José Eugênio Maciel
VIDA VIZINHA, PERIGO. E EU COM ISSO?

                  Sou ligado pela herança do espírito e do sangue ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
                                Sou ligado aos casais na terra e no ar,  ao vendeiro da esquina, ao padre,

                                                  ao demônio ao mendigo, à mulher da vida, ao mecânico,

                                                       ao poeta,  ao soldado,  ao santo e ao demônio.

                                                        Construídos à minha imagem e semelhança.”

                                                                       Solidariedade – Murilo Mendes

            A cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher é vítima, de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher, é vítima de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma, mulher, é vítima, de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher, é vítima, de violência, no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher é vítima de violência no Brasil.

            As vírgulas são para enfatizar. Servem também para pausas.

            Sem nem uma. Sem nenhuma vírgula a mesma frase é lida de uma única vez.

            Cada uma lida. Todas lidas. Segundos passados, a passarem, que passarão.

            Mulheres vítimas de todo o tipo de violência. Feridas doloridas, dolorosas.

            Dois segundos não é nada. De fato não é nada: mas é o tempo de agredir, matar.

            É ela a mulher alvo do uso/abuso violento, nunca que justifique. 

            Câmaras de segurança do prédio onde morava a jovem advogada de Guarapuava Tatiane Spitzner, evidenciam a barbárie do marido Luís Felipe Manvailer. Agressão física e moral. Dor constante, lancinante, cortante. Tomada de hematomas, sintomas. Esvaída. Ex-vida. Grito ecoando nos corredores, janelas, andares. Estirado na calçada. Tatiane sem vida. Cadáver ocultado da cena.

            Ninguém escutou os gritos? Ninguém passou pela garagem?

            Tapamos os ouvidos. Fechamos os olhos. Cruzamos os braços. Fazemos de conta que não temos “nada com a vida dos outros”, quando tudo pode estar acontecendo próximo da gente, vizinhos. Trata-se do antagônico das redes sociais, fofoca e intromissão na vida alheia como se a intimidade tivesse que ser exposta escancaradamente.

            Não se pode negar a ninguém em tempo algum, um pedido de socorro. Mais do que um princípio e fundamento morais, ele é também legal, previsto no Artigo 135 do Código Penal:   “Deixar de prestar assistência quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou a pessoa inválida ou ferida desamparada ou em grave e iminente perigo: ou não pedir nesses casos o socorro da autoridade pública”.

            Guarapuava retrata o Brasil do silêncio assombroso omissivo, conivente com um crime.   

            Tem quem que suponha, que a maior parte da violência contra a mulher ocorra nas ruas, ônibus, trens, praças. Na realidade quase 70 % das agressões ocorrem dentro de casa.

            Antes, durante, na hora ou pouco de depois ninguém viu. Como se a vida fosse a dos outros. Cada um que cuide da sua. Não tem como não observar, basta um corpo ferido ou já sem vida, aparecerem um bando de curiosos, gesticulam, comentam, se manifestam quando deveriam agir antes, solidariamente. São raras as exceções.  

            Gritos, cicatrizes, feridas, existem nas outras mulheres. Somos destinados a velar corpos,   rezar pelos outros.    

Fases de Fazer Frases

            Não se encerra com a última palavra. É com o último ponto.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Está longe de acabarem. Se não houver providências, se tornarão fatos e notícias corriqueiras: Causadores de acidentes de trânsito fugirem do local sem prestar socorro. A embriaguez, embora não seja a única causa, entram para as estatísticas do que poderia ser evitado.. Reminiscências em Preto e Branco

            “Em briga de marido e mulher ninguém deve meter a colher”. Mais que um ditado antigo, já antigamente deveria ser inaceitável. O ditado não caiu em desuso, menos falado mas muitíssimo praticado Brasil afora. Gritos de socorros são abafados ante o silêncio criminosamente omissivo.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Vê-se o vice vai ser só vice

“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro e os políticos têm medo do passado.”

Chico Anysio

Escolher para quem votar, o brasileiro leva em conta o candidato a vice? Ao menos simbolicamente o vice ganhou importância maior no próprio ato de votar, ele tem o retrato ao lado do titular que aparecem na urna eletrônica.

Não carece um olhar muito atento para observar que os candidatos a presidente e a governador deixaram por último a escolha do vice na chapa.

Apenas situar na história recente da política brasileira, a vice-presidência saiu do banco de reserva para ser o titular do cargo. Sentar em definitivo na cadeira de presidente levou a história republicada a outras conjunturas.

José Sarney assumiu definitivamente como presidente por ser o vice de Tancredo Neves, que nem tomou posse, morreu antes. O fim da ditadura militar foi marcado pela eleição de um presidente civil e a última indireta via colégio eleitoral.

O primeiro presidente eleito diretamente pelo povo renunciou para não ser cassado. Fernando Collor não esquentou a cadeira. Assumi o vice Itamar Franco.

Dilma Rousseff perdeu o mandato para o atual e então vice Michel Temer.

Sem desconsiderar que o eleitor deve ficar atento quanto aos candidatos à vice, se é que todos ficam de olho, o que isso na prática representa?

Talvez nada. Ainda o principal para definir uma escolha seja o titular, com todos os riscos de perda de mandato que leve o substituto a assumir o cargo de vez.

É lamentável ter que ressaltar a história recente – e ainda atual, já que os reflexos e personagens estão como atores da política, principais ou coadjuvantes – só dois presidentes concluíram o mandato e transmitiram o cargo para o sucessor: Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Luís Inácio Lula da Silva, que, por sua vez, colocou a faixa em Dilma Rousseff.

A propaganda eleitoral irá dar algum tipo de destaque para os vices, sobretudo aqueles que agregarem importância tanto política quanto eleitoral, o que tornará menos difícil ao brasileiro analisar os prováveis substitutos.

Para o Senado, saber quais são o primeiro e segundo suplentes é muito difícil, os próprios candidatos a senador não fazem questão de divulgar. É que historicamente a prática comum foi escolher parentes ou alguém que financie a campanha. Da escuridão das cavernas políticas surgiram suplentes que assumiram definitivamente o Senado, sem que soubessem o fossem lembrados pelos eleitores.

Se for exagero considerar mais importante o vice do que o titular, restará torcer (ou não) para que o titular não morra, não seja cassado ou deixe o cargo.

Fases de Fazer Frases (I)

Velhas verdades, inofensivas ante as novas, porque as antigas se conhecem.

Fases de Fazer Frases (II)

Não existe uma só palavra, seus significados a tornam plurais.

Olhos, Vistos do Cotidiano

“A Coluna do Ely noticiou sexta passada, Campo Mourão tem 415 novos eleitores por mês. No total são 64 mil e 313 eleitores”. Não é mais somente uma tendência, mas sim um constante crescimento no número de eleitores, ainda que possa ser considerado pequeno.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Relativo ao tema principal da Coluna de hoje, existem dois vices que não concluíram os mandatos após terem assumido o cargo de presidente do Brasil. A conjuntura à época foi notoriamente delicada. Devido ao suicídio de Getúlio Vargas assumiu a presidência o vice Café Filho que tinha pouca expressão política. Café morreu, tendo governado por pouco tempo: 1954-55. Com a renúncia de Jânio Quadros quem assumiu foi João Goulart, 1961-64, que foi derrubado pelo golpe militar.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Em meio a vices que assumem a titularidade do cargo, antes fica a cargo do cidadão o título de eleitor que não pode ser substituído por outrem a votar no lugar dele.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Imagine apenas a palavra

“As palavras fazem um efeito na boca e outro nos ouvidos”.

Alessandro Manzoni

            Sem imagem a ilustrar. Nada de som abertura ou de fundo. Sem quadro e moldura.

            Palavras sem companhia. Elas por si sós. Sem estarem sós.

            Sem ter ideia como são escritas, simbolizadas, se nasce ouvindo-as.

            Descobrimos significados palavrais. Lições, textos, com textos, contextos.

            Cultivar não é ter palavras no dicionário fechado. É tê-lo aberto.

            Palavra é vida ao longo da vida.

            Será palavra que dirá, na lápide, fim da vida. Dita no silêncio, sobre ele, ela.

            Palavras nunca morrem. São esquecidas até antes de conhecê-las.

            Vida morre também. Tão bem mata palavras, pelo não falar ou ouvi-las.

            Palavras não cometem suicídio nem desejam a própria morte.

            Assassinadas são: falta de diálogo, verbal, impresso.

            Não morrem nunca se tiver quem fale. Escute.

            Palavras são escritas, inscritas. Intercaladas sem caladas.     

            Elas têm sentido mas carecem serem sentidas.

Fases de Fazer Frases (I)

            Entre ver e antever importa é atrever.

Fases de Fazer Frases (II)

            O infinito do ser humano é humano ser até na finitude.

Fases de Fazer Frases (III)

            De ponto a ponto pontuo, afinal o ponto final é finado?

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Com aspectos peculiares, veículos de comunicação fazem concorrência comercial, não é difícil notar casos de disputa acirrada. Mas para quem escreve ocasionalmente ou tenha uma coluna, como este escrevinhador, afirmo, a concorrência, se existe, é saudável. Tão saudável, repito, se é que ela existe, nem chega a ser chamada de concorrência. É positivo quando e quanto mais pessoas escrevem, tendo como referência específica o Jornal Tribuna do Interior. É gratificante repartir espaços como este e sobretudo vê-lo devidamente preenchido na Tribuna Livre. Citar bons textos de autores da terrinha mourãoense ou dos municípios vizinhos dessa nossa querida região.

            Precisamente na edição de quarta-feira anterior, na Tribuna Livre tem o texto do médico Eufânio Saqueti. Intitulado Os homens se cuidam? Eufânio trata da especialidade dele com profissional, discorrendo fatos e causas que levam homens a fugirem do consultório, tendo como consequências doenças e mortes que bem poderiam ser evitadas se o homem fosse ao médico rotineiramente, fizesse a prevenção um compromisso literalmente vital. O texto discorre sobre as doenças cardiovasculares, cânceres de pulmão, próstata, testículos, de pênis e tratamento da disfunção sexual.

            Pessoalmente eu não o conheço, mas sei da atuação profissional dele, médico urologista conceituado. Assim como devido ao bom texto, tomara e torço para que ele escreva mais vezes.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            A Tribuna tem uma ótima Coluna, Sociedade e Desenvolvimento, do Carlos Alberto Facco. Como o próprio título, os temas dizem respeito ao desenvolvimento, tanto do capital humano de empreender quanto dos capitais em termos de recursos de matéria-prima ou de logística, por exemplo. Facco é secretário de desenvolvimento econômico de Campo Mourão e toda a sua formação profissional é nessa área.

            No último Artigo, quarta passada, escreveu sobre fatores que são determinantes ou foram ao longo deste ano de 2018, a Copa do Mundo e as próximas eleições no Brasil, o quanto tais fatos põem, segundo ele, a nossa economia na encruzilhada. Seus textos são de informação, de formação, têm a qualidade e clareza de alguém que lê, tem conhecimento teórico e profissionalmente não é de fugir de desafios como a atual função pública, sempre disposto a contribuir para o desenvolvimento econômico da nossa região e do Paraná em especial, desenvolvimento para ele tal que não pode deixar de ser social, sobretudo.

Reminiscências em Preto e Branco

            Ainda que só aparente, seja bela ou não. Mesmo que apenasmente simbólica, a cor cinza é tintura de todas as demais, cinza, cinzento em si, retrata o fim, tudo o que não retornará, derradeiro posto, imposto.

            Não se nasce do cinza. Embora do cinza exista o renascer, sem ainda saber-se qual cor terá.

30 anos, palavra dos leitores (final)

“Pelos 55 anos da coluna vertebral e do coração que pulsa sentimentos,

                               pelos30 anos da coluna mantida no jornal Tribuna do interior. Firme

                                   nas colunas, tinta na  tela e deixe que as palavras despejem vida

Osvaldoir Capeloto – poeta

 

            Assim como citado logo após o título de hoje, os dizeres do poeta Osvaldoir, dois outros poetas enviaram cumprimentos, o mourãoense João Lara e de Paranaguá Maria Elizângela Silvia.

            Professores, na condição de leitores e colegas de profissão enviaram mensagens, “É uma das primeiras que leio ao pegar o jornal”, escreveu Conceição. Outros educadores destacam a tradição da Coluna, Valdeir, Márcio, Jane, Silvana Valéria, Silvana, Izabela, Tânia, Paulo, Lumena, Elaine, Fabíola Erenice, Márcio, Gilberto, Lucilene, Eliane, Mereide (Ubiratã), Carlos (Londrina) e Maria Fontes (Maringá), e por fim o diretor do Colégio Estadual de Campo Mourão Valdair, “É o resultado de uma vida dedicada aos livros e as letras”.

            Das autoridades vieram cumprimentos dos prefeitos Tauillo e Edmilson Miliossi, de Campo Mourão e Barbosa Ferraz, do vice -prefeito de Campo Mourão Beto Voidelo,   dos vereadores mourãoenses Sidnei, Battilani e Edoel. O deputado Douglas usou da palavra na Assembleia no dia 10 passado, destacando estes 30 anos de Coluna, bem como o deputado federal Bueno, “O Maciel é um intelectual consciente do seu papel e ajuda a ampliar o conhecimento e o debate, levando à reflexão”. E da administração pública Widerski, Fabrícia e do Judiciário o juiz Edson Jacobucci.

            Do CENSE (Centro de Socioeducação) colegas de trabalho Luciano, Fernando, Bianca, Renan, Grasiela, Ana Cláudia, Noemia, Luciano Bento, Higor, Leandro, Cristiane Santos, Sérgio e Vera (de Londrina).

            Da família (todos os irmãos já citados na semana anterior) Hilda, Rodrigo, Rodolfo, Ricardo, Rafael. Cecilianne, José Mário, Waleska, Caio, Eninho, Rosana e Isadora.

            E dos leitores em geral, Cleberson, Roberto, Denir Daleffi, Adão Aparecido, Jairo Padilha, Ana Beatriz, Napoleão, Francisco e Betinho Pequito, Diego, Suimar, César Bronzel, Eleonora, Rose Bueno, Paulo Pilati, Rosna Pescador e Isadora Lenara, Paulo Roberto (Apucarana) Jair Frates (Arapongas) e Gilberto Bazzi (Araruna).

            Grato a todos, sempre.           

Fases de Fazer Frases (I)

            Maior precaução que tomar cuidado é engoli-lo.

Fases de Fazer Frases (II)

            Nem todo rude é rudimentar: elementar.

Fases de Fazer Frases (III)

            Encarregado do gado dá o recado, todo gado foi carregado sem escorregado.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            No jornal da RPC desta semana duas notícias televisivas chamaram a atenção pelo tempo e enfoque delas, em comparação. Uma noticiava um cão que havia sido furtado e foi encontrado, devolvido ao dono. Entrevistaram o dono, o delegado que cuida do caso, ainda teve um rápido comentário da apresentadora do canal. De Maringá para Paranavaí, uma pessoa que preferiu não ser identificava filmou a estupidez do segurança de um centro de compras contra um andarilho. Ele foi entrevistado, quem filmou a cena também, menos o segurança. Essa matéria teve tempo menor e tratamento simples.

            Intencional ou não, provavelmente atenta a repercussão que as matérias teriam, deu-se bem mais importância ao cão, ao dono do cão do que ao andarilho, mais vira-latas, de menor valor humano, social em relação a outro animal.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Esta Coluna é do tempo em que Tribuna era literalmente impressa em preto e branco. O colorido dela só chegou nos anos 1990.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            A palavra, hoje em desuso, foi muito falada pela minha saudosa mãe Elza, “ao usar o calçado, ele vai lacear”, lacear no sentido de afrouxar, amaciar. Certa vez o meu saudoso pai Eloy complementou, ao informar outro significado de lacear: fazer; amarrar ou apertar laços”.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Com o tempo se aprende até o que o tempo não ensina.      

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

30 anos, palavra dos leitores

30 anos completou nesta terça-feira a coluna semanal que o professor, sociólogo, advogado, ex-vereador e ex-secretário de Educação, José Eugênio Maciel, mantém na Tribuna do Interior. Começou em 10 de julho de 1988. Maciel está com 55 anos, ou seja, estreou aos 25 e tem mais tempo de vida com a coluna do que sem ela.”

Sid Sauder – Boca Santa

 

            Emoção e razão se enfeixam, são unidas e abraçadas por mim para agradecer a todas as manifestações dos leitores pelos 30 anos desta Coluna.

            Na Coluna anterior, intitulada QUE COLUNA É ESTA? ELA ESTÁ HÁ 30 ANOS, abordei  sobre a data, 10 de julho de 1988. E precisamente dia 10 passado, esta Tribuna publicou a entrevista que concedi ao jornalista Walter Pereira, com chamada na primeira página.

            Hoje torno público o agradecimento a todos, assim como relaciono as pessoas que endereçaram cumprimentos pelos 30 anos. Organizei a seguir uma relação conforme chegavam as mensagens, dos meios de comunicação; colegas de trabalho (dos profissionais da educação; do CENSE) da Academia; do meio literário; da família; das autoridades e dos leitores de um modo geral. Além dos cumprimentos, têm os que discorreram sobre os 30 anos. Das muitas mensagens, foram destacadas algumas delas, a seguir transcritas. 

            A primeira delas está transcrita abaixo do título de hoje, do Boca Santa, jornalista Sid Sauer. Aliás, ele é testemunha das primeiras colunas, quando fez parte integrante deste Jornal como jornalista e redator.

            Dos meios de comunicação recebi congratulações desta Tribuna, do Nery Thomé, Walter Pereira, assim como de leitores que se manifestaram pelo próprio Jornal, Agnaldo Kuyava, Valdir Souza e do Luis Carlos Jarutais: “Ilustre pensador, colunista, intelectual, além das virtudes de todas as profissões e tenho a alegria de tê-lo como companheiro torcedor do glorioso Internacional”. E de outros meios de comunicação Donizete (Musical FM), Ricardo Borges e Sílvio Sauer.  

            Outro destaque, reúne ao mesmo tempo família, pioneirismo e leitura assídua, transcrevo os dizeres da minha tia Maximina Alves: “Parabéns pelos seus 30 anos de jornalismo. O tio era seu fã número um de seus artigos, não perdia um domingo. Eu sou a número 2. Leio todos os domingos. Um beijo enorme da tia que te ama muito. Sucesso sempre”. O marido da minha tia, o saudoso Abelegy Alves de fato fora sempre meu leitor, retratado neste espaço infelizmente em razão da morte dele.

            Da Academia Mourãoense de Letras, a começar com o presidente da Entidade, Fábio Sexugi - “Parabéns, Maciel!. Sempre leio os seus textos.” - registro cumprimentos das acadêmicas,  Edcléia, Estter, Giselda, Sinclarir, Nelci, Rita, Dirce, Silvânia, Marlene, Dalva e Márcia. E dos acadêmicos Ilivaldo, Jair e Gilson.

            Com neste espaço não cabem todos os nomes e mensagens recebidas, as demais serão listadas na próxima semana. Assim termino a Coluna fazendo menção aos meus queridos irmãos, todos eles se manifestaram sobre os 30 anos. (Como na entrevista, a lembrança do saudoso irmão Eloy). Obrigado, manos: Maria, Egydio, Rosira, Edna, Ednira, Elio, Elza, Edni, Euro, Enio. Eles conhecem bem minha jornada, sempre contribuíram com incentivo, apoio e leitura.

            Próxima Coluna tem mais registros.

Fases de Fazer Frases

            O tempo ensina bem mais do que todas as horas.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Os cinco indivíduos (quatro estão presos desde o dia do acidente) faziam “racha” na rodovia, o que levou a morte de cinco pessoas da mesma família, moradoras da localidade de Pensamento, Mamborê. É a conclusão do inquérito, segundo relatou o delegado Marcelo Trevisam. Os indiciados poderão ser levados a juri popular. A população de Mamborê, além do luto, continua estarrecida e indignada com o estúpido acidente, fruto de uma nefasta irresponsabilidade.

Reminiscências em Preto e Branco

            Os primeiros textos desta Coluna estão arquivados fisicamente, em pastas. Folhas datilografadas, cópia ia para o Jornal, conteúdo publicado nesta Tribuna. Computador? Disquete? Internet? Não existiam. E a Tribuna só tinha edição aos domingos.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Que coluna é esta? Ela está há 30 anos.

“Aquele que vê aos 50 anos da mesma forma o que

via aos 20, desperdiçou 30 anos de vida”.

Mohammed Ali

 

            Ela só leva meu nome, o título. É minha sem que eu seja dono. Fatos, circunstâncias, tempo determinam esta Coluna. Que Coluna é esta? Só me atrevo a indagar. A resposta é do caro leitor.

Não poderia estar, passar e ficar em branco este espaço de jornal. Bastaria preenchê-lo aqui com o informe: A Coluna completa 30 anos.  Primeiro texto, 10 de julho de 1988. 

Existem três datas associadas aos 30 anos desta Coluna. O nascimento da Tribuna do Interior, jornal que teve a primeira edição, 1968, num dia devidamente escolhido, o 10 de Outubro, aniversário de Campo Mourão como Município. Este ano a Tribuna completará 50 anos.  Os números redondos facilitam realizar as contas. Quando o Jornal faria 20 anos de fundação, esta Coluna iniciou sua publicação. E como eu tenho 55 anos, comecei a escrever aqui aos 25.

É. 30 anos da Coluna. 50 anos da Tribuna. 55 de minha vida. Tais datas se entrelaçaram ao longo dessa trajetória, em comum o fato de termos sido incipientes, sementes, jovens que, ao envolver do tempo, fomos ramificando.

A Tribuna faz parte da minha história ainda quando nem em devaneio poderia imaginar escrever esta Coluna. O hábito da leitura em casa era arraigado, cultivado, estimulado e a Tribuna, sempre aos domingos, integrava o nosso cotidiano.

Faço parte da história deste querido Jornal? Arrisco a dizer sim, sem saber qual o significado, novamente só a Tribuna pode responder a partir do leitor. 

O sentimento maior é o de reconhecer e consequentemente ser grato a todos os leitores e ao Jornal. Gratidão que, por mais que a expresse enfaticamente, não paga o quanto perene é a relação de respeito e liberdade para produzir todos os textos, em cada edição. 

A tradição se edifica, passa a ser no e com o tempo. A do Jornal, o mais tradicional, pronto para atingir meio século.

Tradição que harmoniza com as mudanças tecnológicas, culturais bem próprias deste meio de comunicação e com a peculiar cultura de nossa gente mourãoense e a dos municípios circunvizinhos.

Esta Coluna também é conteúdo tradicional e moderno, reflexo do ritmo das nossas histórias. 

Obrigado! É 2050 o número de textos publicados, contando com o de hoje, há 30 anos.        

Fases de Fazer Frases (I)

            Palavras floridas demais lembram as belas flores de plástico.

Fases de Fazer Frases (II)

            A ênfase não está em colocar ponto de exclamação após a palavra, no final do texto.

É exclamar com palavras, afinal. 

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Imagens, alta definição, sons, luzes, cores instantaneamente transmitidas. O tempo das pessoas para contemplação das mensagens é marcado pela pressa, a/há segundos.

            O texto impresso, como desta Tribuna ou de uma página virtual, colocado apenas o conteúdo o das palavras sobreviverá? E os livros, grossos ou de pouco volume, farão parte do nosso hábito, do cotidiano de uma leitura que parece nem mais nascer e morre prematuramente, haja vista encontrarmos cada vez menos pessoas lendo? Elas não encontram tempo para ler? O que ler? Ou seria não procurar tempo e leitura. Os 30 anos desta Coluna é fadado ao fim, os sinais são do número que vai se reduzindo de leitores, que sempre não foi mesmo lá muita gente. Insisto como numa pregação no deserto tão árido que as palavras são oásis.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Nunca fui bom em matemática. Assim, sempre que posso arredondo os números. Mas de fato a Coluna tem agora 30 anos e logo mais a Tribuna do Interior, 50 anos.

Reminiscências em Preto e Branco (II) 

            Arredondando, sobre a Coluna, a primeira referência cronológica foi a centésima publicação. Data tão grandiosa que teve o sentido de longevidade. 

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Uma marca que parecia inalcançável, chegar a 2000 Artigos. Ainda parece, mas o texto de hoje é o 2050, outro número redondo. 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Simular não dá bola

“A simulação da bondade é mais nociva que a maldade”.

(Ditado popular)

            Um velho ditado, para começar, “a tristeza do mentiroso é quando ele fala a verdade e ninguém acredita”. No jogo contra a Costa Rica (22 passado), o árbitro marca penalidade máxima a favor do Brasil, mas voltou atrás depois de consultar o árbitro de vídeo. Não só isso, deu cartão amarelo para o Neymar pela simulação.

            O que por si só é real, simular é tentar fazer real o que de fato não é. No caso o jogador Neymar atirou-se ao chão como quem desaba. Ainda fingiu sentir enorme dor, quando na verdade foi tocado de leve. O cartão foi bem aplicado, já o pênalti de fato ocorreu.

            Outro antigo ditado, citado aqui muitas vezes, novamente vem a calhar, “a esperteza quando é demais, vira bicho e come o dono”. Falta inteligência a um grande número de jogadores brasileiros, que há muito tempo sabem que existem nos jogos uma grande quantidade de câmeras a focalizarem o lance por muitos ângulos. O jogador espalhafatoso vai perdendo credibilidade devido ao teatro de quinta categoria. Por isso surgiram piadas sobre o fato, apontando o jogador como ótimo ator, o que também foi caricaturado ao contrário, se teria aprendido com a namorada dele, atriz Bruna Marquezine.

            É o retrato do futebol, da cultura de boa (má) parte do Brasil que aprova ou pratica quando malandramente leva vantagem. Com os aplausos da torcida.

            No último jogo, contra a Sérvia, (2X0) ele quase não caiu, não fingiu nem reclamou. Porém, Neymar continua devendo futebol à altura da fama de craque.

Fases de Fazer Frases (I)

            Prever o futuro é mais fácil do que ver o passado.

Fases de Fazer Frases (II)

            E o paradeiro do padeiro que toca pandeiro?

Fases de Fazer Frases (III)

            Ouvir.

            Ou vir.

            Vir ou vir.

            Vim ver.

            Viver. Com viver.

            Conviver o que convier.

            Conviver é convir com o que vier.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Não confundamos: O Léo pardo com o leopardo.

Fases de Fazer Frases (V)

            O Direito só entorta quem assim não é.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Em Engenheiro Beltrão, nos Distritos de Sertãozinho e Figueira do Oeste, a prefeitura anunciou que as escolas dessas localidades terão salas multisseriadas. Parte dos moradores tem se manifestado contrários à medida. O prefeito Rogério Riguete disse, a medida é inevitável e é para reduzir cortes que garantam o pagamento do Piso Nacional dos Professores. Multisseriada foi comum nos anos 70 e 80, principalmente na zona rural, onde, na mesma sala, uma única professora lecionava para alunos do primeiro ao quarto ano primário. Tal ensino ficou superado ao longo do tempo, trazido da poeira, pode ser que volte também o castigo, como o chapéu orelha de burro ou grãos de milho no chão para ajoelharem alunos por indisciplina. Poderá servir aqueles que não sabem gerir uma prefeitura quando fazem cortes na educação.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Sindicatos terão que se virar para se manterem. O STF – Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da não obrigatoriedade do imposto sindical. Cabe a cada um se sindicalizar, pagar ou não. Bom citar dois fatos: raramente sindicalistas trabalhadores e patrões estiveram unidos numa mesma causa. Precisam aprender, democracia pressupõe escolha.  

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            São 30 anos! Na próxima semana, 10 de julho, esta Coluna completará três décadas.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O doente arruinou, dizer praticamente em desuso, antigamente comum. Significa piora, arruinar tem a ver com ruína.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Quanto mais antigos os conselhos, mais eles servem aos moços.

“A simulação da bondade é mais nociva que a maldade”.

(Ditado popular)

            Um velho ditado, para começar, “a tristeza do mentiroso é quando ele fala a verdade e ninguém acredita”. No jogo contra a Costa Rica (22 passado), o árbitro marca penalidade máxima a favor do Brasil, mas voltou atrás depois de consultar o árbitro de vídeo. Não só isso, deu cartão amarelo para o Neymar pela simulação.

            O que por si só é real, simular é tentar fazer real o que de fato não é. No caso o jogador Neymar atirou-se ao chão como quem desaba. Ainda fingiu sentir enorme dor, quando na verdade foi tocado de leve. O cartão foi bem aplicado, já o pênalti de fato ocorreu.

            Outro antigo ditado, citado aqui muitas vezes, novamente vem a calhar, “a esperteza quando é demais, vira bicho e come o dono”. Falta inteligência a um grande número de jogadores brasileiros, que há muito tempo sabem que existem nos jogos uma grande quantidade de câmeras a focalizarem o lance por muitos ângulos. O jogador espalhafatoso vai perdendo credibilidade devido ao teatro de quinta categoria. Por isso surgiram piadas sobre o fato, apontando o jogador como ótimo ator, o que também foi caricaturado ao contrário, se teria aprendido com a namorada dele, atriz Bruna Marquezine.

            É o retrato do futebol, da cultura de boa (má) parte do Brasil que aprova ou pratica quando malandramente leva vantagem. Com os aplausos da torcida.

            No último jogo, contra a Sérvia, (2X0) ele quase não caiu, não fingiu nem reclamou. Porém, Neymar continua devendo futebol à altura da fama de craque.

Fases de Fazer Frases (I)

            Prever o futuro é mais fácil do que ver o passado.

Fases de Fazer Frases (II)

            E o paradeiro do padeiro que toca pandeiro?

Fases de Fazer Frases (III)

            Ouvir.

            Ou vir.

            Vir ou vir.

            Vim ver.

            Viver. Com viver.

            Conviver o que convier.

            Conviver é convir com o que vier.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Não confundamos: O Léo pardo com o leopardo.

Fases de Fazer Frases (V)

            O Direito só entorta quem assim não é.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Em Engenheiro Beltrão, nos Distritos de Sertãozinho e Figueira do Oeste, a prefeitura anunciou que as escolas dessas localidades terão salas multisseriadas. Parte dos moradores tem se manifestado contrários à medida. O prefeito Rogério Riguete disse, a medida é inevitável e é para reduzir cortes que garantam o pagamento do Piso Nacional dos Professores. Multisseriada foi comum nos anos 70 e 80, principalmente na zona rural, onde, na mesma sala, uma única professora lecionava para alunos do primeiro ao quarto ano primário. Tal ensino ficou superado ao longo do tempo, trazido da poeira, pode ser que volte também o castigo, como o chapéu orelha de burro ou grãos de milho no chão para ajoelharem alunos por indisciplina. Poderá servir aqueles que não sabem gerir uma prefeitura quando fazem cortes na educação.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Sindicatos terão que se virar para se manterem. O STF – Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da não obrigatoriedade do imposto sindical. Cabe a cada um se sindicalizar, pagar ou não. Bom citar dois fatos: raramente sindicalistas trabalhadores e patrões estiveram unidos numa mesma causa. Precisam aprender, democracia pressupõe escolha.  

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            São 30 anos! Na próxima semana, 10 de julho, esta Coluna completará três décadas.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O doente arruinou, dizer praticamente em desuso, antigamente comum. Significa piora, arruinar tem a ver com ruína.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Quanto mais antigos os conselhos, mais eles servem aos moços.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Diálogo com ele

“O silêncio é o diálogo mais profundo”.

Juliana Pacheco

            Sábado. Um dia inteiro, uma noite. Sozinho em casa.

            Sossego, térreo e no andar de cima. Sem ruído, só o habitual.

            Rua se espreguiça, deserta. Frio lá fora rodopiava, zunia. 

            Telefone fixo não tocou. Como o móvel, desligado.

            Ouço café despejado à xícara, sorvo. 

            Se pensei, não lembro o quê e não desejei ficar pensativo.

            Ainda assim dialoguei com o silêncio, displicente a escutá-lo:

            Se ele quisesse me dizer. Eu nada a lhe falar.

            Só a ficar. Mínimo a me mover. A me ver.  

            Não ouvi a minha ou qualquer voz escutaria.  

            Não cogito falar. Silêncio como no sono, sonho mudo.

            Ouvidos tapados das paredes sabáticas, como as portas, janelas. 

            Como silêncio da casa e o meu silêncio com ela casa.

            Um só tempo o silêncio, assim comigo: mudos.

            Não mudamos. Moldamos quietude nossa.

            Porque palavras a nada dizer? Falar o nada com elas todas?

            Indago ao silêncio em silêncio me silencio.

            Não responderá a quem e de quem não ouça.

            Ora (?) na hora de ir embora: embora silencie sem ele. 

Fases de Fazer Frases (I)

            A melhor roupa para a melhor ocasião é a que poderá tirá-la.

Fases de Fazer Frases (II)

            O sentido duplo duplamente faz sentido?

Fases de Fazer Frases (III)

            Só não perde vergonha quem nunca teve.

Fases de Fazer Frases (IV)

            A paz depende da guerra que pode ser evitada.

            A paz depende da guerra que pode ser ganhada.

            A paz é o que se faz e se tem dela.

Fases de Fazer Frases (V)

            O barco a deriva.

            O bar deriva.

            O arco abarca.

            O banco arca.

            São palavras que se parecem sem desaparecem.

Fases de Fazer Frases (VI)

            Perda maior de tempo é do tempo que não existia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            “Motorista é preso por embriaguês e passageiro por desacato”; “Motorista bêbado derruba motociclista e três são presos”. Foram as manchetes, seguidas uma da outra, dia 19 passado, do Sítio Tá Sabendo, assinadas pelo jornalista Clodoaldo Bonete. Só para citar dois recentes acidentes de trânsito em Campo Mourão causados pela embriaguês e fuga do local, respectivamente. A sensação é de impunidade, eis o sinal.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Hibernus, hiberno, palavras latinas originárias da estação que iniciou o inverno. Tem a ver com hibernar, sentido de precaver-se diante do frio de modo a fazer pouco esforço físico para não consumir demasiada energia do corpo humano. Somos assim no envernar, parecemos ursos polares.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            A fumaça, do fogão a lenha, de dentro, chaminé afora, mistura-se ao cinzento do tempo frio, cerração, neblina, brumas. O fervente do quente café para mandar o frio ao longe. Tudo se dissipa do tempo passado, esfumaciado.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Tem que falar dela

“Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”.

Nelson Rodrigues

 

            A 21ª Copa do Mundo começou. A sede é a Rússia, antiga URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

            O Brasil é o único participante de todas as Copas e a seleção que mais tem títulos, cinco. Na análise estrangeira o Brasil sempre figura na lista de favoritos. Não é diferente agora.

            Coisas do futebol, sede da Copa passada, sequer chegou a final, sofreu duas goleadas, diante da Alemanha (7X1) e Holanda (3X0), retrospecto negativo mas que não afeta o favoritismo, segundo cronistas esportivos internacionais e enorme número de brasileiros.

            Pesquisas e sondagens, além do senso comum, a Copa pode até iniciar com recepção fria nos jogos da Seleção brasileira, seriam assistidos de longe, sem empolgação, pelo menos a metade não estaria entusiasmada com o Brasil, mas, ainda outra metade confia, ou até não crendo, torcerá.

            Não pela Seleção, porém o momento político, econômico e social brasileiro, tamanhas as agruras, que torcer seria um modo de escamotear a realidade. Ainda assim não se torcerá contra. E a favor pode parecer torcida de apoio ao presidente Temer. Torcer pela Seleção não é apoiar a FIFA e CBF entidades marcadas pela corrupção entre dirigentes, jogadores e empresas.         

            Se a eliminação histórica e precoce do Brasil em 2014 marca torcedores, na verdade todos os brasileiros deveríamos ficar mais tristes por termos ganhado no desvio de recursos das obras e daquelas que até hoje não foram concluídas ou sequer começadas.

            O futebol é cultura brasileira, popular. Jogar bola é socialização, reúne pessoas até então desconhecidas, mas que em torno de uma bola, formam times, vibram, organizam encontros. Se a Copa é sofisticação milionária das seleções, estádios, é centro das atenções do esporte mais popular do mundo, o futebol começa ou se pratica em qualquer quadra, campo com grama, cimento, chão batido, canto de terreno. Bola oficial, esfera linda e tecnologicamente primorosa, também pode ser de meia, ou qualquer outra coisa que seja ou vá se arrendondando.

Fases de Fazer Frases (I)

            Quando a preguiça dá trabalho atrapalha o descanso.

Fases de Fazer Frases (II)

            Se o caminho for errado não adianta andar direito.   

Fases de Fazer Frases (III)

            Todo escândalo é espetacular mas nem todo espetáculo escandaliza.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O andante ambulante é abundante de andar.

Fases de Fazer Frases (V)

            O Mais gosta mais do Menos. Mas o Menos não gosta mais do Mais.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            O Parque do Lago de Campo Mourão dá sorte e azar a um só tempo. Dois inimigos do alheio foram presos quando iam em direção ao Parque. Um homem que furtou uma loja foi pego quando estava com parte do roubo, panelas. Noutro caso solucionado o adolescente pedalava rumo ao Parque com a bicicleta furtada. A notícia (terça) é da CRN – Central Regional de Notícias.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            A música que é tão ouvida e tradicional quanto a Seleção nas Copas foi composta por Miguel Gustavo Wernec de Souza Martins. O trecho mais cantado, “90 milhões em ação, parece que todo Brasil deu a mão, todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção!”

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O referido compositor, que foi também músico, jornalista e poeta, morreu dois anos depois da Copa de 1970. Um fato histórico interessante, que ajuda a memorizar a história demográfica, é que a letra inicialmente se referia a 70 milhões, número oficial do total de brasileiros. Mas sabido o resultado do CENSE do IBGE feito em 1970, apontava: Brasil chegava a 90 milhões de habitantes, aí a música foi também “atualizada”.

            Devido a conquista do tricampeonato pela Seleção considerada por muitos a melhor de todos os tempos, a música se tornou hino do futebol, cantada por sucessivas gerações. Hoje, somos mais de 200 milhões “em ação”. Que “pra frente Brasil” não se limite ao futebol.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

'Maneco da Farmácia', a bula era ele

“Morrer é quando há um espaço a mais na mesa afastando as cadeiras para disfarçar, percebe-se o desconforto da ausência porque o quadro mais à esquerda e o aparador mais longe, sobretudo o

quadro mais à esquerda e o buraco do primeiro prego, em que a moldura não se fixou,à vista,

fala-se de maneira diferente esperando uma voz que não chega, come-se de maneira

diferente, deixando uma porção na travessa de que ninguém se serve, os cotovelos

vizinhos deixam de impedir os nossos e faz-nos falta que impeçam os nossos”.

Antônio Lobo Antunes – A Morte pela Solidão

 

            Botica era como se chamava farmácia. Também antigamente era escrito pharmácia. Lembrança do Brasil ainda predominantemente rural, o farmacêutico prático ou de formação fazia   papel de médico, sobretudo nos longínquos e pequenos lugares, onde o “hospital” era a Drogaria.  

            Nascido em Guarapuava, seis de julho de 1938, - completaria 80 anos – aportou no Campo Mourão em 1955. Sem dúvida o Maneco da Farmácia sempre foi uma das figuras mais queridas e populares, origem do apelido autêntico, identidade profissional: 60 anos de dedicação laboriosa.

            Receita ele tinha, a prescrição familiar para com amigos e todos que o procuravam, devotava-lhes esmerada atenção humana, em cada gesto, ampolas de consideração. Tão importante quanto o Almanaque entregue entre final e início de ano, essencial como a balança para os fregueses se pesarem, no cenário a presença dele, esguia, sorridente, alinhada, pronto para atender, de guarda-pó ou jaleco, Maneco saudava a todos efusivamente.

            Drágeas não eram a venda de qualquer produto medicamentoso, ele didaticamente informava o paciente ou familiar como seguir cada orientação, conselhos sábios em ampolas.  

            Estava sempre de plantão, noites e noites, não tinha domingos ou feriados, de frio, chuva, no breu da vida na qual a esperança de um paciente era tão delicada que o socorro era iminente, seja a hora que fosse, o Maneco da Farmácia estava pronto, disposto. Foi comum nessas seis décadas, enfermos buscá-lo diretamente. O olhar clínico, vivência, estudo (sem exagero) era superior a muitos saberes científicos, sequer ensinados em faculdades de medicina. Era doutor,  ministrador,  calmaria e conforto.

            Iniciava e cultivava amizades com a característica maior da atenção eloquente, costume arraigado antes de ser profissional farmacêutico, advindo da época que foi cobrador de ônibus, frentista e balconista de loja nesta cidade.

            Último adeus, dia cinco, terça, 79 anos.

Fases de Fazer Frases

            Vida é miragem, viagem, passagem, paragem. 

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Noites gélidas. Pessoas se recolhem/encolhem  cedo. Lua carece de um manto, das estrelas.  

Reminiscências em Preto e Branco – Obituário: LUIZA CATHARINA FERRI ALESSI

            O luto e a saudade escorrem nas velas de velar, marcam a vida que se findou. Ela partiu, assim como permanece. O legado inspirador, sólido, transmitido aos filhos, netos, demais familiares e amigos. Criou seus descendentes pelos exemplos do bem ser, bem-fazer, retidão, caráter. Dona Luiza, pioneira de Campo Mourão, veio de Tapera, Rio Grande do Sul, se afeiçoou a terra, no duplo sentido da palavra, solo fértil e lugar como Município.

            Nas atribulações, apreensões e desolação ela se fazia presente sem esperar que a chamassem, guiada pela fé, espírito da misericórdia e generosidade tão próprias dela. A prosa amiga do olhar no olhar dos olhos daqueles que careciam de amparo. A fé da dona Luiza era das orações, novenas, cultos. Bem além da reza e do terço em mãos, as mãos dela acolheram e cuidaram. Mãos realizadoras voltadas e devotadas aos enfermos da Santa Casa, quantos foram desinternados e não teriam uma roupa. A doação de peças passavam antes pelas mãos da senhora Luiza, que costurava, punha botão, lavava, perfumava para então entregá-las.

            Para citar um fato familiar inesquecível, comovente, por ser amiga da minha saudosa mãe Elza, dona Luiza tinha a rotina de visitá-la, vizinhas que foram, e posteriormente dados aos problemas da falta de saúde de minha mãe, dona Luiza esteve sempre presente e prestativa, a reafirmar a amizade que as unia familiarmente. A visita  era como uma janela aberta pela qual penetravam os raios solares e a brisa da manhã, renovação carismática. Quinta-feira, dia sete, 82 anos, és agora reminiscência inspiradora e saudade.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]