José Eugênio Maciel
O botão-extra

                                                                “Abotoo o botão da bota.

                                                           Boto a bota desbotada.

                                                           Sem ver piso na rosa em botão.

                                                           Tiro a bota que botei

                                                               Estive Nólocal (b.d.C.)

            De tanto eu usar, ela usada ficou. Está muito boa. A bermuda me serviu por muito tempo. Resolvo separar a peça para doar. Mas tenho que me despedir dela. 

            Ainda assim não queria experimentar a sensação de se desfazer dela por desprezo. com meus botões, fiquei a pensar numa desculpa como “por força maior”. Encontrei, melhor dizendo, a justificativa. Tinha ido ao mercado num desses sábados para só fazer uma comprinha. Peguei uma cestinha. Durante a compra, tinha frequentemente que parar e puxar a bermuda, que ia descendo à medida que fazia o périplo às prateleiras.  Uma mão que segurava a cestinha, outra a puxar a bermuda à altura da cintura. Estava larga aquela bermuda.

            Como eu tenho uma sacola para colocar roupas que não usarei mais, pouco antes de pôr a bermuda, vejo o botão-extra. O longo tempo de uso não afetou os três botões “titulares”. A marca tão boa que veio um botão-extra. Botão-extra nunca usado, como pneu estepe (sobressalente, como gostava de dizer o meu saudoso pai Eloy).

            Evidentemente quando comprei a bermuda nem me dei conta do botão-extra. Assim como não prestei atenção noutros botões-extras de peças como camisas e calças. Que grande vantagem não precisar comprar outro botão, achar um igual, ter todo esse trabalho. O extra está ali, à mão.

            Nunca precisei usar botões-extras. É certo que ao comprar roupa não lembrarei desse botão. Muito menos só comprar uma roupa se tiver um botão extra.

            Assim como botão-extra cairá no esquecimento, o texto de hoje, caro leitor, também será rapidamente esquecido.

            Sem utilidade. Claro, inúteis só o botão-extra, o texto e o escrevinhador aqui.  

Fases de Fazer Frases (I)

            Fujo do tempo fungível.

            Finjo ser fungível a tempo.

            Há tempo finjo fugir.

            Fulgir a tempo de fingir.

            Foge de mim o tempo que funge.

            Forja-me o tempo fingido, fungível, fugidio.

Fases de Fazer Frases (II)

            Quem não larga a vida tem uma vida segura.

Fases de Fazer Frases (III)

            A indiferença é o tênue do esquecimento.     

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            “Medidas cabíveis”. Textos lidos, pronunciados ou escritos, principalmente nas notícias policiais, repórteres, jornalistas usam muito tal jargão. Não é preciso citar algum exemplo. O “medidas cabíveis” é figurinha fácil.

            Bastaria terminar a narração (radiofônica, televisiva) ou o texto impresso sem mais nada dizer, escrever. Policiais prenderam os assaltantes ainda no banco. E ponto final. É dispensável dizer que eles seriam conduzidos à delegacia (qual seria o outro lugar?) para: “medidas cabíveis”. O “medidas” por vezes é substituída por outra expressão, “providências”.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Como de hábito, ao caminhar a pé pela cidade, um mourãoense conversa em voz alta (provavelmente com um vizinho dele) o suficiente para eu escutar facilmente. “Nenhum governo ou político presta”. A questão nem é pela generalização, me chamou a atenção a calçada da casa dele, repleta de pedaços se soltando e sem uma árvore plantada. Bem, tem que possa achar – além dele – que deverá o político ou governo quem deve plantar, regar a árvore e arrumar a calçada. Acrescento, mais alguém para dar descarga da privada dele.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Maior preocupação não deveria ser a extinção do jornal ou livro impresso, mas sim o desaparecimento dos leitores. A sensação é que leitores vão morrendo sem que nasçam outros. 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

A vida da escola e a escola da vida

“O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados,

 mas é antes de tudo aprender a se desenvolver e aprender a

continuar a se desenvolver depois da escola”.

Jean Piaget

            A escola é sempre notícia. Encontrar fatos registrados sobre ela pelos meios de comunicação social ocorre com facilidade. Predominam notícias positivas das atividades escolares que promovem a educação e cultura, viram manchetes.

            Somos também a sociedade do espetáculo, das grandes chamadas sensacionalistas que ganham repercussão nem sempre com a séria verificação dos fatos com um mínimo de jornalismo competente. Ainda assim, não é o pior dos mundos. Tudo que acontece na escola pode ser registrado ao sabor daqueles que usam do celular para registrar acontecimentos e imediatamente se multiplicar nas redes sociais. Comentários diversos vão sendo anexados com as mensagens e imagens recebidas e reenviadas.

            Sem precisar historiar e entrar no mérito de fatos recentes pertinentes a estabelecimentos de ensino de Campo Mourão, o que merece reflexão é o tipo de manifestação, conteúdo de julgamentos, condenações, ataques que revelam a falta de responsabilidade. Evidentemente que ninguém pode sofrer censura prévia, é preceito legal, mas a mesma Constituição Federal brasileira também preceitua que toda pessoa é responsável pelas manifestações que tiver.

            Quanto a educação desenvolvida nos estabelecimentos de ensino, de que nível for, pública ou privada, todos têm o direito de participar da comunidade educacional. Não são só os estudantes e seus pais ou responsáveis, os professores, funcionários, os gestores. No entanto, a participação de todos, que implica em corresponsabilidade de fato é compromisso permanente e para tudo o que é o processo educacional.

            Ressalvando que não foram todos, mas infelizmente significativo número de pessoas destilou ódio, se expressou generalizadamente e sem poupar críticas pessoais e até se referindo a situações que elas mais imaginaram do que de fato constataram. Muitas delas provavelmente foi a primeira vez que fizeram críticas. Ficaram à vontade, O que faltou a muitas delas foi conhecimento, e o pior, boa fé.

            A aridez somada ao ódio, a atirar pedras sem conhecimento de causa, mas apenas para apontar erros, dos outros, só eles que erram. Não os cometem – acham – quem supõe fomentar o debate e a exigir providências.

            O tamanho de uma escola não é o prédio e as suas instalações, também faz parte uma de mensuração que é bem maior, o de seres humanos reunidos a desempenharem uma multiplicidade de papeis, sendo o espaço escolar uma estrutura e processo de socialização que não é só da e na escola, ela abarca e é produto da sociedade.

            Tamanho tão grande que uma escola é capaz de superar grandiosos obstáculos, que não são só dela nem cabe a apenas a si mesma. Desafios e ações permanentes, um longo trajeto de caminhar contínuo, que não pode e nem deve contar com os que acomodados que ficam em redes sociais disseminando fofocas, ódios para denegrir e ao mesmo tempo se promover. São as que não comparecem, não se reúnem para falar, ouvir, agir em conjunto em busca de soluções e de um mundo melhor,

Fases de Fazer Frases (I)

            Deixe-se ver para poder olhar dentro de si.   

Fases de Fazer Frases (II)

            Deixe-se olhar para poder ver fora de si.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            É boa a concorrência honesta. Nos postos de combustíveis de Campo Mourão a variação de preços era tão pequena, de centavos. Bastou um, de uma rede de supermercados, baixar bem os preços e até filas se formaram para aproveitar a oferta, o que levou outros postos a baixarem o valor. A decisão não foi bem pela primeira iniciativa e sim devido a sentida queda vendas.

Caixa pós-tal

            Guilherme Ferri diz da surpresa que esta Coluna causa, “qualquer assunto, pode ser tema, gosto desta expectativa”, escreveu de Campina da Lagoa.

Reminiscências em Preto e Branco

            Envelhecem pessoas que usam palavras antigas. Rejuvenescem ditas palavras antigas.

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

A mulher disfarçada de homem

       “Que mulher é essa/  que não se cansa nunca,/  que não reclama nada/ que disfarça a dor?

         Que mulher é essa/ que contribui com tudo,/ que distribui afeto,/ tira espinhos do amor!
     Que mulher é essa/  de palavras leves,/ coração aberto,/ pronta a perdoar?
      Que mulher é essa?/  que sai do palco,/ ao terminar a peça,/ sem chorar!
      Essa mulher existe,/  sua doçura resiste,/ às dores da ingratidão,/

                                                resiste à saudade imensa,/ resiste ao trabalho forçado,/

                                                    resiste aos caminhos do não! Essa mulher é MÃE,/ 

                                                                       linda, como todas são”

                                                      Que Mulher é Essa Ivone Boechat

            Ela desobedeceu o pai numa época que sociedade brasileira era patriarcal e machista. Gonçalo Alves de Almeida notou a falta da filha, ao procurá-la, ele nunca imaginou encontrar   alistada no Exército. Espanto maior: ela estava disfarçada de homem, ninguém desconfiou do então suposto soldado. O pai tentou trazê-la de volta para casa. A filha se recusou e foi apoiada pelo  major José Antônio da Silva e Castro, não por comiseração dele, e sim devido à bravura dela.

            Maria Quitéria de Jesus foi a primeira mulher militar brasileira. Bainana nascida em Itapororocas, hoje Município de Feira de Santana, entre os anos 1792 e 1797. O idealismo libertário  de Maria Quitéria, sobretudo pela independência do Brasil, motivou a fugir de casa e se alistar. 

            A bravura não provêm da farda nem se originou do hábil manejo das armas. Foi marcante a fibra de guerreira, Maria Quitéria era feminista, lutou contra imposições do domínio masculino que relegava as mulheres a condição de subalternas. Teve a audácia por não curvar-se a esse jugo.    

            Aportuguesada, a palavra Quitéria, vem de Kythereia, da cidade grega de Cítera, sendo a deusa Afrodite da beleza e do sonho, o que correspondia à Maria Quitéria.

            Aos 10 anos a mãe morreu, e talvez tenha existido uma influência na educação e nos afazeres domésticos, Maria Quitéria não se interessou em aprender costura, bordados. Ainda menina se punha a discordar da inferioridade da mulher presente em qualquer grupo ou classe sociais.

            Maria Quitéria de Jesus por muito tempo esteve esquecida na história, até o dia 21 de agosto de 1853, o Ministério da Guerra ordenou que todas as unidades do Exército tivessem o nome dela. 

            Brasileiras, são muitas as bravas mulheres de faces e história conhecidas, ao mesmo tempo anônimas, disfarçadas pelas fardas masculinas da vida. É ela o “homem” da casa, suporte maior ou o único da família que comandam a tropa de casa em casa mesmo e fora dela.

            Mulheres que sonham e lutam por um mundo justo, fraterno. Não esmorecem devido à  indômita valentia. Graças a doce graça, sem amargar-se em amarguras. Não se enredam e não se se rendem diante das vicissitudes da vida.   

Fases de Fazer Frases (I)

             Cercar-se de todas as certezas é deixar escapar a ousadia.

Fases de Fazer Frases (II)

            O pior vazio é preenchido pela inutilidade.

Fases de Fazer Frases (III)

            Espero que a espera não se exaspere.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Mulheres brasileiras trabalham em média 18 horas por dia, três a mais do que homens. Dupla jornada, o salário delas é menor. Sem se abater, enfrentam tal discriminação com estudo, elas já têm em média quatro anos a mais de educação formal.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Ao comemorar o gol que fez, segundo na vitória do Paraná ante ao Coritiba, quarta passada,  Diego tira a camisa. Gesto comum no futebol, de desrespeito aos patrocinadores, sobretudo no instante em que serão feitos os maiores registros de imagens, bem no momento mais importante, a marca do patrocínio desaparece. Falta grave!                  

Caixa Pós-tal

            Do cascavelense José Geraldo Almeida, “agradável é ler a sua Coluna e nem tanto por ter que esperar o próximo domingo, parabéns!”

Reminiscências em Preto e Branco

            A Casa de Sinhá, é um Museu dedicado à mulher, em Castro, histórico município paranaense. Pertences, móveis, publicações, espaço repleto de história, vale a pena conhecer.

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Ninguém ligava para TV, sem a mãe deixar

“Num orvalhar de saudosismo

O ressoar de canções antigas

Recordações deitam em risos

Lembranças vivas emergindo

Dentre as lágrimas contidas”

Sheila Castro

            Caso ela não tivesse acompanhado, tínhamos que mostrar as tarefas escolares, os deveres de casa. Então a mãe Elza nos deixava ligar o televisor, a partir das 17 horas. O aparelho Colorado RQ ligava devagar, era a válvula, surgia a imagem em preto e branco. O canal era a TV Coroados, de Londrina, a primeira emissora do interior do Paraná, inaugurada em 1963.

            Em 1969 outra emissora surge mais próxima de Campo Mourão, com qualidade melhor de transmissão, a TV Tibagi, canal 11, sediada em Apucarana, hoje com base em Maringá.

            Eu e meus dois últimos irmãos da prole de 12, Euro e Enio, ficávamos maravilhados com o início da programação, desenhos animados, Os Flintstones, Zé Colmeia, Manda Chuva e  programas como o Vila Sésamo, além de Os três Patetas e O Gordo e o Magro. A Tibagi, anos mais tarde, fez uma grande publicidade para anunciar que passaria a entrar no ar a partir das 11 horas. Sem dúvida um grande avanço na programação.

            Como professor eu rememorava como era aquele tempo, seria até natural que alguns alunos duvidassem que assim era a televisão, que funcionava desde que existisse uma boa antena externa para captar melhor a transmissão. Eram poucos os canais e eles encerravam cedo a programação, pouco depois da meia noite, sendo que nos finais de semana era até umas duas da madrugada.

            A Copa do Mundo de 1970 (México), levou a prefeitura de Campo Mourão a adquirir um aparelho grande, televisor colorido colocado em um suporte próprio na praça São José. Foi realizada solenidade para inaugurar aquela “obra”, reuniu muita gente, o prefeito era Horácio Amaral, (falecido) . Eu estava lá, para um então menino como eu, tudo era encantamento!     

            Assim como tínhamos que obedecer às ordens da minha saudosa mãe para assistir tv, quando aparecia a cópia de um documento que informava que tal programa era proibido para menores, não tinha conversa, saíamos da sala. Além do mais, dormir cedo para não perdermos a hora das aulas da manhã. Outra regra para assistir televisão, não era possível com o prato na mão. Refeições eram  feitas à mesa, “sem discussão e alvoroço”, frisava ela.

            Ao colocar a mão naquele enorme móvel, tinha vezes que a minha mãe desligava, “está muito quente, para não estragar”, e emendava, “gasta muita luz”, mas principalmente a grande lição era que tínhamos que ler livros, jornais, estudar e a televisão não era o mais importante, embora a família se reunia em torno dela.

Fases de Fazer Frases (I)

            Tempo passado não cura presente. Tempo presente cura futuro.

Fases de Fazer Frases (II)

            Sentido das palavras. Sentindo as palavras. O que tem sentido? Palavras.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

Olhos, Vistos do Cotidiano

            A polêmica sobre o recape asfáltico nas vias públicas de Campo Mourão, se a obra tem a qualidade necessária, gera expectativa sobre o que de fato está certo, quem está, ou não, com a razão. É preciso aguardar. (Como Reminiscências em Preto e Branco), em 2014 a revitalização do calçadão mourãoense estaria sendo utilizado um pavimento fora das especificações de durabilidade. Virou denúncia! O  Ministério Público arquivou em 2016. Formalidades à parte, o paver se soltou todo? O calçadão virou ruínas?  Confesso minha ignorância ante aos dois fatos. São meus óculos?    

Caixa Pós-tal

            O paulistano Caique Meira Andrez “estamos de braços abertos como brasileiros, mas sofremos muito com severas restrições e até humilhações em outros países”, frisou ele, a propósito da Coluna anterior, Refugiados, amados, ou não?, que se refere ao crescente número de venezuelanos que chegam ao Brasil, cerca de 800 por dia.

Reminiscências em Preto e Branco

            Televisor é o certo quanto ao aparelho. É errado quando se diz a televisão como móvel. O rádio, que é mais antigo e de uma época que a escola tinha mais qualidade, não existe confusão. O rádio todo mundo fala corretamente como referência ao aparelho. E a rádio é a emissora. Quem  tem a televisão é o Sílvio Santos, a família Roberto Marinho.. Nós temos é o televisor!  

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Refugiados amados, ou não?

“Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

Mahatma Gandhi

            Cerca de 880 venezuelanos chegam ao Brasil todos os dias. Já são mais de 52 mil, número que dobrou em menos de um ano. A maioria absoluta deles vem a pé. Eles caminham os 220 quilômetros para chegarem à Boa Vista, capital de Roraima. A cidade tem cerca de 400 mil habitantes e já conta com 10 por cento de imigrantes oriundos daquele país. Evidentemente que os 40 mil venezuelanos não conseguem o que buscam, trabalho, renda, moradia, condições para viverem como famílias.

            E o Brasil, o que tem a ver com tal situação? Ainda que possa parecer que a pergunta é sem respeito, educação e até autoritária, na prática está a exigir uma reflexão, bem mais além da questão venezuelana no Brasil.

            O Brasil é hospitaleiro, solidário, concepção que na prática não se pretende mudar. Não faltam brasileiros dispostos ajudar, haja vista, para citar outro exemplo, o terremoto no Haiti, quando acolhemos centenas deles.

            Segundo o que divulgou o IBGE na última sexta-feira, são 26 milhões os brasileiros a procura de emprego, trabalho que possa garantir renda e condições de se manterem economicamente. Não é preciso tecer maiores comentários o que a falta de emprego e renda gera,  ausência de perspectivas, colocando as pessoas na vala comum do violento desnível social, gerador da miséria e dos conflitos.

            Não estamos em condições de resolver, sequer atenuar nossos próprios problemas de imediato e de todos, quanto mais a de todos que já estão ou tem chegado como imigrantes.

            Não se trata de repartir o pão, dividir o prato de comida, o cômodo da casa com os imigrantes. Estamos repartindo o que não temos para todos os irmãos brasileiros, ou seja, o pão que falta, a comida que não temos para todos.

            Também nesta semana, quarta anterior, a CUT – Central Única dos Trabalhadores lançou uma nota na qual ela repudia os que usam a palavra refugiados. Na linha tosca, defendem que a Venezuela tem “um governo legitimamente eleito”. E que é preciso respeitar a soberania da Venezuela.

            Os venezuelanos é que estão espontaneamente fugindo de lá, expulsos pela fome, miséria que se espraia e derruba a maioria dos moradores do país. Refugiados são aqueles que se encontram na iminência de fugirem das condições que não mais conseguem inverter.

            O discurso autoritário dos que defendem a Venezuela e o regime não admitem nem um pouco a incompetência do governo causador de tanta desesperança.

            Não se trata de comparar o Brasil com a Venezuela, seja em qualquer nível. Mas é certo que temos problemas de mais para enfrentar, sem podermos absorver o que Maduro não consegue, a pobreza cada vez maior no país vizinho. 

Fases de Fazer Frases (I)

            O começo do infinito é só o início do fim.

Fases de Fazer Frases (II)

            Esteticamente a beleza não é estaticamente bela.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Denúncia, prisões, processos, o pedágio nas rodovias no Paraná (privatizadas estaduais e federais) é bem mais do que escândalo de corrupção. São vinte anos de elevados preços e, agora prestes a terminar o contrato, as empresas “correram” fazer obras para mostrar serviços, também para não ficarem desabilitadas à futuras concorrências. 

            Contratos secretos e secretamente modificados. Planilha de custos enrustidos. O que tem a dizer as concessionárias? A Assembleia Legislativa? O Tribunal de Contas? O Ministério Público? Abram ou fechem as cancelas?

Caixa Pós-tal

            Rosicléia Aparecida Pereira, “Parabéns pelos seus textos. Não é de graça que o senhor escreve há muitos anos na Tribuna”. É verdade quanto ao tempo, este ano completo três décadas.

Reminiscências em Preto Branco

            Sou do tempo em que o tempo não me pertencia. Hoje pertenço ao tempo que não me tem.

Mélqui, o sorriso canino

"Olhei para os animais abandonados no abrigo... os renegados da sociedade humana. Vi em

 seus olhos amor e esperança, medo e horror, tristeza e a certeza de  terem  sido traídos.

Eu me revoltei e rezei:- Deus, isso é horrível! Por que o Senhor não faz nada a respeito?

 E Deus respondeu:- Eu fiz. Eu criei você.”

Jim Willis

            Numa manhã chuvosa estudantes do Colégio Estadual Prefeito Antônio Teodoro de Oliveira, localizado no grande Lar-Paraná em Campo Mourão, se agitavam para assistir o recolhimento de um cãozinho que se encontrava no terreno baldio do outro lado da rua daquela escola. Ele estava muito magro, pulguento, pouca pelagem, costelas visíveis, arriado. Ainda assim o cão ladra, encontra força para não ser pego. Com muito jeito e paciência maior ainda, o homem da carrocinha estava ali para realizar o trabalho dele, dedicado e zeloso. Um menino, com aproximadamente seis anos, estava atento a cada ação daquele senhor, o garoto procurava entender, apreensivo, o que aconteceria com o animal.

Olhos se entrecruzam, do cão a latir bravamente, se contradizendo ao perceber que não escaparia ou por sentir que seria melhor para ele encontrar abrigo e sair das ruas molhadas, da chuva fria que encharcou seu franzino corpo. Olhares do menino que sentia que a preocupação dele – do cão e de si próprio – não tinham mais motivos. Tais dois olhares que se interligaram com o homem da carrocinha a apanhar o animal. Aquele homem, sem dizer uma palavra, transmitiu ao cão e ao menino o sentimento que ambos poderiam confiar nele, estava ali para acolher, mais do que recolher o cãozinho.  

Despediram-se. O cão veio ao encontro do Mélqui, sem antes deixar de olhar para o menino que acenou para o animal. Aceno daquele garoto que foi também endereçado para o homem que cuidaria dele.

A amizade pode brotar da adversidade, da incerteza e do infortúnio. Da compaixão e do socorro. Recordo o que parecia em mim depositado no esquecimento, mas emergiu noutro dia chuvoso, do carnaval, cenário no qual foi noticiada a morte do Melquisedec Ramos Santos, dia 12 passado. Chuva que descia suavemente no dia do enterro, a me lembrar de outra, aquela próxima ao colégio.

Mélqui era uma das pessoas mais queridas de Campo Mourão, por trabalhar com afinco incansável, a recolher animais, a dar-lhes o que não tinham, perderam ou nunca conheceram, o olhar de consideração.

O sorriso sempre de afeto, de gentileza e de amizade era uma marca dele, maior que o trabalho que realizava. Assim para com todos, ao cumprimentá-lo, a simpatia fora sempre nascente dos olhos impregnados de respeito. E não apenas nós, seres humanos e principalmente aqueles que o conheciam, sabíamos disso, o sorriso dele era de acolhimento sincero pelos animais errantes, que ele os fazia certos.

Fases de Fazer Frases

            Opostos são elo do duelo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O trabalho no Brasil não tem a menor importância e ficou para depois do carnaval. Pelo menos no âmbito do governo federal, passado um mês sem que a anunciada ministra da pasta conseguisse tomar posse, situação levada aos tribunais. A indicada, deputada federal Cristiane Brasil é fruto do loteamento de cargos partidários, filha do comandante da sigla, o PTB, ex-deputado Roberto Jefferson. O próprio nome-título do Partido não poderia indicar outro “trabalhista”? Não, o nome é só fachada. A pendenga jurídica foi provocada por um grupo de advogados trabalhistas e apontou, a deputada é descumpridora das leis. O Ministério do Trabalho ou qualquer política do trabalho não é sério no governo Temer, fosse assim outro nome já teria assumido.

Caixa Pós-tal

            Do goioerense José Roberto Gomes, “Basta eu começar a ler e não deixo de ir até o fim do texto, parabéns!”.

Reminiscências em Preto e Branco

            O passado também é uma tábua agarrada pelo náufrago.    

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Vaidade só para aparecer

“Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exigir”.

Honoré de Balzac

            Resolvi contar, 28 fotos! Imagens de um único dia. A certeza que amanhã, literalmente, tem mais e mais. É assim. As 28 não são diferentes umas das outras, tem uma em que ela está piscando, a outra já piscou e por aí vai.

            Se de fato é comum nos jovens, adolescentes, o caso citado se refere a uma pessoa que já passou tal fase da vida, ao menos cronologicamente. Ela espera avidamente comentários, e tão vaidosa que não chega a responder, ou faz como se estivesse num pedestal.

            Quando é elevado o sentido da vaidade, o extremo apego narcisista se caracteriza pelo  cuidado exagerado com a aparência.

            O vaidoso precisa ostentar orgulhosamente o que ele deseja que apareça, notável. Bom lembrar, imagem pode não corresponder ao conteúdo. 

            Ao deixar de lado o exemplo visual e não só das redes sociais, tem uma vaidade sutil, porém não é difícil perceber. É a de títulos. Pessoas que querem fazer parte de grupos sociais, de entidades classistas, agremiações apenas para enriquecer o currículo da vaidade.

            O problema não é apenas a aspiração. É quando a vaidade exclusivamente a de  colecionar títulos e exibi-los. Tão logo ingressam nessas organizações, não mais aparecem. Não dão satisfação. Porém, no currículo delas estão tão lá numerosas referências da pessoa a fazer parte disso e mais aquilo.

            Ego inflado chega a um ponto que determinada o aumento constantemente desejado pelo vaidoso: aparecer!. Mais do que ser visto, quer se destacar, se possível e sempre mais que os outros.

            Uma parte deles é de obstinados, caso não sejam observados, não se desanimam, aumentam as estratégias para aparecer. Se usassem um estandarte como símbolo, o pavão serviria, ainda que não a altura deles. 

            Alegria da folia carnavalesca está em se divertir, extravasar. Para o vaidoso é pouco, ele precisar aparecer em primeiro lugar, abrindo, fechando alas. O dono e mestre da escola de samba.

            A vaidade mais invejada é a do vaidoso dependente dela.      

Fases de Fazer Frases (I)

            Quem esquece de tomar remédio para a memória é porque ele não é bom. Nem ela.

Fases de Fazer Frases (II)

            Mãe sempre tem razão, a razão é o nome dela.        

Fases de Fazer Frases (III)

            O sábio não ignora a falta de conhecimento. Ele aprende com ela.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O calado tem bom gosto por não abrir a boca.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Muitas imagens. Imagens das câmaras comprovaram o furto e identificaram o homem de 32 anos, segundo publicou esta Tribuna. Ele carregava a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Outra imagem com ele, estampada na camiseta, também furtada. Local da apreensão, uma rua do Jardim Santa Nilce. Para se livrar das grades o homem poderá rezar e pedir ajuda divina. Sem poder adorar as imagens, que foram devolvidas.

Caixa Pós-tal

            “Parabéns pela sua Coluna. Não deixo de ler”, escreve o mourãoense Antônio R. Silva.  

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Não levará muito tempo e dentadura fará parte do passado. O implante dentário, moderno, ágil e seguro, também vai ficando acessível economicamente. Aquele imagem – que não deixa de ser mórbida – de um copo d'água, em cima do criado mudo, recipiente onde repousava a dentadura enquanto o dono dormia. Sempre sorrindo.  

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Tempos de roça no Brasil então em sua maioria rural, banheiro inexistia, quando muito uma “casinha” fora da casa. E quando apertava, debaixo da cama tinha o chamado penico, também conhecido de urinol. Pois bem, se no caso do segundo nome, embora como tal, não servia só pra fazê xixi.   

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Todas as frases de 2017 (FINAL)

“Nenhuma vida é intensamente vivida sem que outra dela faça parte”.

            Com as 35 frases de hoje, todas reunidas e somadas às duas listas das Colunas anteriores, encerra-se a republicação, recorde: 115 Fases de Fazer Frases.

            Caro leitor, desejo boa leitura! Além disso, toda manifestação será bem-vinda, quanto a frases e a tudo que vier a ser escrito neste espaço.

2018 será de fatos marcantes em todos nós brasileiros. Ano de eleições. Escolheremos presidente, governadores, deputados federais e estaduais e dois senadores. Sobretudo para presidente o quadro é complexo e até aqui caracterizado pela imprevisibilidade. No futebol a Copa do Mundo na Rússia mobilizará torcedores brasileiros do país todo. Iremos amenizar o vexame da seleção que jogando em casa sequer foi a final? Perdeu de 7X1 para os alemães! Vergonha mesmo que não tivemos suficientemente ainda é o número de estádios construídos, reformados com custo maior que o dobro, faraônicos tão monumentais quanto à corrupção vencedora de goleada!  

             81. Penso, posso me apossar do pensar. Pensar que o pensar se apossa de mim.

            82. Meu erro me acerta. É certo que erro.

            83. Não sobra tempo para jogar fora horas vagas.

            84. Todo o infinito tem começo.

            85. Todo o começo é finito.

            86. É mais sábio quem sabe e transmite a sabedoria para aprender.

            87. É o Aécio o ócio do Senado.

            88. É o Senado o osso do Aécio.

            89. É o cio. É o cioso. São má ciosos.

            90. Dia de ontem não se adia. Há dia de ontem. É à tarde tardia?

            91. A demora em compreender e perdoar eleva o fardo só sofrimento.

             92. Degrau mais importante é o primeiro ou o último? Depende. Subindo ou descendo?

            93. Quem contém toda a alegria retém toda tristeza.

            94. Só poderia perdoar uma única vez quem só tivesse um único recado.

            95. Nossas razões são ações que motivam.

            96. Nossos motivos às ações que dão razão.

            97. Nossas ações motivam à razão.

            98. Não espere. Aspire. Inspira à ação. Transpire.

            99. A verdade que se conta conta a verdade?

           100. Entardecer.

           É descer.

           É tarde ser.

           E tarda ser.

           É um “tar” de ser!

           101. Pode- se escolher o relógio, não as horas.

           102. O simples é filho do complicado. Por vezes é complicado ser simples.

           103. A vida é um quebra-cabeça que o coração consegue montar.

           104. Tristeza maior é não perceber poder alegrar-se.

           105. Vir toda a virtude é vir em virtude de vir.        

            106. Toda mancha se desmancha. Desmanchado pelo manchado nem sempre achado.

           107. Estrada. Entrada. Estada. Caminhos sem ou com data.

           108. O pessimismo é modo de tornar a realidade pior.

           109. A saudade é acompanhada da solidão. Mas sentir saudade é estar só.

           110. O deixado para trás, tempo carrega. O que se carrega, tempo não encarrega.

           111. Palavra não escolhe o silêncio. Ela, dita, silencia.

           112. Delicadeza é não reparar na grosseria.

           113. Se não tiver intenção, o olhar é só olhar?

           Se o olhar não for intenso.

           114. Nenhuma vida é intensamente vivida sem que outra dela faça parte.

            115. Enquanto não tiver aquarela, alegre-se com a cor que tiver. Pinte a imaginação.   

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Todas as frases de 2017 (II)

“Mar das incertezas é preferível, ao leito seco do pessimismo”.

(JEM – 2017)

São 115 frases de 2017. Um recorde, conforme balanço feito na última Coluna, início da publicação de todas as frases reunidas, 35. Hoje são mais 45: Boa leitura!    

36. Esperar por nada? Se possível esperar, nada não será nada.

37. Pensar não vale nada? Nada a pensar vale o quê?

38. Palavras o tempo apaga, ele escreve, descreve.

39. Das Mães é o Dia, de hoje, do Ontem, do Amanhã.

40. Todo o arroto está no roto como a emenda que não se emenda.

41. És todo astuto? É tudo, astuto. Susta tudo que o assusta?

42. Fazer de conta é mais difícil do que fazer conta.

43. Quem conta presta, presta conta?

44. Não confundamos: Guarda a tua mala; com o guarda da Guatemala.

45. Não confundamos: Estupefato; com o estúpido fato.

46. Não confundamos: Acrobacia; coma cor da bacia.

47. Não confundamos: O mor mente; com o mormente.

48. Não confundamos: O ver ver-me; com o ver do verme.

49. Não confundamos: A tenuidade; com o nu e idade.

50. Vida é abreviar o tempo. Ela já é breve.

51. Vida é ser.

      É ter-se. Vida é tecer.

      Ter que ser o que a vida é.

52. Volto meus olhos para as voltas que não vi.

53. Vem a visar. Visa suave ou intensa, sopro que traz o frio: no ver o inverno.

54. Soa o som do sino. Sino que soa só. Só o som é do sino.

55. Despistar palavras é despi-las.

56. Aonde a Íria iria eu não iria sem a Íria.

57. Direis que ireis? Dirás que irás? Digamos, iremos. Sem irarmos.

58. Separar bem ideias é o melhor argumento para juntá-las.

59 Tudo à vida assiste. Tudo na vida consiste.

60. Experiência, lição capaz de solução.  

61. Antes flores, sem vaso. Antes, vazo, sem flores.

62. Monólogo é fato por si ante a alheia mudez.

63. Mais se aproxima da morte quem se distancia da vida.

64. Ideias podem polemizar. E polinizar.

65. Se a moral alheia é só inveja, ela é falsa.

66. O que vem a calhar não vai encalhar.

67. Viagem é com g. Viajo é com j.

      Dirijo é com j. Dirigir é com g.

      Ao destino leve mala. Amar a palavra destina, amá-la.

68. Vi elas nas vielas.

      Vê-las sem velas.

      Vão elas. É delas as vielas sem elas?

      Elas sem as vielas?

      Todas elas são vielas.

69. Diga-me com quem andarás e lhe direi quem poderá ser.

70. A inveja por não ter sorte é o maior azar.

71. Estranho é achar tudo normal. Normalmente não é estranho.

72. Bom da idade é bondade. Mal da idade é maldade.

73. Mar das incertezas é preferível, ao leito seco do pessimismo.

74. A vida é troca. A vida toca. A vida não é oca.

75. Deixe-se de se deixar sozinho. Só não deixar-se sozinho.

76. Para sorver sopa não carece usar dentadura.

77. A ausência mais sentida é a falta maior.

78. Pesadelo é desistir do sonho sem ter outro.

79. Arrepio de pássaro é pio.

80. Só tem volta aquilo que não foi ainda.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Todas as frases de 2017 (I)

“Vida é ser.

É ter-se. Vida é tecer.

Ter que ser o que a vida é”.

(JEM – 2017)

            Cada Fase uma Frase, ao menos uma Frase. Média de duas Frases cada Coluna. Após o tema-título, primeiro subtítulo é Fases de Fazer Frases, proposital som (fonética) com palavras também graficamente parecidas. 2017 registra o maior número delas, recorde, portanto: 115 Frases. Reunir todas começou há seis anos. O menor número foi em 2011, 36. Eis os todos dados: 2012: 104; 2013: 106; 2014: 108; 2015:113 e 2016: 109.

            Antes desta lista das Frases reunidas iniciada hoje, uma triste coincidência. Em 2017 fiz menção à bela canção do Belchior composta com outro cearense, Fagner: Aquela estrela é dela/vida vento vela leva-me daqui, música intitulada Mucuripe (1976). Sem imaginar a morte do Belchior, foi ela que me levou a homenageá-lo no Artigo APENAS UM RAPAZ... VINDO DO INTERIOR, (edição 6-8,  maio).

            Eis as Frases de 2017 em ordem cronológica, hoje são 35:

  1. Esquecer-se do tempo é não deixar que o relógio lembre.
  2. Sobre viver: mais que sobreviver.
  3. Ali Alice aliciava. Alice nunca foi aliciada.
  4. Para o melhor fazer é preciso fazer-se melhor. Ser melhor é o melhor do fazer
  5. Vi o vigia que me vigia.

Fingia que não via o vigia que me vigia.

Via o vigia sem vigiar o que ele não vigiava.

  1. Não me tragam palavras: as que tenho me tragam.
  2. Afinal, restará o começo do final?
  3. Não é só encontro que marca. Marcado é o encontro não marcado.
  4. Pressa maior é de quem nunca teve ou desprezou calma possível.
  5. O machado machuca o macho. Não é do macho machucado o machado
  6. O aprendiz aprende e diz. E diz aprender.
  7. Conserve o que serve, se sirva do que se sirva. Sorva antes de sorvar.
  8. Quem em nada graça, corre mais risco de encontrar desgraça.
  9. Quem costuma falar sozinho nem sempre se opõe quando todos o deixam sozinho a falar.
  10. Eva porá água.

Evaporará a água da Eva?

Que vá a água da Eva.

Que não vá a Eva com água.

Que não virá a Eva com água.

  1. Não verá nada o olhar para o tempo quando o tempo não tiver nada olhando.
  2. O botão da florista abriu. O da flor dela? Ou o dela?
  3. Vi a vidente com o dente evidente. Evidentemente o dente da vidente eu vi.
  4. O almirante Prestes estava prestes ao mirante.
  5. Quem é vivo sempre aparece. Quem é morto padece.
  6. Só faltam palavras quando faltam ideias.
  7. O que é conseguido primeiro: aumentar a inteligência ou diminuir a ignorância?
  8. Para o Bastião basta chamá-lo de Tião.
  9. Custa o ódio do Custódio?
  10. O Homero é mero e não homérico.
  11. Só o alho caiu no soalho: ato falho.
  12. Não confundamos: encompridar com em cumpre dar.  
  13. Palavras dizem o que não se quer dizer, escritas e não lidas.
  14. Não espantem os pássaros: esperem que voem. Pousarão humana imaginação.
  15. Alvorecer, alvo do ser.
  16. Na corrida contra o tempo, é o tempo que conta.
  17. Paira no ar a poeira. Se chover, vira lama.
  18. Ter asas para a imaginação... Mas aonde pousam as ideias?
  19. Para ser notado, o mais importante é a chegada ou o ir embora?
  20. Para não ser interrogado? Basta tirar o sinal de interrogação.