Sindicalismo exacerbado
Fortalecidos pela postura do companheiro Lula que em seu governo favoreceu os sindicatos evitando a paralisação da contribuição obrigatória que abastece seus caixas, além de outras benesses, o número de reivindicações seguidas de greves aumenta. Agora são os petroleiros que ameaçam parar o Brasil. Em protesto à licitação que abre o pré-sal a empresas internacionais. Como se a Petrobras tivesse condições e tecnologia para, sozinha, explorar essa riqueza profunda. Atitude que não tiveram quando Paulo Maluf, em pleno regime revolucionário peitou o monopólio da estatal com sua Paulipetro. Obrigando a Petrobras a abrir concorrência a empresas estrangeiras a participarem de pesquisa de risco e exploração, encontrando um petróleo que até ali a estatal não produzira. Agora, em piores condições econômicas provocada pela excessiva interferência do governo que a obriga a manter preços defasados, em função da alta inflação do momento e da volumosa importação que faz em preços superiores aos praticados aqui, é que não terá condições de explorar sozinha o pré-sal, a um custo ainda não estimado. Paulo Maluf por sinal, apesar de todas as suas reconhecidas malfeitorias com dinheiro público, é credor de outro momento em que fragilizou decisões da revolução. Contestou em 1978 a candidatura de Laudo Natel, apontada pelos militares ao governo de São Paulo. Enfrentou-o numa convenção aparentemente suicida e venceu. À redentora (assim a esquerda ironizava o golpe de 64) só restou referendar a escolha da Arena. Fatos políticos históricos à parte, o sintoma gritante é que se o governo começar a fraquejar ante os movimentos sindicais cada vez mais agressivos, num momento em que a população também demonstra descontentamento, a República sindicalista que temiam com João Goulart, pode estar mais próxima do que se imagina.
É o cáos
A paralisação na área de exploração, refino e distribuição dos derivados de petróleo, provocada pela greve geral dos petroleiros, já preocupa transportadoras e postos de combustíveis. Embora a empresa estatal garanta que tem tudo sob controle, não explica o que fará se a greve se estender.
Monopólio aviatório
O quase duopólio na aviação civil admitado pela burocracia que regulamente o setor, dificultando o acesso a outras empresas, garante a maior fatia do mercado para a Gol e a TAM. Apenas a Azul pode conquistar uma fatia. Com isso os preços que irão subir para o final do ano e os eventos de 2014, dificilmente voltarão aos níveis anteriores.
Tráfico de influência
A previsão da coluna está se confirmando. A intervenção do CNJ no Tribunal de Justiça do Paraná, com o afastamento de Clayton Camargo da função de desembargador por várias suspeitas, está se estendendo ao Tribunal de Contas do Paraná. A Procuradoria-Geral da República pede o afastamento de seu filho, Fábio Camargo, eleito ao tempo em que fatos desabonadores ocorreram. Tráfego de influência em sua escolha é o motivo.
FOLCLORE POLÍTICO
O falecimento de Karlos Rischbieter, um dos remanescentes entre os que compuseram a equipe do primeiro governo de Ney Braga, na quinta-feira, trouxe à memória fatos daquele governo que revolucionou a política do Paraná. Estado recém entrado na fase de desenvolvimento com a explosão do café como força econômica, antes restrita à extração de madeira e erva-mate, era carente de tudo. Com a Copel quase falida e pouco atuante, Ney a recuperou e expandiu. Criou ainda a Telepar, a Sanepar, a Café do Paraná, a Copasa (armazenagem), a Celepar. Na área econômica, para dar apoio às iniciativas, a Codepar pelas mãos de Affonso Camargo Neto, depois transformada em Badep. Karlos, chamado a vários cargos no governo federal, Caixa Econômica, Banco do Brasil, chegou ao Ministério da Fazenda no governo Figueiredo. Demitiu-se quando bateu de frente com o também poderoso Delfim Neto. Contrariou uma previsão deste, de que a inflação não chegaria a 12%. Karlos previu inflação maior (16%, que acabou acontecendo) e propôs medidas duras para reverter esse quadro, o que desmentia o quadro otimista que Delfim vendia ao governo e ao povo.
