José Eugênio Maciel
Rebeis, sentir da vida

"A sublime, serena e sensata sabedoria é simplesmente sentir o ser que sutilmente se sensibiliza com o sentir da vida"

Thomás A. S. Foiporeze

Sentir a vida, a que se tem. Sentir a vida de todos que dão a vida a quem sente. Pacientemente sentia a vida de todos os seus pacientes, que se não eram, se tornariam amigos. A medicina foi sempre missão e vocação. Dedicado, estudioso desde os tempos universitários,  formado, aportou em Campo Mourão no principiar da década de 1960.

Nascido em Lins, São Paulo, tinha 84 anos, Sérgio Rebeis deixou, mais do que marca, um molde exemplar da ética na ciência médica, familiarmente, com os muitos amigos, na sociedade mourãoense.

Com valores e modos peculiares, se punha no lugar das pessoas, o diálogo dele muitas vezes era principiado por meio do silêncio, dos olhos atentos, da expressão que denotava respeito, compreensão, decência. O diagnóstico levava em conta a pessoa, assim como o contexto, a trajetória da própria existência humana.

O que simboliza o pioneirismo de bons feitos por este lugar, que tinha nele um luzeiro cursor, foi o prédio do então Hospital Anchieta, modernas instalações e equipe de profissionais (atualmente unidade de serviços do Centro Universitário Integrado, centro da cidade). Rebens declarou ter sido um empreendimento ousado mas viável à época.

“Tenho dó do meu país”, disse-me ele quando o visitei no apartamento, ao comentar o que escrevera na cédula eleitoral (quando ela era de papel), no que para ele foi um momento “sem opção de segundo turno”, a disputa à presidência entre Collor e Lula. Assumia posições políticas, partidárias, não se omitia, tanto é que pôs o próprio nome para deputado federal. Fez política com desprendimento pessoal e com comprometimento público, legítimo.

Franco, aberto, expansivo, indignado com os erros, que se contrapunha como notável combatente, Sérgio Rebens também gargalhava-se com fatos pitorescos e humor. Tinha luz própria que perpassava com generosidade, lucides e afeto.

Fases de Fazer Frases (I)

Vida é passos, espaços, pasmos.

Fases de Fazer Frases (II)

Só, fala curta, incabível companhia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Emendas bancaram aprovação da reforma na Câmara. Velha política não se emenda.

Farpas e Fiapos

Velha política não saiu de cena, trocou o traje, é militar.

Reminiscências em Preto e Branco – Javete de Almeida Weiler: Lições de vida e escola

“Uma coisa importante que aprendi com a vida: Eu também sei deixar saudades” (Edelzia Oliveira).

Antes de ilustrar o quadro com lições, ela sabia que o maior aprendizado, adquirido e praticado, se tornaria fruto como exemplo. Ao longo de uma vida de plenitude humana formou gerações, notadamente na comunidade educacional da Escola Municipal Paulo VI, aprendizes das primeiras letras, primeiras contas, palavras, somas.

É uma parte bela, fundamental da história do ensino mourãoense que ela bem soube preencher, páginas, capítulos, memórias que no envolver do tempo sempre foram e serão memórias de conhecimento basilar.

Herança maior para a educação da professora, foi também a de mãe e avó, sensível, humana, justa, educadora com rigor e ternura, sempre elegantemente, firme, eloquentemente vívida.   

Reminiscências em Preto e Branco – João Gilberto: Chega a saudade, que não vai

“Vai, minha tristeza, e diz a ela/ Que sem ela não pode ser/ […] Porque eu não posso mais sofrer” […]…

O trecho acima é da composição de Vinícius Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, marcada pela genialidade do intérprete que a consagrou. Dia 10 de julho ela fez 60 anos e simboliza o nascimento da Bossa Nova. João Gilberto morreu no sábado anterior aos 88 anos.

Voz e Violão, ou João Voz; Gilberto Violão. A influência é imensa, do Brasil ritmo perfeito que encantou o mundo, impregnou culturas dos todos os povos. Perfeccionista, na ambientação exigia exclusivamente o som da voz e o do violão. Gerações da música foram feitas tornando-as tão nossas, riquíssimas, para o mundo.

Silêncio, para o artista ecoar o som puro do intérprete. Silêncio ao ouvi-lo. Da despedida.

Reminiscências em Preto e Branco – 31 anos da Coluna

10 de julho de 1988 nasceu esta Coluna. Quarta anterior fez 31 anos. Grato a todos.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Nascida da fogueira

“Porque o fogo que me faz arder é o mesmo que me ilumina”

Etienne de La Boeyie

Há pelo menos 400 milhões de anos o homem iniciava verdadeiramente uma trajetória irreversível rumo à civilização graças a descoberta do fogo.

Dito assim direto sem vírgulas e entonação parece que foi tudo fácil. Fácil só na narrativa dos fatos históricos.

A observação dos raios que atingiam as árvores, espalhadas as labaredas, exerceram no homem das cavernas fascínio pelo fogo, ao mesmo tempo irresistível atração e afastamento.

A descoberta propiciou ao homem inventar uma multiplicidade de usos presentes hoje e sustentáculos da modernidade, pois o fogo é recurso e sentido de nossas ações.

A capacidade de observação, senso comum quando aliada à capacidade inventiva, conduziu o homem a se aproximar e se juntar aos demais, reunidos em torno da fogueira, a se aquecerem ante as noites gélidas, olhar pela primeira vez na escuridão no rosto dos seus semelhantes.

A fogueira se tornou fator de confraternização, também servia para manter animais bem longe dos humanos. Aliás, sem temer animais ferozes, o então pré histórico concluiu que poderia dormir mais e melhor, visto que o fogo era a vigília dele.

Em torno do fogo feito e apreciado como ritual social e sacrário, transformou o homem carnívoro que só ingeria e conhecia carne crua. O fogo foi determinante para que, aliada a colunária e a invenção da agricultura, o homem deixasse de lado a condição de bandos nômades extrativistas para se tornar fixo no mesmo lugar, sedentário.

Lembremos disso agora no rotineiro hábito de acender a chama do fogão ou da churrasqueira e agradeça aos nossos rudes antepassados das cavernas.

Nos tornamos civilizados ao superarmos o instinto de viver, sobreviver reunidos e não mais em bandos conquistando a consciência da real necessidade de viver coletivamente, de termos e fazermos com a consciência a própria história.

A gélida temperatura das densas florestas nas madrugadas foi aquecida pelo fogo como associação humana. Chamas que são agora o lume civilizatório, o homem-animal se tornou gente iluminada e iluminadora, claríssima humanidade.

Fases de Fazer Frases (I)

O fogo afaga. É fagulha. Fogueira fagueira.

Fases de Fazer Frases (II)

Somos parte do todo de toda parte.

Fases de Fazer Frases (III)

Ações semeiam hábitos para serem cultivados.

Fases de Fazer Frases (IV)

Guarde no tempo só o que (es)tiver passado.

Fases de Fazer Frases (V)

Se mentes, não dá frutos. Sementes são frutos.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Sexta anterior, blogue do jornalista Fábio Campana reproduziu notícia da revista Veja: o senador do Paraná (Rede) Flávio Arns nomeou o segundo suplente dele e homônimo num cargo com salário de 22 mil. O suplente Flávio está no gabinete do titular Flávio. É favor ou paga?

Farpas e Ferpas (I)

Arranjo de palavras é mero enfeite do diz nada.

Farpas e Ferpas (II)

A sanha é a senha da fúria icúria assanhada

Caixa Pós-Tal

“O Estado é Rondônia”, concisa assim escreveu Gleyze Jeane Teodoro ao apontar o erro aqui, pois escrevi que o senador Acir Gurgacz (PDT) como sendo do Acre. Agradeço a ela por apontar e me permitir corrigir o erro na Coluna passada Férias do senador ladrão.

“Parabéns pela coluna do dia 22/06, me fez olhar para algumas atitudes das quais tenho que mudar. Muito obrigada!”, palavras da professora Hélyda Radke Prado Mitsui, em referência a Coluna “Desligue o celular!”. Também sobre a mesma Coluna vieram cumprimento e crítica num só tempo: “Você tem razão, porque as pessoas não estão nem aí, atendem, falam alto, postam e não tiram o olho do celular. Na escola, trânsito, velório, verdadeiro absurdo!”, escreveu o Recifense Valdomiro Oliveira Silva, estudante pernambucano. A todos eles, obrigado.

Reminiscências em Preto e Branco

O pobre para parecer nobre é esnobe. E o ex-nobre finge manter-se nobre.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

As férias do senador ladrão

“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade sim”.

Jô Soares

Senador por Roraima Acir Gurgacz (PDT), Fernando Luiz de Lacerda Messere, juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e a promotora Elizabet Helena, ignoraram um dos princípios constitucionais, a moralidade. Do senador condenado no regime domiciliar, do juiz que não viu violação alguma e da promotora que não fiscalizou.

Dependendo de todos eles, o senador Acir estaria no Caribe para gozar férias, na nossa cara!. Vida de ladrão não é fácil, o senador Acir “trabalha” naquela reputada Casa, depois vai para prisão domiciliar a partir das 22 horas. Ele foi condenado por meter a mão no dinheiro público.

A democracia resiste bravamente, sem cair em completo desalento, o povo se revolta. Bastou a opinião pública tomar conhecimento e a reação foi virulenta pelos meios de comunicação e rede sociais, legítima pressão que levou o ministro do STF – Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes a revogar a sentença ainda na quarta-feira, ao atender o pedido da procuradora-geral da República Raquel Dodge.

O senador rapace, por ter roubado 525 mil de verba pública do Banco da Amazônia, precisava descansar da rapinagem, por 16 dias em um luxuoso hotel da referida ilha.

Sem fixar ordem de atribuições e cronologia, a indignação veemente pública de quem quer que seja ante os poderes públicos, tal protesto é apenas o começo.

É preciso acabar com tamanho escárnio: Como os sérios senadores se sentem em ter como colega um ladrão já condenado? O larápio debatendo e a votar matérias como reforma da previdência? Sem moral alguma! E o PDT, partido do senador Acir, o mantém filiado! Em nome da moralidade pública falta o que para expulsá-lo, vez que condenado em segunda instância. Medo? Rabo preso?

Ao Conselho Nacional de Justiça e ao Brasil devem explicações juiz e promotora. Vale frisar de novo, Senado e PDT podem como devem cassar e expulsá-lo por falta decoro, respectivamente.

Fases de Fazer Frases (I)

Tem quem se interesse mais aparentar mandar na banda do que dançar conforme a música.

Fases de Fazer Frases (II)

Palavra chave a desencadear. Mágica ao truque. Palavra grafada lida em silêncio.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Moralidade, palavra-chave do tema principal da Coluna hoje, é também o que faltou para quem usou e se beneficiou de carro público da prefeitura de Corumbataí do Sul para ir a um motel em Maringá. O veículo oficial da saúde levou pacientes em tratamento. O prefeito já afastou o servidor, o nome não foi revelado, embora toda a cidade já saiba do ocorrido. Antes que a moralidade seja confundida como moral e moralismo, quem quis ir ao motel, o problema foi com veículo público. Marotagem a parte, vão se foder!

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

A ex-governadora Cida Borgueti terá que arrumar outra fonte de renda, o pedido de aposentadoria dela foi negado pelo governador Ratinho. Coitadinha, após trabalhar arduamente por seis longos meses como governadora, não terá mensalmente – para toda a vida dela – 33 mil reais mensais. Se é preciso citar o fato de terem sido adversários na eleição ao Palácio Iguaçu, importa é que futuros governadores não mais terão embolsado do contribuinte esse dinheiro.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Ainda sobre o senador ladrão, ou ladrão senador Acir, ele é de família tradicional e rica no Paraná, Cascavel. Quando foi condenado a mais de quatro anos de prisão, se internou no Hospital São Lucas naquela cidade, médicos conseguiram impedir que ele fosse preso, alegaram que o senador estava até de cadeira de rodas. Foi preciso uma ordem do Supremo Tribunal Federal para que a Polícia Federal o prendesse. O luxuoso hotel do Caribe teria cadeira de rodas para o magano.

Farpa e Ferpa

Governo fardado. Governo fadado. Governo são dados.

Reminiscências em Preto e Branco

Novamente lembro da minha saudosa mãe. Foi quando atendi a campainha tocar, três moços moradores do Jardim Modelo. Indagaram se eu gostaria de comprar sonhos. Comprei, agradeci, desejei sorte. Bem criança me tornei apreciador legítimo dos saborosos sonhos que dona Elza fazia. Comentei na família sobre os sonhos. A apenas sonho, recordação.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

"Desligue o celular!"

“Vou pedir só ali: coronel, se quiser desligar o celular enquanto o governador estiver falando, agradeço. Se o senhor tiver algo urgente, pode sair da sala e usar o celular. Mas enquanto o governador estiver falando, por favor, preste atenção. O mesmo vale em relação ao seu comando”.

João Dória, governador de São Paulo

“Desligue o celular!”, certamente o caro leitor já ouviu tal expressão. E que fique bem claro, leitor, o já ouviu a expressão, não significa que a tenha escutado como sendo crítica direta a você, mas sim testemunhado o fato em relação a alguém que não larga o telefone móvel.

Quando não se tem mais ou suficientemente a vergonha, somada ao o individualismo e sensação de impunidade, pessoas se sentem mais a vontade para agirem, sem a menor preocupação com as outras. Falta de vergonha caracterizada pela irresponsabilidade social é o indivíduo atender o celular a hora que bem ele entender e da modo que achar conveniente, para ele, tão somente.

O problema ganhou maior dimensão de desrespeito que já não é atender o celular. Mas sim o de acessar todas as mensagens, respondê-las e tudo mais, não estando nem aí para quem quer que seja ou esteja em ambiente público.

É na escola, o estudante com o fone de ouvido, aparelho como o único “material escolar” que ele jamais esquece. É nos cinemas, luzes dos aparelhos que competem com a telona. São encontros os mais diversos que o mundo a parte e prioritário é estar vidrado no celular.

O curioso é que reclamamos, comentamos ou lamentados a falta de atenção humana do ser humano para com os semelhantes. Uma boa dose de demagogia e hipocrisia estão embutidas, por não se tomarem atitudes que resultem na atenção de fato para com os outros, que deveria ser a de olhar nos olhos, prestar atenção.

Para mencionar uma única situação como exemplo e sem precisar dar aqui a resposta, já que o caro leitor bem saberá responder. Em uma consulta como ficará o paciente, se o médico der mais atenção ao “Zap zap” e sem se importar com o caro leitor paciente?

E quem achar que o governador de São Paulo foi arrogante, fato discutível, é provável, na maioria dos casos, que a motivação de quem não gostou é subterfúgio para não assumir o que está infelizmente se naturalizando, o desrespeito.

O desrespeito ao atender ou celular ou acessar mensagens não é porque se trata de governador, mas a afronta cotidianamente se constata, comportamento individualista como se estivessem numa bolha.

Mais grave ainda são reuniões que visam se ter conhecimento do que é relevante e a consequentemente reflexão sobre fatos. Gravíssimo é tomar decisões sem ouvir, prestar atenção, comportamento que vai além de ser omissivo e irresponsável, é desonesto.

Fases de Fazer Frases (I)

A vida, sem dúvida, é uma dúvida sem vida.

Fases de Fazer Frases (II)

Mesmo quando começo a escrever… Não paro de começar.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Rodo desculpas ao caro leitor. Na Coluna anterior – Reminiscências em Preto e Branco (II) – foi registrada a morte de um grande jornalista. Porém, não foi colocado o nome dele. Graças ao pedagogo e amigo desde infância Gilberto Santa de Alencar, ao ler, ele se manifestou: “faltou dizer que o nome do jornalista é Clóvis Rossi.”. Grato, caro amigo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Árvore morta numa rua mourãoense. É nítido, ela desaparece para aparecer a fachada comercial. Ali os pássaros não mais batem palmas. Talvez nem baterão as asas.

Farpa e Ferpa

Se tiver que afiar a língua, o melhor é o dicionário.

Reminiscências em Preto e Branco

Há oito anos, 21 de junho, pedíamos a bênção pela última vez, eu supunha. Mas não. A bênção é constante, de eterna gratidão e saudade. A falta que a senhora faz é por tudo que fez de amor, pelos filhos. Uma falta preenchida de saudade vinculada em seus todos pertences, mais ainda nas grandes lições de mãe que, sem falta, corrigia e antes ensinava o que era falta. Com o pedido de bênção, obrigado, dona Elza Brisola Maciel.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Ela Luzia

“O que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre”. Goethe

É a primeira e provavelmente a última vez que escrevo o verbo luzir, no futuro subjuntivo:

Quando eu luzir.

Quando tu luzires.

Quando ela luzir.

Quando nós luzirmos.

Quando vós luzirdes.

Quando eles luzirem.

Luzíamos em todos os verbos, tempo, entonações das declamações.

Infelizmente luziremos sem Luzia. Era ela quem melhor luzia, próprio dela.

A luz está agora apagada. Para sempre. De repente, intensa, abrupta.

Sempre luz a brilhar nos amigos, colegas de trabalho e sobretudo familiares.

Era luz própria do luzir radiante, alma e espiritualidade.

Brilhava, a encandecer todos a volta dela, assim era a professora Luzia Terezinha Francisco.

Ela laborava na Coordenação Financeira, Núcleo Regional de Educação de Campo Mourão.

Transmitia a serenidade na voz versada no equilíbrio.

Apegada a rotina, relógio de pulso, pulsava a vida que ela sabia bem marcar.

Antes de iniciar as férias dela, comentou sobre educação:

Apesar dos problemas, acreditava, pelo saber é possível suplantar realidade adversa.

A luz própria da Luzia brilha agora no infinito inalcançável para nós mortais.

Prossegue a luzir, clarear de tão grandiosos feitos edificantes de um ser humano sublime.

A luz do sol no entardecer prenuncia despedida. E vem a luz da lua, brilho belo da noite.

nossos olhos fecharem para sempre não veremos o sol e a lua.

Fechados os olhos da Luzia eles recolhem a luz que ela tinha, leva e nos deixa.

Domingo passado o brilho dela é memória a nos iluminar, inefável saudade sentida.

Fases de Fazer Frases (I)

Sem querer tudo é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (II)

Sem querer, tudo é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (III)

Sem querer tudo, é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (IV)

Sem querer, tudo é querer, mesmo quando não se quer.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Na comunicação deve-se evitar o duplo sentido. A chamada ambiguidade se torna pior também no jornalismo. E se ainda contiver o gerúndio, é o pior dos piores. Eis a questão: “Campo Mourão vende área do antigo pesqueiro”, título da notícia do Jornal Folha de Londrina, publicada na Coluna Giro pelo Paraná. O verbo vende pode levar a conclusão que a prefeitura conseguiu vender a citada área, pois no gerúndio está, repitamos, escrito vende.

O terreno ainda está a venda, ou seja, não foi vendido. Sugestão modesta, Campo Mourão põe a venda. No futebol é comum o gerúndio e a ambiguidade, como: o time vence a partida. Quem não estiver acompanhando ao vivo o jogo, pode ser levado a concluir que o time venceu de fato a partida. Mas o vence poderia ser o registro de um fato ainda acontecendo.

Fiapo e Ferpa

O é dono da verdade não a põe a venda. Põe a venda quem não a tem.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Antigamente quando o relógio começava a atrasar ou parava, era preciso dar corda.

Em sua maioria relógios há muito tempo não têm corda nem ponteiros.

Relógios apontam cordas ponteiras do tempo que somos ou deixamos de ser.

Ora somos adiantados, ora atrasados Somos horas que somamos.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Morreu um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Aos 76 anos, era integrante do Conselho Editorial e colunista da Folha de São Paulo. Desde os anos 80 sou leitor da Folha e dele. Independente, lúcido o conhecimento era retratado nos profícuos textos jornalísticos, verdadeiras aulas de narração dos fatos e análise precisa.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Não é o trânsito que mata, são as pessoas, presidente

“…. A Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. (…) … De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. (…). … não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo..."

José Saramago

O presidente foi a pé ao Congresso Nacional na última terça. Jair Bolsonaro entregou para os parlamentares o projeto de lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro, que prevê uma série de alterações, entre elas dobrar de 20 para 40 o número de pontos que um motorista pode acumular sem perder o direito de dirigir. O fim da obrigação do motorista profissional em se submeter a exame toxicológico: e dobrar o prazo de validade da habilitação para dez anos. Tais mudanças são até admissíveis, segundo especialistas na área.

Todavia, o que causou imensa reação contrária é a proposta de acabar com a multa para condutores que transportarem crianças fora das cadeirinhas de retenção. Bolsonaro propõe só advertência escrita, sem multa.

É mais um fato que atesta o quanto o presidente até agora evidencia não saber dirigir o Brasil. Ele guia pela vontade exacerbada e coercitiva, não pensa, não olha para lado algum, anda de carro sem atentar para sinalização, importar com negligência, imperícia, imprudência. Iminente, perigo, volante. Leva todos os brasileiros passageiros num grande ônibus com esse motorista em transe no trânsito a acelerar várias vezes sem respeitar limites de velocidade e lombadas eletrônicas.

Preceitos constitucionais têm um conteúdo tão essencial que origina-se dos fundamentos morais dos dispositivos legais. Princípios que, nos casos relatados anteriormente, cabe destacar: “A vida é um bem jurídico tutelado pelo Estado”. O Estado tem o dever da tutela de todos os brasileiros, nenhum de nós pode se desfazer da própria vida ou a de outrem. Estado e sociedade devem evitar vulnerabilidade, reduzir danos e garantir meios para que a vida não se limite, caracterize à condição biológica.

O presidente propõe o contrário, no caso da cadeirinha, que o motorista conduza crianças como bem entender, só atribuído a autoridade advertir o condutor e sem sanção alguma. Especialistas declaram, aumentará o número de mortes no trânsito. Em 2016 foram 36 mil no Brasil. O uso da cadeirinha reduziu em 60% as mortes. A estridente intrepidez presidencial é na contramão, pois o propósito sempre deveria visar reduzir o quanto possível mortes, invalidez e sequelas derivadas dos acidentes. A conta de tamanha criminosa irresponsabilidade será do Erário, todos nós arcaremos.

Estamos sujeitos a causar ou ser alvo de acidentes de trânsito. No caso da cadeirinha, se um condutor de veículo atinja outro automóvel com criança sem cadeirinha e que resulte na projeção dela fora do carro, levando-a a sérios danos ou morte, quem pagará as despesas e indenização? Quem causou o acidente? E ele é o único responsável? E quem conduziu o próprio filho a morte?

Desgovernado, o presidente esbugalha mais o despreparo e a falta de prioridade do governo, sobretudo com asperejo em atropelo dos brasileiros afrontados pelo veículo do poder estatal.

Fases de Fazer Frases

Percorrer caminhos desconhecidos permitem conhecermos nossos andares da vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Trânsito mourãoense: Maio Amarelo, 46 acidentes com vítimas, uma morte. Maio negro.

Fiapo e Ferpa

Sei palavra que não conheço. Reconheço que a ignoro. Não desconheço o dicionário.

Reminiscências em Preto e Branco

Tempo do Colégio Adventista de Campo Mourão, (teve o nome de Escola Adventista Hugo Gegembauer), 1976 rememoro a disputa para tocar o sino manual que indicava fim do recreio. O sino era pesado nas mãos da meninada. O que pesa agora é o passado, sinal da lembrança que toca.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Insalubre não é local de trabalho de grávida

“A dignidade de cada ser humano mede-se pela sua capacidade de reconhecer que uma pessoa é em si mesma um fim, nunca um meio”.

José Luís Nunes Martins

Um dos absurdos da reforma trabalhista de 2017 foi definitivamente para o lixo, nasceu flagrantemente inconstitucional, agora confirmada a esperada decisão do Supremo Tribunal Federal. Por 10 votos a 1, a Corte julgou: é proibido exigir que a mulher apresente atestado médico para não trabalhar em local insalubre.

A CNTM – Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos foi que ingressou com a ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade, contra o texto aprovado pelos senadores e deputados federais, mesmo que alertados sobre a ilegalidade daquele trecho da reforma, insensíveis a violação que respaldaram, contra frontalmente à dignidade da mulher grávida e a lactante. Cabe salientar, até ocorrer o pronunciamento sentencial da matéria, que se deu na semana anterior, o próprio Supremo liminarmente já tinha decidido proibir a aplicação do dispositivo daquela lei abusiva.

Apenas para mencionar um fato não tão antigo assim, que denota o desrespeito a mulher trabalhadora, foi a exigência que patrões impuseram inicialmente, a apresentação do teste de gravidez, o que ocorreu quando foi aprovada a licença-maternidade, que eles, aliás, em sua grande maioria, foram e se mantiveram contrários.

Não é só na legislação trabalhista que a reforma tinha passado por cima e tentado esmagar direitos irrenunciáveis, ela violaria a Constituição Federal no que preceitua a dignidade da mulher, princípio legítimo, insofismável.

Insalubridade no trabalho é atividade, por natureza, de condições ou métodos laborais que exponham os empregados a agentes nocivos a saúde acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do trabalho e do tempo de exposição aos seus efeitos.

O trabalho é de relevante interesse de toda a sociedade, e qualquer atividade só pode ocorrer com plena dignidade. No caso da mulher, duas são as proteções à vida, quando grávida a da mãe e a do filho antes de depois de nascer. Medidas protegidas são poderiam, jamais, serem vistas como privilégios, e sim direitos que beneficiam todo o desenvolvimento da sociedade.

Por falar em reforma trabalhista, foi muito propalado que, a partir da aprovação das mudanças legais, voltaria a geração de emprego, vagas passariam a ocorrer sem a forte carga tributária e a “antiga legislação”.

Pois é, o desemprego atualmente é de 13 milhões de pessoas. Nada de prático e benéfico aconteceu e o Brasil tem PIB ínfimo! O quadro é de recessão e ninguém vem reconhecer a mentira deslavada iniciada no governo Temer (com beneplácito do Congresso) e sem perspectivas de retomada de crescimento a curto prazo no Governo Bolsonaro.

Fases de Fazer Frases (I)

Um erro não leva a outro, busca-o.

Fases de Fazer Frases (II)

Laçada pode ser a sorte não lançada.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Tamanha recessão econômica, empresas sequer mais põem placas de aviso: não há vagas. A informação tão antiga e atual que o desempregado sabe, sente a carestia implacável.

Farpa e Fiapo

Anunciou o fim da “velha política”, mas o presidente Jair a tem mais nova do que nunca.

Caixa Pós Tal

Registro e agradeço ao padre Gaspar Gonçalves da Silva, Paróquia S. Francisco de Assis, Campo Mourão. Na missa da semana passada ele citou o texto desta Coluna, Nelsinho, fazedor, contador de causos do campo, homenagem ao Nelson Teodoro de Oliveira, falecido dia 18, maio.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

A propósito das leis trabalhistas, tem uma que existia como “normal” antigamente, mas que felizmente foi proibida. Os anúncios para contratação de secretária, “exige-se boa aparência”. Lamentável e revoltante, proibido pela lei, camufladamente fatos ainda existem, discriminatórios.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

No bairro mourãoense Lar Paraná, um velho senhor ergue a antiga porta de ferro de uma avoenga loja, sem a pressa dos movimentados dias atuais da chamada vida moderna.

Nelsinho, fazedor, contador de causos do campo

Na minha casinha de reboco abraço a vida, sem medo da solidão reconstruo a minha estória caipira contando "causos", pois sou o cheiro desse chão - Robson Ruas

O que tinha de diminuto unicamente, o apelido, com afeto, Nelsinho. Homem do Campo, das terras, glebas, destoca, solo arável, sabia, com peculiar e notório conhecimento, o quão essencial conhecer e aplicar técnicas em termos de produção e produtividade.

A riqueza era o saber ao plantar, colher. A prosa o levava a trocar informações, experiências, um leque de aprendizados compartilhados que bem sabia dispor.

Nelson Teodoro de Oliveira foi sempre o homem do campo, terra. A ruralidade não se limitava a propriedade dele, entrelaçava preocupações e ações que fizessem, sociedade e governos, compreenderem que a riqueza da terra era alimento, exportação, a soberania do Brasil.

Homem do campo das pequenas até as grandes extensões, lavoura que beijava, prece de pedir, agradecer. Nelsinho agregou, durante mais de meio século, os homens da terra, apregoava união a fortalecer o meio rural. É por demais conhecida a inestimável contribuição na fundação da COAMO, homem que não veio só para aparecer na foto.

Não carecia chamá-lo, as lutas, desafios, sonhos que precisavam ser concretas realidades, ele estava sempre pronto para a luta, com entusiasmado liderava, assumia risco, não se omitia.

De espírito comunitário, foi vereador, militou em clubes de serviços, agregava com a sua capacidade de percepção e talento inegável para somar.

A família, tão amada e tendo dele suporte, era inspiração, legado maior que deixa, de homem de justeza e companheirismo. Família que aprendeu a conviver na ausência do pai, viagens, encontros que ele comparecia, articulava, postulava, aplaudia e cobrava.

Era homem a favor do processo desenvolvimentista, notadamente tendo como alvo o Paraná e a nossa região, bem a altura da família de pioneiros empreendedores que descendeu e é legado.

Homem do Campo, do Mourão como a cerca a unir grandes cercanias, porteiras abertas para o diálogo. Abriu picadas de progresso, assumiu a dianteira de muitos projetos, foi protagonista.

Era bom ouvi-lo, fala simples, direta, respeitosa, franca e se fosse preciso, mais que cobrar exigia respeito, não admitia ser enganado, era compromissado com o bem-querer, sempre do bem.

Uma memória tão ágil que ele recordava causos com riqueza de detalhes, descrevia personagens, tudo parecia, durante a sua narrativa, que ocorreria naquele exato instante, com seriedade ao tratar dos momentos históricos ou nas piadas com elevado humor.

Semeava inspiração, ideias, plantava sonhos, projetos, cultivava, colhia e partilhava frutos. Não desanimava com revezes. Soube cativar/cultivar amizades, ao longo de décadas, sempre a acrescer novos laços de fraternal convívio.

é com o sempre, agora que o sempre do eterno que na despedida inaugura, a sempre sentida ausência dele, indizível, quando muito atrevimento de crer que a terra que o acolheu está honrada por receber seu bravo defensor, assim como o céu das nuvens carregadas que garantiram fartas colheitas, agora chuva,.choro a encharcar a terra, na homenagem ao Nelsinho.

Fases de Fazer Frases

Se amar é armar-se, amar-se é desamar-se.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Como na Folha de São Paulo, outros jornais divulgaram a imagem do bilhete do Lula para o Chico Buarque, 22 último. O ex-presidente da cadeia escreveu, Parabéns pelo ‘premio’, Camões (que o Chico ganhou) e repete o erro, novamente escreveu 'premio' sem acento. O Chico, sobrinho do Aurélio Buarque, conhecido tio, sinônimo de dicionário, poderia enviar um exemplar na prisão. Lula ao menos estaria em boa companhia, a do Aurélio.

Fiapo e Ferpa

Quem sem causa se atrasou à entrevista de emprego na Havan empregou-se na preguiça.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

O passadiço não passa disso.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Tempos da famosa Banca do Jonas, encontrei o Nelsinho (título principal da Coluna) e a prosa correu solta. Fidel Castro presidia Cuba. Nelsinho condenava o eterno presidente. E ele, com bom humor, brinca comigo, vou indo embora, Maciel, para não lembrá-lo que eu sou quase meio século o presidente do Sindicato Rural Patronal, e ressalvou, mas sou escolhido pelo voto.

A mocidade da Academia Mourãoense de Letras

Contemplo em cada um de vós um a um dos 40 que puseram em marcha a instituição que vos peço licença para começar a chamar nossa; contemplo em vós os sucessores que, enfrentando momentos difíceis, vieram trazendo a nossa instituição ao que ela é hoje. Evanildo Bechara

Ela nasceu do silêncio. Não o calado, mas sim o meditar da própria criação, necessário a ética como primeiro critério. As reuniões preparatórias traziam no seu bojo o horizonte da arte, das letras. A evocação do passado cultural e educacional com os primeiros nomes que edificaram o início de Campo Mourão, eles abriram caminhos como o de Peabiru; do Capitão Índio Bandeira ou o da Boiadeira, carreadores, estradas vicinais na terra fértil, perfume da madeira, lavoura, feitura de casas, percursos poéticos e da prosa, boca em boca.

A Academia Mourãoense de Letras antes de vir a luz foi fecundada através de uma comissão instituída que colheu, recolheu, organizou e registrou consubstanciadamente aqueles que se tornariam nomes das pioneiras cadeiras acadêmicas. O grupo não poderia ter escolhido lugar melhor para sucessivos encontros, a sede da Fecilcam – Faculdade de Ciências e Letras de Campo Mourão.

Tive a honra de participar de tais reuniões, nas quais prevalecia e norteava o sentimento de criar a Academia, nominar e nomear pessoas apenas após regressarmos do encontro com a história, ponto de partida de nossa gente, origens estoicas. Depois colocar imagem e conteúdo na moldura, antes pronta, para então receber e perfilar os dez primeiros nomes.

Dia 21 de maio de 2002 oficialmente apresentada e o silêncio foi substituído pela efusiva saudação para e pela Academia Mourãoense de Letras, pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces, dizer do Machado de Assis. Naquela noite jubilosa todos os segmentos da sociedade mourãoense ocuparam todas as poltronas do Teatro Municipal, no uníssono aplauso de reconhecimento legítimo na posse dos primeiros integrantes fundadores da Academia.

A AML é uma moça com características próprias da juventude, como rebeldia, senso crítico, valendo-se da palavra oral e escrita, cultura e educação projetadas na comunhão que ela protagoniza. No intenso o percurso de coesão e ela vem adquirindo maturidade, o viço que é próprio da literatura, demonstrando efetivamente toda a capacidade para seguir adiante, sempre em defesa e na promoção do patrimônio material e imaterial da cultura. Aliás, em um único instante sequer, existiu qualquer dúvida que a Academia seria forte, essencial no ser e no produzir nossa obra maior, o espírito latente da criação humana de todas as artes.

quase duas décadas, a Academia incluiu novos membros e que, bem-vindos e vindos para o bem, asseguram união, solidez e dinâmica, atualmente são 40 acadêmicos. Personalidades que, mantendo a singularidade, ao mesmo tempo todos compõem o somatório de um ambiente de reflexão, de todos os ângulos de saberes, mantendo-se o respeito libertário mútuo, em renovar a contribuição da AML no desenvolvimento humano.

Fases de Fazer Frases (I)

Uma palavra não leva outra, uma palavra traz outra.

Fases de Fazer Frases (II)

Imaginação costuma flertar com a ilusão, mas ilusão é achar que ninguém imagina.

Fases de Fazer Frases (III)

Entre cada passo da vida há espaço em vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Foi o atual que enviou para a Assembleia Legislativa e ela aprovou: os futuros governadores do Paraná não terão mais direito de se aposentar e receber mais de 30 mil reais por mês.

Os que recebem tais proventos, inclusive muitos deles sem terem contribuído ao longo da vida, continuam sossegados. Dois têm idade avançada, Emílio Gomes, 93 anos e Paulo Pimentel, 91. Por terem assumido só seis meses, então vices, recebem como aposentados Mário Pereira e Orlando Pessuti. A ex-governadora Cida Borgueti requereu a aposentadoria. O governador Ratinho declarou que não concederá a ela tal benefício.

Fiapo e Ferpa

O presidente Jair Bolsonaro detém nível, baixo, verbal de xingamento. Cortou recursos no orçamento da educação. O dele, não. Não se corta o que não tem.

Reminiscências em Preto e Branco

Não é o novo que contrasta o antigo, é o velho que o constata.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Mãe

Um princípio, instinto maternal bem antes de se tornar mãe.

Uma origem, fecundidade a brotar no coração.

Uma fertilidade, germinar no ventre venturoso.

Uma concepção, amor.

Uma esperança, nascer.

Uma luz, vida.

Um gesto, carinho.

Uma canção, ninar.

Um sono, reparador após o filho dormir.

Um sentimento, doce amar.

Um olhar, enxergar além do horizonte.

Uma palavra, entusiasmo.

Uma lágrima, de tristeza ou alegria, sempre autênticas.

Um afago, conforto e proteção.

Um jeito de ser, braços e coração abertos.

Uma aflição, passageira agonia, substituída pela esperança.

Uma solidão, finita, sabe que o filho retorna.

Uma amizade, verdadeira e reparadora.

Uma devoção, nunca medindo esforços.

Um orgulho, a emoção como razão de ser.

Uma liberdade, não se pode nunca prendê-la, a não ser do filho que a liberta.

Uma sensibilidade, a de perceber tudo e a todos.

Uma satisfação, por pequena que pareça, a coloca em êxtase.

Um medo, o próprio, de não encontrar forças, embora saiba, a fé não a deixará sem energia.

Um perdão, todos os que sejam sinceros, decentes e justos.

Uma consciência, equilibrada e sábia.

Uma história, de incontáveis exemplos.

Uma crença, um mundo melhor.

Um sonho, não propriamente o seu, mas o que sonham os seus filhos.

Uma direção, sempre ao encontro deles.

Um obstáculo, todos hão de serem vencidos com altivez e tenacidade.

Um tempo, todos os instantes do criar e recriar a vida.

Um lugar, que nele exista espaço harmônico, a paz.

Um dia, qualquer clima, o que importa é viver, descobrindo-o num encontro consigo mesma.

Uma flor, todos os jardins.

Uma cor, o brilho de todas elas.

Um objetivo, nada lhe pertence, pronto para ser dado a quem dele precisar.

Uma homenagem, todas, o sentido humano: verdadeiro, elevado, puro e imorredouro.

Uma condição: gerar vidas que nunca inteiramente dela se desprenderão.

Uma vida, a dos filhos que é a dela como se fosse una, unida na ternura eterna.

Uma ser, não existe a melhor mãe do mundo: a mãe sempre é quem torna o mundo melhor.

Reminiscências em Preto e Branco

O Artigo principal, homenagem as mães, tem pelo menos 20 anos que é (re) publicado. Quando saiu pela primeira vez, o tempo passou até próximo ao novo dia de comemoração, e uma senhora ao telefone me pede que eu publicasse o referido texto. Assim foi feito, durante muitos anos ela ligava e pedia, sempre agradecendo enfaticamente. O tempo continuou a passar, mas a anônima senhora não mais ligou. Ainda assim, é como se ela ligasse para fazer o mesmo pedido, novamente aceito.

Mãe seria mais um entre tantos textos esquecidos.

Não é, evidentemente pelo conteúdo, embora também o seja, mas sim primeiramente pelo significado e circunstâncias.

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José Eugênio Maciel | [email protected]