José Eugênio Maciel
SEM UM BOM DIA, O DIA NÃO É BOM?

“Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam,

de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram”.

Machado de Assis

            Independentemente da hora cronológica (ou não) que começa o seu dia, já terá recebido muitas mensagens, entre tantas outras que chegarão na tela do celular, dizeres, luzes, corres, sons, tamanho, de todos os tipos. Novas, “requentadas”…. Todas desejando um Bom Dia!. Mais, afirmando que de fato o seu dia já é bom, ou só dependerá de você. Mensagens com sol, lindas músicas, “tudo de bom”, porque o “bom é tudo”. E você é – ainda que não saiba ou sinta – o bom e o tudo. O dia pode ser – se já não for – o detalhe.

            Até aqui, sem objeção ou ironia, é só relato. Não me incomodo, não reclamo e leio, vejo todas, assim como repasso mensagens que seleciono como as melhores do dia.

            Caro leitor, em nossa conversa, você aí com seu jornal ou diante da tela do computador, celular, imaginemos agora um encontro em pessoa: a sua pessoa com a minha pessoa. Como seria o nosso cumprimento? Que gestos e palavras usaríamos?

            O que me leva a escrever é o que vivenciei em pouquíssimos minutos. Diante de uma pessoa daquelas que enviam muitas mensagens como as citadas acima, repletas de emoção, intenções positivas. Seria natural esperarmos que ela, “ao vivo”, fosse como espelho, fonte ou reflexo de tais mensagens otimistas. Mas ela nem olhou para mim. Antes fosse só eu o ignorado. Os demais tiveram “cumprimento” seco, rude.

            Assim findo nosso “diálogo”: “Bom Dia!”. Claro que não me refiro ao caro, raro e ocasional leitor. Meu Bom Dia é natural e não carece de imagens sons, que não sejam autênticos.

Fases de Fazer Frases (I)

            Tudo faz sentido quando não existe indiferença

Fases de Fazer Frases (II)

            Toda vontade é desejo. Nem todo desejo é vontade.

Fases de Fazer Frases (III)

            Acúmulo do cúmulo é acumular?

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Vândalos apedrejaram a Unidade Básica de Saúde da Vila Guarujá, em Campo Mourão. Na Coluna anterior o tema principal (BAR-BARIDADE) é o dano ao patrimônio público. O vandalismo, embora sem surpresa, pois são frequentes tais fatos, não devemos ficar indiferentes a criminosa ação desse ou de qualquer outro tipo. Semana que tem mais?

Reminiscências em Preto e Branco (I) – Obituário         

            Seja o som das redações, diálogos, telefones tocando, da digitação, transmissão televisiva ou radiofônica, o barulho da impressão; ou seja o silêncio de todos os meios de comunicação, ambos a significarem a perda, homenagem fúnebre: interrupção ou o trabalho da notícia.

            Manchete, Última Hora, Tribuna da Imprensa, Diário da Noite, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, dentre outros veículos nos quais ele trabalhou com dedicação, ousadia e inovação. Jornalista de talento singular, deixa um legado profissional sério, investigador. Herança de belos textos e de conduta ética, independência jornalística. Foi também professor de Comunicação.

            É ele o pioneiro a refletir sobre a imprensa através dela mesma. Revolucionou o conceito e prática, além do visual de muitos jornais, notadamente o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo. Pioneiro com a criação conhecida de todos, o Observatório da Imprensa. Carioca, morreu na terça passada aos 86 anos, Alberto Dines. Uma de suas colocações: “O juízo sobre a informação tornou-se tão importante quanto a própria informação. O território da crítica expandiu-se de forma tão extraordinária que os críticos tornaram-se criticados e a matéria criticada tão importante quanto aquela tida como acrítica. A internet consagrou-se imediatamente como canal alternativo para fugir dos impasses produzidos pelos grupos de pressão na grande imprensa”.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O Sítio Tá Sabendo noticiou (dia 22) o fechamento da Estação Climatológica de Campo Mourão, ela funcionou por mais de 50 anos. Principalmente para produtores rurais, foi indispensável meio de informação sobre o clima. O Programa Anísio Moraes, Rádio Colméia ampliava a divulgação do tempo, temperatura e previsão. A sofisticação tecnológica atual foi determinante para o fechamento da Estação. Agora é história.

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Bar-baridade

“Se você destrói um bem público, na hora você é vândalo.

Se você deixa destruir aos poucos, é político”.

Alessandro Martins - blogueiro

            POPULARES ATRAPALHAM BOMBEIROS E AINDA FURTAM CONES DURANTE A OCORRÊNCIA, noticiou esta Tribuna, sexta-feira passada. O título é suficiente para se lamentar e ficar indignado com tamanha súcia. Quando chegaram para atender uma ocorrência a uma pessoa embriagada que caiu da bicicleta e ainda por cima ela se feriu com a garrafa de bebida alcoólica. Ainda segundo a notícia, os bombeiros tiveram dificuldade para prestar o devido atendimento, por causa das pessoas que bebiam em um bar próximo da ocorrência, Jardim Santa Cruz, Campo Mourão. A malta reunida além de atrapalhar o socorro, eles furtaram dois cones de sinalização, “tivemos que tomar muito cuidado para não ocasionar outro acidente”, declarou o cabo Gusmão.

            Não faz muito tempo, além da Tribuna do Interior, demais meios de comunicação registraram fato pertinente a bem público: jovens que carregaram um cavalete de sinalizar impedimento de via. Informação e denúncia levaram a Polícia ao prédio onde encontraram furtadores e o cavalete.

            A malta que agiu nos dois casos evidentemente ao menos supõe não ter que arcar com as consequências da vandalização e se acham inatingíveis da sanção legal como reparar danos.

            Não é a remota hipótese falta de educação, respeito ao patrimônio público, mas sim o ávido desejo de produzir o dano esperado, é o que querem o antro de maltas. Pagamos a conta como contribuinte quando poderes públicos têm que fazer o reparo ou a aquisição patrimoniais.

            A solução não é ir para cadeia, mas independentemente dos preceitos do código penal e da administração pública, bom seria se, durante um determinado tempo os autores tivessem que prestar serviços comunitários como carregar cavaletes, cuidando-os por alguns meses; limpar, zelar e colocar/recolher os cones quando foram acionados os socorristas. 

Fases de Fazer Frases (I)

            É preferível repetir o erro a ter que cometer erro maior.

Fases de Fazer Frases (II)

             Tenha tempo. Não detenha o tempo.

Fases de Fazer Frases (III)

            Quem se prende ao medo liberta para dentro de si a covardia.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            “Desejo por ar-condicionado pode aquecer ainda mais o planeta Terra”, manchete do Jornal Folha de São Paulo, última sexta. Tudo certo. Mudando um pouco o sentido, mesmo sendo manchete tem aquelas que são bizarras, engraçadas ou tristes e que podem parecer invenção. Mas não, têm notícias e manchetes que são verdades mesmo. Para citar só uma: “Jesus é preso na Cidade de Deus por furtar Igrejas em Manaus”, foi a manchete do Jornal Diário de Pernambuco. Só tem um errinho, igreja está escrito com a inicial maiúscula, e o certo é minúscula, referente a um espaço físico, enquanto que, com maiúsculo, Igreja se refere a Instituição Religiosa, como Igreja Católica.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            A notícia mais quente: vai esfriar. Sugestão deste escrevinhador, devido a queda da temperatura neste fim de semana.

Reminiscências em Preto e Branco

            Em muitos papéis, sobretudo nos mais destacados, antes do nome do personagem, tinha a expressão Dona. Foi sempre dona, a dona do personagem, da cena, da trama. A dona da interpretação singularmente simples, mas notória, inspiradora, exemplar. Dona do talento que emprestava, transmitia, inspirava, seja contracenando com grandes nomes da televisão e do cinema, foi referência positiva para os estreantes, novatos que tinham nela a mestra. Ela fez e continuará a ser história.

            O papel mais lembrado, um programa que não sai da memória de muitos telespectadores, A Grande Família (1972) personagem Dona Nenê, deu vida a realidade das mulheres que são mães e donas de casa. Outros dois papéis cabem lembrar, também com o chamado inicial de dona: Pombinha em Roque Santeiro (1985) e Dona Carmem, o último papel dela, na novela O beijo Vampiro (2002). Dia 16, aos 93 anos, enterrada na terra de nascimento, Jundiaí, São Paulo, Eloísa Mafalda é agora saudade.   

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Mãe

Um princípio, instinto maternal bem antes de se tornar mãe.

            Uma origem, fecundidade a brotar no coração.

            Uma fertilidade, germinar no ventre venturoso.   

            Uma concepção, amor.

            Uma esperança, nascer.

            Uma luz, vida.

            Um gesto, carinho.

            Uma canção, ninar.

            Um sono, reparador após o filho dormir.

            Um sentimento, doce amar.

            Um olhar, enxergar além do horizonte.

            Uma palavra, entusiasmo.

            Uma lágrima, de tristeza ou alegria, sempre autêntica.

            Um afago, conforto e proteção.

            Um jeito de ser, braços e coração abertos.

            Uma aflição, passageira agonia, substituída pela esperança.

            Uma solidão, finita, sabe que o filho retorna.

            Uma amizade, verdadeira e reparadora.

            Uma devoção, nunca medindo esforços.

            Um orgulho, a emoção como razão de ser.

            Uma liberdade, não se pode nunca prendê-la, a não ser do filho que a liberta.

            Uma sensibilidade, a de perceber tudo e a todos.

            Uma satisfação, por pequena que pareça, a coloca em êxtase.

            Um medo, o dela, não ter forças, embora saiba, a fé não a deixará sem energia.

            Um perdão, todos os que sejam sinceros, decentes e justos.

            Uma consciência, equilibrada e sábia.

            Uma história, de incontáveis exemplos.

            Uma crença, um mundo melhor.

            Um sonho, não propriamente o seu, mas o que sonham os seus filhos.

            Uma direção, sempre ao encontro deles.

            Um obstáculo, todos hão de serem vencidos com altivez e tenacidade.

            Um tempo, todos os instantes do criar e recriar a vida.

            Um lugar, que nele exista espaço harmônico, a paz.

            Um dia, qualquer época, importa é viver num encontro consigo mesma.

            Uma flor, todos os jardins.

            Uma cor, o brilho de todas elas.

            Um objeto, nada lhe pertence, pronto para ser dado a quem dele precisar.

            Uma homenagem, todas sentido humano: verdadeiro, elevado, puro, perene.

            Uma condição: gerar vidas que nunca inteiramente dela se desprenderão.

            Uma vida, a dos filhos que é a dela como se fosse una, unida na ternura eterna.   Um ser, não tem a melhor mãe do mundo: ela é sempre o mundo melhor.

Fases de Fazer Frases (I)

            Dividir tempo com pessoas é somar amizades.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            104 pessoas mortas. Ordem do presidente Ernesto Geisel (1974-79), cumprida por outro general, então chefe do SNI – Serviço Nacional de Inteligência João Babtista Figueiredo, que sucederia Geisel e foi o último presidente do regime militar (1979-1985). O assassinato de opositores à ditadura pós-64 foi sumária. O fato de início veio a público nas redes sociais pelo professor Matias Spektor. Ele revelou o teor do documento da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, CIA. Parte dele está censurado.         

Reminiscências em Preto e Branco

            Compartilho minha interrogação com o caro leitor, há mais duas décadas uma senhora, voz de idosa, doce, suave, humilde, me pedia todos os anos para republicar o texto MÃE,“por favor, publique de novo, é lindo, comovente….obrigado, meu filho”. Ela não mais ligou. O pedido permanece atendido Hoje, Dia das Mães.   

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Tudo vê-se parte

“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que

ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê”.

Arthur Schopenhauer

            O todo é percebido ao notar todas as partes anotadas.

            Acontecimento levado em conta cada fato de fato.

            O todo de um dia todo é sentido com o passar, envolver das horas.

            Feito de detalhes, entalhes.

            O todo é a revoada dos pássaros, contemplar de cada um, asas que batem.

            Chuva ao cair de cada gota do céu, cada nuvem. 

            O todo é o jardim, de cada flor em flor.

            Livro lido página a página, de cada linha que se alinha e se alia no lido da lida.

            O todo do vento que é a brisa, início e fim do vendaval. 

            Chama que queima cada fagulha. 

            O todo se arvorar da árvore em cada raiz, galho, todos os frutos, da semente.

            Escadaria, degrau a degrau, graus subidos, descidos.

            O todo é o final, cada capítulo, epilogo.

            Choro, deter-se a cada lágrima escorrida triste/alegre.

            O todo é o enxergar do tudo ao nosso alcance, somatório de cada ver que tem a ver.

            Saudade sentida de cada ausência, falta por inteiro no vazio inescapável.

            O todo é dos cabelos, cada fio.

            Caminhada, na passada de cada passo e do que posso.

            O todo da multidão que tem o rosto na face de cada um.

            Grande realização originária de cada ação, uma a uma.

            O todo ser que é cada vir a ser. Em torno do tornar-se.

            Prosseguir repleto de cada seguir.

            Ilusão que não é sem cada en(desen)gano.

            O todo de toda a vida findada por todas as mortes que um dia levam a todos em cada um.  

Fases de Fazer Frases (I)

            O silêncio do ruído. O que ruiu em silêncio.

Fases de Fazer Frases (II)

            O tempo vencido não derrota o futuro.

Fases de Fazer Frases (III)

            O Senhor do tempo não usa relógio.

Fases de Fazer Frases (IV)

            A desordem é a ordem invertida.

Fases de Fazer Frases (V)

            Atribulado. A tribo ao lado.

            Atributo. Trio bruto.

            Atribuição.A tribo em ação.

            Tributo ao bruto.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            “Mulher mantinha idoso acorrentado em Campo Mourão”, manchete desta Tribuna, sexta passada. O Jornal informa que a mulher, 38 anos foi presa. Em que pese cadeado da cela, estando presa não terá os pés acorrentados nem será negada a ela comida.

Caixa Pós-Tal

            “Acho que as ideias chegam até você atraídas pela sua própria inspiração”, escreveu Maria Alice Beltrane, leitora assídua de Cuiabá, Mato Grosso.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Exerceu dois mandatos, o primeiro de 1997 a 2000 e o segundo até 2004, quando presidiu a Câmara de Vereadores de Campo Mourão. Tinha como característica a simplicidade no trato com os eleitores e no exercício do mandato, além de honrar a palavra dada. Na primeira legislatura fomos companheiros de bancada, ele pautava a atuação principalmente em defesa do esporte amador. Juvenal Vieira despediu-se da vida dia 30 de abril.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Colchão de palha, coberta de penas. Cama de ferro e molas. Antigos da roça. Todos dormiam o sono dos justos.

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Nelson e o antigo cinema novo

A questão fundamental da nossa cultura hoje é: seremos independentes

 ou morreremos, como disse dom Pedro”.

Nelson Pereira dos Santos

            Ao tomar posse em 2006 na Academia Brasileira de Letras, ele manifestou surpresa pela escolha, afinal seria indagado, o que fez por merecer para ser acadêmico e o que faria na ABL. O cineasta filmou a nossa literatura com destaque para o dramaturgo Nelson Rodrigues e Graciliano Ramos, respectivamente Boca de Ouro e Vidas Secas. Tais obras já tinham o reconhecimento no meio literário, ainda que não fossem lidos pela grande massa de brasileiros.

            É inegável e notável, Nelson Pereira dos Santos fez o cinema brasileiro, filmou a nossa literatura, com inovação, ousadia, simplicidade e sentimento legítimo da brasilidade que ele bem conhecia.

            Morreu sábado passado (21) com 89 anos devido a problemas com saúde. Rio 40 Graus e os filmes citados acima trazem nas imagens encenação de bons autores, nossos retratos inúmeros e típicos da diversidade cultural.

            Comprometido e apaixonado pela nossa cultura, começou a carreira em 1947, embora formado em Direito não foi de fato advogado. A paixão pelo cinema deve-se ao pai dele, que o levava as exibições na telona comentava sobre os filmes, adquiriu e bem cultivou o gosto por essa arte.

            O contraste é que cotidianamente na televisão e no cinema predominam a cultura estrangeira, ao passo que a brasileira, fica longe, sofremos uma influência dos “enlatados”. Nelson não se acomodou nem se amoldou ao que não fosse Brasil.

Fases de Fazer Frases (I)

            Se infinita a bondade, eterna é a gratidão.

Fases de Fazer Frases (II)

            São poucos os muitos? São muitos os poucos? Tudo é muito pouco. É pouco o muito.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

                        “O senhor quer que eu passe veneno para desbaratar, matar todas as baratas e insetos?”, disse um senhor ao me oferecer tal serviço. Embora a palavra possa induzir sinônimo  “matar baratas”, desbaratar tem dois significados: Vencer, derrotar; e Esbanjar, desperdiçar. A expressão é usada por policiais e jornalistas, referência a quadrilha, “que foi desbaratada pela polícia”. A quadrilha foi vencida pela polícia. Ainda, a quadrilha fugiu em bando.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            “Prefeito nenhum quer fazer, logo será esquecido pela população”, palavras do prefeito Mílton Luz A, de Campina da Lagoa. Segundo o Sítio Boca Santa (edição, quinta anterior), o prefeito completou, “o tempo dirá quem está certo”. A constatação dele é prática antiga de uma política ruim, quanto as obras necessárias que, por não serem visíveis, não dá voto, como a que está corretamente sendo feita lá. Típica da velha política tacanha, prefeitos em muitas cidades brasileiras erigiram fontes luminosas, portais, ante a falta de redes de esgoto, água ou pluviais.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            “Intriga da oposição”, disse o prefeito Mauro Slongo sobre as prisões temporárias no caso de suspeita de corrupção em Luiziana. Demorou para falar sobre funcionários da confiança dele que estiveram presos. Se existe ou não o “mensalinho” para a campanha de reeleição. Slongo não entrou no mérito, intriga ou não, ele e vereadores devem explicações, a separar o joio do trigo, provando que não são “farinha do mesmo saco”.

Caixa Pós -Tal

            Do chefe da CIRETRAN de Campo Mourão, se referindo à Coluna anterior NA CADEIA SEM TRÂNSITO, sobre a nova lei mais rigorosa dos crimes de trânsito, motoristas dirigindo embriagados: “Muito boa tua Coluna”. Obrigado, Neuri Dal Molin.

Reminiscências em Preto e Branco.

           Por falar em prefeito, está em desuso o sinônimo da palavra prefeito: alcaide. Origem árabe al-caid designa, no espanhol, indivíduo que cuida do castelo, (do Dicionário Online de Português). O que chama mais a atenção é o significado no Brasil, segundo a citada fonte, alcaide é “coisa sem utilidade”; ou “mercadoria que não mais interessa a ninguém”. Sem generalizar, a antiga palavra serve aos dias atuais brasileiros.

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Na cadeia, sem trânsito

“A má educação no trânsito é tanto que até parece

 que motorista educado só anda de carona”.

Autor desconhecido  

            Desde o dia 19 de abril está em vigor mudança na Lei 13.546/17 e das normas inerentes ao Código de Trânsito Brasileiro – CTB, que eleva a pena para os crimes relacionados à embriaguez ao volante. A legislação foi aprovada em dezembro do ano passado, tendo naquela ocasião o merecido destaque pelos meios de comunicação, o que novamente ocorre hoje quando ela passa a valer.

            A embriaguez ao volante tem agora como pena mínima dois anos, sendo que anteriormente era de seis meses. Quando dirigir alcoolizado ou por ter no organismo substância psicoativa, o crime de homicídio culposo ou de lesão corporal culposa, é de cinco a oito anos de reclusão, sendo que antes a pena era de dois a cinco anos. Agora somente o juiz poderá arbitrar fiança, podendo ou não determinar a continuidade da prisão, sendo que antes era a autoridade policial que decidia a respeito.

            No Brasil são pelo menos 47 mil mortes por ano e são 400 mil pessoas que ficam com algum tipo de sequela. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o Brasil está atrás apenas da Republica Dominicana, Belize e Venezuela.

O custo das mortes e da incapacitação é de 56 bilhões de reais, conforme dados do Observatório Nacional de Segurança Viária. Tal valor daria para construir 28 mil escolas ou 1800 hospitais.

            A nova Lei Seca precisava ser mais rigorosa e espera-se que a severidade possa inibir os motoristas. A fiscalização não muda nada em termos da lei.

            Falta educação para o trânsito? Falta educação no trânsito? O exame para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação prática e teórica é adequada? Em geral para todas as indagações é possível afirmar que não. Não existe desconhecimento do motorista e pedestre, o que há infelizmente é a negligência, imperícia e imprudência que, somadas ou cada um por si, geram acidentes de toda ordem e que poderiam ter sido evitados.

Depois de décadas de ensinamento com as crianças já nos primeiros anos escolares, era para ter sido possível gerações mais recentes, o suficiente a formar uma consciência condizente para conduzirem-se no trânsito. Mas não, continuamos sem condições que diminuam o número de acidentes, consequentemente o de mortes ou de incapacidade e sequelas permanentes. De 2009 a 2016, por exemplo, o total de óbitos pulou de 19 para 23,4 por 100 mil habitantes.

            De um lado a velocidade alta e intensa no trânsito, de outro, a lentidão da justiça. Nós somos tão responsáveis quanto vulneráveis e vítimas, mas, na maioria das vezes, nos omitidos. Tudo não é fatalidade.

Fases de Fazer Frases (I)

            Não basta olhar para dentro de si. É preciso nosso próprio e o olhar alheio.           

Fases de Fazer Frases (II)

            Seria séria a sereia?

            Seria a sereia que ria?  

            Ia e ria a sereia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Se for quadrilha ou não, a investigação dirá, até se inocentes foram presos. Luiziana é notícia sobre corrupção no âmbito dos poderes municipais. E o possível chefe da quadrilha? Na redoma do foro privilegiado?     

Caixa Pós-tal

            ““ Leio todo final de semana a sua coluna que sai nos sábados, indiscutivelmente filosófica e cultural”, escreveu Denir Dalefi, de Campo Mourão.

Reminiscências em Preto e Branco

O aroma do café da manhã. O ruído das xícaras sendo colocadas à mesa e da janela ao ser aberta, convite para o sol entrar mais à vontade. Rotina do que parece tudo igual, mas que se repete todas as manhãs a provocar sempre uma nova sensação de iniciar o dia.

Da outrora casa dos meus pais, da minha ou na dos meus queridos irmãos, é como se o café passado filtrasse fatos de há muitos como se eles ao mesmo tempo fossem inteiramente novos.  Sorvo o preto do café, o branco do leite. Sou absorvido pelas reminiscências deles, Eloy e Elza, como manteiga derretida no pão quentinho.  

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Povo é conduzido. Massa é induzida. Quem seduz?

“Em grupo, os homens sentem, pensam e agem exatamente da mesma forma, como se tivessem

uma alma coletiva, mesmo que individualmente sintam, pensem e ajam de formas

inteiramente  diversas das observadas quando imersos na multidão”

Gustave Le Bon

            O espaço público a todos pertencem, ao mesmo tempo em que não é de ninguém individual e exclusivo. Praças, ruas são legítimos à manifestação, solitária, pequenos grupos e das multidões.

            É fácil ver e ter exemplos das pessoas reunidas como povo, massa, público, multidão, o Brasil está repleto. Basta referenciar fatos recentes no âmbito da composição do Estado e formas de governar (ou de não). Legislativo, Executivo e Judiciário são alvos de manifestações dos brasileiros. 

            Ainda que sejam apontadas objeções nas causas e maneiras de agir, é inegavelmente  relevante é que os brasileiros estão a descruzar os braços, falam, escrevem, empunham cartazes, vão deixando de lado o receio de assumir alguma posição, até a de não ter posição alguma. É  democracia que pressupõe a liberdade de manifestação, sem qualquer censura prévia e sem o anonimato. É estado de direito ainda num processo de construção que implica no caráter permanente de edificar  e de se consolidar, próprio de uma sociedade que não é estática.

            Episódios antecedentes, durante e depois da prisão de Lula não autorizam a qualificara as manifestações antagônicas como sendo uma sociedade dividida. Não procede haja vista tratar-se da  diversidade imensa ante ao tamanho do nosso território, temos um continente de etnias, concepções e de interesses espraiados ou contidos nessa numerosa gente que somos e a que queremos ser.

            As questões sociais, que são também judiciais e sem deixar de fora as legislativas e que cotidianamente refletem como o Estado brasileiro é ou deveria se tornar, mobilizam brasileiros com elementos que variam, da força e clareza, da omissão e da indiferença.

            Se estamos experimentado a exteriorização dos sentimentos, com o ímpeto de verbalizar o que pensamos, aspiramos, é preciso refletir o conteúdo e intuito das nossas próprias manifestações, pessoal e coletivamente. 

            Engendrando a liberdade que estamos a conquistar, exercitar e ampliar, existe infelizmente o  autoritarismo quando cremos e agimos como se só nós tivéssemos razão, e os contrários são impingidos como os absurdamente errados. Existe até o maniqueísmo esquerda e direita; mortadelas e coxinhas. Aí espaços públicos viram campos de batalhas físicas, de teses, de ideologias, de regimes, de partidos, de classes e de pessoas.

            Se somos, por quem ou por quê somos conduzidos? Enquanto massa, nos espaços públicos, na conversa informal com a família e amigos, estamos sendo induzidos por exemplo pelo veículo de maior comunicação, a TV? O próprio Brasil nos seduz? Gostamos de fato de sermos brasileiros a ponto de tornar realidade fática um Brasil de e para todos os brasileiros?

            Um país dos adoradores do Lula, contra os odiosos do Lula? A própria indagação é por si estupidez que deveria ser inconcebível. Mas se a interrogação contém insensatez, a responsa pode resultar na reflexão, ponderação e percepção que sociedades abertas pressupõem riscos que não podem sofrer restrições ao exercício da liberdade, pois seria incorrer no risco de, ao jogar fora a água da banheira do banho do bebê, jogar também o próprio bebê.                 

Fases de Fazer Frases (I)

            O caráter de uma multidão é não ter uma personalidade individual.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não dê efeito a defeito

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Só 100 associados (segundo o Sítio Boca Santa) votaram na única chapa da ACICAM – Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão, eleito presidente Alcir Rodrigues da Silva. É pouco, comparado com 1200 filiados. A Associação convenceu prefeito e vereadores a transferirem o feriado de 10 de outubro, aniversário do Município. À época pressionaram levando à Câmara empregados a mostrar ser legítima tal mudança. Se 1200 é pouco, 100 é insignificante perante os quase 100 mil habitantes.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Não culpo os grãos de areia da ampulheta pela passagem do tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Oportuno rememorar o dizer do mestre Buda: Pode-se induzir o povo a seguir uma causa, mas não a compreendê-la.        

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

  

Lula não é igual ele

“A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualdade aos desiguais, na medida

 em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural,

 é que se acha a verdadeira lei da igualdade.. Tratar com desigualdade a iguais, ou a

desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”.

Rui Barbosa.

            A movimentação política tendo o cenário a Justiça é tão intensa, surpreendentemente pode ser a troca de posições, mas que na essência poderá permanecer inalterada. Foi preciso o voto (minerva) da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia para desempatar (6 a 5) negado habeas corpus a Lula. “A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais”, a afirmação de Aristóteles sintetiza a deliberação do Supremo na quarta-feira passada. Não era exame de habeas corpus comum, uma vez que o corpo é de um ex-presidente da República, formalmente um cidadão comum, mas que de comum não tem nada. 

            A prisão de Lula não será um ponto final na biografia dele, como não será o fim da corrupção e não cessará a lentidão da justiça. Porém, tem inegável importância, espera-se, mais que simbólica.

            Independentemente da compreensão e dinâmica dos fatos, em nós brasileiros é visível, não estamos indiferentes. Não existe hegemonia das ideias, visão política, concepção de justiça e nossa capacidade ou não de cruzar os braços, escolher, fazer história. 

            O que predomina é o emocional no debate, discussão, posicionamentos que carecem de lucidez, de um lado, de outro, de todos os possíveis lados. Não se trata de desmerecer a emoção,é imprescindível acrescentar a razão. 

            A situação lembra uma antiga historinha de uma mãe tão orgulhosa do filho soldado que, no desfile, diz, “meu filho é o único que marcha certinho, enquanto todos os outros marcham passos errados.” 

Fases de Fazer Frases

            O Supremo é para suprimir?

            O Supremo é para suprir?

            O que é mais supremo no Supremo?

            Se o Supremo tiver que suprimir, não seja ele suprimido.

            Seja o Supremo premido para ser e guardar a Constituição.           

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Aplausos. Jogo na Liga dos Campeões, Juventus e Real Madri. O gol de Cristiano Ronaldo é beleza ímpar, só vendo as imagens. Descrever? Impossível. Só comparar, um balé, giro do corpo, ele flutuou como a bola, ao encontro dela, na precisão do tempo, do chute, direção, e o goleiro experiente Buffon não conseguiu evitar o gol. O goleiro preferiria usar as mãos para aplaudir, ao comparar genialidade do jogador português a Pelé ou Maradona. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O assunto da nota acima leva a outros dois fatos recentes. Ao aplaudir Ronaldo a torcida italiana demonstrou cultura. No Brasil o primeiro jogo da final do campeonato paulista ocorreu do campo corintiano, Palmeiras 1X0, foi torcida única. Em nome da segurança necessária, uma vergonha para os brasileiros: incapacidade de respeito mínimo. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            No Rio Grande do Sul, a torcida mista nos Grenais, Grêmio e Internacional, tem torcedores abraçados com camisa dos respectivos times. Ainda que o futebol lá não seja só de bom exemplo.

Caixa Pós-tal

            “Tomara pudessem os bons escritores, como este, serem 'imorríveis’'”…. pois já o são. Parabéns José Eugênio, escreveu o despachante mourãoense Edison Simm. Nery José Thomé, na semana anterior enviou a seu grande círculo de amigos, textos de Olhos, Vistos do Cotidiano, que considerou oportuno. A Coluna se referiu a uma pessoa que criticava políticos, mas  a calçada dele há tempos com cimento se soltando nem árvore tinha, ““realmente dá o que pensar”, frisou Nery.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Aguardamos o futuro. Guardamos o passado. Resguardamos o presente?

 

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Com o ver dos outros

“Na humildade se encontra a simplicidade que por sua vez é a característica da genialidade”

Carlos Roberto Sabbi

                Em todos os sentidos é um homem simples. Roupas desgastadas pelo longo e intenso uso. Cinto surrado entre meio aos furos, rachaduras verticais tão gastas como calça e boné descoloridos, tantas jornadas. Face enrugada, queimada sol a sol de décadas. O senhor estava próximo ao balcão. Não tirou senha. Apenas e com naturalidade singular dirigiu o olhar ao funcionário dos Correios, como quem expressa, “tô aqui, esperando a minha vez, depois de outro velho como eu”.

             Era o cenário da última quinta nos Correios do centro de Campo Mourão. O primeiro senhor proseia simpaticamente com o funcionário da Empresa e em seguida se despede. Então se aproxima do Moisés, funcionário dos Correios, aquele outro senhor de idade avançada. Mostra ao funcionário uma correspondência que recebeu na casa dele, mas que não era para ele. Moisés pergunta se de fato o endereço que constava na correspondência era daquele senhor, que respondeu, é. Moisés leu o nome do destinatário, explicando ao idoso se ele conhecia o nome escrito no envelope. Novamente a resposta do senhor foi sim, conheço ele. Ao demonstrar estar satisfeito com o atendimento, o senhor demonstrou estar seguro agora, pois poderia entregar o envelope para o conhecido, em nome dos Correios. Foi embora, certo que faria o certo.

            Se não podemos ignorar a simplicidade, a ignorância não é simples assim, quando se trata de pessoas iletradas. Ser analfabeto não é problema exclusivo de alguém nem o atinge negativamente apenas a quem não sabe ler, escrever, compreender e produzir um texto. É uma questão social.

            Estive na agência para retirar a minha nova CNH – Carteira Nacional de Habilitação, que renovei após os exames exigidos. Por não estar em casa lá foi deixada a notificação. Se não soubesse ler, teria que ir até os Correios (também não teria a carteira) para tirar dúvidas como as daquele homem. Dos Correios segui a pé atravessando as praças centrais de Campo Mourão. No trajeto uma senhora pede ajuda, “eu não sei ler, por favor, onde fica este lugar que eu tenho que ir”. Ela procurava a Rua Brasil, apontei o caminho, o Ministério do Trabalho. “Vô pegá minha carteira de trabalho”.

            Fiquei a pensar na coincidência, duas pessoas idosas, em busca de ajuda, sem saber ler ou com limites grandiosos que não confiam no que parcamente poderiam ler.  

            A ajuda maior, estímulo, cobrança e mobilização não é a de orientar como fez o Moisés dos Correios, ou eu ao informar a senhora caminhar até a próxima quadra e encontrar o Ministério do Trabalho. Ajuda maior será poder acabar com o analfabetismo. Incomoda sim, não tem como ficar indiferente para com os brasileiros, no caso mourãoenses que desconhecem as letras do mundo da comunicação e expressão. Talvez por isso um ditado foi transmitido erroneamente: “Quem tem boca vai à Roma”. Quando o certo é: Quem tem boca vaia Roma”.

Fases de Fazer Frases

            Vale tudo quando nada tem valor?

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Vivendo os últimos dias no Senado, talvez nem saia candidata a nada, a paranaense (PT) Gleisi Hoffman lá pouco comparece para o trabalho. Em pleno dia de expediente, acompanhou a caravana do ex-presidente Lula ao Paraná. Escolheram a pior pessoa para falar do suposto atentado com os tiros dados no ônibus da comitiva quando eles passavam por Laranjeiras do Sul. Ela não tem credibilidade até para cantar aquela música: “que tiro foi este?”.

Reminiscências em Preto e Branco

            A 25ª edição do tradicional e famoso Concurso Pinóquio, que premia os maiores contadores de mentiras e causos me faz lembrar como começou, sempre também no dia primeiro de abril, dia da mentira. Virou concurso no ano seguinte, já que a primeira vez a intenção era somente reunir pessoas para contar tais casos. Apareceu bem mais gente do que o esperado, aí virou concurso, na época que eu era o secretário da educação e cultura e presidia a Fundação Cultural.

            Recebi e agradeço publicamente o convite. Por compromissos familiares não estarei em Campo Mourão. Não é mentira! Estarei em Guarapuava.

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

O botão-extra

                                                                “Abotoo o botão da bota.

                                                           Boto a bota desbotada.

                                                           Sem ver piso na rosa em botão.

                                                           Tiro a bota que botei

                                                               Estive Nólocal (b.d.C.)

            De tanto eu usar, ela usada ficou. Está muito boa. A bermuda me serviu por muito tempo. Resolvo separar a peça para doar. Mas tenho que me despedir dela. 

            Ainda assim não queria experimentar a sensação de se desfazer dela por desprezo. com meus botões, fiquei a pensar numa desculpa como “por força maior”. Encontrei, melhor dizendo, a justificativa. Tinha ido ao mercado num desses sábados para só fazer uma comprinha. Peguei uma cestinha. Durante a compra, tinha frequentemente que parar e puxar a bermuda, que ia descendo à medida que fazia o périplo às prateleiras.  Uma mão que segurava a cestinha, outra a puxar a bermuda à altura da cintura. Estava larga aquela bermuda.

            Como eu tenho uma sacola para colocar roupas que não usarei mais, pouco antes de pôr a bermuda, vejo o botão-extra. O longo tempo de uso não afetou os três botões “titulares”. A marca tão boa que veio um botão-extra. Botão-extra nunca usado, como pneu estepe (sobressalente, como gostava de dizer o meu saudoso pai Eloy).

            Evidentemente quando comprei a bermuda nem me dei conta do botão-extra. Assim como não prestei atenção noutros botões-extras de peças como camisas e calças. Que grande vantagem não precisar comprar outro botão, achar um igual, ter todo esse trabalho. O extra está ali, à mão.

            Nunca precisei usar botões-extras. É certo que ao comprar roupa não lembrarei desse botão. Muito menos só comprar uma roupa se tiver um botão extra.

            Assim como botão-extra cairá no esquecimento, o texto de hoje, caro leitor, também será rapidamente esquecido.

            Sem utilidade. Claro, inúteis só o botão-extra, o texto e o escrevinhador aqui.  

Fases de Fazer Frases (I)

            Fujo do tempo fungível.

            Finjo ser fungível a tempo.

            Há tempo finjo fugir.

            Fulgir a tempo de fingir.

            Foge de mim o tempo que funge.

            Forja-me o tempo fingido, fungível, fugidio.

Fases de Fazer Frases (II)

            Quem não larga a vida tem uma vida segura.

Fases de Fazer Frases (III)

            A indiferença é o tênue do esquecimento.     

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            “Medidas cabíveis”. Textos lidos, pronunciados ou escritos, principalmente nas notícias policiais, repórteres, jornalistas usam muito tal jargão. Não é preciso citar algum exemplo. O “medidas cabíveis” é figurinha fácil.

            Bastaria terminar a narração (radiofônica, televisiva) ou o texto impresso sem mais nada dizer, escrever. Policiais prenderam os assaltantes ainda no banco. E ponto final. É dispensável dizer que eles seriam conduzidos à delegacia (qual seria o outro lugar?) para: “medidas cabíveis”. O “medidas” por vezes é substituída por outra expressão, “providências”.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Como de hábito, ao caminhar a pé pela cidade, um mourãoense conversa em voz alta (provavelmente com um vizinho dele) o suficiente para eu escutar facilmente. “Nenhum governo ou político presta”. A questão nem é pela generalização, me chamou a atenção a calçada da casa dele, repleta de pedaços se soltando e sem uma árvore plantada. Bem, tem que possa achar – além dele – que deverá o político ou governo quem deve plantar, regar a árvore e arrumar a calçada. Acrescento, mais alguém para dar descarga da privada dele.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Maior preocupação não deveria ser a extinção do jornal ou livro impresso, mas sim o desaparecimento dos leitores. A sensação é que leitores vão morrendo sem que nasçam outros. 

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]