José Eugênio Maciel
Não é o trânsito que mata, são as pessoas, presidente

“…. A Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. (…) … De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. (…). … não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo..."

José Saramago

O presidente foi a pé ao Congresso Nacional na última terça. Jair Bolsonaro entregou para os parlamentares o projeto de lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro, que prevê uma série de alterações, entre elas dobrar de 20 para 40 o número de pontos que um motorista pode acumular sem perder o direito de dirigir. O fim da obrigação do motorista profissional em se submeter a exame toxicológico: e dobrar o prazo de validade da habilitação para dez anos. Tais mudanças são até admissíveis, segundo especialistas na área.

Todavia, o que causou imensa reação contrária é a proposta de acabar com a multa para condutores que transportarem crianças fora das cadeirinhas de retenção. Bolsonaro propõe só advertência escrita, sem multa.

É mais um fato que atesta o quanto o presidente até agora evidencia não saber dirigir o Brasil. Ele guia pela vontade exacerbada e coercitiva, não pensa, não olha para lado algum, anda de carro sem atentar para sinalização, importar com negligência, imperícia, imprudência. Iminente, perigo, volante. Leva todos os brasileiros passageiros num grande ônibus com esse motorista em transe no trânsito a acelerar várias vezes sem respeitar limites de velocidade e lombadas eletrônicas.

Preceitos constitucionais têm um conteúdo tão essencial que origina-se dos fundamentos morais dos dispositivos legais. Princípios que, nos casos relatados anteriormente, cabe destacar: “A vida é um bem jurídico tutelado pelo Estado”. O Estado tem o dever da tutela de todos os brasileiros, nenhum de nós pode se desfazer da própria vida ou a de outrem. Estado e sociedade devem evitar vulnerabilidade, reduzir danos e garantir meios para que a vida não se limite, caracterize à condição biológica.

O presidente propõe o contrário, no caso da cadeirinha, que o motorista conduza crianças como bem entender, só atribuído a autoridade advertir o condutor e sem sanção alguma. Especialistas declaram, aumentará o número de mortes no trânsito. Em 2016 foram 36 mil no Brasil. O uso da cadeirinha reduziu em 60% as mortes. A estridente intrepidez presidencial é na contramão, pois o propósito sempre deveria visar reduzir o quanto possível mortes, invalidez e sequelas derivadas dos acidentes. A conta de tamanha criminosa irresponsabilidade será do Erário, todos nós arcaremos.

Estamos sujeitos a causar ou ser alvo de acidentes de trânsito. No caso da cadeirinha, se um condutor de veículo atinja outro automóvel com criança sem cadeirinha e que resulte na projeção dela fora do carro, levando-a a sérios danos ou morte, quem pagará as despesas e indenização? Quem causou o acidente? E ele é o único responsável? E quem conduziu o próprio filho a morte?

Desgovernado, o presidente esbugalha mais o despreparo e a falta de prioridade do governo, sobretudo com asperejo em atropelo dos brasileiros afrontados pelo veículo do poder estatal.

Fases de Fazer Frases

Percorrer caminhos desconhecidos permitem conhecermos nossos andares da vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Trânsito mourãoense: Maio Amarelo, 46 acidentes com vítimas, uma morte. Maio negro.

Fiapo e Ferpa

Sei palavra que não conheço. Reconheço que a ignoro. Não desconheço o dicionário.

Reminiscências em Preto e Branco

Tempo do Colégio Adventista de Campo Mourão, (teve o nome de Escola Adventista Hugo Gegembauer), 1976 rememoro a disputa para tocar o sino manual que indicava fim do recreio. O sino era pesado nas mãos da meninada. O que pesa agora é o passado, sinal da lembrança que toca.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Insalubre não é local de trabalho de grávida

“A dignidade de cada ser humano mede-se pela sua capacidade de reconhecer que uma pessoa é em si mesma um fim, nunca um meio”.

José Luís Nunes Martins

Um dos absurdos da reforma trabalhista de 2017 foi definitivamente para o lixo, nasceu flagrantemente inconstitucional, agora confirmada a esperada decisão do Supremo Tribunal Federal. Por 10 votos a 1, a Corte julgou: é proibido exigir que a mulher apresente atestado médico para não trabalhar em local insalubre.

A CNTM – Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos foi que ingressou com a ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade, contra o texto aprovado pelos senadores e deputados federais, mesmo que alertados sobre a ilegalidade daquele trecho da reforma, insensíveis a violação que respaldaram, contra frontalmente à dignidade da mulher grávida e a lactante. Cabe salientar, até ocorrer o pronunciamento sentencial da matéria, que se deu na semana anterior, o próprio Supremo liminarmente já tinha decidido proibir a aplicação do dispositivo daquela lei abusiva.

Apenas para mencionar um fato não tão antigo assim, que denota o desrespeito a mulher trabalhadora, foi a exigência que patrões impuseram inicialmente, a apresentação do teste de gravidez, o que ocorreu quando foi aprovada a licença-maternidade, que eles, aliás, em sua grande maioria, foram e se mantiveram contrários.

Não é só na legislação trabalhista que a reforma tinha passado por cima e tentado esmagar direitos irrenunciáveis, ela violaria a Constituição Federal no que preceitua a dignidade da mulher, princípio legítimo, insofismável.

Insalubridade no trabalho é atividade, por natureza, de condições ou métodos laborais que exponham os empregados a agentes nocivos a saúde acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do trabalho e do tempo de exposição aos seus efeitos.

O trabalho é de relevante interesse de toda a sociedade, e qualquer atividade só pode ocorrer com plena dignidade. No caso da mulher, duas são as proteções à vida, quando grávida a da mãe e a do filho antes de depois de nascer. Medidas protegidas são poderiam, jamais, serem vistas como privilégios, e sim direitos que beneficiam todo o desenvolvimento da sociedade.

Por falar em reforma trabalhista, foi muito propalado que, a partir da aprovação das mudanças legais, voltaria a geração de emprego, vagas passariam a ocorrer sem a forte carga tributária e a “antiga legislação”.

Pois é, o desemprego atualmente é de 13 milhões de pessoas. Nada de prático e benéfico aconteceu e o Brasil tem PIB ínfimo! O quadro é de recessão e ninguém vem reconhecer a mentira deslavada iniciada no governo Temer (com beneplácito do Congresso) e sem perspectivas de retomada de crescimento a curto prazo no Governo Bolsonaro.

Fases de Fazer Frases (I)

Um erro não leva a outro, busca-o.

Fases de Fazer Frases (II)

Laçada pode ser a sorte não lançada.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Tamanha recessão econômica, empresas sequer mais põem placas de aviso: não há vagas. A informação tão antiga e atual que o desempregado sabe, sente a carestia implacável.

Farpa e Fiapo

Anunciou o fim da “velha política”, mas o presidente Jair a tem mais nova do que nunca.

Caixa Pós Tal

Registro e agradeço ao padre Gaspar Gonçalves da Silva, Paróquia S. Francisco de Assis, Campo Mourão. Na missa da semana passada ele citou o texto desta Coluna, Nelsinho, fazedor, contador de causos do campo, homenagem ao Nelson Teodoro de Oliveira, falecido dia 18, maio.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

A propósito das leis trabalhistas, tem uma que existia como “normal” antigamente, mas que felizmente foi proibida. Os anúncios para contratação de secretária, “exige-se boa aparência”. Lamentável e revoltante, proibido pela lei, camufladamente fatos ainda existem, discriminatórios.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

No bairro mourãoense Lar Paraná, um velho senhor ergue a antiga porta de ferro de uma avoenga loja, sem a pressa dos movimentados dias atuais da chamada vida moderna.

Nelsinho, fazedor, contador de causos do campo

Na minha casinha de reboco abraço a vida, sem medo da solidão reconstruo a minha estória caipira contando "causos", pois sou o cheiro desse chão - Robson Ruas

O que tinha de diminuto unicamente, o apelido, com afeto, Nelsinho. Homem do Campo, das terras, glebas, destoca, solo arável, sabia, com peculiar e notório conhecimento, o quão essencial conhecer e aplicar técnicas em termos de produção e produtividade.

A riqueza era o saber ao plantar, colher. A prosa o levava a trocar informações, experiências, um leque de aprendizados compartilhados que bem sabia dispor.

Nelson Teodoro de Oliveira foi sempre o homem do campo, terra. A ruralidade não se limitava a propriedade dele, entrelaçava preocupações e ações que fizessem, sociedade e governos, compreenderem que a riqueza da terra era alimento, exportação, a soberania do Brasil.

Homem do campo das pequenas até as grandes extensões, lavoura que beijava, prece de pedir, agradecer. Nelsinho agregou, durante mais de meio século, os homens da terra, apregoava união a fortalecer o meio rural. É por demais conhecida a inestimável contribuição na fundação da COAMO, homem que não veio só para aparecer na foto.

Não carecia chamá-lo, as lutas, desafios, sonhos que precisavam ser concretas realidades, ele estava sempre pronto para a luta, com entusiasmado liderava, assumia risco, não se omitia.

De espírito comunitário, foi vereador, militou em clubes de serviços, agregava com a sua capacidade de percepção e talento inegável para somar.

A família, tão amada e tendo dele suporte, era inspiração, legado maior que deixa, de homem de justeza e companheirismo. Família que aprendeu a conviver na ausência do pai, viagens, encontros que ele comparecia, articulava, postulava, aplaudia e cobrava.

Era homem a favor do processo desenvolvimentista, notadamente tendo como alvo o Paraná e a nossa região, bem a altura da família de pioneiros empreendedores que descendeu e é legado.

Homem do Campo, do Mourão como a cerca a unir grandes cercanias, porteiras abertas para o diálogo. Abriu picadas de progresso, assumiu a dianteira de muitos projetos, foi protagonista.

Era bom ouvi-lo, fala simples, direta, respeitosa, franca e se fosse preciso, mais que cobrar exigia respeito, não admitia ser enganado, era compromissado com o bem-querer, sempre do bem.

Uma memória tão ágil que ele recordava causos com riqueza de detalhes, descrevia personagens, tudo parecia, durante a sua narrativa, que ocorreria naquele exato instante, com seriedade ao tratar dos momentos históricos ou nas piadas com elevado humor.

Semeava inspiração, ideias, plantava sonhos, projetos, cultivava, colhia e partilhava frutos. Não desanimava com revezes. Soube cativar/cultivar amizades, ao longo de décadas, sempre a acrescer novos laços de fraternal convívio.

é com o sempre, agora que o sempre do eterno que na despedida inaugura, a sempre sentida ausência dele, indizível, quando muito atrevimento de crer que a terra que o acolheu está honrada por receber seu bravo defensor, assim como o céu das nuvens carregadas que garantiram fartas colheitas, agora chuva,.choro a encharcar a terra, na homenagem ao Nelsinho.

Fases de Fazer Frases

Se amar é armar-se, amar-se é desamar-se.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Como na Folha de São Paulo, outros jornais divulgaram a imagem do bilhete do Lula para o Chico Buarque, 22 último. O ex-presidente da cadeia escreveu, Parabéns pelo ‘premio’, Camões (que o Chico ganhou) e repete o erro, novamente escreveu 'premio' sem acento. O Chico, sobrinho do Aurélio Buarque, conhecido tio, sinônimo de dicionário, poderia enviar um exemplar na prisão. Lula ao menos estaria em boa companhia, a do Aurélio.

Fiapo e Ferpa

Quem sem causa se atrasou à entrevista de emprego na Havan empregou-se na preguiça.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

O passadiço não passa disso.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Tempos da famosa Banca do Jonas, encontrei o Nelsinho (título principal da Coluna) e a prosa correu solta. Fidel Castro presidia Cuba. Nelsinho condenava o eterno presidente. E ele, com bom humor, brinca comigo, vou indo embora, Maciel, para não lembrá-lo que eu sou quase meio século o presidente do Sindicato Rural Patronal, e ressalvou, mas sou escolhido pelo voto.

A mocidade da Academia Mourãoense de Letras

Contemplo em cada um de vós um a um dos 40 que puseram em marcha a instituição que vos peço licença para começar a chamar nossa; contemplo em vós os sucessores que, enfrentando momentos difíceis, vieram trazendo a nossa instituição ao que ela é hoje. Evanildo Bechara

Ela nasceu do silêncio. Não o calado, mas sim o meditar da própria criação, necessário a ética como primeiro critério. As reuniões preparatórias traziam no seu bojo o horizonte da arte, das letras. A evocação do passado cultural e educacional com os primeiros nomes que edificaram o início de Campo Mourão, eles abriram caminhos como o de Peabiru; do Capitão Índio Bandeira ou o da Boiadeira, carreadores, estradas vicinais na terra fértil, perfume da madeira, lavoura, feitura de casas, percursos poéticos e da prosa, boca em boca.

A Academia Mourãoense de Letras antes de vir a luz foi fecundada através de uma comissão instituída que colheu, recolheu, organizou e registrou consubstanciadamente aqueles que se tornariam nomes das pioneiras cadeiras acadêmicas. O grupo não poderia ter escolhido lugar melhor para sucessivos encontros, a sede da Fecilcam – Faculdade de Ciências e Letras de Campo Mourão.

Tive a honra de participar de tais reuniões, nas quais prevalecia e norteava o sentimento de criar a Academia, nominar e nomear pessoas apenas após regressarmos do encontro com a história, ponto de partida de nossa gente, origens estoicas. Depois colocar imagem e conteúdo na moldura, antes pronta, para então receber e perfilar os dez primeiros nomes.

Dia 21 de maio de 2002 oficialmente apresentada e o silêncio foi substituído pela efusiva saudação para e pela Academia Mourãoense de Letras, pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces, dizer do Machado de Assis. Naquela noite jubilosa todos os segmentos da sociedade mourãoense ocuparam todas as poltronas do Teatro Municipal, no uníssono aplauso de reconhecimento legítimo na posse dos primeiros integrantes fundadores da Academia.

A AML é uma moça com características próprias da juventude, como rebeldia, senso crítico, valendo-se da palavra oral e escrita, cultura e educação projetadas na comunhão que ela protagoniza. No intenso o percurso de coesão e ela vem adquirindo maturidade, o viço que é próprio da literatura, demonstrando efetivamente toda a capacidade para seguir adiante, sempre em defesa e na promoção do patrimônio material e imaterial da cultura. Aliás, em um único instante sequer, existiu qualquer dúvida que a Academia seria forte, essencial no ser e no produzir nossa obra maior, o espírito latente da criação humana de todas as artes.

quase duas décadas, a Academia incluiu novos membros e que, bem-vindos e vindos para o bem, asseguram união, solidez e dinâmica, atualmente são 40 acadêmicos. Personalidades que, mantendo a singularidade, ao mesmo tempo todos compõem o somatório de um ambiente de reflexão, de todos os ângulos de saberes, mantendo-se o respeito libertário mútuo, em renovar a contribuição da AML no desenvolvimento humano.

Fases de Fazer Frases (I)

Uma palavra não leva outra, uma palavra traz outra.

Fases de Fazer Frases (II)

Imaginação costuma flertar com a ilusão, mas ilusão é achar que ninguém imagina.

Fases de Fazer Frases (III)

Entre cada passo da vida há espaço em vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Foi o atual que enviou para a Assembleia Legislativa e ela aprovou: os futuros governadores do Paraná não terão mais direito de se aposentar e receber mais de 30 mil reais por mês.

Os que recebem tais proventos, inclusive muitos deles sem terem contribuído ao longo da vida, continuam sossegados. Dois têm idade avançada, Emílio Gomes, 93 anos e Paulo Pimentel, 91. Por terem assumido só seis meses, então vices, recebem como aposentados Mário Pereira e Orlando Pessuti. A ex-governadora Cida Borgueti requereu a aposentadoria. O governador Ratinho declarou que não concederá a ela tal benefício.

Fiapo e Ferpa

O presidente Jair Bolsonaro detém nível, baixo, verbal de xingamento. Cortou recursos no orçamento da educação. O dele, não. Não se corta o que não tem.

Reminiscências em Preto e Branco

Não é o novo que contrasta o antigo, é o velho que o constata.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Mãe

Um princípio, instinto maternal bem antes de se tornar mãe.

Uma origem, fecundidade a brotar no coração.

Uma fertilidade, germinar no ventre venturoso.

Uma concepção, amor.

Uma esperança, nascer.

Uma luz, vida.

Um gesto, carinho.

Uma canção, ninar.

Um sono, reparador após o filho dormir.

Um sentimento, doce amar.

Um olhar, enxergar além do horizonte.

Uma palavra, entusiasmo.

Uma lágrima, de tristeza ou alegria, sempre autênticas.

Um afago, conforto e proteção.

Um jeito de ser, braços e coração abertos.

Uma aflição, passageira agonia, substituída pela esperança.

Uma solidão, finita, sabe que o filho retorna.

Uma amizade, verdadeira e reparadora.

Uma devoção, nunca medindo esforços.

Um orgulho, a emoção como razão de ser.

Uma liberdade, não se pode nunca prendê-la, a não ser do filho que a liberta.

Uma sensibilidade, a de perceber tudo e a todos.

Uma satisfação, por pequena que pareça, a coloca em êxtase.

Um medo, o próprio, de não encontrar forças, embora saiba, a fé não a deixará sem energia.

Um perdão, todos os que sejam sinceros, decentes e justos.

Uma consciência, equilibrada e sábia.

Uma história, de incontáveis exemplos.

Uma crença, um mundo melhor.

Um sonho, não propriamente o seu, mas o que sonham os seus filhos.

Uma direção, sempre ao encontro deles.

Um obstáculo, todos hão de serem vencidos com altivez e tenacidade.

Um tempo, todos os instantes do criar e recriar a vida.

Um lugar, que nele exista espaço harmônico, a paz.

Um dia, qualquer clima, o que importa é viver, descobrindo-o num encontro consigo mesma.

Uma flor, todos os jardins.

Uma cor, o brilho de todas elas.

Um objetivo, nada lhe pertence, pronto para ser dado a quem dele precisar.

Uma homenagem, todas, o sentido humano: verdadeiro, elevado, puro e imorredouro.

Uma condição: gerar vidas que nunca inteiramente dela se desprenderão.

Uma vida, a dos filhos que é a dela como se fosse una, unida na ternura eterna.

Uma ser, não existe a melhor mãe do mundo: a mãe sempre é quem torna o mundo melhor.

Reminiscências em Preto e Branco

O Artigo principal, homenagem as mães, tem pelo menos 20 anos que é (re) publicado. Quando saiu pela primeira vez, o tempo passou até próximo ao novo dia de comemoração, e uma senhora ao telefone me pede que eu publicasse o referido texto. Assim foi feito, durante muitos anos ela ligava e pedia, sempre agradecendo enfaticamente. O tempo continuou a passar, mas a anônima senhora não mais ligou. Ainda assim, é como se ela ligasse para fazer o mesmo pedido, novamente aceito.

Mãe seria mais um entre tantos textos esquecidos.

Não é, evidentemente pelo conteúdo, embora também o seja, mas sim primeiramente pelo significado e circunstâncias.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Eu ministro a balbúrdia

EU MINISTRO A BALBÚRDIA

Aqueles que impedem as revoluções pacíficas preparam as revoluções sangrentas

John F. Kennedy

            Sem respeitar a autonomia das universidades e sem considerar outro preceito constitucional  inerente à Administração Pública, - o princípio da impessoalidade – o ministro da educação  Abraham Weintraub cortou 30% das verbas de algumas universidades, alegando que elas devem promover a produção científica séria, e não criar a balbúrdia.

            Segundo dicionários, balbúrdia é algazarra, vozerio da multidão, desordem barulhenta, trapalhada. O ministro Abraham, economista que sempre atuou no setor privado, de há muito que não pisa em uma sala de aula, para dar aula, está agradando o presidente. Ambos têm aspectos comuns, exercem cargos sem norte, projeto de ação, metas. O ministro até agora demonstrou imenso despreparo para conduzir a pasta.

            Não só as universidades, mas todos os estabelecimentos de ensino devem promover ampla e democraticamente o livre exercício do pensamento. A produção acadêmica tem que ser sempre  engendrada na idealização libertária. Universidades não são casernas. Até mesmo as ciências exatas ainda que sejam precisas, são e devem ser alvos da reflexão por se destinarem às estruturas e relações sociais próprias do processo civilizatório. O conhecimento virá, de um modo ou de outro, atrelado ao uso dele, também ético. 

            A única surpresa do atual  ministro Abraham é que ele vai se igualando – talvez para ficar pior – com o antecessor Ricardo Velez Rodriguez, aquele que tinha determinado que todas as escolas do Brasil gravassem o canto do Hino Nacional e enviassem para ele.

            O anterior tinha problemas de gestação e o de agora é de congestão.

Fases de Fazer Frases (I)

            Atos geram fatos. Nem sempre fatos geram atos.

Fases de Fazer Frases (II)

            Ações geram consequências. Nem sempre consequências geram ações.

Fases de Fazer Frases (III)

            Tudo leva a crer que crer não é tudo.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O que se crê se cria. A cria é ação: criação.

Fases de Fazer Frases (V)

            Quem tem muito, pouco mostra.

            Quem tem muito pouco, mostra.

            Quem não tem nada mostra tudo?

Fases de Fazer Frases (VI)

            Quem acha que tudo é coisa já se tornou objeto.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Dois órgãos públicos existentes em Campo Mourão há muito são péssimos exemplos quando a questão é calçada. Aliás, a calçada de um se liga a do outro. Fora de padrão e antigas as calçadas comprometem o caminho dos pedestres. Uma calçada é a da agência do INSS e a outra a do IML e Delegacia, ambas na avenida de Manoel Mendes de Camargo. Governos federal e estadual  respectivamente são péssimos exemplos.        

            E o Governo municipal já cobrou a construção de calçada dentro dos padrões? Já multou?  

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Ainda sobre as calçadas, o bispo de Campo Mourão Dom Bruno Elizeu Versari quando assumiu apontou o problema das calçadas. Mas também o chamado Palácio Episcopal não é exemplo positivo, a calçada da avenida Irmãos Pereira não está toda ela dentro do padrão. Na rua Santa Catarina se o bispo caminhar a pé e chegar até a sede da Copel, lá ele terá o exemplo, a calçada da referida empresa pública estadual está dentro das normas.

Fiapo e Ferpa (I)

            Tantos assuntos para comentar….tem que ser a entrevista do Lula ou a agressão do Neymar?

Fiapo e Ferpa (II)

            O que andam fazendo os senadores do Paraná? Se é que estão.      

Reminiscências em Preto e Branco

            Quando a lembrança foge, vai repousar na memória antiga.

            E quando vem à tona, torna a recordação refúgio presente, mergulho no passado.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Decretado fim do Doutor e da Excelência

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

Oswald de Andrade – Pronominais

            Promover a desburocratização no tratamento e de eliminar barreiras que criam distinção entre agentes públicos no âmbito do Poder Executivo, diz a nota sobre o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. A medida – assinada no último dia 12, começa a vigorar em maio, válida apenas no Poder Executivo – põe fim aos pronomes Excelentíssimo, Doutor, Vossa Senhoria, Vossa Magnificência, Ilustríssimo, Digníssimo, Respeitável.

            Tais tratamentos existem desde o Império e até agora mantidos no regime republicano. Foi Dom Pedro I que instituiu o tratamento doutor em referência a médico e advogado. Não por acaso, o ato do monarca foi assinado no 11 de agosto de 1827, dia do advogado. O hábito é arraigado nesse longo tempo, advogados, médicos, autoridades assim tratados, doutores.

            São muitos e principalmente acadêmicos que reagem contrariamente, não aceitam usar o pronome doutor para quem não defendeu teste alguma de doutorado.

            Outro decreto, do então presidente Fernando Henrique Cardoso, aboliu o muito digno/digníssimo, bastando o nome da pessoa e o cargo ocupado por ela, decisão coerente, já que o ocupante do cargo é digno dele, até prova em contrário. 

            Respeito hierárquico não se dá só pelo pronome, mas como a administração pública é formal, o decreto é indispensável, mesmo que possam perdurarem práticas de subalternidade.

            É inegável que tratamentos se estabelecem no uso comum e tem a ver com classe ou posição sociais. Alguém que atua em algum meio de comunicação logo é chamado de jornalista, quem escreve vez ou outra e até lança um livro vira escritor. Professor ou mestre sem tem aos montes, em qualquer esquina.

            A irreverência crítica do grande Oswald Andrade quanto a pronomes, logo abaixo do título hoje, certeiramente valoriza o modo e o conteúdo do tratamento pronominal, que não deixa de ser também bajulador, cada qual a seu modo.

Fases de Fazer Frases (I)

            Toda descendência importa decência.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não se cultiva esperança sem sonho.

Fases de Fazer Frases (III)

             Mastigar a verdade é melhor do que engoli-la?

Fases de Fazer Frases (IV)

            Caso falte coragem para expulsar o medo, não tenha medo em aceitá-lo.    

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Em proveito do tema principal da Coluna hoje, um reitor, que se intitula marxista, corrigiu um acadêmico que o chamou apenas reitor, no mesmo instante advertido: magnífico! Igualdade no caso é mero discurso socialista.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Enfim será posto semáforo à entrada do Lar Paraná, Campo Mourão: Sinal dos Tempos.

Caixa Pós-Tal

            O Baú do Luizinho, conceituado Blogue mourãoense, colocou na íntegra e agradeceu o texto principal da Coluna anterior – CAIXINHA, SÓ PODIA SER DELE, BELO – homenagem ao pai dele, falecido em março. No Blogue tem o registro fotográfico da família reunida, imagem sintetizadora de fraternidade deles todos. Não carecia agradecer.

Reminiscências em Preto e Branco

            Também em proveito do tema que abre a Coluna, indo ao tempo do império, os que nunca sequer tinham visto uma escola, nas senzalas escravos simplificaram o tratamento de senhor, senhora, diziam de modo simples, tão subserviente quanto doce, sinhá, sinhô.

            Né não, seu dotô?

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Caixinha, só podia ser dele, belo!

Todo narrador de futebol dá destaque quando um craque ‘mata’ a bola no peito, baixa na coxa e coloca na grama, com classe. Alguns narravam: bela matada na ‘caixa’… amansou a redonda, chutouu eeee gooolllllllll!

Wille Bathke Jr.

Aplausos dos jogadores e das arquibancadas. Sempre a sorrir, vibrar com a vida. Ele acena para todos, abraça antes de descer as escadas do túnel e vestiário. Não irá mais regressar. A homenagem se estende, no turno oposto, campo, arquibancada e coração vazios. Fim da partida. A partida para o fim. Último jogo, 20 de março. Apito final.

Moacyr Franco compôs e lindamente interpreta música em homenagem ao Mané Garrincha (Balada nº7), … O velho atleta recorda as jogadas felizes. Ainda na rede balança seu último gol (…). Apelidado de Caixinha devido a forma peculiar de dominar a bola, encaixá-la no peito, dando a ela destino certo, passe preciso, o gol com categoria ou simplicidade, onde tem futebol, faça chuva ou sol, estou dentro, é só me chamar, frisava ele. Essencial na biografia de Irineu Ferreira Lima é o futebol, paulista nascido em Mirassol, 1937, 20 de novembro. Aportou em Campo Mourão em 1958, pioneiro notável. À época e até 2010 laborou na Auto Elétrica e Auto Peças Paulista, uma das mais antigas e tradicionais empresas, proprietário e dinâmico trabalhador, sempre assegurando a família dignidade repleta de ensinanças como o caráter e o respeito. Desde cedo e frequentemente até tarde, trabalhava arduamente para atender a numerosa clientela, mesmo fôlego para o futebol.

As grandes jogadas do craque tão bem espelhadas no sorriso, abraço fraternal, bom humor e simpatia, a enorme torcida orgulhosa dele foi sempre a família, da saudosa esposa Sallime, os filhos Luizinho, Walmir, Wander, Walcir e Willian, desportistas que herdaram dos pais a lealdade dentro do campo, quadras, profissão, na vida em todos os seus papéis.

sempre lembrado com carinho nesta terra amada por ele, da linda família, amigos, lugar ajudou a crescer, desde só barro ou poeira vermelha. Homem íntegro, humilde. Rumou ao azul infinito do céu, a abraçar a saudosa companheira de sempre e jogar, espetáculo.

Fases de Fazer Frases

Pode-se. Pode ser. Por ser. Ser como pode.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Fórum debaterá o trânsito de Campo Mourão. A estrutura urbana não comporta mais o tráfego intenso. De um lado é preciso adequar as vias, de outro a infração dos condutores e pedestres causadores de acidentes, com mortes e invalidez. Para não generalizar, tem bons mourãoenses no trânsito. Não demorará chegaremos a 70 mil veículos este ano.

Caixa Pós-Tal

DOUTOR FERNANDO, A FALA COM OS OLHOS, Coluna anterior, repercutiu por causa da pessoa muito querida, motivou muitos comentários pelas redes sociais e diretamente neste espaço. Lindíssima, emocionante!!!. Com certeza acalenta um pouquinho o coração da família que recebe uma linda homenagem dessa!!!, escreveu Patrícia Agulhon Romanello. Linda mesmo, Aline Isolani, compartilhada no mesmo sentido pela Simone, da Confraria sem nome: linda homenagem do Maciel. E de Gilberto Scipioni: Belíssimas palavras sobre o Fernando, tive a oportunidade de conviver com ele, como amigo, por mais de 20 anos, e tudo que foi dito sobre ele é simplesmente a verdade, perdemos o amigo, perdemos o cidadão exemplar, perdemos o profissional competente, grande perda.

Farpa e Fiapo

Embora não sejam todos, é grande o número de estudantes que não esquecem de trazer e colocar na carteira o celular, o telefone não é material escolar. E o livro? Me livro.

Reminiscências em Preto e Branco – Aldacy Luzia Almeida Baldini

Foi a professora da sala de aula. A professora dos filhos e netos. Professou a vida inspirada e inspiradora na bem querência pelo próximo, a crer nele como aprendiz e sabedor, nas letras e nas contas. Conhecia e bem aplicava técnicas do ensino e aprendizagem ilustrada no potencial e habilidades de cada ser humano. Ela tinha 71 anos, uma vida bem vivida, mesmo com as vicissitudes inerentes a trajetória de cada um.

Quando fui secretário da educação de Campo Mourão ela foi diretora da Escola Municipal Bento Mossurunga, desempenhou tal função estimulando e propiciando o diálogo aberto com professores, servidores, pais e comunidade escolar. Pude comprovar inúmeras vezes o quanto ela era querida. Tendo se aposentado, fui visitá-la, dialogamos sobre educação. Serenidade e sabedoria, qualidades que tinha, entre tantas, legado exemplar digno. Aldacy é saudade, dia 13 de abril.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Doutor Fernando, a fala dos olhos

Não sabemos da alma senão da nossa; As dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança no fundo

Fernando Pessoa

A profissão era olhar clínico, preciso da ciência oftalmológica. Sempre atento e meticuloso. Era mais paciente do que qualquer um dos seus pacientes, atendia todos com esmero, exame, diagnóstico e com fundamentadas prescrições. Afeito a profissão, consequentemente tendo pelo ser humano singular apreço, eu testemunho por ser paciente de muitos anos.

A dedicação aos estudos e inteligência na juventude eram conhecidas no Colégio Estadual Campo Mourão, (década de 70) correspondeu o que dele se esperava. Em 1988 formou-se médico em Passo Fundo (RS) e posteriormente, no mesmo Rio Grande, capital, fez especialização.

Família tradicional muito querida, (pais Segismundo e Odirce) Campo Mourão fora sempre berço dele e morada, ambiente a idealizar, realizar a vida em sua plenitude. Da descendência originária e a que formou, os filhos Bruno, Lucas, Vinícius e Maria Fernanda, lugar de sempre, dos amigos que bem soube cativar.

Sem vaidade a angariar honra ao mérito. preocupava-se em agir para o bem da comunidade. Entre tantos e variados registros de ricos exemplos, muitos deles rememorados durante o velório, relato o que vivenciei. É sobre o trabalho social que ele realizou. Eu era secretário municipal de educação e cultura de Campo Mourão, pedi e ele prontamente aceitou com entusiasmo. Era para ele examinar todas as crianças e adolescentes das escolas municipais. Providenciamos, com o respaldo de outro secretário, Milton Mader Bittencourt, da saúde, a compra de equipamentos completos e modernos instalados no Centro Social Urbano.

O grande e inestimável trabalho jamais saiu da minha lembrança e sempre que encontrávamos eu fazia reverência a enaltecê-lo. Atendeu a todas aquelas crianças humildes com enorme carinho como se fossem filhos dele, com afeto e dignidade.

Maior que maçonarias, clubes de serviço, mais elevado que a medicina, foi esteio e inspiração familiares. Grandioso ante a uma plêiade de amigos, de infância e do hoje.

Entardecer do sábado caia na medida que a madrugada dominical eram silêncio que teve ao fundo o som do choro profundo da cidade inteira. Ela se reuniu a velar o doutor Fernando, filho desta terra, dos pioneiros, da família que formou, filhos, esposa, irmãos, amados.

Olhava para para nossos olhos com acuidade de quem vê mais que o clínico, enxergava o ser humano, tendo tratado a todos com profusão sapiente e de presteza na linda profissão, mais bela devido a seu esmero. Ele foi vencido no último sábado, dia seis, por uma leucemia…, dizeres do amigo dele e nosso, Luiz Ferreira Lima.

O pranto dos filhos, da querida esposa Tatiane e dos irmãos, é saudade espalmada a nos abraçar no luto, do legado de luz da radiante vida. Receba, doutor Fernando Dlugosz, todos os aplausos ao mesmo tempo na fusão com o silêncio que palavra alguma pode adequadamente manifestar, mas que será cravada na história e memória nossa.

Fases de Fazer Frases

Fica o que é deixado, e não o que não se pode levar.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Escolher ministro deve ter critério interesse público e preparo do indicado. O agora ex-ministro Velez Rodriguez é um ignorante de gestão educacional, como o presidente. A principal ideia foi, todas as escolas enviassem gravação do canto Hino Nacional.

Farpa e Ferpa

Uma mãe, revoltada, foi até um colégio de Campina da Lagoa, para discutir com a professora da filha dela. É que a menina não quis guardar o celular durante a aplicação de uma prova, foi preciso chamar a Polícia Militar, noticiou a Coluna do Ely. Com prova ou não, celular não é material escolar. Quem deveria acompanhar a PM só a mãe. Nota 10 para a professora. Ely foi feliz no título da notícia: O Exemplo começa em casa.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Leitor assíduo, Fernando Dlugosz, texto principal da Coluna hoje, me enviou cumprimentos quando escrevi sobre o andarilho Jorel, então zombado por muitas pessoas. Fernando concordou ser ato desumano e covarde. Publiquei e agradeci à época o comentário.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Tempo que não se faz é sem tempo que tanto faz.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]

Seu nome é também o seu lugar

Sem identidade não se é. E a gente tem que ser, isso é que é importante. Mas a identidade obriga

depois à dignidade. Sem identidade não há dignidade, sem dignidade não há identidade, sem

estas duas não há liberdade. A liberdade impõe, logo de começo, o respeito pelo próximo.

Isto pode explicar um pouco os limites da própria vida.

Manoel Oliveira

Por ter trocado de veículo, tive que colocar a nova placa. Uma perda de identidade. Não se trata da estética da placa em si. A questão é que nela não tem mais o nome do município e do estado, ou seja, não mais sou identificado como sendo de Campo Mourão e do Paraná.

O assunto não é novo mas não envelheceu e cabe outra reflexão atual. O campeonato paranaense de futebol, transmissão na tv pela RPC-Rede Globo. Teve vezes que a exibição das partidas terminava sem mostrar todos os gols dos demais jogos, o resultado das partidas e a tabela de classificação, tudo para transmitirem campeonatos carioca ou paulista. E o nosso Paraná?

Nossa identidade, quando aparece, não significa conter o brilho necessário. Porém, tem quem enfatize com orgulho a identidade que possui. No próprio campeonato de futebol dois bons exemplos estão em Cascavel e nos servem de lição. A cidade possui dois times na primeira divisão, e os dois levam o nome de Cascavel. Um é o Futebol Clube e o outro o Clube de Futebol Recreativo.

Deixar de lado o nome do lugar é horrível quando homenageiam times de futebol famosos e até estrangeiros, do tipo River Pleite, Botafogo da Paraíba, Flamengo da Piauí e por aí vai. Já tivemos outra estupidez ainda maior, aqui manifestada, o extinto J. Maluceli que passou a se chamar Corinthians do Paraná, tendo ganhado apelido Timãozinho. A bobagem durou tão pouco.

quando continuaremos ser paranaenses sem identidade do Paraná? Para começar, não se envergonhando desta terra e não aceitar mais nomes sem vínculo concreto com nosso território.

Fases de Fazer Frases

Se se diz o que se diz. Diz-se se se diz.

Olhos, Vistos do Cotidiano

O Brasil é ricamente pobre e pobremente rico, repito a frase deste escrevinhador aqui. A vizinha Rancho Alegre do Oeste é exemplo: um milhão de reais é o cálculo de autoridades quanto ao dinheiro do esquema de falsificação de identidades, noticiou esta Tribuna, dia dois. Imagina se o que poderia ser feito pela prefeitura na educação ou saúde, por exemplo?

Caixa Pós-Tal

Hoje eu moro em São Paulo, capital. Tenho saudades de Campo Mourão de ter comido gabiroba. Como escreveu você, Maciel, ‘saborear’ a frutinha deliciosa’. Saboreei também seu texto. Não sou mais de Campo Mourão, só tenho uns poucos parentes aí, vivi aí minha na infância. Maria Vitória Gonçalves.

Prof. Maciel. Muito boa a ‘Face que é feice’. Parabéns, abraços (…). Marcos Lopes. Peabiru. Grato aos dois caros leitores pelas mensagens sobre a Coluna anterior.

Fiapo e Ferpa

A concessionária no Paraná Viapar fez acordo e vai depositar nos cofres públicos 500 milhões, ao reconhecer repassa ilegal de dinheiro. E o ex-governador Beto Richa, solto quinta anterior, alega inocente. Os 500 milhões seriam doação, agora para o Erário, otário?

Reminiscências em Preto e Branco

Na próxima semana (dia 10 de abril) o Câmpus Campo Mourão completa 24 anos. Muitas pessoas que veem a estrutura do Câmpus hoje não sabem que tudo começou dentro do Ginásio, com instalações improvisadas (e que o professor China e a professora Claudete já estavam por aqui. Parabéns, UTFPR-CAM! Utfcm24anos. Texto postado dia três. Os professores Claudete e China fazem parte dos primeiros passos da materialização da UTFPR de Campo Mourão, então CEFET.

Me intrometo na bela história porque dela faço parte. Fui secretário da educação mourãoense, desencadenado – logicamente não sozinho mas com todo o respaldo do então prefeito e vice do Município Rubens Bueno e Tauillo – a doação do Ginásio Belim Carolo à União para viabilizar a referida Universidade. Depois do improviso, tudo se organizou até chegar na atual estrutura, que continua a crescer solidamente.

Outro detalhe importante: os primeiros anos, também para viabilizar a hoje UTFPR, o Município de Campo Mourão é que pagou toda a folha de servidores contratada pela União, até que ela tivesse autorização legal para concurso público. O Tribunal de Contas chegou a implicar com a prefeitura, ele estranhou o elevado valor das despesas. Pude escrever em resposta, despesas, não!. Investimento! Parabéns CEFET-UFTPR!

___

José Eugênio Maciel | [email protected]