José Eugênio Maciel
Eu ministro a balbúrdia

EU MINISTRO A BALBÚRDIA

Aqueles que impedem as revoluções pacíficas preparam as revoluções sangrentas

John F. Kennedy

            Sem respeitar a autonomia das universidades e sem considerar outro preceito constitucional  inerente à Administração Pública, - o princípio da impessoalidade – o ministro da educação  Abraham Weintraub cortou 30% das verbas de algumas universidades, alegando que elas devem promover a produção científica séria, e não criar a balbúrdia.

            Segundo dicionários, balbúrdia é algazarra, vozerio da multidão, desordem barulhenta, trapalhada. O ministro Abraham, economista que sempre atuou no setor privado, de há muito que não pisa em uma sala de aula, para dar aula, está agradando o presidente. Ambos têm aspectos comuns, exercem cargos sem norte, projeto de ação, metas. O ministro até agora demonstrou imenso despreparo para conduzir a pasta.

            Não só as universidades, mas todos os estabelecimentos de ensino devem promover ampla e democraticamente o livre exercício do pensamento. A produção acadêmica tem que ser sempre  engendrada na idealização libertária. Universidades não são casernas. Até mesmo as ciências exatas ainda que sejam precisas, são e devem ser alvos da reflexão por se destinarem às estruturas e relações sociais próprias do processo civilizatório. O conhecimento virá, de um modo ou de outro, atrelado ao uso dele, também ético. 

            A única surpresa do atual  ministro Abraham é que ele vai se igualando – talvez para ficar pior – com o antecessor Ricardo Velez Rodriguez, aquele que tinha determinado que todas as escolas do Brasil gravassem o canto do Hino Nacional e enviassem para ele.

            O anterior tinha problemas de gestação e o de agora é de congestão.

Fases de Fazer Frases (I)

            Atos geram fatos. Nem sempre fatos geram atos.

Fases de Fazer Frases (II)

            Ações geram consequências. Nem sempre consequências geram ações.

Fases de Fazer Frases (III)

            Tudo leva a crer que crer não é tudo.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O que se crê se cria. A cria é ação: criação.

Fases de Fazer Frases (V)

            Quem tem muito, pouco mostra.

            Quem tem muito pouco, mostra.

            Quem não tem nada mostra tudo?

Fases de Fazer Frases (VI)

            Quem acha que tudo é coisa já se tornou objeto.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Dois órgãos públicos existentes em Campo Mourão há muito são péssimos exemplos quando a questão é calçada. Aliás, a calçada de um se liga a do outro. Fora de padrão e antigas as calçadas comprometem o caminho dos pedestres. Uma calçada é a da agência do INSS e a outra a do IML e Delegacia, ambas na avenida de Manoel Mendes de Camargo. Governos federal e estadual  respectivamente são péssimos exemplos.        

            E o Governo municipal já cobrou a construção de calçada dentro dos padrões? Já multou?  

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Ainda sobre as calçadas, o bispo de Campo Mourão Dom Bruno Elizeu Versari quando assumiu apontou o problema das calçadas. Mas também o chamado Palácio Episcopal não é exemplo positivo, a calçada da avenida Irmãos Pereira não está toda ela dentro do padrão. Na rua Santa Catarina se o bispo caminhar a pé e chegar até a sede da Copel, lá ele terá o exemplo, a calçada da referida empresa pública estadual está dentro das normas.

Fiapo e Ferpa (I)

            Tantos assuntos para comentar….tem que ser a entrevista do Lula ou a agressão do Neymar?

Fiapo e Ferpa (II)

            O que andam fazendo os senadores do Paraná? Se é que estão.      

Reminiscências em Preto e Branco

            Quando a lembrança foge, vai repousar na memória antiga.

            E quando vem à tona, torna a recordação refúgio presente, mergulho no passado.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Decretado fim do Doutor e da Excelência

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

Oswald de Andrade – Pronominais

            Promover a desburocratização no tratamento e de eliminar barreiras que criam distinção entre agentes públicos no âmbito do Poder Executivo, diz a nota sobre o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. A medida – assinada no último dia 12, começa a vigorar em maio, válida apenas no Poder Executivo – põe fim aos pronomes Excelentíssimo, Doutor, Vossa Senhoria, Vossa Magnificência, Ilustríssimo, Digníssimo, Respeitável.

            Tais tratamentos existem desde o Império e até agora mantidos no regime republicano. Foi Dom Pedro I que instituiu o tratamento doutor em referência a médico e advogado. Não por acaso, o ato do monarca foi assinado no 11 de agosto de 1827, dia do advogado. O hábito é arraigado nesse longo tempo, advogados, médicos, autoridades assim tratados, doutores.

            São muitos e principalmente acadêmicos que reagem contrariamente, não aceitam usar o pronome doutor para quem não defendeu teste alguma de doutorado.

            Outro decreto, do então presidente Fernando Henrique Cardoso, aboliu o muito digno/digníssimo, bastando o nome da pessoa e o cargo ocupado por ela, decisão coerente, já que o ocupante do cargo é digno dele, até prova em contrário. 

            Respeito hierárquico não se dá só pelo pronome, mas como a administração pública é formal, o decreto é indispensável, mesmo que possam perdurarem práticas de subalternidade.

            É inegável que tratamentos se estabelecem no uso comum e tem a ver com classe ou posição sociais. Alguém que atua em algum meio de comunicação logo é chamado de jornalista, quem escreve vez ou outra e até lança um livro vira escritor. Professor ou mestre sem tem aos montes, em qualquer esquina.

            A irreverência crítica do grande Oswald Andrade quanto a pronomes, logo abaixo do título hoje, certeiramente valoriza o modo e o conteúdo do tratamento pronominal, que não deixa de ser também bajulador, cada qual a seu modo.

Fases de Fazer Frases (I)

            Toda descendência importa decência.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não se cultiva esperança sem sonho.

Fases de Fazer Frases (III)

             Mastigar a verdade é melhor do que engoli-la?

Fases de Fazer Frases (IV)

            Caso falte coragem para expulsar o medo, não tenha medo em aceitá-lo.    

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Em proveito do tema principal da Coluna hoje, um reitor, que se intitula marxista, corrigiu um acadêmico que o chamou apenas reitor, no mesmo instante advertido: magnífico! Igualdade no caso é mero discurso socialista.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Enfim será posto semáforo à entrada do Lar Paraná, Campo Mourão: Sinal dos Tempos.

Caixa Pós-Tal

            O Baú do Luizinho, conceituado Blogue mourãoense, colocou na íntegra e agradeceu o texto principal da Coluna anterior – CAIXINHA, SÓ PODIA SER DELE, BELO – homenagem ao pai dele, falecido em março. No Blogue tem o registro fotográfico da família reunida, imagem sintetizadora de fraternidade deles todos. Não carecia agradecer.

Reminiscências em Preto e Branco

            Também em proveito do tema que abre a Coluna, indo ao tempo do império, os que nunca sequer tinham visto uma escola, nas senzalas escravos simplificaram o tratamento de senhor, senhora, diziam de modo simples, tão subserviente quanto doce, sinhá, sinhô.

            Né não, seu dotô?

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Caixinha, só podia ser dele, belo!

Todo narrador de futebol dá destaque quando um craque ‘mata’ a bola no peito, baixa na coxa e coloca na grama, com classe. Alguns narravam: bela matada na ‘caixa’… amansou a redonda, chutouu eeee gooolllllllll!

Wille Bathke Jr.

Aplausos dos jogadores e das arquibancadas. Sempre a sorrir, vibrar com a vida. Ele acena para todos, abraça antes de descer as escadas do túnel e vestiário. Não irá mais regressar. A homenagem se estende, no turno oposto, campo, arquibancada e coração vazios. Fim da partida. A partida para o fim. Último jogo, 20 de março. Apito final.

Moacyr Franco compôs e lindamente interpreta música em homenagem ao Mané Garrincha (Balada nº7), … O velho atleta recorda as jogadas felizes. Ainda na rede balança seu último gol (…). Apelidado de Caixinha devido a forma peculiar de dominar a bola, encaixá-la no peito, dando a ela destino certo, passe preciso, o gol com categoria ou simplicidade, onde tem futebol, faça chuva ou sol, estou dentro, é só me chamar, frisava ele. Essencial na biografia de Irineu Ferreira Lima é o futebol, paulista nascido em Mirassol, 1937, 20 de novembro. Aportou em Campo Mourão em 1958, pioneiro notável. À época e até 2010 laborou na Auto Elétrica e Auto Peças Paulista, uma das mais antigas e tradicionais empresas, proprietário e dinâmico trabalhador, sempre assegurando a família dignidade repleta de ensinanças como o caráter e o respeito. Desde cedo e frequentemente até tarde, trabalhava arduamente para atender a numerosa clientela, mesmo fôlego para o futebol.

As grandes jogadas do craque tão bem espelhadas no sorriso, abraço fraternal, bom humor e simpatia, a enorme torcida orgulhosa dele foi sempre a família, da saudosa esposa Sallime, os filhos Luizinho, Walmir, Wander, Walcir e Willian, desportistas que herdaram dos pais a lealdade dentro do campo, quadras, profissão, na vida em todos os seus papéis.

sempre lembrado com carinho nesta terra amada por ele, da linda família, amigos, lugar ajudou a crescer, desde só barro ou poeira vermelha. Homem íntegro, humilde. Rumou ao azul infinito do céu, a abraçar a saudosa companheira de sempre e jogar, espetáculo.

Fases de Fazer Frases

Pode-se. Pode ser. Por ser. Ser como pode.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Fórum debaterá o trânsito de Campo Mourão. A estrutura urbana não comporta mais o tráfego intenso. De um lado é preciso adequar as vias, de outro a infração dos condutores e pedestres causadores de acidentes, com mortes e invalidez. Para não generalizar, tem bons mourãoenses no trânsito. Não demorará chegaremos a 70 mil veículos este ano.

Caixa Pós-Tal

DOUTOR FERNANDO, A FALA COM OS OLHOS, Coluna anterior, repercutiu por causa da pessoa muito querida, motivou muitos comentários pelas redes sociais e diretamente neste espaço. Lindíssima, emocionante!!!. Com certeza acalenta um pouquinho o coração da família que recebe uma linda homenagem dessa!!!, escreveu Patrícia Agulhon Romanello. Linda mesmo, Aline Isolani, compartilhada no mesmo sentido pela Simone, da Confraria sem nome: linda homenagem do Maciel. E de Gilberto Scipioni: Belíssimas palavras sobre o Fernando, tive a oportunidade de conviver com ele, como amigo, por mais de 20 anos, e tudo que foi dito sobre ele é simplesmente a verdade, perdemos o amigo, perdemos o cidadão exemplar, perdemos o profissional competente, grande perda.

Farpa e Fiapo

Embora não sejam todos, é grande o número de estudantes que não esquecem de trazer e colocar na carteira o celular, o telefone não é material escolar. E o livro? Me livro.

Reminiscências em Preto e Branco – Aldacy Luzia Almeida Baldini

Foi a professora da sala de aula. A professora dos filhos e netos. Professou a vida inspirada e inspiradora na bem querência pelo próximo, a crer nele como aprendiz e sabedor, nas letras e nas contas. Conhecia e bem aplicava técnicas do ensino e aprendizagem ilustrada no potencial e habilidades de cada ser humano. Ela tinha 71 anos, uma vida bem vivida, mesmo com as vicissitudes inerentes a trajetória de cada um.

Quando fui secretário da educação de Campo Mourão ela foi diretora da Escola Municipal Bento Mossurunga, desempenhou tal função estimulando e propiciando o diálogo aberto com professores, servidores, pais e comunidade escolar. Pude comprovar inúmeras vezes o quanto ela era querida. Tendo se aposentado, fui visitá-la, dialogamos sobre educação. Serenidade e sabedoria, qualidades que tinha, entre tantas, legado exemplar digno. Aldacy é saudade, dia 13 de abril.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Doutor Fernando, a fala dos olhos

Não sabemos da alma senão da nossa; As dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança no fundo

Fernando Pessoa

A profissão era olhar clínico, preciso da ciência oftalmológica. Sempre atento e meticuloso. Era mais paciente do que qualquer um dos seus pacientes, atendia todos com esmero, exame, diagnóstico e com fundamentadas prescrições. Afeito a profissão, consequentemente tendo pelo ser humano singular apreço, eu testemunho por ser paciente de muitos anos.

A dedicação aos estudos e inteligência na juventude eram conhecidas no Colégio Estadual Campo Mourão, (década de 70) correspondeu o que dele se esperava. Em 1988 formou-se médico em Passo Fundo (RS) e posteriormente, no mesmo Rio Grande, capital, fez especialização.

Família tradicional muito querida, (pais Segismundo e Odirce) Campo Mourão fora sempre berço dele e morada, ambiente a idealizar, realizar a vida em sua plenitude. Da descendência originária e a que formou, os filhos Bruno, Lucas, Vinícius e Maria Fernanda, lugar de sempre, dos amigos que bem soube cativar.

Sem vaidade a angariar honra ao mérito. preocupava-se em agir para o bem da comunidade. Entre tantos e variados registros de ricos exemplos, muitos deles rememorados durante o velório, relato o que vivenciei. É sobre o trabalho social que ele realizou. Eu era secretário municipal de educação e cultura de Campo Mourão, pedi e ele prontamente aceitou com entusiasmo. Era para ele examinar todas as crianças e adolescentes das escolas municipais. Providenciamos, com o respaldo de outro secretário, Milton Mader Bittencourt, da saúde, a compra de equipamentos completos e modernos instalados no Centro Social Urbano.

O grande e inestimável trabalho jamais saiu da minha lembrança e sempre que encontrávamos eu fazia reverência a enaltecê-lo. Atendeu a todas aquelas crianças humildes com enorme carinho como se fossem filhos dele, com afeto e dignidade.

Maior que maçonarias, clubes de serviço, mais elevado que a medicina, foi esteio e inspiração familiares. Grandioso ante a uma plêiade de amigos, de infância e do hoje.

Entardecer do sábado caia na medida que a madrugada dominical eram silêncio que teve ao fundo o som do choro profundo da cidade inteira. Ela se reuniu a velar o doutor Fernando, filho desta terra, dos pioneiros, da família que formou, filhos, esposa, irmãos, amados.

Olhava para para nossos olhos com acuidade de quem vê mais que o clínico, enxergava o ser humano, tendo tratado a todos com profusão sapiente e de presteza na linda profissão, mais bela devido a seu esmero. Ele foi vencido no último sábado, dia seis, por uma leucemia…, dizeres do amigo dele e nosso, Luiz Ferreira Lima.

O pranto dos filhos, da querida esposa Tatiane e dos irmãos, é saudade espalmada a nos abraçar no luto, do legado de luz da radiante vida. Receba, doutor Fernando Dlugosz, todos os aplausos ao mesmo tempo na fusão com o silêncio que palavra alguma pode adequadamente manifestar, mas que será cravada na história e memória nossa.

Fases de Fazer Frases

Fica o que é deixado, e não o que não se pode levar.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Escolher ministro deve ter critério interesse público e preparo do indicado. O agora ex-ministro Velez Rodriguez é um ignorante de gestão educacional, como o presidente. A principal ideia foi, todas as escolas enviassem gravação do canto Hino Nacional.

Farpa e Ferpa

Uma mãe, revoltada, foi até um colégio de Campina da Lagoa, para discutir com a professora da filha dela. É que a menina não quis guardar o celular durante a aplicação de uma prova, foi preciso chamar a Polícia Militar, noticiou a Coluna do Ely. Com prova ou não, celular não é material escolar. Quem deveria acompanhar a PM só a mãe. Nota 10 para a professora. Ely foi feliz no título da notícia: O Exemplo começa em casa.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Leitor assíduo, Fernando Dlugosz, texto principal da Coluna hoje, me enviou cumprimentos quando escrevi sobre o andarilho Jorel, então zombado por muitas pessoas. Fernando concordou ser ato desumano e covarde. Publiquei e agradeci à época o comentário.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Tempo que não se faz é sem tempo que tanto faz.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Seu nome é também o seu lugar

Sem identidade não se é. E a gente tem que ser, isso é que é importante. Mas a identidade obriga

depois à dignidade. Sem identidade não há dignidade, sem dignidade não há identidade, sem

estas duas não há liberdade. A liberdade impõe, logo de começo, o respeito pelo próximo.

Isto pode explicar um pouco os limites da própria vida.

Manoel Oliveira

Por ter trocado de veículo, tive que colocar a nova placa. Uma perda de identidade. Não se trata da estética da placa em si. A questão é que nela não tem mais o nome do município e do estado, ou seja, não mais sou identificado como sendo de Campo Mourão e do Paraná.

O assunto não é novo mas não envelheceu e cabe outra reflexão atual. O campeonato paranaense de futebol, transmissão na tv pela RPC-Rede Globo. Teve vezes que a exibição das partidas terminava sem mostrar todos os gols dos demais jogos, o resultado das partidas e a tabela de classificação, tudo para transmitirem campeonatos carioca ou paulista. E o nosso Paraná?

Nossa identidade, quando aparece, não significa conter o brilho necessário. Porém, tem quem enfatize com orgulho a identidade que possui. No próprio campeonato de futebol dois bons exemplos estão em Cascavel e nos servem de lição. A cidade possui dois times na primeira divisão, e os dois levam o nome de Cascavel. Um é o Futebol Clube e o outro o Clube de Futebol Recreativo.

Deixar de lado o nome do lugar é horrível quando homenageiam times de futebol famosos e até estrangeiros, do tipo River Pleite, Botafogo da Paraíba, Flamengo da Piauí e por aí vai. Já tivemos outra estupidez ainda maior, aqui manifestada, o extinto J. Maluceli que passou a se chamar Corinthians do Paraná, tendo ganhado apelido Timãozinho. A bobagem durou tão pouco.

quando continuaremos ser paranaenses sem identidade do Paraná? Para começar, não se envergonhando desta terra e não aceitar mais nomes sem vínculo concreto com nosso território.

Fases de Fazer Frases

Se se diz o que se diz. Diz-se se se diz.

Olhos, Vistos do Cotidiano

O Brasil é ricamente pobre e pobremente rico, repito a frase deste escrevinhador aqui. A vizinha Rancho Alegre do Oeste é exemplo: um milhão de reais é o cálculo de autoridades quanto ao dinheiro do esquema de falsificação de identidades, noticiou esta Tribuna, dia dois. Imagina se o que poderia ser feito pela prefeitura na educação ou saúde, por exemplo?

Caixa Pós-Tal

Hoje eu moro em São Paulo, capital. Tenho saudades de Campo Mourão de ter comido gabiroba. Como escreveu você, Maciel, ‘saborear’ a frutinha deliciosa’. Saboreei também seu texto. Não sou mais de Campo Mourão, só tenho uns poucos parentes aí, vivi aí minha na infância. Maria Vitória Gonçalves.

Prof. Maciel. Muito boa a ‘Face que é feice’. Parabéns, abraços (…). Marcos Lopes. Peabiru. Grato aos dois caros leitores pelas mensagens sobre a Coluna anterior.

Fiapo e Ferpa

A concessionária no Paraná Viapar fez acordo e vai depositar nos cofres públicos 500 milhões, ao reconhecer repassa ilegal de dinheiro. E o ex-governador Beto Richa, solto quinta anterior, alega inocente. Os 500 milhões seriam doação, agora para o Erário, otário?

Reminiscências em Preto e Branco

Na próxima semana (dia 10 de abril) o Câmpus Campo Mourão completa 24 anos. Muitas pessoas que veem a estrutura do Câmpus hoje não sabem que tudo começou dentro do Ginásio, com instalações improvisadas (e que o professor China e a professora Claudete já estavam por aqui. Parabéns, UTFPR-CAM! Utfcm24anos. Texto postado dia três. Os professores Claudete e China fazem parte dos primeiros passos da materialização da UTFPR de Campo Mourão, então CEFET.

Me intrometo na bela história porque dela faço parte. Fui secretário da educação mourãoense, desencadenado – logicamente não sozinho mas com todo o respaldo do então prefeito e vice do Município Rubens Bueno e Tauillo – a doação do Ginásio Belim Carolo à União para viabilizar a referida Universidade. Depois do improviso, tudo se organizou até chegar na atual estrutura, que continua a crescer solidamente.

Outro detalhe importante: os primeiros anos, também para viabilizar a hoje UTFPR, o Município de Campo Mourão é que pagou toda a folha de servidores contratada pela União, até que ela tivesse autorização legal para concurso público. O Tribunal de Contas chegou a implicar com a prefeitura, ele estranhou o elevado valor das despesas. Pude escrever em resposta, despesas, não!. Investimento! Parabéns CEFET-UFTPR!

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Comeu gabiroba?

Saudade da infância
De terra na mão
Brincadeira de roda
Correr na rua
Pés descalços
Birra pro banho
Muita bagunça
Pouca importância
Nenhuma preocupação

 Karlene Magalhães

            Ela é miúda e saborosa. Existe principalmente no cerrado brasileiro. Também é nativa de Campo Mourão. Presente no nosso cerrado, outrora com grandes áreas que foram cedendo lugar para a expansão urbana bem como a lavoura.

            Mais do que ter por aqui e na região, a gabiroba era fácil de encontrar, os pés estavam sempre carregados. O sabor da frutinha varia entre doce e ardidinha.

            Gabiroba foi o gosto de aventura dos adultos que caçavam pombinhas e outros pássaros, aventura dos meninos, embrenhando-se nas densas matas, cerrados ou não para logo saboreá-las aos montes.

            A grandeza territorial faz florescer abundantemente a fala e denominações, e gabiroba é como a frutinha é conhecida aqui. Já guabiroba e guavira é como são chamadas em outras regiões brasileiras. Além de alimentar, alternando variações de sabores doce/amargo, o sol do cerrado determina tal condição, como a cor aparente, amarelo rústico. Todas elas são comestíveis, servindo também para fins medicinais, segundo índios e caboclos sertanejos.

            Se o caro leitor já comeu gabiroba aqui é com certeza um mourãoense legítimo! É ou tem contato com a história de Campo Mourão. Ser comedor de gabiroba, por apreciar a frutinha, apanhando no pé, e, no seu derredor, mastigá-la.

            Comparando com o ser paranaense, quem o é tem como prova o gostar do pinhão e admirar a beleza da árvore araucária. Aqui já escrevi sobre o ser e modo de comprovar quem é parananense legítimo: o que carrega no coração a beleza do nosso pinheiro nativo e altivo, a imponente Araucária. (dispensa-se exclamação).

            É verdade que existem outros bons mourãoenses, mas o legítimo mourãoense é o comedor de gabiroba.

Fases de Fazer Frases (I)

            Quem dá de bom grado bem recebe agrado.

Fases de Fazer Frases (II)

            Qualquer palavra serve para quem não diz nada: silêncio.   

Fases de Fazer Frases (III)

            Resta a réstia, feixe de luz da fresta do ontem, tênua do entardecer.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Basta noticiarem sobre pagamento de impostos como IPTU, e não falta quem se refira as condições de pagamento. Aí surge, o cota única. Assim como não está certo parcela única, tanto uma quanto a outra não pode ser única. Não é a primeira nem será a última vez que o erro é aqui apontado.

Farpa e Fiapo (I)

            Quando uma língua estrangeira contamina a nossa, a identidade brasileira perde espaço. Facebook é abreviado para Face, (o som de feice). Ao ler um texto extraído de jornal, o título era A Face do Povo Brasileiro, mas o dito estudante leu A Feice do Povo Brasileiro. 

Farpa e Fiapo (II)

            Por maiores que sejam os cargos que ocupam, posições em nível nacional, Bolsonaro e Maia , presidente da república e da Câmara, conseguem se apequenar, tornam-se mutuamente minúsculos e esbugalhados, quando brigam e quando se apazíguam.

Reminiscências em Preto e Branco

            Saudade é como um pouco de fome: só passa quando se come a presença. A escritora, jornalista, poetisa oferece, com a frase acima, uma reflexão sobre a saudade e como nos colocamos diante dela. Em tempos recentes de tantas perdas importantes para a nossa cidade, com fome ou não, engolimos a realidade da perda sem desejá-la presente.

Reminiscências em Preto e Branco – Há 30 anos

            Quando do primeiro texto desta Coluna, há 30 anos, este Jornal só tinha uma única edição, semanal, aos domingos. Não tinha sede própria nem parque gráfico. Foram e são pioneiros os primeiros passos, primeiras jornadas desta Tribuna do Interior.

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Frases 2018, zelas por elas (final)

Deve-se antes escolher as palavras, ou primeiro medi-las?

Palavras são a medida do peso das escolhas.

41 Se o caminho for errado não adianta andar direito.

42 Todo escândalo é espetacular mas nem todo espetáculo escandaliza.

43 O andante ambulante é abundante de andar.

44 O mais gosta do menos. Mas o menos não gosta mais do mais.

45 A melhor roupa para a melhor ocasião é a que poderá ser tirada.

46 O sentido duplo duplamente faz sentido?

47 Só não perde a vergonha quem nunca a teve.

48 A paz depende da guerra que pode ser evitada. /A paz depende da guerra que pode ser ganhada. /A paz depende o que se faz dela.

49 O barco a deriva. /O bar deriva. /O arco abarca. /O barco arca.

50 São palavras que se parecem sem desaparecerem.

51 Perda maior de tempo é do tempo que não existia.

52 Prever o futuro é mais fácil do que ver o passado.

53. E o paradeiro do padeiro que toca pandeiro?54 Ouvir. /Ou vir. / Vir ou vir. /Vim ver. /Viver. /Com viver. /Conviver o que convier. / Conviver é convir com o que vier.

54. Palavras floridas demais lembram as belas flores de plásticos.

55 A ênfase não está em colocar ponto de exclamação após a palavra, no final do texto. É exclamar com palavras, afinal.

56. O tempo ensina bem mais do que todas as horas.

57. Maior precaução que tomar cuidado é engoli-lo.

58. Nem todo rude é rudimentar: elementar.

59 Encarregado do gado dá o recado, todo gado foi carregado sem escorregado.

60.Entre ver e antever, importa é antever.

61 O infinito do ser humano é o humano ser até na finitude.

62. Do ponto a ponto pontuo, afinal, o ponto final é finado?

63 Velhas verdades, inofensivas ante as novas, porque as antigas se conhecem.

64 Não existe uma só palavra, seus significados a tornam plurais.

65 Não se encerra com a última palavra. É com o último ponto.

66. O prolixo sempre tem palavras a mais, sem achá-las demais.

67 Não ter o que fazer é ter-se por fazer nada.

68 Pode ser calada a voz, mais ela ecoa no tempo, memória.

69 Analise a análise: questão de acentuar.

70 Tudo tende a tudo. Tudo tem de tudo.

71 Nem tudo que sobra é demais. É a mais.

72 Rir dos outros é fácil. Engraçado mesmo é saber rir de si mesmo.

73 Partindo do pressuposto que nem tudo é posto, o suposto é parte.

74 O leito do leitor não é o mesmo leito do eleito.

75. Bem cabe o que é justo. Nada cabe ao injusto a não ser o próprio aperto.

76. Cada falso com o seu cadafalso.

77 A verdadeira vergonha não verga. Oque verga é a sem-vergonha.

78 Sentimento maior não é o que se engrandece,é o que agradece.

79 Nem sempre o passado é distante, nossa remota memória.

80 Uma vaga impressão….impressiona vaga mente.

81 Palavras colho. /Palavras recolho. /Palavra olho.

82 Insinuar/Ensina o ar?/Em si no ar/Ensinares: ares.

83 Deve-se antes escolher as palavras, ou primeiro medi-las? Palavras são a medida do peso das escolhas.

84 Cuido para cortar palavras que pode me cortar.

85 Sem beijo sobejo é lampejo, sem pejo que não vejo: desejo.

86 Entre o útil e o agradável, prefira o útil que poderá agradar-se.

87. Em briga de diplomatas a elegância nunca perde.

88 Em briga de muitos obesos não tem como sair de fininho.

89 Em briga de lavadeira lava a roupa quem é trouxa.

Frases 2018, zelas por elas (I)

Sentido das palavras. Sentindo as palavras. O que tem sentido? Palavras.

(JEM)

            É costume a primeira Coluna do ano com todas as frases do ano passado reunidas a partir de hoje. Em 2018 o total: 89. O número foi menor e interrompeu a sequência crescente dos últimos anos. Em 2011 ao iniciar tal hábito, total das frases: 36. Em 2012: 104; 2013:106; 2014:108; 2015:113; 2016:109; 2017:115. O número menor de Frases se deve as faltas do escrevinhador. São 41 Colunas, com destaque os 30 anos de vida, 10 de julho. São 2091 textos em três décadas.

            Seguem as Fases de Fazer Frases, hoje são 40:

1. A vaidade mais invejada é a do vaidoso dependente dela.

2. Quem esquece de tomar remédio para a memória é porque ele não é bom. Nem ela.

3. Mãe sempre tem razão! A razão é o nome dela.

4. O sábio não ignora a falta de conhecimento. Ele aprende com ela.

5. O calado tem bom gosto. Por não abrir a boca.

6. Opostos são elo do duelo. O oposto.

7. O começo do infinito é só o início do fim.

8. Esteticamente a beleza não é estaticamente bela.

9. Tempo passado não cura presente. Tempo presente cura futuro.

10. Sentido das palavras. Sentindo as palavras. O que tem sentido? Palavras.

11. Cercar-se de todas as certezas é deixar escapar a ousadia.

12. O pior vazio é precedido pela inutilidade.

13. Espero que a espera não se exaspere.

14. Fujo do tempo fungível.

      Finjo ser fungível a tempo.

      Há tempo finjo fugir.

Fulgir a tempo de fingir.

Foge de mim o tempo que funge.

Forja-me o tempo fingido, fungível, fugidio.

15. Quem não larga a vida tem uma vida segura.

16. A indiferença é o tênue do esquecimento.

17. Vale tudo quando nada tem valor?

18. Deixe-se ver para poder olhar dentro de si.

19. Deixe-se olhar para poder ver fora de si.

20. O Supremo é para suprimir?

      O Supremo é para suprir?

      O que o Supremo supre no Supremo?

      Se o Supremo tiver  que suprimir, não seja ele suprimido.

      Seja o Supremo premido para ser e guardar a Constituição.

21. Não basta olhar para dentro de si. É preciso nosso próprio e o olhar alheio.

22. Seria séria a sereia?

      Seria a sereia que ria?

      Ia e ria a sereia.

23. Se infinita a bondade, eterna é a gratidão.

24. São poucos os muitos? São muitos os poucos? Tudo é muito pouco. E pouco o muito.

25 O caráter de uma multidão é não ter uma personalidade individual.

26. Não dê efeito a defeito.

27. O silêncio do ruído, o que ruiu em silêncio.

28. O tempo vencido não derrota o futuro.

29. O senhor do tempo não usa relógio.

30. A desordem é a ordem invertida.

31  Atribulado. A tribo ao lado.

      Atributo. Trio bruto.

      Atribuição. A tribo em ação.

      Tributo ao bruto.

32. Dividir o tempo com pessoas é somar amizades.

33. É preferível repetir o erro a ter que cometer erro maior.

34. Tenha tempo. Não detenha o tempo.

35. Quem se prende ao medo liberta para dentro de si a covardia.

36. Tudo faz sentido quando não existe indiferença.

37. Toda vontade é desejo. Nem todo desejo  é vontade.

38. Acúmulo do cúmulo é acumular? cumular?

39. Vida é miragem, viagem, passagem, paragem.

40. Quando a preguiça dá trabalho, atrapalha o descanso.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Remanescer e nascer

Quero nascer de novo cada dia que nasce. Quero ser outra vez novo, puro, cristalino.

Quero lavar-me, cada manhã, do homem velo, da poeira velha, das palavras gastas

dos gestos rituais. Quero reviver a primeira manhã da criação, o primeiro abrir

dos olhos para a vida. Quero que cada manhã, a alma desabroche do sono

como a rosa do botão, e surja, como a aurora do oceano, ao sorriso dos

teus lábios, ao gesto de tua mão. Quero me engrinaldar para a festa

renovada com que cada dia nos convidas e desdobrar as asas como

águia em demanda do sol. Quero crer, a cada nova aurora, que

esta é a definitiva, a do encontro com a felicidade, a da

permanência assegurada, a de teu sim definitivo.

Chico Xavier 

            Troca do tempo passado e presente pelo que virá. Horas, dias por novo amanhecer.

            Dos sonhos realizados, revezes e dos adiados por novas aspirações repletas de esperança.

            Troca de roupa vestida ou em desuso, pelos tecidos com novas costuras.

            Das palavras, adjetivos, por conteúdo original e endereçado a novos destinatários.

            Troca as antigas canções por melodias que adentrem os ouvidos pela primeira vez.

            Os vícios, velhas tradições por hábitos que cultivem prazeres nunca antes sentidos.

            Troca do último dia, do último mês e este ano, do calendário pelo 2019.

            Desprenda do que não tem retorno e deixe-o rumar ao fim, pelo abraçar do bem-vindo. 

            Troca do remediar sem cura pelo que dê vida intensa ainda que desprovida da perenidade.

            Das estradas sem rumos e prumos, pelos novos horizontes, com passos mais firmes.

            Troca das luzes alucinantes das telas do computador e celular, pelas cores do arco ires. 

            Das noites sem sono pelo adormecer no chão da varanda ou do sofá com sonhos.

            Troca entre amigos, conquistando-os com laços mais fortes de respeito e devoção.

            Dos amores se impossíveis ou unilaterais pelo amar do mergulho mútuo de ambos.

            Troca do prejulgamento pela compreensão e ponderação.

            Do que apenas somos por melhor que nos consideramos, pelo sermos melhores a tudo.

            Troca do que seja bom e belo, pelo que seja justo e digno.

Fases de Fazer Frases (I)

            Seu beijo sobejo é lampejo sem pejo que não vejo: desejo.

Fases de Fazer Frases (II)

            Entre o útil e o agradável, prefira o útil, que poderá agradar-se.

Fases de Fazer Frases (III)

            Em briga de diplomatas a elegância nunca perde.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Em briga de muitos obesos não tem como saírem de fininho.

Fases de Fazer Frases (V)

            Em briga de lavadeira lava a roupa quem é trouxa.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Tem um terreno para venda próximo ao Caique, assim escrito nos Classificados desta Tribuna, (sexta anterior). O correto é CAIC – Centro Integral à Criança. A sigla como é conhecida a Escola Municipal Florestan Fernandes, professor e grande sociólogo brasileiro. Caique é nome próprio, sem ter nada a ver com a escola de Campo Mourão.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Em alusão ao subtítulo acima, vale recordar um anúncio há muitos anos publicado no Jornal Gazeta do Povo. Lia-se: Vendem-se malas por motivo de viagem. Típico anúncio do tempo em que era comum informar o motivo da venda ou da compra. A Gazeta hoje não existe mais impressa, só página virtual.

Reminiscências em Preto e Branco

            Cercas elétricas hoje fazem parte do cenário das residências e estabelecimentos comerciais, tudo para ao menos dificultar a ação de criminosos. Antes, quando não existia essa tecnologia, era comum muros altos com cacos de vidros de garrafas na parte de cima, sem qualquer aviso, como hoje é obrigatório o alerta sobre o possível choque, claro, para evitar que pessoas de fé boa toquem sem querer, pois os arrombadores, roubadores e furtadores têm medo da casa cair, a deles.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

“Quem não é visto...”

Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida.

Bob Marley

            É um dos ditados mais conhecidos, usado. Nem precisaria completá-lo, o título hoje só tem o início. Mas se quem logo não recordar de imediato, completo: ….não é lembrado. A origem do ditado é portuguesa, veio com as naus lusitanas, ele aqui aportou e permanece.

           Estive sumido neste espaço, a Coluna não veio até a Tribuna, assim ela não saiu e aí tal ditado cabe certinho, ante o errado.

            Talvez o caro leitor nem notou a falta e já foi ler às outras seções desta Tribuna.

            Nada ocorreu que pudesse impedir de escrever, como há 30 anos. Aliás, mesmo que pareça escapismo, vem à memória o recorde da Coluna: oito anos ininterruptos sem faltar um dia sequer.

            Sem ser vista/lida, ela – e o colunista escrevinhador – foram tragados pelo esquecimento.

            Pelo visto não ser visto é ser ignorado antes de lembrado. Sem intenção da atenção à falta.

            Se a lacuna da Coluna não é notável, são elas irrelevantes.

            Nada de reclamar. De sentir frustração, pois não escrever não foi para forçar atenção.

            O escrevinhador estaria agora a escrever por escrever, marcar o retorno da Coluna sem prender atenção com a volta ou por ter saído.

            Embora quem regresse traga novidades, a volta do colunista hoje é sem elas: nada de fazer voltas com palavras sem ter o que dizer, elas e eu.

            Voltamos sem inspiração e assunto. Rapidamente chegamos ao fim com tempo ainda de transcrever outro ditado, enquanto você está vindo com o milho, eu estou voltando com o fubá.

Fases de Fazer Frases (I)

            Nem sempre o passado é distante, nossa remota memória.

Fases de Fazer Frases (II)

            Uma vaga impressão….Impressiona vaga mente.

Fases de Fazer Frases (III)

            Palavras colho.

            Palavras recolho.

            Palavras olho.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Insinuar/Ensina o ar/Em si no ar/Ensinares: ares

Fases de Fazer Frases (V)

            Deve-se antes escolher as palavras, ou primeiro medi-las?

            Palavras são a medida do peso das escolhas.

Fases de Fazer Frases (VI)

            Cuido para não cortar as palavras que podem me cortar.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Sábado passado ao caminhar no Parque do Lago constatei o quanto passou a ser importante os bancos colocados lá. Testemunhar a satisfação dos frequentadores, casal de namorados, da senhora que descansava e de algumas crianças conversando alegremente. Um detalhe, o suporte que prende os bancos no chão, logicamente para não serem furtados, vandalizados. Quem sabe um dia a educação desbanca a ignorância.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Não brigue com o relógio. Faça as pazes com o tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Fica mais bem a caveira dizer, ossos do ofício.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Fica mais bem ao sapateiro viver de sobressaltos.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Fica mais bem ao farmacêutico dizer, a vida é uma droga.

Reminiscências em Preto e Branco (IV)

            Fica mais bem ao agente funerário dizer, os preços estão pela hora da morte.

Reminiscências em Preto e Branco (V)

            Fica mais bem ao cigano a todo tempo armar barraca.

Reminiscências em Preto e Branco (VI)   

            Fica mais bem ao caro ledor não ler aqui o que é dor.          

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]