José Eugênio Maciel
Márcia, graças

“Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste

de alegria, para que o meu coração cante louvores a ti e não cale.

Senhor, meu Deus, eu te darei graças para sempre”.

Salmos 30:11-12

            Cai a chuva. Assim foi por toda a noite. Contínua, suavemente escorria pelos beirais, contornava obstáculos, preenchia vãos. Seguia ou fazia sulcos. Tocava, escorria  nas janelas gotas daquele aguaceiro na madrugada.

             A chuva da noite toda, a chuva do dia todo mansamente foi diminuindo até cessar, quando harmoniosamente todas aquelas águas foram seguindo seus leitos, córregos, rios e chegariam aos mares, oceanos. Assim como, então, o sol, naquele momento, provocava calor e luminosidade, fazia evaporar as águas. 

            É de manhã. Os raios solares eram tênues nas primeiras horas do dia, nuvens então carregadas e que delas caíram tantas águas, no cenário de luzes repentinos, trovões, relâmpagos. Diminuíra a chuva, mansamente até cessar. 

            O querido, amado esposo, sem deixar que toda a voz ficasse embargada, reuniu forças para a mensagem oral gravada nos grupos sociais: a notícia fúnebre. Ele declara o amor, rememora o que ela representa. Estava ele com a esposa como ambos foram um para com o outro, em companhia, sempre. Era só ele diante da amada, jaz. Estavam somente os dois tão juntos quanto separados, a partir de então,  entre a vida terrena e a eterna vida. Ele, a ficar nesse mundo, ela, em partida para o além. O professor Eleano Alves convida a todos para a despedida final, mesmo com toda a chuva.  

            Todos iriam se reunir, com toda a chuva que desceu e toda ela que voltasse.

            Águas que desceram do céu. Caíram na terra. Fazem o caminho inverso constantemente, com o verso de cada instante. 

            Elas voltam para ode estavam: o chão de toda a terra. Foram aos céus vindas das águas, bebidas pelas nuvens, de lá regressara. Se todos podemos ver as águas voltarem a terra como chuvas, quando elas sobem evaporadas, ninguém pode ver.

            Das águas descidas dos céus, deságuam bem vívidas. Ao subirem,  são elas invisíveis. Nem carece que a vejamos, pois a fé nos faz crer sem precisar ver. 

            A vida como chuva que dá vida. A tudo, cessa a sede, lava, enxágua, limpa, faz brotar, nascer, cultiva. Sobre ao céu para cair novamente.

            Márcia, você agora passou pelas nuvens. Chegou ao azul do infinito celeste, com os anjos, para ser, continuar o que se sempre foi, angelical. És também como as nuvens, no seu sempre de delicadeza, suavidade de gestos, intenções, ações, seguras, firmes, a ser, fazer, cativar, reconhecer e a enaltecer o bem que tinha, o bem que era. O bem que deixa  Foi o que ensinava e sobretudo o bem que inspirava e acolhia.

            A derradeira despedida, a reunir os pais, esposo, filho, demais familiares e amigos. Todos, muitos, colegas de profissão. Estávamos, ao sol. O mesmo sol que fez  secar, evaporar e só deixar os vestígios da chuva, não secaria nem enxugaria nossas lágrimas, elas encharcaram, mais do que os olhos, o coração de todos nós.

            Caiu a chuva. Ela cessou. Caia a tarde.

            Caíamos no indivisível pranto do adeus. Você não será esquecida. Seus exemplos edificantes de uma vida repleta de dignidade, bondade, conhecimento, brilho da menina, filha, moça, esposa, mãe, tudo sempre pleno de extraordinária vivacidade.

            Assim como eu, são muitos os testemunhos da sua sabedoria, do zelo profissional e compromisso com a educação na condição de pedagoga, se mantinha atualizada, propunha e contribuída para diálogos nobres e simples.

            Graça. Graça que era. Graça que é. Graça que será, sempre, Márcia.   Marcia Cristina Buzetti, é agora saudade, desde o dia 31 de outubro. Nasceu no dia 13 de janeiro de 1981. Casada com o professor Eleano Alves por doze anos, tiveram o filho Vinícius, apenas sete anos. 

Fases de Fazer Frases

            Sentimento maior não é o que se engrandece, é o que agradece.

Olhos, Vistos no Cotidiano

            Abandono de covas não esquecidas no Finados. Velas anônimas aos anônimos. 

Reminiscências em Preto  Branco

            É em vida o prenúncio da saudade quando ambas se encontram.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Às voltas com o voto

“Quando você votar, poderá eleger alguém tão honesto quanto foi o seu voto”.

Paulo Sérgio Krajewski

 

            Dois comportamentos perigosos marcaram o primeiro turno da eleição presidencial e estão presentes no segundo turno. Os dois não são uma referência direta aos candidatos. Tem a ver com o comportamento político e eleitoral do brasileiro.

            Sentimento de profunda inimizade, passionalidade diante do outro desejoso do mal. Bélico rancor. Repulsa, altercação violenta, antipatia, palavras que definem o ódio entre brasileiros.. .Notícias e exemplos negativos continuam abundantemente.

             O ódio levou à impaciência de grande´número de eleitores. É imprescindível salientar que a falta de paciência foi usada tanto para a direção positiva quanto rumou para o lado negativo.

            Agitado, com pressa, aflito, inconformado, excessos de vontade, revolta, condutas de quem não tem paciência, sempre propenso a reclamar.

             No Paraná parte da impaciência do eleitor foi positiva pelo voto a governador e Senado. O parananense se cansou do Richa e de Requião. A prisão do Richa o levou à derrota acachapante. Requião vive últimos dias no Senado.

            A impaciência não se restringiu a baixa votação dos dois. Ela foi canalizada na escolha um estreante, Oriovisto e deu a chance a Flávio voltar ao Senado.

            Impaciência ocorreu com um povo conhecido pela cautela, os mineiros tiraram do segundo turno o atual governador do PT Pimentel e barraram Dilma, derrotada, quinto lugar ao Senado. Ela voltará a casa gaúcha, a lá mineira.

            Eleitorado impaciente para assistir a debates e programas eleitorais, para ouvir pessoas à sua volta expressarem posições eleitorais. Impaciência negativa na ação e reação impulsivas.

            A pior eleição presidencial como processo teve os piores ingredientes de retórica, tipos de candidatos, haja vista terem Bolsonaro e Haddad apoios, preferências e simpatias praticamente na mesma proporção dos respectivos rejeição e ódio. Nem é paradoxal, o voto para um é para negar o outro, no cenário do voto em branco ou nulo.

            A democracia brasileira está em construção, alicerçada na Constituição que neste mês (cinco) fez 30 anos. Como são inéditas e novas a participação do povo, disposto a descruzar os braços e usar a própria voz, até para vociferar.

Fases de Fazer Frases

            A verdadeira vergonha não verga. O que verga é sem vergonha.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O sufrágio não foi ágil, domingo anterior. Em Campo Mourão também houve reclamações ao longo das filas longas nas secções. O curioso, reclamações tinham como parâmetro o pleito anterior, quando eram só dois votos, para prefeito e vereador, enquanto que agora foram seis.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Quando eu aguardava a vez de votar, um dos organizadores veio ao corredor para chamar eleitores que tivessem mais de 60. Nem bem concluiu o anúncio uma senhora chegou até ele, “moço, eu faço 60 em novembro”, enfatizou a esperançosa. Não teve jeito, “lamento, só para quem JÁ TEM 60”, educada e laconicamente disse o mesário.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Na volta da democracia passamos a votar diretamente para presidente, o que não ocorria há 21 anos devido ao golpe militar abolir autoritariamente tal escolha. Hoje são oito eleições: 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2018.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Estamos na oitava eleição presidencial e os personagens são poucos, só seis. Praticamente os mesmos nesses exatos 29 anos: Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer.

            Collor foi cassado, assumiu o vice Itamar (único falecido), FHC foi eleito e reeleito. Lula também teve dois mandatos. Dilma foi cassada e assumiu o atual, Temer.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Só dois presidentes iniciaram e terminaram seus mandatos, FHC e Lula. Ambos têm influência na política atual. Uma grade os separa: um do lado de fora e outro no de dentro.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

É ele, o eleitor, leitor?

“A democracia é a capacidade de vestir as ideias menores com palavras maiores”

Abrahm Lincolnn

 

            Na chamada reta final da campanha, candidatos se esforçam, buscam votos que não têm, confirmar votos declarados, prometidos as eles. E, sem aqui esquecer e propositadamente dar destaque, a maioria dos candidatos busca tirar, mudar a intenção de votos dos adversários.

            O horário eleitoral, as inserções da propaganda evidenciam o acirramento, não do debate, mas do bate boca. Mais até que os candidatos, apoiadores se digladiam, usam meios para denigrir.

            A política, sobretudo a partidária e mais ainda nas eleições, é a política o reflexo da cultura brasileira, do discurso bonito, bem elaborado, direto, tudo para impressionar e conquistar a partir do que pode ser somente palavras, imagem. O candidato pode enganar e a astúcia dele encontra também o desconhecimento ou conivência de parcela expressiva do eleitorado, de gente culta ou atribuída como ignara.

            Despolitização que acentua tão fortemente nas redes sociais, disseminam ódios, provocações, e a fabricação em série de falsas notícias. Despolitização como se já fosse ou tivesse passado o dia sete de outubro, já fosse o segundo turno, cada qual dos candidatos demonstrando que só eles derrotam o fulano de tal, lá no segundo turno. Contam com a frivolidade do eleitor a desejar praticar o “voto útil”, inviabilizando então preferência por outros candidatos, em vez de achar  que podem dar a vitória para os escolhidos, querem adivinhar e evitar a derrota daqueles que repudiam.

Frases de Fazer Frases

            Cada falso com seu cadafalso.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Elas já estão em Campo Mourão e região. Sendo lacradas. Como neste ano eleitoral, o debate ressurge, se as urnas eletrônicas são a prova de fraude. O STE – Superior Tribunal Eleitoral reafirma, elas são seguras, informam especialistas convocados para tentar violar o sistema.

            Estranho e até mesmo estúpido quando a comparação carece de sentido e proporção, no caso quando o Brasil é comparado com países mais importantes que não usam urnas eletrônicas, e sim continuam com o voto impresso, como nos Estados Unidos. E até esquecem que lá a eleição é indireta, leva-se dias para apurar em cada estado.

            É a cultura do menosprezo. Cabe rememorar, quando os votos eram contados no Brasil afora, eram muitas apurações manipuladas ao passarem para aqueles mapas de cartolinas e preenchido o número de votos a mão.

            Tem um que comparou com o sistema bancário, o “banco rouba a gente”. Deve ser nas taxas, no cotidiano, temos como verificar, saber. É comum depositarmos envelopes, recebermos comprovantes e depois identificar o depósito. Se então alguém citar alguma fralde noutros país, automaticamente acharemos que tudo aqui não deve prestar?

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Ainda que tenha sido noticiado amplamente, como neste Jornal, sexta-feira passada, o deputado federal Rubens Bueno (PPS) receberá 15 mil reais de indenização, conforme a sentença que determinou o pagamento por parte do réu Julielton dos Paços Rodrigues, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Barbosa Ferraz. Julielton caluniou Bueno acusando-o de corrupção.

            O que chama a atenção é que o réu e outra pessoa sócia de uma empresa de eventos, “sequer apresentaram qualquer elemento de prova, segundo noticiou esta Tribuna.

            Bueno enfatizou não ter movido a ação visando o dinheiro, mas em termos de hora. Mas na prática o dinheiro ajuda ainda mais neste momento de campanha, e os gastos com ela.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Eleitores escolherão dois senadores na eleição dia sete de outubro. Pesquisas com intenção de votos começaram  a  indicar que a segunda vaga está em aberta, pois não é mais garantida a vaga para o ex-governador Beto Richa (PSDB), sendo que os demais postulantes cresceram, principalmente Flávio Arns (Rede), Oriovisto (Podemos) e Alex Cansiani (PTB). E mesmo o líder Requião (MDB) teve queda na preferência do eleitor.

Reminiscências em Preto e Branco

            Ganhar um par de botas do “coroné” aos eleitores era comum no antigo Brasil. O eleitor votava e ganhava um pé da bota. Outro pé se o “coroné” se elegesse. Bota o voto pra ganhar a bota.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

A inutilidade do voto útil

“Podemos tirar o nariz de palhaço e construir algo real com as nossas escolhas.”

Lya Luft

            Se todos os eleitores brasileiros decidissem fazer cada qual a sua escolha de acordo com a própria consciência, não seria preciso pesquisas eleitorais. Não se trata de desmerecer levantamentos sobre a intenção do eleitor nem tampouco tolhê-lo de tal informação como aspectos de análise.

            As últimas eleições presidenciais não foram o que era para ter sido, o eleitorado em grande parte tem culpa no resultado do pleito. Em 2006, as possibilidades, de acordo com as pesquisas iniciais, era que Lula venceria no primeiro turno. Mas o candidato petista teve que enfrentar o tucano Alckmim e, estranhamente, o candidato do PSDB fez menos votos no segundo em relação ao primeiro. Cabe rememorar, Lula jamais venceu uma eleição presidencial em primeiro turno. E Lula perdeu duas eleições sem ir para o segundo turno.

            Já na acirrada disputa de 2014 se manteve enorme imprevisibilidade até os últimos dias do primeiro turno, quando não se sabia quem iria para o segundo turno e enfrentar Dilma, PT, candidata a reeleição. Pesquisa daqui e dali, comentários e rumores, a então candidata Marina, que chegou a ter 30% das intenções de voto, foi ultrapassada na reta final pelo PSDB de Aécio. O segundo turno foi a eleição mais disputada da  história republicana do País. Além das perdas de Marina, outros postulantes tiveram esvaziadas tais preferências porque o eleitorado não votou em quem era da vontade dele, para praticar o voto útil.

            É preciso destacar o seguinte: o chamado voto útil adotado por uma grande fatia do eleitorado não é resultado de um pragmatismo consciente e que visasse de fato influir no quadro de candidaturas e no resultado em si do pleito.

            Nada disso! Infelizmente eleitores acreditam – não escondem e até se gabam – o desejo de não perder o voto. Criticam, tiram sarro e até consideram ignorante gente que tem propaganda e manifesta intenção de voto em candidatos que não têm chances. Cenário ainda de primeiro turno, como foram as eleições anteriores e tudo levar a se acreditar que algo bem parecido acontecerá daqui a alguns dias.

            O segundo turno perde sobejamente em importância por culpa e logicamente responsabilidade do eleitor, que deixa de lado a sua verdadeira intenção para “não perder o voto”, não ferir quem sabe a sua autoestima e desejar sempre estar ao lado, junto com os ganhadores e quando esses vencedores não estiverem no poder, o próprio eleitor já tratou de cair fora e negar que estiveram juntos. Não é pouco a quantidade de eleitores que cometem atentado com o próprio voto.

            Por mais importante que sejam as pesquisas para orientar o eleitor, ele não deveria, jamais, definir o voto dele de acordo com antecipar quem deve, ou não, estar no segundo turno.

            E se o eleitor votar em alguém que terá poucos votos? O candidato perdeu, entretanto, o eleitor não terá perdido a sua consciência individual e política, é o que deveria valer.

            E o óbvio, por fim, o segundo turno é que pode fazer sentido escolher o menos pior, diante da opção do primeiro turno, da peneira que foi o mesmo eleitor que decidiu.

Fases de Fazer Frases

            Bem cabe o que é justo. Nada cabe ao injusto a não ser o próprio aperto.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            A Semana de Trânsito esteve novamente voltada para as crianças e jovens, futuros motoristas mas que, como pedestres e passageiros de agora, vão se conscientizando das leis. Todavia – sem duplo sentido, no caso com toda via – em Campo Mourão faltou insistir numa realidade cada vez mais assustadora mas que covardemente vem sendo ignorada. Os acidentes com vítimas que ficam abandonadas porque o condutor de veículo ou moto, fugiu. Até quando?

Reminiscências em Preto e Branco

            “Um governo deve sair do povo como a fumaça deve sair da fogueira”, diz o escritor Monteiro Lobato. O maior escritor infantil era um entusiasta do Brasil. Foi um dos primeiros a afirmar que no solo brasileiro existiria o chamado ouro negro, quando sugeriu ao então presidente Getúlio Vargas que criasse a que veio a ser chamada até hoje  Petrobras. Muitos não acreditavam no  Lobato que de fato tínhamos muito petroleio. O curioso, não por tal motivo mas sim por se posicionar contrário a censura, o próprio Lobato foi preso a mando de Getúlio.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Pedir o voto não é pedir demais. E dar?

“Para que possamos ser livres, somos escravos das leis”.

Marco Túlio Cícero

            Levando em conta a indiferença ou a repulsa de um número significativo de eleitores brasileiros, estão aí mais eleições. Ruins, pior sem elas, as eleições.

            São muitos os modos de relação entre o candidato e o eleitor, sobretudo quando a campanha integra o cotidiano social.

            Quem tem o voto é o eleitor, cabe a ele usá-lo. Ao candidato pedir, conquistar esse voto. Sempre de alguma maneira uma eleição tem relação com a anterior. É espécie de parâmetro referente a repetir ou mudar preferências, escolhas.

            Qualquer candidato deve tratar o eleitor com respeito. Porém, o eleitor se sente no direito de se expressar favorável ou contrariedade ante ao postulante.

            Em Campo Mourão conheço muitos cidadãos que levam em conta o fato de pedirem o voto deles. Muitos declaram que ainda não me pediu o voto, e ficam no aguardo. Pode ser que, basta o primeiro pedido do candidato para o eleitor definir a escolha. Se dois ou mais pedem o voto, eleitores se sentem prestigiados.

            É fato, Campo Mourão, com mais de 94 mil habitantes, estão aptos a votar mais de 63 mil eleitores. Não é possível candidatos pedirem o voto para cada um dos eleitores, pessoalmente. Nem nas eleições municipais.

            Há, pelo menos, dez eleições o contato do candidato é massificado pelos meios de comunicação e o horário eleitoral, somado ao trabalho de distribuição de santinhos. Contato direto com o eleitor o candidato pode fazer nas reuniões, aperto de mão, abraço ocorrem, rapidamente. 

            Nesta campanha candidatos direcionam o olhar e o discurso televisivo e radiofônico diretamente para os eleitores, e também diretamente para cada eleitor. Empatia e simpatia convergem no olhar, gestos e propostas que sejam capazes de atrair a atenção, o apoio e o voto.

            O eleitor também sabe que sequer poderá ter um rápido contato com o candidato. Ainda assim tem votantes que levam em conta quem apoia os candidatos, estilo velho ditado, “diga-me como quem andas e te direi quem és”.

            Influência é palavra-chave. A partir do candidato e seus apoiadores. Ou a começar da manifestação do eleitor antes mesmo de chegar até as urnas até definir escolha e votar.

Fases de Fazer Frases

            O leito do eleitor não é o mesmo leito do eleito.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            A prisão do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), acompanhado da esposa, do ainda candidato ao Senado evidentemente repercutiu negativamente. Se ele permanecerá preso (sábado, pode ser revogada a prisão), o fato é que pesam contra ele robustos indícios de improbidade.

            Principalmente militantes do PT no Paraná vibram com a prisão. Tudo bem, talvez. Mas circula campanha em defesa do Beto como as mesmas frases feitas em defesa do Lula. Em vez do ex-presidente, circulam frases tais como: “Eleições sem Beto é golpe”. “Beto livre”. “Beto é preso político”. Ainda não usaram a ONU.  

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O deputado federal Rubens Bueno (PPS) está entre os dez melhores parlamentares do Brasil, é oitavo, segundo a CRN – Central Regional de Notícias, de Campo Mourão. Não é  surpresa, especialmente nessa região, devido à presença constante, assim como o trabalho em Brasília.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Também nada de surpresa os nomes dos deputados federais que estão entre os piores do Brasil, e que costumam aparecer em Campo Mourão e região. Segundo a mesma CRN (fato informado no último dia 12), são dois petistas, Zeca Dirceu e Enio Verri.

Reminiscências em Preto e Branco

            A prisão do ex-governador do Paraná, que não ter ocorrido se ele estivesse no cargo, foro privilegiado, faz lembrar outro governador, cassado por tentativa de corrupção. Haroldo Leon Peres ficou poucos meses no cargo, 1971. (Falecido), politicamente era de Maringá. Quase 30 anos depois de perder o cargo, tentou ser deputado federal, sem êxito.   

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Voto é passado? É futuro?

 “Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave”.

Carlos Drummond de Andrade

            O que pesa para o eleitor escolher em quem votar, depende de muitos fatores, tanto diretos quanto indiretamente. O passado e o futuro, que podem ter ligações profundas, imensas distâncias ou gritantes contradições.

            Candidatos sabem disso. Eles podem destacar o passado, como podem falar pouco e até desejar ignorá-lo. Candidatos podem destacar o futuro, como podem falar pouco e até desejar ignorá-lo. Eles enfatizam o que natural e politicamente acreditam que angariarão a simpatia do eleitor, para obter o voto.

            A palavra-chave é biografia. Se o candidato já exerceu ou tem mandato, como desempenhou tal cargo. Se é a primeira vez que está na disputa, é certo que dirá até que “nunca foi político”, assim como que “não vai ser político”.

            O interessante é que o passado é indicativo de recomendação positiva ou de negação. Não em si mesmo, passado é trajetória pública ou privada. O passado por melhor que seja pode não empolgar o eleitor na medida que ele não seja uma ponte clara para o futuro. Passado será importante como experiência para desafios assumidos e voltados para o futuro no qual o candidato demonstra capacidade de viabilizá-los.

            Aos candidatos a postulação gira em torno de tais situações, passado e futuro. Aos eleitores cabe pensar sobre eles, candidatos quanto ao que eles foram e são, e diante do que propõem para merecer nosso voto.

            E nós eleitores, como é o nosso passado de eleições? Como seremos agora com o voto?

Fases de Fazer Frases (I)

            Nem tudo que sobra é demais. É a mais.

Fases de Fazer Frases (II)

            Rir dos outros é fácil. Engraçado mesmo é saber rir de si mesmo.

Fases de Fazer Frases (III)

            Partindo do pressuposto que nem tudo é posto, o suposto é parte.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Quarta passada, quando me dirigia para a sala de aula, à noite no Colégio Estadual de Campo Mourão, encontrei no corredor o candidato a governador pelo PSOL, o professor Piva. Na outra eleição, para o Senado, votei nele. Existe uma ligação profissional, estudamos na mesma sala Ciências Sociais na PUC – Pontifícia Universidade Católica em Curitiba, anos 80. Também como eu, é professor concursado na rede estadual, de Sociologia. Rapidamente recordamos aqueles tempos, quando ele militava no PT.

Reminiscências em Preto e Branco – Marcos (I)

           Marcos Erhart foi um grande e dedicado professor, memória prodigiosa. Deixa como exemplo, entre outros, o de ter sido diretor da nossa Fecilcam, cargo alcançado e exercido como fruto do idealismo notável, longe do carreirismo. Tinha compromisso com a educação, como ressaltou a professora Sinclair Casemiro, que também dirigiu a referida Faculdade, o legado positivo do grande professor, permanece, inspirador.

Reminiscências em Preto e Branco – Waldemar (II)

            Uma vida inteira dedicada ao trabalho e a família. Dono de um sorriso amável, cativante, humano por excelência. O carimbo maior, a assinatura mais importante, tudo o que autenticou foi legítimo, com denodo profissional, honorabilidade e honradez. O Cartório do Waldemar tornou-se para Campo Mourão e região, nosso referencial típico do autêntico registro da fé pública, algo que ele tinha acerbadamente. Figura humana ímpar, a ser evocada, agora infelizmente na saudação à memória. Waldemar Daniele tinha 66 anos.

Reminiscências em Preto e Branco – Beatriz (III)

            Teatro, cinema e televisão, sempre a grande atriz. Despediu-se da vida aos 92 anos. Perde-se uma das maiores escolas de interpretação de todas as artes, exemplo e inspiração, Beatriz Segal. Nos últimos anos, na casa dela dava aulas a atores ou pretendentes, mestra dona de um gabarito caracterizado pela elegância, altivez, de respeito para com colegas ou futuros atores, respeito ante ao público. Ficou estigmatizada como Odete Roitimam, a vilã da novela Vale Tudo, 1988.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Voto é vontade?

“Se consciência significa memória e antecipação,é porque consciência é sinônimo de escolha”

Henri Louis Bergson

            Há 35 dias as urnas estarão à disposição de todos nós eleitores. Evidentemente que o tempo é bem curto, ao se considerar à distância de grande parte dos brasileiros, desiludidos com a política e, como nas últimas eleições, dispostos a anular o voto ou deixá-lo em branco.

            E como não poderia deixar de acontecer, existe sim o povo que não abre mão de ter opinião, de assumir ou secretamente exercer tal escolha.

            É preciso distinguir o que pode ser esperança e o que pode ser ilusão no cenário em que o poder público cada vez menos dá conta da demanda populacional como saúde, educação, emprego, renda, moradia. A precarização, quando se tem, dos serviços públicos, é retrato revoltante. As notícias sobre a política estão diretamente associadas aos escândalos, investigações, prisões, como também impunidade, privilégios.

            Lamentavelmente é imperioso reconhecer, o quadro de candidatos a presidente do Brasil é composto por uma velha classe política, de nomes ditos tradicionais. E, sem poder ou desejar nivelar tudo por baixo, existem sim exceções. Ainda que tenha existido uma frustração, as expectativas eram de nomes nascidos do ventre de novas políticas, de candidatos sérios, comprometidos.

            Até agora candidatos dizem e se contradizem, discursam apontando as grandiosas mazelas dos governos e discursam também a oferecerem solução para tudo e para todos. O dilema não é só o conteúdo da pregação dos candidatos em busca do voto, o dilema é também nosso para não sermos derrotados pelo próprio pessimismo. Quem votaria em um determinado candidato que tenha que adotar, ao menos inicialmente, medidas impopulares?

            De curiosidade – se é que o termo está bem empregado – é se a propaganda será capaz de mudar preferências e rejeições dos eleitores. E quais seguirão para o segundo turno, devido ao acirramento da disputa.

            Não é possível sequer desconsiderar a importância de um fato que é péssimo, um ex-presidente cumprindo pena e se mantendo como candidato a ocupar o mesmo cargo.

            Se é que aprendemos algo, já são dois os presidentes cassados. O vigor da democracia deveria pressupor competência e honestidade, não como programa de governo, mas o mínimo que deveríamos exigir de nós mesmos, dos candidatos e da nossa parte como eleitores, cidadãos.

            Alguém irá se tornar presidente, homem ou mulher, deste ou daquele partido, com os votos que terá para chegar lá, como também a responsabilidade dos em branco e nulos.

            A história acontecerá, não por acaso, podendo até ser tristemente pelo ocaso.        

Fases de Fazer Frases (I)

            Analise a análise: questão de acentuar.

Fases de Fazer Frases (II)

            Tudo tende a tudo. Tudo tem de tudo. Tem de tudo.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            “População da COMCAM encolheu 2,6%”, manchete deste Jornal, sexta passada. Perdemos 9 mil e cem moradores. Só Campo Mourão tem aumento, ainda sim pequeno 59 moradores.

            Ao mesmo tempo que existem significativos fatos que habitantes a irem embora da nossa região, cabe indagar, o que poderia ser feito para reverter a diminuição do número de moradores. A acomodação, omissão leva a ter pessoas que até consegue comemorar, achando que a perda poderia ser maior. Cada município perde, nossa região perde, perdemos todos nós.

            Já passou da hora de estudar, refletir, propor soluções? O que está em jogo é a estrutura e processo de desenvolvimento econômico e social.

Reminiscências em Preto e Branco

            Agora em época de eleições, tem uma música que ficou famosa, “varre, varre, vassourinha”, campanha de Jânio Quadros, 1960. A vassoura simbolizava o compromisso dele em combater a corrupção. Ele foi eleito presidente mas não ficou no cargo depois de sete meses, renunciou. Em 1992 quando tentou ser prefeito de São Paulo, a música foi usada novamente. A vassoura não foi ideia de marqueiro algum. Jânio discursava dizendo que varreria a corrupção, em alguém do povo no comício estava com uma vassoura e deu a ele. Sucesso imediato.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

É verdade, notícias falsas

“Achar todo mundo acha, sobre tudo sem limites mas pelo patamar de seu

pouco  entendimento e conhecimento. Fatal é falar sobre o que não se

conhece  e ainda apresentar críticas e soluções.

Ricardo V. Barradas

 

            É crescente e grande a preocupação com as notícias falsas. Com o início das campanhas eleitorais a quantidade e o número delas devem aumentar. A preocupação, mesmo não exagerada  nem  deveria ser a primeira ou a maior de todas.

            As notícias falsas sequer deveriam existir. Se elas não podem ser evitadas, pois sempre encontrarão meios para nascer e se proliferar, é verdade também que a boataria está com a vida curta, ante as imensas e diversificadas possibilidades de verificação.

            O brasileiro não lê ou tem hábito irregular e bem baixo. Não se interessar pelo noticiário é apenas reflete tal comodismo. Quando se interessa ou é facilmente atraído pelas notícias é hipnotizado pelo sensacionalismo, a informação como espetáculo.

            Notícias falsas servem como esfarrapada  desculpa, e o mesmo brasileiro de modo geral pode afirmar não se interessar pelo noticiário devido as mentiras.

            Os próprios meios de comunicação estão se dedicando tanto a alardear sobre os perigos das falsas notícias que acabam mexendo num vespeiro que se volta contra eles.

            Reduzir praticamente a zero o risco de sermos levados a crer nas notícias falsas começa em  saber as fontes. Os veículos de comunicação que primam por um jornalismo profissional que, entre outras ações e providências, apure bem os fatos, todos os ângulos, versões e tenha isenção.

            O título de uma notícia, produzida para chamar a atenção do público não deve bastar. O título é uma síntese, menciona um principal fato ou mesmo aquele que mais interessará o público. Apenas ler o título, ouvir a manchete é perigoso. Quem assina a matéria e qual o veículo de informação é outra atitude que devemos ter, onde conterá a própria credibilidade. Erros ortográficos, falta de argumento e lugares-comuns são indicativos e características das falsas notícias. É essencial saber a data de publicação.

            O boato sempre existiu na história. Hoje ele é maior e se espalha rapidamente pela agilidade e diversificação dos meios para plantar a notícia de  um fato que jamais existiu.

            Sem desejar defender a política e principalmente neste processo eleitoral, mentiras ou verdades escondidas têm grandes plantações em todos os segmentos sociais, na economia, na religião, na escola, na propaganda e na publicidade, nas redes  sociais, na medicina, no esporte, no currículo para emprego, nas relações amorosas, ditados não só pela ignorância pura e simples, mas também pela conveniência e desejo de produzir ou espalhar mentiras.

            A dimensão territorial e nossa diversidade cultural são ocupados por rios, roupas e “lavadeiras” de todos os tipos. Sujeiras torcidas, verdades distorcidas. 

Fases de Fazer Frases (I)

            O prolixo sempre tem palavras a mais, sem achá-las demais.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não ter o que fazer é ter-se por fazer nada.

Fases de Fazer Frases (III)

            Vês a véspera, é a espera da vez.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Sem graça é quem não tem a graça de ser.

Fases de Fazer Frases (V)

            Só a Sônia não tem insônia. E sonha só a Sônia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Na Coluna anterior foram citados acidentes de trânsito com a fuga de quem deveria prestar socorro as vítimas. Nesta semana mais um caso assim. O até quando tem que ser repetido.  

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Rarefeito é o tempo raro refeito.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O velho sapato puído descansa depois de tantas jornadas. De sola assolada, é calçado pelo fim, não dá mais pé.          

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

VIDA VIZINHA, PERIGO. E EU COM ISSO?

                  Sou ligado pela herança do espírito e do sangue ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
                                Sou ligado aos casais na terra e no ar,  ao vendeiro da esquina, ao padre,

                                                  ao demônio ao mendigo, à mulher da vida, ao mecânico,

                                                       ao poeta,  ao soldado,  ao santo e ao demônio.

                                                        Construídos à minha imagem e semelhança.”

                                                                       Solidariedade – Murilo Mendes

            A cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher é vítima, de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher, é vítima de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma, mulher, é vítima, de violência no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher, é vítima, de violência, no Brasil.

            A cada dois segundos uma mulher é vítima de violência no Brasil.

            As vírgulas são para enfatizar. Servem também para pausas.

            Sem nem uma. Sem nenhuma vírgula a mesma frase é lida de uma única vez.

            Cada uma lida. Todas lidas. Segundos passados, a passarem, que passarão.

            Mulheres vítimas de todo o tipo de violência. Feridas doloridas, dolorosas.

            Dois segundos não é nada. De fato não é nada: mas é o tempo de agredir, matar.

            É ela a mulher alvo do uso/abuso violento, nunca que justifique. 

            Câmaras de segurança do prédio onde morava a jovem advogada de Guarapuava Tatiane Spitzner, evidenciam a barbárie do marido Luís Felipe Manvailer. Agressão física e moral. Dor constante, lancinante, cortante. Tomada de hematomas, sintomas. Esvaída. Ex-vida. Grito ecoando nos corredores, janelas, andares. Estirado na calçada. Tatiane sem vida. Cadáver ocultado da cena.

            Ninguém escutou os gritos? Ninguém passou pela garagem?

            Tapamos os ouvidos. Fechamos os olhos. Cruzamos os braços. Fazemos de conta que não temos “nada com a vida dos outros”, quando tudo pode estar acontecendo próximo da gente, vizinhos. Trata-se do antagônico das redes sociais, fofoca e intromissão na vida alheia como se a intimidade tivesse que ser exposta escancaradamente.

            Não se pode negar a ninguém em tempo algum, um pedido de socorro. Mais do que um princípio e fundamento morais, ele é também legal, previsto no Artigo 135 do Código Penal:   “Deixar de prestar assistência quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou a pessoa inválida ou ferida desamparada ou em grave e iminente perigo: ou não pedir nesses casos o socorro da autoridade pública”.

            Guarapuava retrata o Brasil do silêncio assombroso omissivo, conivente com um crime.   

            Tem quem que suponha, que a maior parte da violência contra a mulher ocorra nas ruas, ônibus, trens, praças. Na realidade quase 70 % das agressões ocorrem dentro de casa.

            Antes, durante, na hora ou pouco de depois ninguém viu. Como se a vida fosse a dos outros. Cada um que cuide da sua. Não tem como não observar, basta um corpo ferido ou já sem vida, aparecerem um bando de curiosos, gesticulam, comentam, se manifestam quando deveriam agir antes, solidariamente. São raras as exceções.  

            Gritos, cicatrizes, feridas, existem nas outras mulheres. Somos destinados a velar corpos,   rezar pelos outros.    

Fases de Fazer Frases

            Não se encerra com a última palavra. É com o último ponto.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Está longe de acabarem. Se não houver providências, se tornarão fatos e notícias corriqueiras: Causadores de acidentes de trânsito fugirem do local sem prestar socorro. A embriaguez, embora não seja a única causa, entram para as estatísticas do que poderia ser evitado.. Reminiscências em Preto e Branco

            “Em briga de marido e mulher ninguém deve meter a colher”. Mais que um ditado antigo, já antigamente deveria ser inaceitável. O ditado não caiu em desuso, menos falado mas muitíssimo praticado Brasil afora. Gritos de socorros são abafados ante o silêncio criminosamente omissivo.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Vê-se o vice vai ser só vice

“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro e os políticos têm medo do passado.”

Chico Anysio

Escolher para quem votar, o brasileiro leva em conta o candidato a vice? Ao menos simbolicamente o vice ganhou importância maior no próprio ato de votar, ele tem o retrato ao lado do titular que aparecem na urna eletrônica.

Não carece um olhar muito atento para observar que os candidatos a presidente e a governador deixaram por último a escolha do vice na chapa.

Apenas situar na história recente da política brasileira, a vice-presidência saiu do banco de reserva para ser o titular do cargo. Sentar em definitivo na cadeira de presidente levou a história republicada a outras conjunturas.

José Sarney assumiu definitivamente como presidente por ser o vice de Tancredo Neves, que nem tomou posse, morreu antes. O fim da ditadura militar foi marcado pela eleição de um presidente civil e a última indireta via colégio eleitoral.

O primeiro presidente eleito diretamente pelo povo renunciou para não ser cassado. Fernando Collor não esquentou a cadeira. Assumi o vice Itamar Franco.

Dilma Rousseff perdeu o mandato para o atual e então vice Michel Temer.

Sem desconsiderar que o eleitor deve ficar atento quanto aos candidatos à vice, se é que todos ficam de olho, o que isso na prática representa?

Talvez nada. Ainda o principal para definir uma escolha seja o titular, com todos os riscos de perda de mandato que leve o substituto a assumir o cargo de vez.

É lamentável ter que ressaltar a história recente – e ainda atual, já que os reflexos e personagens estão como atores da política, principais ou coadjuvantes – só dois presidentes concluíram o mandato e transmitiram o cargo para o sucessor: Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Luís Inácio Lula da Silva, que, por sua vez, colocou a faixa em Dilma Rousseff.

A propaganda eleitoral irá dar algum tipo de destaque para os vices, sobretudo aqueles que agregarem importância tanto política quanto eleitoral, o que tornará menos difícil ao brasileiro analisar os prováveis substitutos.

Para o Senado, saber quais são o primeiro e segundo suplentes é muito difícil, os próprios candidatos a senador não fazem questão de divulgar. É que historicamente a prática comum foi escolher parentes ou alguém que financie a campanha. Da escuridão das cavernas políticas surgiram suplentes que assumiram definitivamente o Senado, sem que soubessem o fossem lembrados pelos eleitores.

Se for exagero considerar mais importante o vice do que o titular, restará torcer (ou não) para que o titular não morra, não seja cassado ou deixe o cargo.

Fases de Fazer Frases (I)

Velhas verdades, inofensivas ante as novas, porque as antigas se conhecem.

Fases de Fazer Frases (II)

Não existe uma só palavra, seus significados a tornam plurais.

Olhos, Vistos do Cotidiano

“A Coluna do Ely noticiou sexta passada, Campo Mourão tem 415 novos eleitores por mês. No total são 64 mil e 313 eleitores”. Não é mais somente uma tendência, mas sim um constante crescimento no número de eleitores, ainda que possa ser considerado pequeno.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Relativo ao tema principal da Coluna de hoje, existem dois vices que não concluíram os mandatos após terem assumido o cargo de presidente do Brasil. A conjuntura à época foi notoriamente delicada. Devido ao suicídio de Getúlio Vargas assumiu a presidência o vice Café Filho que tinha pouca expressão política. Café morreu, tendo governado por pouco tempo: 1954-55. Com a renúncia de Jânio Quadros quem assumiu foi João Goulart, 1961-64, que foi derrubado pelo golpe militar.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Em meio a vices que assumem a titularidade do cargo, antes fica a cargo do cidadão o título de eleitor que não pode ser substituído por outrem a votar no lugar dele.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]