José Eugênio Maciel
Diálogo com ele

O silêncio é o diálogo mais profundo.

Juliana Pacheco

            Sábado. Um dia inteiro, uma noite. Sozinho em casa.

            Sossego, térreo e no andar de cima. Sem ruído, só o habitual.

            Rua se espreguiça, deserta. Frio lá fora rodopiava, zunia. 

            Telefone fixo não tocou. Como o móvel, desligado.

            Ouço café despejado à xícara, sorvo. 

            Se pensei, não lembro o quê e não desejei ficar pensativo.

            Ainda assim dialoguei com o silêncio, displicente a escutá-lo:

            Se ele quisesse me dizer. Eu nada a lhe falar.

            Só a ficar. Mínimo a me mover. A me ver.  

            Não ouvi a minha ou qualquer voz escutaria.  

            Não cogito falar. Silêncio como no sono, sonho mudo.

            Ouvidos tapados das paredes sabáticas, como as portas, janelas. 

            Como silêncio da casa e o meu silêncio com ela casa.

            Um só tempo o silêncio, assim comigo: mudos.

            Não mudamos. Moldamos quietude nossa.

            Porque palavras a nada dizer? Falar o nada com elas todas?

            Indago ao silêncio em silêncio me silencio.

            Não responderá a quem e de quem não ouça.

            Ora (?) na hora de ir embora: embora silencie sem ele. 

Fases de Fazer Frases (I)

            A melhor roupa para a melhor ocasião é a que poderá tirá-la.

Fases de Fazer Frases (II)

            O sentido duplo duplamente faz sentido?

Fases de Fazer Frases (III)

            Só não perde vergonha quem nunca teve.

Fases de Fazer Frases (IV)

            A paz depende da guerra que pode ser evitada.

            A paz depende da guerra que pode ser ganhada.

            A paz é o que se faz e se tem dela.

Fases de Fazer Frases (V)

            O barco a deriva.

            O bar deriva.

            O arco abarca.

            O banco arca.

            São palavras que se parecem sem desaparecem.

Fases de Fazer Frases (VI)

            Perda maior de tempo é do tempo que não existia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Motorista é preso por embriaguês e passageiro por desacato; Motorista bêbado derruba motociclista e três são presos. Foram as manchetes, seguidas uma da outra, dia 19 passado, do Sítio Tá Sabendo, assinadas pelo jornalista Clodoaldo Bonete. Só para citar dois recentes acidentes de trânsito em Campo Mourão causados pela embriaguês e fuga do local, respectivamente. A sensação é de impunidade, eis o sinal.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Hibernus, hiberno, palavras latinas originárias da estação que iniciou o inverno. Tem a ver com hibernar, sentido de precaver-se diante do frio de modo a fazer pouco esforço físico para não consumir demasiada energia do corpo humano. Somos assim no envernar, parecemos ursos polares.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            A fumaça, do fogão a lenha, de dentro, chaminé afora, mistura-se ao cinzento do tempo frio, cerração, neblina, brumas. O fervente do quente café para mandar o frio ao longe. Tudo se dissipa do tempo passado, esfumaciado.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Tem que falar dela

Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola.

Nelson Rodrigues

 

            A 21ª Copa do Mundo começou. A sede é a Rússia, antiga URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

            O Brasil é o único participante de todas as Copas e a seleção que mais tem títulos, cinco. Na análise estrangeira o Brasil sempre figura na lista de favoritos. Não é diferente agora.

            Coisas do futebol, sede da Copa passada, sequer chegou a final, sofreu duas goleadas, diante da Alemanha (7X1) e Holanda (3X0), retrospecto negativo mas que não afeta o favoritismo, segundo cronistas esportivos internacionais e enorme número de brasileiros.

            Pesquisas e sondagens, além do senso comum, a Copa pode até iniciar com recepção fria nos jogos da Seleção brasileira, seriam assistidos de longe, sem empolgação, pelo menos a metade não estaria entusiasmada com o Brasil, mas, ainda outra metade confia, ou até não crendo, torcerá.

            Não pela Seleção, porém o momento político, econômico e social brasileiro, tamanhas as agruras, que torcer seria um modo de escamotear a realidade. Ainda assim não se torcerá contra. E a favor pode parecer torcida de apoio ao presidente Temer. Torcer pela Seleção não é apoiar a FIFA e CBF entidades marcadas pela corrupção entre dirigentes, jogadores e empresas.         

            Se a eliminação histórica e precoce do Brasil em 2014 marca torcedores, na verdade todos os brasileiros deveríamos ficar mais tristes por termos ganhado no desvio de recursos das obras e daquelas que até hoje não foram concluídas ou sequer começadas.

            O futebol é cultura brasileira, popular. Jogar bola é socialização, reúne pessoas até então desconhecidas, mas que em torno de uma bola, formam times, vibram, organizam encontros. Se a Copa é sofisticação milionária das seleções, estádios, é centro das atenções do esporte mais popular do mundo, o futebol começa ou se pratica em qualquer quadra, campo com grama, cimento, chão batido, canto de terreno. Bola oficial, esfera linda e tecnologicamente primorosa, também pode ser de meia, ou qualquer outra coisa que seja ou vá se arrendondando.

Fases de Fazer Frases (I)

            Quando a preguiça dá trabalho atrapalha o descanso.

Fases de Fazer Frases (II)

            Se o caminho for errado não adianta andar direito.   

Fases de Fazer Frases (III)

            Todo escândalo é espetacular mas nem todo espetáculo escandaliza.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O andante ambulante é abundante de andar.

Fases de Fazer Frases (V)

            O Mais gosta mais do Menos. Mas o Menos não gosta mais do Mais.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            O Parque do Lago de Campo Mourão dá sorte e azar a um só tempo. Dois inimigos do alheio foram presos quando iam em direção ao Parque. Um homem que furtou uma loja foi pego quando estava com parte do roubo, panelas. Noutro caso solucionado o adolescente pedalava rumo ao Parque com a bicicleta furtada. A notícia (terça) é da CRN – Central Regional de Notícias.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            A música que é tão ouvida e tradicional quanto a Seleção nas Copas foi composta por Miguel Gustavo Wernec de Souza Martins. O trecho mais cantado, 90 milhões em ação, parece que todo Brasil deu a mão, todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção!

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O referido compositor, que foi também músico, jornalista e poeta, morreu dois anos depois da Copa de 1970. Um fato histórico interessante, que ajuda a memorizar a história demográfica, é que a letra inicialmente se referia a 70 milhões, número oficial do total de brasileiros. Mas sabido o resultado do CENSE do IBGE feito em 1970, apontava: Brasil chegava a 90 milhões de habitantes, aí a música foi também atualizada.

            Devido a conquista do tricampeonato pela Seleção considerada por muitos a melhor de todos os tempos, a música se tornou hino do futebol, cantada por sucessivas gerações. Hoje, somos mais de 200 milhões em ação. Que pra frente Brasil não se limite ao futebol.

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'Maneco da Farmácia', a bula era ele

Morrer é quando há um espaço a mais na mesa afastando as cadeiras para disfarçar, percebe-se o desconforto da ausência porque o quadro mais à esquerda e o aparador mais longe, sobretudo o

quadro mais à esquerda e o buraco do primeiro prego, em que a moldura não se fixou,à vista,

fala-se de maneira diferente esperando uma voz que não chega, come-se de maneira

diferente, deixando uma porção na travessa de que ninguém se serve, os cotovelos

vizinhos deixam de impedir os nossos e faz-nos falta que impeçam os nossos.

Antônio Lobo Antunes – A Morte pela Solidão

 

            Botica era como se chamava farmácia. Também antigamente era escrito pharmácia. Lembrança do Brasil ainda predominantemente rural, o farmacêutico prático ou de formação fazia   papel de médico, sobretudo nos longínquos e pequenos lugares, onde o hospital era a Drogaria.  

            Nascido em Guarapuava, seis de julho de 1938, - completaria 80 anos – aportou no Campo Mourão em 1955. Sem dúvida o Maneco da Farmácia sempre foi uma das figuras mais queridas e populares, origem do apelido autêntico, identidade profissional: 60 anos de dedicação laboriosa.

            Receita ele tinha, a prescrição familiar para com amigos e todos que o procuravam, devotava-lhes esmerada atenção humana, em cada gesto, ampolas de consideração. Tão importante quanto o Almanaque entregue entre final e início de ano, essencial como a balança para os fregueses se pesarem, no cenário a presença dele, esguia, sorridente, alinhada, pronto para atender, de guarda-pó ou jaleco, Maneco saudava a todos efusivamente.

            Drágeas não eram a venda de qualquer produto medicamentoso, ele didaticamente informava o paciente ou familiar como seguir cada orientação, conselhos sábios em ampolas.  

            Estava sempre de plantão, noites e noites, não tinha domingos ou feriados, de frio, chuva, no breu da vida na qual a esperança de um paciente era tão delicada que o socorro era iminente, seja a hora que fosse, o Maneco da Farmácia estava pronto, disposto. Foi comum nessas seis décadas, enfermos buscá-lo diretamente. O olhar clínico, vivência, estudo (sem exagero) era superior a muitos saberes científicos, sequer ensinados em faculdades de medicina. Era doutor,  ministrador,  calmaria e conforto.

            Iniciava e cultivava amizades com a característica maior da atenção eloquente, costume arraigado antes de ser profissional farmacêutico, advindo da época que foi cobrador de ônibus, frentista e balconista de loja nesta cidade.

            Último adeus, dia cinco, terça, 79 anos.

Fases de Fazer Frases

            Vida é miragem, viagem, passagem, paragem. 

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Noites gélidas. Pessoas se recolhem/encolhem  cedo. Lua carece de um manto, das estrelas.  

Reminiscências em Preto e Branco – Obituário: LUIZA CATHARINA FERRI ALESSI

            O luto e a saudade escorrem nas velas de velar, marcam a vida que se findou. Ela partiu, assim como permanece. O legado inspirador, sólido, transmitido aos filhos, netos, demais familiares e amigos. Criou seus descendentes pelos exemplos do bem ser, bem-fazer, retidão, caráter. Dona Luiza, pioneira de Campo Mourão, veio de Tapera, Rio Grande do Sul, se afeiçoou a terra, no duplo sentido da palavra, solo fértil e lugar como Município.

            Nas atribulações, apreensões e desolação ela se fazia presente sem esperar que a chamassem, guiada pela fé, espírito da misericórdia e generosidade tão próprias dela. A prosa amiga do olhar no olhar dos olhos daqueles que careciam de amparo. A fé da dona Luiza era das orações, novenas, cultos. Bem além da reza e do terço em mãos, as mãos dela acolheram e cuidaram. Mãos realizadoras voltadas e devotadas aos enfermos da Santa Casa, quantos foram desinternados e não teriam uma roupa. A doação de peças passavam antes pelas mãos da senhora Luiza, que costurava, punha botão, lavava, perfumava para então entregá-las.

            Para citar um fato familiar inesquecível, comovente, por ser amiga da minha saudosa mãe Elza, dona Luiza tinha a rotina de visitá-la, vizinhas que foram, e posteriormente dados aos problemas da falta de saúde de minha mãe, dona Luiza esteve sempre presente e prestativa, a reafirmar a amizade que as unia familiarmente. A visita  era como uma janela aberta pela qual penetravam os raios solares e a brisa da manhã, renovação carismática. Quinta-feira, dia sete, 82 anos, és agora reminiscência inspiradora e saudade.

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SEM UM BOM DIA, O DIA NÃO É BOM?

Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam,

de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.

Machado de Assis

            Independentemente da hora cronológica (ou não) que começa o seu dia, já terá recebido muitas mensagens, entre tantas outras que chegarão na tela do celular, dizeres, luzes, corres, sons, tamanho, de todos os tipos. Novas, requentadas…. Todas desejando um Bom Dia!. Mais, afirmando que de fato o seu dia já é bom, ou só dependerá de você. Mensagens com sol, lindas músicas, tudo de bom, porque o bom é tudo. E você é – ainda que não saiba ou sinta – o bom e o tudo. O dia pode ser – se já não for – o detalhe.

            Até aqui, sem objeção ou ironia, é só relato. Não me incomodo, não reclamo e leio, vejo todas, assim como repasso mensagens que seleciono como as melhores do dia.

            Caro leitor, em nossa conversa, você aí com seu jornal ou diante da tela do computador, celular, imaginemos agora um encontro em pessoa: a sua pessoa com a minha pessoa. Como seria o nosso cumprimento? Que gestos e palavras usaríamos?

            O que me leva a escrever é o que vivenciei em pouquíssimos minutos. Diante de uma pessoa daquelas que enviam muitas mensagens como as citadas acima, repletas de emoção, intenções positivas. Seria natural esperarmos que ela, ao vivo, fosse como espelho, fonte ou reflexo de tais mensagens otimistas. Mas ela nem olhou para mim. Antes fosse só eu o ignorado. Os demais tiveram cumprimento seco, rude.

            Assim findo nosso diálogo: Bom Dia!. Claro que não me refiro ao caro, raro e ocasional leitor. Meu Bom Dia é natural e não carece de imagens sons, que não sejam autênticos.

Fases de Fazer Frases (I)

            Tudo faz sentido quando não existe indiferença

Fases de Fazer Frases (II)

            Toda vontade é desejo. Nem todo desejo é vontade.

Fases de Fazer Frases (III)

            Acúmulo do cúmulo é acumular?

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Vândalos apedrejaram a Unidade Básica de Saúde da Vila Guarujá, em Campo Mourão. Na Coluna anterior o tema principal (BAR-BARIDADE) é o dano ao patrimônio público. O vandalismo, embora sem surpresa, pois são frequentes tais fatos, não devemos ficar indiferentes a criminosa ação desse ou de qualquer outro tipo. Semana que tem mais?

Reminiscências em Preto e Branco (I) – Obituário         

            Seja o som das redações, diálogos, telefones tocando, da digitação, transmissão televisiva ou radiofônica, o barulho da impressão; ou seja o silêncio de todos os meios de comunicação, ambos a significarem a perda, homenagem fúnebre: interrupção ou o trabalho da notícia.

            Manchete, Última Hora, Tribuna da Imprensa, Diário da Noite, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, dentre outros veículos nos quais ele trabalhou com dedicação, ousadia e inovação. Jornalista de talento singular, deixa um legado profissional sério, investigador. Herança de belos textos e de conduta ética, independência jornalística. Foi também professor de Comunicação.

            É ele o pioneiro a refletir sobre a imprensa através dela mesma. Revolucionou o conceito e prática, além do visual de muitos jornais, notadamente o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo. Pioneiro com a criação conhecida de todos, o Observatório da Imprensa. Carioca, morreu na terça passada aos 86 anos, Alberto Dines. Uma de suas colocações: O juízo sobre a informação tornou-se tão importante quanto a própria informação. O território da crítica expandiu-se de forma tão extraordinária que os críticos tornaram-se criticados e a matéria criticada tão importante quanto aquela tida como acrítica. A internet consagrou-se imediatamente como canal alternativo para fugir dos impasses produzidos pelos grupos de pressão na grande imprensa.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            O Sítio Tá Sabendo noticiou (dia 22) o fechamento da Estação Climatológica de Campo Mourão, ela funcionou por mais de 50 anos. Principalmente para produtores rurais, foi indispensável meio de informação sobre o clima. O Programa Anísio Moraes, Rádio Colméia ampliava a divulgação do tempo, temperatura e previsão. A sofisticação tecnológica atual foi determinante para o fechamento da Estação. Agora é história.

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Bar-baridade

Se você destrói um bem público, na hora você é vândalo.

Se você deixa destruir aos poucos, é político.

Alessandro Martins - blogueiro

            POPULARES ATRAPALHAM BOMBEIROS E AINDA FURTAM CONES DURANTE A OCORRÊNCIA, noticiou esta Tribuna, sexta-feira passada. O título é suficiente para se lamentar e ficar indignado com tamanha súcia. Quando chegaram para atender uma ocorrência a uma pessoa embriagada que caiu da bicicleta e ainda por cima ela se feriu com a garrafa de bebida alcoólica. Ainda segundo a notícia, os bombeiros tiveram dificuldade para prestar o devido atendimento, por causa das pessoas que bebiam em um bar próximo da ocorrência, Jardim Santa Cruz, Campo Mourão. A malta reunida além de atrapalhar o socorro, eles furtaram dois cones de sinalização, tivemos que tomar muito cuidado para não ocasionar outro acidente, declarou o cabo Gusmão.

            Não faz muito tempo, além da Tribuna do Interior, demais meios de comunicação registraram fato pertinente a bem público: jovens que carregaram um cavalete de sinalizar impedimento de via. Informação e denúncia levaram a Polícia ao prédio onde encontraram furtadores e o cavalete.

            A malta que agiu nos dois casos evidentemente ao menos supõe não ter que arcar com as consequências da vandalização e se acham inatingíveis da sanção legal como reparar danos.

            Não é a remota hipótese falta de educação, respeito ao patrimônio público, mas sim o ávido desejo de produzir o dano esperado, é o que querem o antro de maltas. Pagamos a conta como contribuinte quando poderes públicos têm que fazer o reparo ou a aquisição patrimoniais.

            A solução não é ir para cadeia, mas independentemente dos preceitos do código penal e da administração pública, bom seria se, durante um determinado tempo os autores tivessem que prestar serviços comunitários como carregar cavaletes, cuidando-os por alguns meses; limpar, zelar e colocar/recolher os cones quando foram acionados os socorristas. 

Fases de Fazer Frases (I)

            É preferível repetir o erro a ter que cometer erro maior.

Fases de Fazer Frases (II)

             Tenha tempo. Não detenha o tempo.

Fases de Fazer Frases (III)

            Quem se prende ao medo liberta para dentro de si a covardia.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Desejo por ar-condicionado pode aquecer ainda mais o planeta Terra, manchete do Jornal Folha de São Paulo, última sexta. Tudo certo. Mudando um pouco o sentido, mesmo sendo manchete tem aquelas que são bizarras, engraçadas ou tristes e que podem parecer invenção. Mas não, têm notícias e manchetes que são verdades mesmo. Para citar só uma: Jesus é preso na Cidade de Deus por furtar Igrejas em Manaus, foi a manchete do Jornal Diário de Pernambuco. Só tem um errinho, igreja está escrito com a inicial maiúscula, e o certo é minúscula, referente a um espaço físico, enquanto que, com maiúsculo, Igreja se refere a Instituição Religiosa, como Igreja Católica.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            A notícia mais quente: vai esfriar. Sugestão deste escrevinhador, devido a queda da temperatura neste fim de semana.

Reminiscências em Preto e Branco

            Em muitos papéis, sobretudo nos mais destacados, antes do nome do personagem, tinha a expressão Dona. Foi sempre dona, a dona do personagem, da cena, da trama. A dona da interpretação singularmente simples, mas notória, inspiradora, exemplar. Dona do talento que emprestava, transmitia, inspirava, seja contracenando com grandes nomes da televisão e do cinema, foi referência positiva para os estreantes, novatos que tinham nela a mestra. Ela fez e continuará a ser história.

            O papel mais lembrado, um programa que não sai da memória de muitos telespectadores, A Grande Família (1972) personagem Dona Nenê, deu vida a realidade das mulheres que são mães e donas de casa. Outros dois papéis cabem lembrar, também com o chamado inicial de dona: Pombinha em Roque Santeiro (1985) e Dona Carmem, o último papel dela, na novela O beijo Vampiro (2002). Dia 16, aos 93 anos, enterrada na terra de nascimento, Jundiaí, São Paulo, Eloísa Mafalda é agora saudade.   

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Tudo vê-se parte

A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que

ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.

Arthur Schopenhauer

            O todo é percebido ao notar todas as partes anotadas.

            Acontecimento levado em conta cada fato de fato.

            O todo de um dia todo é sentido com o passar, envolver das horas.

            Feito de detalhes, entalhes.

            O todo é a revoada dos pássaros, contemplar de cada um, asas que batem.

            Chuva ao cair de cada gota do céu, cada nuvem. 

            O todo é o jardim, de cada flor em flor.

            Livro lido página a página, de cada linha que se alinha e se alia no lido da lida.

            O todo do vento que é a brisa, início e fim do vendaval. 

            Chama que queima cada fagulha. 

            O todo se arvorar da árvore em cada raiz, galho, todos os frutos, da semente.

            Escadaria, degrau a degrau, graus subidos, descidos.

            O todo é o final, cada capítulo, epilogo.

            Choro, deter-se a cada lágrima escorrida triste/alegre.

            O todo é o enxergar do tudo ao nosso alcance, somatório de cada ver que tem a ver.

            Saudade sentida de cada ausência, falta por inteiro no vazio inescapável.

            O todo é dos cabelos, cada fio.

            Caminhada, na passada de cada passo e do que posso.

            O todo da multidão que tem o rosto na face de cada um.

            Grande realização originária de cada ação, uma a uma.

            O todo ser que é cada vir a ser. Em torno do tornar-se.

            Prosseguir repleto de cada seguir.

            Ilusão que não é sem cada en(desen)gano.

            O todo de toda a vida findada por todas as mortes que um dia levam a todos em cada um.  

Fases de Fazer Frases (I)

            O silêncio do ruído. O que ruiu em silêncio.

Fases de Fazer Frases (II)

            O tempo vencido não derrota o futuro.

Fases de Fazer Frases (III)

            O Senhor do tempo não usa relógio.

Fases de Fazer Frases (IV)

            A desordem é a ordem invertida.

Fases de Fazer Frases (V)

            Atribulado. A tribo ao lado.

            Atributo. Trio bruto.

            Atribuição.A tribo em ação.

            Tributo ao bruto.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Mulher mantinha idoso acorrentado em Campo Mourão, manchete desta Tribuna, sexta passada. O Jornal informa que a mulher, 38 anos foi presa. Em que pese cadeado da cela, estando presa não terá os pés acorrentados nem será negada a ela comida.

Caixa Pós-Tal

            Acho que as ideias chegam até você atraídas pela sua própria inspiração, escreveu Maria Alice Beltrane, leitora assídua de Cuiabá, Mato Grosso.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Exerceu dois mandatos, o primeiro de 1997 a 2000 e o segundo até 2004, quando presidiu a Câmara de Vereadores de Campo Mourão. Tinha como característica a simplicidade no trato com os eleitores e no exercício do mandato, além de honrar a palavra dada. Na primeira legislatura fomos companheiros de bancada, ele pautava a atuação principalmente em defesa do esporte amador. Juvenal Vieira despediu-se da vida dia 30 de abril.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Colchão de palha, coberta de penas. Cama de ferro e molas. Antigos da roça. Todos dormiam o sono dos justos.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Nelson e o antigo cinema novo

A questão fundamental da nossa cultura hoje é: seremos independentes

 ou morreremos, como disse dom Pedro.

Nelson Pereira dos Santos

            Ao tomar posse em 2006 na Academia Brasileira de Letras, ele manifestou surpresa pela escolha, afinal seria indagado, o que fez por merecer para ser acadêmico e o que faria na ABL. O cineasta filmou a nossa literatura com destaque para o dramaturgo Nelson Rodrigues e Graciliano Ramos, respectivamente Boca de Ouro e Vidas Secas. Tais obras já tinham o reconhecimento no meio literário, ainda que não fossem lidos pela grande massa de brasileiros.

            É inegável e notável, Nelson Pereira dos Santos fez o cinema brasileiro, filmou a nossa literatura, com inovação, ousadia, simplicidade e sentimento legítimo da brasilidade que ele bem conhecia.

            Morreu sábado passado (21) com 89 anos devido a problemas com saúde. Rio 40 Graus e os filmes citados acima trazem nas imagens encenação de bons autores, nossos retratos inúmeros e típicos da diversidade cultural.

            Comprometido e apaixonado pela nossa cultura, começou a carreira em 1947, embora formado em Direito não foi de fato advogado. A paixão pelo cinema deve-se ao pai dele, que o levava as exibições na telona comentava sobre os filmes, adquiriu e bem cultivou o gosto por essa arte.

            O contraste é que cotidianamente na televisão e no cinema predominam a cultura estrangeira, ao passo que a brasileira, fica longe, sofremos uma influência dos enlatados. Nelson não se acomodou nem se amoldou ao que não fosse Brasil.

Fases de Fazer Frases (I)

            Se infinita a bondade, eterna é a gratidão.

Fases de Fazer Frases (II)

            São poucos os muitos? São muitos os poucos? Tudo é muito pouco. É pouco o muito.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

                        O senhor quer que eu passe veneno para desbaratar, matar todas as baratas e insetos?, disse um senhor ao me oferecer tal serviço. Embora a palavra possa induzir sinônimo  matar baratas, desbaratar tem dois significados: Vencer, derrotar; e Esbanjar, desperdiçar. A expressão é usada por policiais e jornalistas, referência a quadrilha, que foi desbaratada pela polícia. A quadrilha foi vencida pela polícia. Ainda, a quadrilha fugiu em bando.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Prefeito nenhum quer fazer, logo será esquecido pela população, palavras do prefeito Mílton Luz A, de Campina da Lagoa. Segundo o Sítio Boca Santa (edição, quinta anterior), o prefeito completou, o tempo dirá quem está certo. A constatação dele é prática antiga de uma política ruim, quanto as obras necessárias que, por não serem visíveis, não dá voto, como a que está corretamente sendo feita lá. Típica da velha política tacanha, prefeitos em muitas cidades brasileiras erigiram fontes luminosas, portais, ante a falta de redes de esgoto, água ou pluviais.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Intriga da oposição, disse o prefeito Mauro Slongo sobre as prisões temporárias no caso de suspeita de corrupção em Luiziana. Demorou para falar sobre funcionários da confiança dele que estiveram presos. Se existe ou não o mensalinho para a campanha de reeleição. Slongo não entrou no mérito, intriga ou não, ele e vereadores devem explicações, a separar o joio do trigo, provando que não são farinha do mesmo saco.

Caixa Pós -Tal

            Do chefe da CIRETRAN de Campo Mourão, se referindo à Coluna anterior NA CADEIA SEM TRÂNSITO, sobre a nova lei mais rigorosa dos crimes de trânsito, motoristas dirigindo embriagados: Muito boa tua Coluna. Obrigado, Neuri Dal Molin.

Reminiscências em Preto e Branco.

           Por falar em prefeito, está em desuso o sinônimo da palavra prefeito: alcaide. Origem árabe al-caid designa, no espanhol, indivíduo que cuida do castelo, (do Dicionário Online de Português). O que chama mais a atenção é o significado no Brasil, segundo a citada fonte, alcaide é coisa sem utilidade; ou mercadoria que não mais interessa a ninguém. Sem generalizar, a antiga palavra serve aos dias atuais brasileiros.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Na cadeia, sem trânsito

A má educação no trânsito é tanto que até parece

 que motorista educado só anda de carona.

Autor desconhecido  

            Desde o dia 19 de abril está em vigor mudança na Lei 13.546/17 e das normas inerentes ao Código de Trânsito Brasileiro – CTB, que eleva a pena para os crimes relacionados à embriaguez ao volante. A legislação foi aprovada em dezembro do ano passado, tendo naquela ocasião o merecido destaque pelos meios de comunicação, o que novamente ocorre hoje quando ela passa a valer.

            A embriaguez ao volante tem agora como pena mínima dois anos, sendo que anteriormente era de seis meses. Quando dirigir alcoolizado ou por ter no organismo substância psicoativa, o crime de homicídio culposo ou de lesão corporal culposa, é de cinco a oito anos de reclusão, sendo que antes a pena era de dois a cinco anos. Agora somente o juiz poderá arbitrar fiança, podendo ou não determinar a continuidade da prisão, sendo que antes era a autoridade policial que decidia a respeito.

            No Brasil são pelo menos 47 mil mortes por ano e são 400 mil pessoas que ficam com algum tipo de sequela. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o Brasil está atrás apenas da Republica Dominicana, Belize e Venezuela.

O custo das mortes e da incapacitação é de 56 bilhões de reais, conforme dados do Observatório Nacional de Segurança Viária. Tal valor daria para construir 28 mil escolas ou 1800 hospitais.

            A nova Lei Seca precisava ser mais rigorosa e espera-se que a severidade possa inibir os motoristas. A fiscalização não muda nada em termos da lei.

            Falta educação para o trânsito? Falta educação no trânsito? O exame para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação prática e teórica é adequada? Em geral para todas as indagações é possível afirmar que não. Não existe desconhecimento do motorista e pedestre, o que há infelizmente é a negligência, imperícia e imprudência que, somadas ou cada um por si, geram acidentes de toda ordem e que poderiam ter sido evitados.

Depois de décadas de ensinamento com as crianças já nos primeiros anos escolares, era para ter sido possível gerações mais recentes, o suficiente a formar uma consciência condizente para conduzirem-se no trânsito. Mas não, continuamos sem condições que diminuam o número de acidentes, consequentemente o de mortes ou de incapacidade e sequelas permanentes. De 2009 a 2016, por exemplo, o total de óbitos pulou de 19 para 23,4 por 100 mil habitantes.

            De um lado a velocidade alta e intensa no trânsito, de outro, a lentidão da justiça. Nós somos tão responsáveis quanto vulneráveis e vítimas, mas, na maioria das vezes, nos omitidos. Tudo não é fatalidade.

Fases de Fazer Frases (I)

            Não basta olhar para dentro de si. É preciso nosso próprio e o olhar alheio.           

Fases de Fazer Frases (II)

            Seria séria a sereia?

            Seria a sereia que ria?  

            Ia e ria a sereia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Se for quadrilha ou não, a investigação dirá, até se inocentes foram presos. Luiziana é notícia sobre corrupção no âmbito dos poderes municipais. E o possível chefe da quadrilha? Na redoma do foro privilegiado?     

Caixa Pós-tal

            Leio todo final de semana a sua coluna que sai nos sábados, indiscutivelmente filosófica e cultural, escreveu Denir Dalefi, de Campo Mourão.

Reminiscências em Preto e Branco

O aroma do café da manhã. O ruído das xícaras sendo colocadas à mesa e da janela ao ser aberta, convite para o sol entrar mais à vontade. Rotina do que parece tudo igual, mas que se repete todas as manhãs a provocar sempre uma nova sensação de iniciar o dia.

Da outrora casa dos meus pais, da minha ou na dos meus queridos irmãos, é como se o café passado filtrasse fatos de há muitos como se eles ao mesmo tempo fossem inteiramente novos.  Sorvo o preto do café, o branco do leite. Sou absorvido pelas reminiscências deles, Eloy e Elza, como manteiga derretida no pão quentinho.  

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Povo é conduzido. Massa é induzida. Quem seduz?

Em grupo, os homens sentem, pensam e agem exatamente da mesma forma, como se tivessem

uma alma coletiva, mesmo que individualmente sintam, pensem e ajam de formas

inteiramente  diversas das observadas quando imersos na multidão

Gustave Le Bon

            O espaço público a todos pertencem, ao mesmo tempo em que não é de ninguém individual e exclusivo. Praças, ruas são legítimos à manifestação, solitária, pequenos grupos e das multidões.

            É fácil ver e ter exemplos das pessoas reunidas como povo, massa, público, multidão, o Brasil está repleto. Basta referenciar fatos recentes no âmbito da composição do Estado e formas de governar (ou de não). Legislativo, Executivo e Judiciário são alvos de manifestações dos brasileiros. 

            Ainda que sejam apontadas objeções nas causas e maneiras de agir, é inegavelmente  relevante é que os brasileiros estão a descruzar os braços, falam, escrevem, empunham cartazes, vão deixando de lado o receio de assumir alguma posição, até a de não ter posição alguma. É  democracia que pressupõe a liberdade de manifestação, sem qualquer censura prévia e sem o anonimato. É estado de direito ainda num processo de construção que implica no caráter permanente de edificar  e de se consolidar, próprio de uma sociedade que não é estática.

            Episódios antecedentes, durante e depois da prisão de Lula não autorizam a qualificara as manifestações antagônicas como sendo uma sociedade dividida. Não procede haja vista tratar-se da  diversidade imensa ante ao tamanho do nosso território, temos um continente de etnias, concepções e de interesses espraiados ou contidos nessa numerosa gente que somos e a que queremos ser.

            As questões sociais, que são também judiciais e sem deixar de fora as legislativas e que cotidianamente refletem como o Estado brasileiro é ou deveria se tornar, mobilizam brasileiros com elementos que variam, da força e clareza, da omissão e da indiferença.

            Se estamos experimentado a exteriorização dos sentimentos, com o ímpeto de verbalizar o que pensamos, aspiramos, é preciso refletir o conteúdo e intuito das nossas próprias manifestações, pessoal e coletivamente. 

            Engendrando a liberdade que estamos a conquistar, exercitar e ampliar, existe infelizmente o  autoritarismo quando cremos e agimos como se só nós tivéssemos razão, e os contrários são impingidos como os absurdamente errados. Existe até o maniqueísmo esquerda e direita; mortadelas e coxinhas. Aí espaços públicos viram campos de batalhas físicas, de teses, de ideologias, de regimes, de partidos, de classes e de pessoas.

            Se somos, por quem ou por quê somos conduzidos? Enquanto massa, nos espaços públicos, na conversa informal com a família e amigos, estamos sendo induzidos por exemplo pelo veículo de maior comunicação, a TV? O próprio Brasil nos seduz? Gostamos de fato de sermos brasileiros a ponto de tornar realidade fática um Brasil de e para todos os brasileiros?

            Um país dos adoradores do Lula, contra os odiosos do Lula? A própria indagação é por si estupidez que deveria ser inconcebível. Mas se a interrogação contém insensatez, a responsa pode resultar na reflexão, ponderação e percepção que sociedades abertas pressupõem riscos que não podem sofrer restrições ao exercício da liberdade, pois seria incorrer no risco de, ao jogar fora a água da banheira do banho do bebê, jogar também o próprio bebê.                 

Fases de Fazer Frases (I)

            O caráter de uma multidão é não ter uma personalidade individual.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não dê efeito a defeito

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Só 100 associados (segundo o Sítio Boca Santa) votaram na única chapa da ACICAM – Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão, eleito presidente Alcir Rodrigues da Silva. É pouco, comparado com 1200 filiados. A Associação convenceu prefeito e vereadores a transferirem o feriado de 10 de outubro, aniversário do Município. À época pressionaram levando à Câmara empregados a mostrar ser legítima tal mudança. Se 1200 é pouco, 100 é insignificante perante os quase 100 mil habitantes.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Não culpo os grãos de areia da ampulheta pela passagem do tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Oportuno rememorar o dizer do mestre Buda: Pode-se induzir o povo a seguir uma causa, mas não a compreendê-la.        

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

  

Lula não é igual ele

A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualdade aos desiguais, na medida

 em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural,

 é que se acha a verdadeira lei da igualdade.. Tratar com desigualdade a iguais, ou a

desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.

Rui Barbosa.

            A movimentação política tendo o cenário a Justiça é tão intensa, surpreendentemente pode ser a troca de posições, mas que na essência poderá permanecer inalterada. Foi preciso o voto (minerva) da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia para desempatar (6 a 5) negado habeas corpus a Lula. A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais, a afirmação de Aristóteles sintetiza a deliberação do Supremo na quarta-feira passada. Não era exame de habeas corpus comum, uma vez que o corpo é de um ex-presidente da República, formalmente um cidadão comum, mas que de comum não tem nada. 

            A prisão de Lula não será um ponto final na biografia dele, como não será o fim da corrupção e não cessará a lentidão da justiça. Porém, tem inegável importância, espera-se, mais que simbólica.

            Independentemente da compreensão e dinâmica dos fatos, em nós brasileiros é visível, não estamos indiferentes. Não existe hegemonia das ideias, visão política, concepção de justiça e nossa capacidade ou não de cruzar os braços, escolher, fazer história. 

            O que predomina é o emocional no debate, discussão, posicionamentos que carecem de lucidez, de um lado, de outro, de todos os possíveis lados. Não se trata de desmerecer a emoção,é imprescindível acrescentar a razão. 

            A situação lembra uma antiga historinha de uma mãe tão orgulhosa do filho soldado que, no desfile, diz, meu filho é o único que marcha certinho, enquanto todos os outros marcham passos errados. 

Fases de Fazer Frases

            O Supremo é para suprimir?

            O Supremo é para suprir?

            O que é mais supremo no Supremo?

            Se o Supremo tiver que suprimir, não seja ele suprimido.

            Seja o Supremo premido para ser e guardar a Constituição.           

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Aplausos. Jogo na Liga dos Campeões, Juventus e Real Madri. O gol de Cristiano Ronaldo é beleza ímpar, só vendo as imagens. Descrever? Impossível. Só comparar, um balé, giro do corpo, ele flutuou como a bola, ao encontro dela, na precisão do tempo, do chute, direção, e o goleiro experiente Buffon não conseguiu evitar o gol. O goleiro preferiria usar as mãos para aplaudir, ao comparar genialidade do jogador português a Pelé ou Maradona. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O assunto da nota acima leva a outros dois fatos recentes. Ao aplaudir Ronaldo a torcida italiana demonstrou cultura. No Brasil o primeiro jogo da final do campeonato paulista ocorreu do campo corintiano, Palmeiras 1X0, foi torcida única. Em nome da segurança necessária, uma vergonha para os brasileiros: incapacidade de respeito mínimo. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            No Rio Grande do Sul, a torcida mista nos Grenais, Grêmio e Internacional, tem torcedores abraçados com camisa dos respectivos times. Ainda que o futebol lá não seja só de bom exemplo.

Caixa Pós-tal

            Tomara pudessem os bons escritores, como este, serem 'imorríveis’'…. pois já o são. Parabéns José Eugênio, escreveu o despachante mourãoense Edison Simm. Nery José Thomé, na semana anterior enviou a seu grande círculo de amigos, textos de Olhos, Vistos do Cotidiano, que considerou oportuno. A Coluna se referiu a uma pessoa que criticava políticos, mas  a calçada dele há tempos com cimento se soltando nem árvore tinha, realmente dá o que pensar, frisou Nery.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Aguardamos o futuro. Guardamos o passado. Resguardamos o presente?

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]