, travada em níveis baixíssimos de desconstrução, primeiro da candidatura de Marina Silva e posteriormente do concorrente ungido pelas urnas do primeiro turno, deixar marcas profundas. Um segundo turno iniciado e mantido no mesmo padrão do primeiro. Com o grupo responsável pelo marketing da campanha vencedora utilizando técnicas agressivas que levaram a uma divisão clara do país. Um problema que não serão os marqueteiros que terão de administrar e sim, o vencedor. Um resultado imediato nas mídias sociais, essas usadas escandalosamente, com agressões que ultrapassaram em muito o bom senso, foi o ressurgimento de um movimento que pelo menos há duas décadas perdera força: “O Sul é meu país”, escreveram inúmeros twitteiros. Irritados com o clima que especialmente o ex-presidente Lula, raivosamente pregava, do “nós contra eles”, defendendo ostensivamente a divisão do país. Sentimento que a coluna antevia em comentário de dias atrás, estava sendo estimulado. Daí já surgirem carros com um slogan criativo: “O Sul é meu país. Tolera-se S.P. e M.G.do Sul”. Separação que se levada a efeito, criaria um problema insuperável para o restante do país. Dilma vai precisar buscar uma tolerância que nunca demonstrou,para esvaziar tais sentimentos.
Qual imprensa?
A expressão usada pelo ministro Gilberto Carvalho, não contribui para aplacar os ânimos. Ao afirmar que a “imprensa séria” seria bem tratada pelo governo, deixou no ar uma dúvida. Qual é a imprensa que ele classifica como tal! Aquela que, recheada pelas verbas bilionárias de estatais que nem precisariam anunciar por exercerem suas atividades em forma de monopólio, isto é, sem concorrência, só entrando em assuntos desagradáveis ao governo depois que a imprensa investigativa transformou corrupções correntes em escândalo! Elimina-se então a “imprensa investigativa” que trouxe a tona o mensalão, escândalos na Petrobras, e outros que tais! Será essa a posição do futuro mandato?
Ato falho
O governo deveria ser grato à revista Veja que, ao antecipar sua edição em que repercutia a frase do doleiro Alberto Youssef de que “O Planalto sabia de tudo”, e ao ser questionado sobre “quem no Planalto”, saíra atirando: Dilma e Lula, para sexta-feira, em que a defesa de Dilma foi possível, classificando-a de “criminosa”! Tivesse a edição sido colocada nas ruas no sábado, Dilma só poderia se defender se a Justiça Eleitoral lhe concedesse um “direito de resposta”. O estrago da matéria, que nada mais fez do que repercutir o que o doleiro disse, seria irreparável.
Doa a quem doer!
Esse assunto Petrobras, ainda vai ter desdobramento. Como Dilma garantiu que seu comportamento, diante desses fatos que desmoralizam a empresa, seria de duro combate, “doa a quem doer”, assim como outros casos em que seu governo se viu envolvido, é esperar para ver qual será a sua posição diante das denúncias que ainda surgirão e dos nomes que, por terem foro privilegiado, forem apontados pelo STF. Se Joaquim Barbosa lá estivesse, as pressões que certamente ocorrerão,não seriam aceitas!
Omissão prejudicial
Com as insignificantes multas aplicadas aos que,não aceitando a obrigatoriedade do voto, e talvez por desencanto com os rumos da política e do país, um grande número de eleitores não compareceu às urnas. Poderiam ter decidido a eleição para o derrotado ou ampliado a vantagem do vencedor. Talvez não conhecessem uma frase que o governador Jaime Canet repetia: “Quem se omite, abre mão do direito de decidir mas, também perde o direito de criticar”. Já é tempo de, na reforma política que a presidente garante, desta vez sai, acabar com a obrigatoriedade do voto.
