Voluntárias criam bonecas de pano em CM que vão para crianças africanas

Ver imagens de crianças africanas que vivem em situação de pobreza extrema causa espanto e indignação. Mas o quanto estes flagrantes provam reação e nos estimulam a reagir. Em Campo Mourão, um grupo de mulheres das mais variadas profissões e idades, faz parte de uma causa nobre. Algumas até tiveram que aprender corte e costura para produzir bonecas de pano para crianças africanas que nunca tiveram um brinquedo sequer.

As peças serão enviadas até o dia 22 deste mês à cidade de Pemba, na África, a mais de 10 mil quilômetros de Campo Mourão, onde o Frei Boa Ventura, da Fraternidade o Caminho, participa de uma missão. A expectativa é produzir no mínimo 100 unidades. A boneca parece simples de ser fabricada, mas exige um trabalho minucioso das mulheres. O que chama atenção, é que os brinquedos levam até o tom da pele das crianças, e todas com roupinhas com estampa, porque elas gostam. O projeto vem sendo coordenado pela professora de pathwork, Ana Paula Jackowski, em parceria com a Fraternidade O Caminho.

A professora disse que a iniciativa surgiu após o compartilhamento de uma foto, pelo Frei Boa Ventura, nas redes sociais. A imagem retrata uma criança africana com uma boneca feita de um toquinho de madeira, enrolada em um paninho. Então pensamos porque não usar um pouco do dom que Deus nos deu para ajudar o próximo, falou.

Para Ana Paula, a ação vem servindo até de resgate, pois vem sofrendo com a perda do filho Matheus há pouco mais de um mês. Ela disse que seguindo o conselho do Frei Tarcísio, responsável pela Vila Franciscana, está transformando a dor da perda em amor. Meu filho amava a Vila Franciscana e todos daqui. Tenho certeza que lá de cima ele está olhando e falando que legal este projeto mãe, disse Ana Paula, segurando as lágrimas. Essa experiência está resgatando minha fé, me resgatando do quarto, da cama, da solidão…, disse.

 

Peças fabricadas são todas uniformes, ou seja, mesmo tamanho, cor, e peso

 

A notícia do projeto foi repassada às amigas, às amigas das amigas, e de repente várias voluntárias se uniram pela causa. O primeiro encontro foi realizado nesse sábado (29). Serão realizados mais dois encontros nos próximos dois sábados que antecedem o envio das peças à África. Quem tiver interesse pode ajudar com a doação de materiais como algodão cru, plumante para o enchimento e tecido tricoline para a confecção das bonecas.

Interessados podem fazer a entrega dos materiais diretamente na Capela do Carolo e na Vila Franciscana, localizada na saída para Araruna. Já para quem quiser por a ‘mão na massa’, pode ajudar costurando, cortando tecidos, riscando desenhos, no próximo sábado (6), na Vila Franciscana, a partir das 13h30. Toda ajuda é bem vinda, falou Ana Paula, que participa há 10 anos da Fraternidade o Caminho. Seu filho Matheus era acólito (membro da Fraternidade).

Ana Paula informou que de início foi cogitada uma mobilização para arrecadação de bonecas, porém, o grupo queria peças padrões, todas do mesmo tamanho, mesmo peso e cor. Se fossem doadas seriam diferentes uma da outra, falou. Desde então, a gente vem trabalhando, temos até o dia 22 de julho para mandar essas bonecas, ressaltou. A mobilização teve início na quinta-feira da semana passada. Todos os materiais utilizados até agora são produtos de doações feitas pela comunidade.

 

Notícia do projeto se espalhou, unindo um grande número de voluntárias em prol da causa

 

Boa parte das voluntárias são alunas de Ana Paula, mães, donas de casa, que deixaram os seus afazeres para contribuir à causa. Tem gente de 12, 60, 70, e até com mais de 80 anos ajudando. É o caso da viúva aposentada, Alba Raqueli, de 81 anos de idade. Junto da filha e da neta, ela pôde dar sua contribuição para o projeto no último sábado. É uma iniciativa extremamente importante. Eu que nunca tive nada igual quando pequena, sei a importância que é este gesto e a felicidade que vai causar nas crianças que receber estas bonecas, falou dona Alba. Ela afirmou que está sendo uma experiência bastante gratificante.

Vanda Jackowski, 71 anos, é outra que abraçou a causa. Ela disse que o mundo está precisando de mais amor e compaixão pelo próximo. É uma forma de estar ajudando ao próximo. Vai ser algo muito importante, que poderá até mudar a vida destas crianças, que quase nada têm. Acho que o mundo está precisando de mais amor, e este projeto vem resgatar isso, falou.

Coisa de Deus

A vendedora autônoma, Silvia Facco, 49 anos, leiga na Fraternidade o Caminho, disse que o projeto é uma coisa de Deus. Foi tudo encaminhado por Deus mesmo. Olha só o poder que teve a foto da criança brincando com um pedacinho de pau, comentou. Deus juntou o enorme coração do Frei Tarcísio ao dom da Ana e suas alunas para tornar isso possível. Foi algo que começou bem pequeno e tomou esta dimensão enorme, observou.

Silvia diz que faz de tudo dentro do projeto, corta, risca tecidos e até costura. Ela comentou que tem voluntárias participando do projeto que nunca tinha visto antes. São todas boas almas, gente que pensa no próximo, que compartilha o bem. É uma coisa muito linda mesmo, afirmou, ao comentar que o projeto tem gerado a ela um crescimento espiritual muito grande. É uma coisa que não tem como explicar, frisou, ao reforçar o pedido de doações à comunidade. Quem quiser participar pode vir no próximo sábado, às 13h30 na Vila Franciscana, ou então fazer doação de tecidos. Desde já agradecemos aquelas pessoas que estão ajudando, falou.

A reportagem tentou falar com o Frei Tarcísio sobre o projeto, mas ele saiu em viagem a São Paulo no fim de semana.

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