José Eugênio Maciel
Tudo vê-se parte

A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que

ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.

Arthur Schopenhauer

            O todo é percebido ao notar todas as partes anotadas.

            Acontecimento levado em conta cada fato de fato.

            O todo de um dia todo é sentido com o passar, envolver das horas.

            Feito de detalhes, entalhes.

            O todo é a revoada dos pássaros, contemplar de cada um, asas que batem.

            Chuva ao cair de cada gota do céu, cada nuvem. 

            O todo é o jardim, de cada flor em flor.

            Livro lido página a página, de cada linha que se alinha e se alia no lido da lida.

            O todo do vento que é a brisa, início e fim do vendaval. 

            Chama que queima cada fagulha. 

            O todo se arvorar da árvore em cada raiz, galho, todos os frutos, da semente.

            Escadaria, degrau a degrau, graus subidos, descidos.

            O todo é o final, cada capítulo, epilogo.

            Choro, deter-se a cada lágrima escorrida triste/alegre.

            O todo é o enxergar do tudo ao nosso alcance, somatório de cada ver que tem a ver.

            Saudade sentida de cada ausência, falta por inteiro no vazio inescapável.

            O todo é dos cabelos, cada fio.

            Caminhada, na passada de cada passo e do que posso.

            O todo da multidão que tem o rosto na face de cada um.

            Grande realização originária de cada ação, uma a uma.

            O todo ser que é cada vir a ser. Em torno do tornar-se.

            Prosseguir repleto de cada seguir.

            Ilusão que não é sem cada en(desen)gano.

            O todo de toda a vida findada por todas as mortes que um dia levam a todos em cada um.  

Fases de Fazer Frases (I)

            O silêncio do ruído. O que ruiu em silêncio.

Fases de Fazer Frases (II)

            O tempo vencido não derrota o futuro.

Fases de Fazer Frases (III)

            O Senhor do tempo não usa relógio.

Fases de Fazer Frases (IV)

            A desordem é a ordem invertida.

Fases de Fazer Frases (V)

            Atribulado. A tribo ao lado.

            Atributo. Trio bruto.

            Atribuição.A tribo em ação.

            Tributo ao bruto.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Mulher mantinha idoso acorrentado em Campo Mourão, manchete desta Tribuna, sexta passada. O Jornal informa que a mulher, 38 anos foi presa. Em que pese cadeado da cela, estando presa não terá os pés acorrentados nem será negada a ela comida.

Caixa Pós-Tal

            Acho que as ideias chegam até você atraídas pela sua própria inspiração, escreveu Maria Alice Beltrane, leitora assídua de Cuiabá, Mato Grosso.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Exerceu dois mandatos, o primeiro de 1997 a 2000 e o segundo até 2004, quando presidiu a Câmara de Vereadores de Campo Mourão. Tinha como característica a simplicidade no trato com os eleitores e no exercício do mandato, além de honrar a palavra dada. Na primeira legislatura fomos companheiros de bancada, ele pautava a atuação principalmente em defesa do esporte amador. Juvenal Vieira despediu-se da vida dia 30 de abril.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Colchão de palha, coberta de penas. Cama de ferro e molas. Antigos da roça. Todos dormiam o sono dos justos.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Nelson e o antigo cinema novo

A questão fundamental da nossa cultura hoje é: seremos independentes

 ou morreremos, como disse dom Pedro.

Nelson Pereira dos Santos

            Ao tomar posse em 2006 na Academia Brasileira de Letras, ele manifestou surpresa pela escolha, afinal seria indagado, o que fez por merecer para ser acadêmico e o que faria na ABL. O cineasta filmou a nossa literatura com destaque para o dramaturgo Nelson Rodrigues e Graciliano Ramos, respectivamente Boca de Ouro e Vidas Secas. Tais obras já tinham o reconhecimento no meio literário, ainda que não fossem lidos pela grande massa de brasileiros.

            É inegável e notável, Nelson Pereira dos Santos fez o cinema brasileiro, filmou a nossa literatura, com inovação, ousadia, simplicidade e sentimento legítimo da brasilidade que ele bem conhecia.

            Morreu sábado passado (21) com 89 anos devido a problemas com saúde. Rio 40 Graus e os filmes citados acima trazem nas imagens encenação de bons autores, nossos retratos inúmeros e típicos da diversidade cultural.

            Comprometido e apaixonado pela nossa cultura, começou a carreira em 1947, embora formado em Direito não foi de fato advogado. A paixão pelo cinema deve-se ao pai dele, que o levava as exibições na telona comentava sobre os filmes, adquiriu e bem cultivou o gosto por essa arte.

            O contraste é que cotidianamente na televisão e no cinema predominam a cultura estrangeira, ao passo que a brasileira, fica longe, sofremos uma influência dos enlatados. Nelson não se acomodou nem se amoldou ao que não fosse Brasil.

Fases de Fazer Frases (I)

            Se infinita a bondade, eterna é a gratidão.

Fases de Fazer Frases (II)

            São poucos os muitos? São muitos os poucos? Tudo é muito pouco. É pouco o muito.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

                        O senhor quer que eu passe veneno para desbaratar, matar todas as baratas e insetos?, disse um senhor ao me oferecer tal serviço. Embora a palavra possa induzir sinônimo  matar baratas, desbaratar tem dois significados: Vencer, derrotar; e Esbanjar, desperdiçar. A expressão é usada por policiais e jornalistas, referência a quadrilha, que foi desbaratada pela polícia. A quadrilha foi vencida pela polícia. Ainda, a quadrilha fugiu em bando.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Prefeito nenhum quer fazer, logo será esquecido pela população, palavras do prefeito Mílton Luz A, de Campina da Lagoa. Segundo o Sítio Boca Santa (edição, quinta anterior), o prefeito completou, o tempo dirá quem está certo. A constatação dele é prática antiga de uma política ruim, quanto as obras necessárias que, por não serem visíveis, não dá voto, como a que está corretamente sendo feita lá. Típica da velha política tacanha, prefeitos em muitas cidades brasileiras erigiram fontes luminosas, portais, ante a falta de redes de esgoto, água ou pluviais.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Intriga da oposição, disse o prefeito Mauro Slongo sobre as prisões temporárias no caso de suspeita de corrupção em Luiziana. Demorou para falar sobre funcionários da confiança dele que estiveram presos. Se existe ou não o mensalinho para a campanha de reeleição. Slongo não entrou no mérito, intriga ou não, ele e vereadores devem explicações, a separar o joio do trigo, provando que não são farinha do mesmo saco.

Caixa Pós -Tal

            Do chefe da CIRETRAN de Campo Mourão, se referindo à Coluna anterior NA CADEIA SEM TRÂNSITO, sobre a nova lei mais rigorosa dos crimes de trânsito, motoristas dirigindo embriagados: Muito boa tua Coluna. Obrigado, Neuri Dal Molin.

Reminiscências em Preto e Branco.

           Por falar em prefeito, está em desuso o sinônimo da palavra prefeito: alcaide. Origem árabe al-caid designa, no espanhol, indivíduo que cuida do castelo, (do Dicionário Online de Português). O que chama mais a atenção é o significado no Brasil, segundo a citada fonte, alcaide é coisa sem utilidade; ou mercadoria que não mais interessa a ninguém. Sem generalizar, a antiga palavra serve aos dias atuais brasileiros.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Na cadeia, sem trânsito

A má educação no trânsito é tanto que até parece

 que motorista educado só anda de carona.

Autor desconhecido  

            Desde o dia 19 de abril está em vigor mudança na Lei 13.546/17 e das normas inerentes ao Código de Trânsito Brasileiro – CTB, que eleva a pena para os crimes relacionados à embriaguez ao volante. A legislação foi aprovada em dezembro do ano passado, tendo naquela ocasião o merecido destaque pelos meios de comunicação, o que novamente ocorre hoje quando ela passa a valer.

            A embriaguez ao volante tem agora como pena mínima dois anos, sendo que anteriormente era de seis meses. Quando dirigir alcoolizado ou por ter no organismo substância psicoativa, o crime de homicídio culposo ou de lesão corporal culposa, é de cinco a oito anos de reclusão, sendo que antes a pena era de dois a cinco anos. Agora somente o juiz poderá arbitrar fiança, podendo ou não determinar a continuidade da prisão, sendo que antes era a autoridade policial que decidia a respeito.

            No Brasil são pelo menos 47 mil mortes por ano e são 400 mil pessoas que ficam com algum tipo de sequela. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o Brasil está atrás apenas da Republica Dominicana, Belize e Venezuela.

O custo das mortes e da incapacitação é de 56 bilhões de reais, conforme dados do Observatório Nacional de Segurança Viária. Tal valor daria para construir 28 mil escolas ou 1800 hospitais.

            A nova Lei Seca precisava ser mais rigorosa e espera-se que a severidade possa inibir os motoristas. A fiscalização não muda nada em termos da lei.

            Falta educação para o trânsito? Falta educação no trânsito? O exame para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação prática e teórica é adequada? Em geral para todas as indagações é possível afirmar que não. Não existe desconhecimento do motorista e pedestre, o que há infelizmente é a negligência, imperícia e imprudência que, somadas ou cada um por si, geram acidentes de toda ordem e que poderiam ter sido evitados.

Depois de décadas de ensinamento com as crianças já nos primeiros anos escolares, era para ter sido possível gerações mais recentes, o suficiente a formar uma consciência condizente para conduzirem-se no trânsito. Mas não, continuamos sem condições que diminuam o número de acidentes, consequentemente o de mortes ou de incapacidade e sequelas permanentes. De 2009 a 2016, por exemplo, o total de óbitos pulou de 19 para 23,4 por 100 mil habitantes.

            De um lado a velocidade alta e intensa no trânsito, de outro, a lentidão da justiça. Nós somos tão responsáveis quanto vulneráveis e vítimas, mas, na maioria das vezes, nos omitidos. Tudo não é fatalidade.

Fases de Fazer Frases (I)

            Não basta olhar para dentro de si. É preciso nosso próprio e o olhar alheio.           

Fases de Fazer Frases (II)

            Seria séria a sereia?

            Seria a sereia que ria?  

            Ia e ria a sereia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Se for quadrilha ou não, a investigação dirá, até se inocentes foram presos. Luiziana é notícia sobre corrupção no âmbito dos poderes municipais. E o possível chefe da quadrilha? Na redoma do foro privilegiado?     

Caixa Pós-tal

            Leio todo final de semana a sua coluna que sai nos sábados, indiscutivelmente filosófica e cultural, escreveu Denir Dalefi, de Campo Mourão.

Reminiscências em Preto e Branco

O aroma do café da manhã. O ruído das xícaras sendo colocadas à mesa e da janela ao ser aberta, convite para o sol entrar mais à vontade. Rotina do que parece tudo igual, mas que se repete todas as manhãs a provocar sempre uma nova sensação de iniciar o dia.

Da outrora casa dos meus pais, da minha ou na dos meus queridos irmãos, é como se o café passado filtrasse fatos de há muitos como se eles ao mesmo tempo fossem inteiramente novos.  Sorvo o preto do café, o branco do leite. Sou absorvido pelas reminiscências deles, Eloy e Elza, como manteiga derretida no pão quentinho.  

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Povo é conduzido. Massa é induzida. Quem seduz?

Em grupo, os homens sentem, pensam e agem exatamente da mesma forma, como se tivessem

uma alma coletiva, mesmo que individualmente sintam, pensem e ajam de formas

inteiramente  diversas das observadas quando imersos na multidão

Gustave Le Bon

            O espaço público a todos pertencem, ao mesmo tempo em que não é de ninguém individual e exclusivo. Praças, ruas são legítimos à manifestação, solitária, pequenos grupos e das multidões.

            É fácil ver e ter exemplos das pessoas reunidas como povo, massa, público, multidão, o Brasil está repleto. Basta referenciar fatos recentes no âmbito da composição do Estado e formas de governar (ou de não). Legislativo, Executivo e Judiciário são alvos de manifestações dos brasileiros. 

            Ainda que sejam apontadas objeções nas causas e maneiras de agir, é inegavelmente  relevante é que os brasileiros estão a descruzar os braços, falam, escrevem, empunham cartazes, vão deixando de lado o receio de assumir alguma posição, até a de não ter posição alguma. É  democracia que pressupõe a liberdade de manifestação, sem qualquer censura prévia e sem o anonimato. É estado de direito ainda num processo de construção que implica no caráter permanente de edificar  e de se consolidar, próprio de uma sociedade que não é estática.

            Episódios antecedentes, durante e depois da prisão de Lula não autorizam a qualificara as manifestações antagônicas como sendo uma sociedade dividida. Não procede haja vista tratar-se da  diversidade imensa ante ao tamanho do nosso território, temos um continente de etnias, concepções e de interesses espraiados ou contidos nessa numerosa gente que somos e a que queremos ser.

            As questões sociais, que são também judiciais e sem deixar de fora as legislativas e que cotidianamente refletem como o Estado brasileiro é ou deveria se tornar, mobilizam brasileiros com elementos que variam, da força e clareza, da omissão e da indiferença.

            Se estamos experimentado a exteriorização dos sentimentos, com o ímpeto de verbalizar o que pensamos, aspiramos, é preciso refletir o conteúdo e intuito das nossas próprias manifestações, pessoal e coletivamente. 

            Engendrando a liberdade que estamos a conquistar, exercitar e ampliar, existe infelizmente o  autoritarismo quando cremos e agimos como se só nós tivéssemos razão, e os contrários são impingidos como os absurdamente errados. Existe até o maniqueísmo esquerda e direita; mortadelas e coxinhas. Aí espaços públicos viram campos de batalhas físicas, de teses, de ideologias, de regimes, de partidos, de classes e de pessoas.

            Se somos, por quem ou por quê somos conduzidos? Enquanto massa, nos espaços públicos, na conversa informal com a família e amigos, estamos sendo induzidos por exemplo pelo veículo de maior comunicação, a TV? O próprio Brasil nos seduz? Gostamos de fato de sermos brasileiros a ponto de tornar realidade fática um Brasil de e para todos os brasileiros?

            Um país dos adoradores do Lula, contra os odiosos do Lula? A própria indagação é por si estupidez que deveria ser inconcebível. Mas se a interrogação contém insensatez, a responsa pode resultar na reflexão, ponderação e percepção que sociedades abertas pressupõem riscos que não podem sofrer restrições ao exercício da liberdade, pois seria incorrer no risco de, ao jogar fora a água da banheira do banho do bebê, jogar também o próprio bebê.                 

Fases de Fazer Frases (I)

            O caráter de uma multidão é não ter uma personalidade individual.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não dê efeito a defeito

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Só 100 associados (segundo o Sítio Boca Santa) votaram na única chapa da ACICAM – Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão, eleito presidente Alcir Rodrigues da Silva. É pouco, comparado com 1200 filiados. A Associação convenceu prefeito e vereadores a transferirem o feriado de 10 de outubro, aniversário do Município. À época pressionaram levando à Câmara empregados a mostrar ser legítima tal mudança. Se 1200 é pouco, 100 é insignificante perante os quase 100 mil habitantes.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Não culpo os grãos de areia da ampulheta pela passagem do tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Oportuno rememorar o dizer do mestre Buda: Pode-se induzir o povo a seguir uma causa, mas não a compreendê-la.        

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

  

Lula não é igual ele

A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualdade aos desiguais, na medida

 em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural,

 é que se acha a verdadeira lei da igualdade.. Tratar com desigualdade a iguais, ou a

desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.

Rui Barbosa.

            A movimentação política tendo o cenário a Justiça é tão intensa, surpreendentemente pode ser a troca de posições, mas que na essência poderá permanecer inalterada. Foi preciso o voto (minerva) da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia para desempatar (6 a 5) negado habeas corpus a Lula. A pior forma de desigualdade é tentar fazer duas coisas diferentes iguais, a afirmação de Aristóteles sintetiza a deliberação do Supremo na quarta-feira passada. Não era exame de habeas corpus comum, uma vez que o corpo é de um ex-presidente da República, formalmente um cidadão comum, mas que de comum não tem nada. 

            A prisão de Lula não será um ponto final na biografia dele, como não será o fim da corrupção e não cessará a lentidão da justiça. Porém, tem inegável importância, espera-se, mais que simbólica.

            Independentemente da compreensão e dinâmica dos fatos, em nós brasileiros é visível, não estamos indiferentes. Não existe hegemonia das ideias, visão política, concepção de justiça e nossa capacidade ou não de cruzar os braços, escolher, fazer história. 

            O que predomina é o emocional no debate, discussão, posicionamentos que carecem de lucidez, de um lado, de outro, de todos os possíveis lados. Não se trata de desmerecer a emoção,é imprescindível acrescentar a razão. 

            A situação lembra uma antiga historinha de uma mãe tão orgulhosa do filho soldado que, no desfile, diz, meu filho é o único que marcha certinho, enquanto todos os outros marcham passos errados. 

Fases de Fazer Frases

            O Supremo é para suprimir?

            O Supremo é para suprir?

            O que é mais supremo no Supremo?

            Se o Supremo tiver que suprimir, não seja ele suprimido.

            Seja o Supremo premido para ser e guardar a Constituição.           

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Aplausos. Jogo na Liga dos Campeões, Juventus e Real Madri. O gol de Cristiano Ronaldo é beleza ímpar, só vendo as imagens. Descrever? Impossível. Só comparar, um balé, giro do corpo, ele flutuou como a bola, ao encontro dela, na precisão do tempo, do chute, direção, e o goleiro experiente Buffon não conseguiu evitar o gol. O goleiro preferiria usar as mãos para aplaudir, ao comparar genialidade do jogador português a Pelé ou Maradona. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O assunto da nota acima leva a outros dois fatos recentes. Ao aplaudir Ronaldo a torcida italiana demonstrou cultura. No Brasil o primeiro jogo da final do campeonato paulista ocorreu do campo corintiano, Palmeiras 1X0, foi torcida única. Em nome da segurança necessária, uma vergonha para os brasileiros: incapacidade de respeito mínimo. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            No Rio Grande do Sul, a torcida mista nos Grenais, Grêmio e Internacional, tem torcedores abraçados com camisa dos respectivos times. Ainda que o futebol lá não seja só de bom exemplo.

Caixa Pós-tal

            Tomara pudessem os bons escritores, como este, serem 'imorríveis’'…. pois já o são. Parabéns José Eugênio, escreveu o despachante mourãoense Edison Simm. Nery José Thomé, na semana anterior enviou a seu grande círculo de amigos, textos de Olhos, Vistos do Cotidiano, que considerou oportuno. A Coluna se referiu a uma pessoa que criticava políticos, mas  a calçada dele há tempos com cimento se soltando nem árvore tinha, realmente dá o que pensar, frisou Nery.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Aguardamos o futuro. Guardamos o passado. Resguardamos o presente?

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Com o ver dos outros

Na humildade se encontra a simplicidade que por sua vez é a característica da genialidade

Carlos Roberto Sabbi

                Em todos os sentidos é um homem simples. Roupas desgastadas pelo longo e intenso uso. Cinto surrado entre meio aos furos, rachaduras verticais tão gastas como calça e boné descoloridos, tantas jornadas. Face enrugada, queimada sol a sol de décadas. O senhor estava próximo ao balcão. Não tirou senha. Apenas e com naturalidade singular dirigiu o olhar ao funcionário dos Correios, como quem expressa, tô aqui, esperando a minha vez, depois de outro velho como eu.

             Era o cenário da última quinta nos Correios do centro de Campo Mourão. O primeiro senhor proseia simpaticamente com o funcionário da Empresa e em seguida se despede. Então se aproxima do Moisés, funcionário dos Correios, aquele outro senhor de idade avançada. Mostra ao funcionário uma correspondência que recebeu na casa dele, mas que não era para ele. Moisés pergunta se de fato o endereço que constava na correspondência era daquele senhor, que respondeu, é. Moisés leu o nome do destinatário, explicando ao idoso se ele conhecia o nome escrito no envelope. Novamente a resposta do senhor foi sim, conheço ele. Ao demonstrar estar satisfeito com o atendimento, o senhor demonstrou estar seguro agora, pois poderia entregar o envelope para o conhecido, em nome dos Correios. Foi embora, certo que faria o certo.

            Se não podemos ignorar a simplicidade, a ignorância não é simples assim, quando se trata de pessoas iletradas. Ser analfabeto não é problema exclusivo de alguém nem o atinge negativamente apenas a quem não sabe ler, escrever, compreender e produzir um texto. É uma questão social.

            Estive na agência para retirar a minha nova CNH – Carteira Nacional de Habilitação, que renovei após os exames exigidos. Por não estar em casa lá foi deixada a notificação. Se não soubesse ler, teria que ir até os Correios (também não teria a carteira) para tirar dúvidas como as daquele homem. Dos Correios segui a pé atravessando as praças centrais de Campo Mourão. No trajeto uma senhora pede ajuda, eu não sei ler, por favor, onde fica este lugar que eu tenho que ir. Ela procurava a Rua Brasil, apontei o caminho, o Ministério do Trabalho. Vô pegá minha carteira de trabalho.

            Fiquei a pensar na coincidência, duas pessoas idosas, em busca de ajuda, sem saber ler ou com limites grandiosos que não confiam no que parcamente poderiam ler.  

            A ajuda maior, estímulo, cobrança e mobilização não é a de orientar como fez o Moisés dos Correios, ou eu ao informar a senhora caminhar até a próxima quadra e encontrar o Ministério do Trabalho. Ajuda maior será poder acabar com o analfabetismo. Incomoda sim, não tem como ficar indiferente para com os brasileiros, no caso mourãoenses que desconhecem as letras do mundo da comunicação e expressão. Talvez por isso um ditado foi transmitido erroneamente: Quem tem boca vai à Roma. Quando o certo é: Quem tem boca vaia Roma.

Fases de Fazer Frases

            Vale tudo quando nada tem valor?

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Vivendo os últimos dias no Senado, talvez nem saia candidata a nada, a paranaense (PT) Gleisi Hoffman lá pouco comparece para o trabalho. Em pleno dia de expediente, acompanhou a caravana do ex-presidente Lula ao Paraná. Escolheram a pior pessoa para falar do suposto atentado com os tiros dados no ônibus da comitiva quando eles passavam por Laranjeiras do Sul. Ela não tem credibilidade até para cantar aquela música: que tiro foi este?.

Reminiscências em Preto e Branco

            A 25ª edição do tradicional e famoso Concurso Pinóquio, que premia os maiores contadores de mentiras e causos me faz lembrar como começou, sempre também no dia primeiro de abril, dia da mentira. Virou concurso no ano seguinte, já que a primeira vez a intenção era somente reunir pessoas para contar tais casos. Apareceu bem mais gente do que o esperado, aí virou concurso, na época que eu era o secretário da educação e cultura e presidia a Fundação Cultural.

            Recebi e agradeço publicamente o convite. Por compromissos familiares não estarei em Campo Mourão. Não é mentira! Estarei em Guarapuava.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

O botão-extra

                                                                Abotoo o botão da bota.

                                                           Boto a bota desbotada.

                                                           Sem ver piso na rosa em botão.

                                                           Tiro a bota que botei

                                                               Estive Nólocal (b.d.C.)

            De tanto eu usar, ela usada ficou. Está muito boa. A bermuda me serviu por muito tempo. Resolvo separar a peça para doar. Mas tenho que me despedir dela. 

            Ainda assim não queria experimentar a sensação de se desfazer dela por desprezo. com meus botões, fiquei a pensar numa desculpa como por força maior. Encontrei, melhor dizendo, a justificativa. Tinha ido ao mercado num desses sábados para só fazer uma comprinha. Peguei uma cestinha. Durante a compra, tinha frequentemente que parar e puxar a bermuda, que ia descendo à medida que fazia o périplo às prateleiras.  Uma mão que segurava a cestinha, outra a puxar a bermuda à altura da cintura. Estava larga aquela bermuda.

            Como eu tenho uma sacola para colocar roupas que não usarei mais, pouco antes de pôr a bermuda, vejo o botão-extra. O longo tempo de uso não afetou os três botões titulares. A marca tão boa que veio um botão-extra. Botão-extra nunca usado, como pneu estepe (sobressalente, como gostava de dizer o meu saudoso pai Eloy).

            Evidentemente quando comprei a bermuda nem me dei conta do botão-extra. Assim como não prestei atenção noutros botões-extras de peças como camisas e calças. Que grande vantagem não precisar comprar outro botão, achar um igual, ter todo esse trabalho. O extra está ali, à mão.

            Nunca precisei usar botões-extras. É certo que ao comprar roupa não lembrarei desse botão. Muito menos só comprar uma roupa se tiver um botão extra.

            Assim como botão-extra cairá no esquecimento, o texto de hoje, caro leitor, também será rapidamente esquecido.

            Sem utilidade. Claro, inúteis só o botão-extra, o texto e o escrevinhador aqui.  

Fases de Fazer Frases (I)

            Fujo do tempo fungível.

            Finjo ser fungível a tempo.

            Há tempo finjo fugir.

            Fulgir a tempo de fingir.

            Foge de mim o tempo que funge.

            Forja-me o tempo fingido, fungível, fugidio.

Fases de Fazer Frases (II)

            Quem não larga a vida tem uma vida segura.

Fases de Fazer Frases (III)

            A indiferença é o tênue do esquecimento.     

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Medidas cabíveis. Textos lidos, pronunciados ou escritos, principalmente nas notícias policiais, repórteres, jornalistas usam muito tal jargão. Não é preciso citar algum exemplo. O medidas cabíveis é figurinha fácil.

            Bastaria terminar a narração (radiofônica, televisiva) ou o texto impresso sem mais nada dizer, escrever. Policiais prenderam os assaltantes ainda no banco. E ponto final. É dispensável dizer que eles seriam conduzidos à delegacia (qual seria o outro lugar?) para: medidas cabíveis. O medidas por vezes é substituída por outra expressão, providências.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Como de hábito, ao caminhar a pé pela cidade, um mourãoense conversa em voz alta (provavelmente com um vizinho dele) o suficiente para eu escutar facilmente. Nenhum governo ou político presta. A questão nem é pela generalização, me chamou a atenção a calçada da casa dele, repleta de pedaços se soltando e sem uma árvore plantada. Bem, tem que possa achar – além dele – que deverá o político ou governo quem deve plantar, regar a árvore e arrumar a calçada. Acrescento, mais alguém para dar descarga da privada dele.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Maior preocupação não deveria ser a extinção do jornal ou livro impresso, mas sim o desaparecimento dos leitores. A sensação é que leitores vão morrendo sem que nasçam outros. 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

A vida da escola e a escola da vida

O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados,

 mas é antes de tudo aprender a se desenvolver e aprender a

continuar a se desenvolver depois da escola.

Jean Piaget

            A escola é sempre notícia. Encontrar fatos registrados sobre ela pelos meios de comunicação social ocorre com facilidade. Predominam notícias positivas das atividades escolares que promovem a educação e cultura, viram manchetes.

            Somos também a sociedade do espetáculo, das grandes chamadas sensacionalistas que ganham repercussão nem sempre com a séria verificação dos fatos com um mínimo de jornalismo competente. Ainda assim, não é o pior dos mundos. Tudo que acontece na escola pode ser registrado ao sabor daqueles que usam do celular para registrar acontecimentos e imediatamente se multiplicar nas redes sociais. Comentários diversos vão sendo anexados com as mensagens e imagens recebidas e reenviadas.

            Sem precisar historiar e entrar no mérito de fatos recentes pertinentes a estabelecimentos de ensino de Campo Mourão, o que merece reflexão é o tipo de manifestação, conteúdo de julgamentos, condenações, ataques que revelam a falta de responsabilidade. Evidentemente que ninguém pode sofrer censura prévia, é preceito legal, mas a mesma Constituição Federal brasileira também preceitua que toda pessoa é responsável pelas manifestações que tiver.

            Quanto a educação desenvolvida nos estabelecimentos de ensino, de que nível for, pública ou privada, todos têm o direito de participar da comunidade educacional. Não são só os estudantes e seus pais ou responsáveis, os professores, funcionários, os gestores. No entanto, a participação de todos, que implica em corresponsabilidade de fato é compromisso permanente e para tudo o que é o processo educacional.

            Ressalvando que não foram todos, mas infelizmente significativo número de pessoas destilou ódio, se expressou generalizadamente e sem poupar críticas pessoais e até se referindo a situações que elas mais imaginaram do que de fato constataram. Muitas delas provavelmente foi a primeira vez que fizeram críticas. Ficaram à vontade, O que faltou a muitas delas foi conhecimento, e o pior, boa fé.

            A aridez somada ao ódio, a atirar pedras sem conhecimento de causa, mas apenas para apontar erros, dos outros, só eles que erram. Não os cometem – acham – quem supõe fomentar o debate e a exigir providências.

            O tamanho de uma escola não é o prédio e as suas instalações, também faz parte uma de mensuração que é bem maior, o de seres humanos reunidos a desempenharem uma multiplicidade de papeis, sendo o espaço escolar uma estrutura e processo de socialização que não é só da e na escola, ela abarca e é produto da sociedade.

            Tamanho tão grande que uma escola é capaz de superar grandiosos obstáculos, que não são só dela nem cabe a apenas a si mesma. Desafios e ações permanentes, um longo trajeto de caminhar contínuo, que não pode e nem deve contar com os que acomodados que ficam em redes sociais disseminando fofocas, ódios para denegrir e ao mesmo tempo se promover. São as que não comparecem, não se reúnem para falar, ouvir, agir em conjunto em busca de soluções e de um mundo melhor,

Fases de Fazer Frases (I)

            Deixe-se ver para poder olhar dentro de si.   

Fases de Fazer Frases (II)

            Deixe-se olhar para poder ver fora de si.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            É boa a concorrência honesta. Nos postos de combustíveis de Campo Mourão a variação de preços era tão pequena, de centavos. Bastou um, de uma rede de supermercados, baixar bem os preços e até filas se formaram para aproveitar a oferta, o que levou outros postos a baixarem o valor. A decisão não foi bem pela primeira iniciativa e sim devido a sentida queda vendas.

Caixa pós-tal

            Guilherme Ferri diz da surpresa que esta Coluna causa, qualquer assunto, pode ser tema, gosto desta expectativa, escreveu de Campina da Lagoa.

Reminiscências em Preto e Branco

            Envelhecem pessoas que usam palavras antigas. Rejuvenescem ditas palavras antigas.

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

A mulher disfarçada de homem

       Que mulher é essa/  que não se cansa nunca,/  que não reclama nada/ que disfarça a dor?

         Que mulher é essa/ que contribui com tudo,/ que distribui afeto,/ tira espinhos do amor!
     Que mulher é essa/  de palavras leves,/ coração aberto,/ pronta a perdoar?
      Que mulher é essa?/  que sai do palco,/ ao terminar a peça,/ sem chorar!
      Essa mulher existe,/  sua doçura resiste,/ às dores da ingratidão,/

                                                resiste à saudade imensa,/ resiste ao trabalho forçado,/

                                                    resiste aos caminhos do não! Essa mulher é MÃE,/ 

                                                                       linda, como todas são

                                                      Que Mulher é Essa Ivone Boechat

            Ela desobedeceu o pai numa época que sociedade brasileira era patriarcal e machista. Gonçalo Alves de Almeida notou a falta da filha, ao procurá-la, ele nunca imaginou encontrar   alistada no Exército. Espanto maior: ela estava disfarçada de homem, ninguém desconfiou do então suposto soldado. O pai tentou trazê-la de volta para casa. A filha se recusou e foi apoiada pelo  major José Antônio da Silva e Castro, não por comiseração dele, e sim devido à bravura dela.

            Maria Quitéria de Jesus foi a primeira mulher militar brasileira. Bainana nascida em Itapororocas, hoje Município de Feira de Santana, entre os anos 1792 e 1797. O idealismo libertário  de Maria Quitéria, sobretudo pela independência do Brasil, motivou a fugir de casa e se alistar. 

            A bravura não provêm da farda nem se originou do hábil manejo das armas. Foi marcante a fibra de guerreira, Maria Quitéria era feminista, lutou contra imposições do domínio masculino que relegava as mulheres a condição de subalternas. Teve a audácia por não curvar-se a esse jugo.    

            Aportuguesada, a palavra Quitéria, vem de Kythereia, da cidade grega de Cítera, sendo a deusa Afrodite da beleza e do sonho, o que correspondia à Maria Quitéria.

            Aos 10 anos a mãe morreu, e talvez tenha existido uma influência na educação e nos afazeres domésticos, Maria Quitéria não se interessou em aprender costura, bordados. Ainda menina se punha a discordar da inferioridade da mulher presente em qualquer grupo ou classe sociais.

            Maria Quitéria de Jesus por muito tempo esteve esquecida na história, até o dia 21 de agosto de 1853, o Ministério da Guerra ordenou que todas as unidades do Exército tivessem o nome dela. 

            Brasileiras, são muitas as bravas mulheres de faces e história conhecidas, ao mesmo tempo anônimas, disfarçadas pelas fardas masculinas da vida. É ela o homem da casa, suporte maior ou o único da família que comandam a tropa de casa em casa mesmo e fora dela.

            Mulheres que sonham e lutam por um mundo justo, fraterno. Não esmorecem devido à  indômita valentia. Graças a doce graça, sem amargar-se em amarguras. Não se enredam e não se se rendem diante das vicissitudes da vida.   

Fases de Fazer Frases (I)

             Cercar-se de todas as certezas é deixar escapar a ousadia.

Fases de Fazer Frases (II)

            O pior vazio é preenchido pela inutilidade.

Fases de Fazer Frases (III)

            Espero que a espera não se exaspere.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Mulheres brasileiras trabalham em média 18 horas por dia, três a mais do que homens. Dupla jornada, o salário delas é menor. Sem se abater, enfrentam tal discriminação com estudo, elas já têm em média quatro anos a mais de educação formal.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Ao comemorar o gol que fez, segundo na vitória do Paraná ante ao Coritiba, quarta passada,  Diego tira a camisa. Gesto comum no futebol, de desrespeito aos patrocinadores, sobretudo no instante em que serão feitos os maiores registros de imagens, bem no momento mais importante, a marca do patrocínio desaparece. Falta grave!                  

Caixa Pós-tal

            Do cascavelense José Geraldo Almeida, agradável é ler a sua Coluna e nem tanto por ter que esperar o próximo domingo, parabéns!

Reminiscências em Preto e Branco

            A Casa de Sinhá, é um Museu dedicado à mulher, em Castro, histórico município paranaense. Pertences, móveis, publicações, espaço repleto de história, vale a pena conhecer.

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Ninguém ligava para TV, sem a mãe deixar

Num orvalhar de saudosismo

O ressoar de canções antigas

Recordações deitam em risos

Lembranças vivas emergindo

Dentre as lágrimas contidas

Sheila Castro

            Caso ela não tivesse acompanhado, tínhamos que mostrar as tarefas escolares, os deveres de casa. Então a mãe Elza nos deixava ligar o televisor, a partir das 17 horas. O aparelho Colorado RQ ligava devagar, era a válvula, surgia a imagem em preto e branco. O canal era a TV Coroados, de Londrina, a primeira emissora do interior do Paraná, inaugurada em 1963.

            Em 1969 outra emissora surge mais próxima de Campo Mourão, com qualidade melhor de transmissão, a TV Tibagi, canal 11, sediada em Apucarana, hoje com base em Maringá.

            Eu e meus dois últimos irmãos da prole de 12, Euro e Enio, ficávamos maravilhados com o início da programação, desenhos animados, Os Flintstones, Zé Colmeia, Manda Chuva e  programas como o Vila Sésamo, além de Os três Patetas e O Gordo e o Magro. A Tibagi, anos mais tarde, fez uma grande publicidade para anunciar que passaria a entrar no ar a partir das 11 horas. Sem dúvida um grande avanço na programação.

            Como professor eu rememorava como era aquele tempo, seria até natural que alguns alunos duvidassem que assim era a televisão, que funcionava desde que existisse uma boa antena externa para captar melhor a transmissão. Eram poucos os canais e eles encerravam cedo a programação, pouco depois da meia noite, sendo que nos finais de semana era até umas duas da madrugada.

            A Copa do Mundo de 1970 (México), levou a prefeitura de Campo Mourão a adquirir um aparelho grande, televisor colorido colocado em um suporte próprio na praça São José. Foi realizada solenidade para inaugurar aquela obra, reuniu muita gente, o prefeito era Horácio Amaral, (falecido) . Eu estava lá, para um então menino como eu, tudo era encantamento!     

            Assim como tínhamos que obedecer às ordens da minha saudosa mãe para assistir tv, quando aparecia a cópia de um documento que informava que tal programa era proibido para menores, não tinha conversa, saíamos da sala. Além do mais, dormir cedo para não perdermos a hora das aulas da manhã. Outra regra para assistir televisão, não era possível com o prato na mão. Refeições eram  feitas à mesa, sem discussão e alvoroço, frisava ela.

            Ao colocar a mão naquele enorme móvel, tinha vezes que a minha mãe desligava, está muito quente, para não estragar, e emendava, gasta muita luz, mas principalmente a grande lição era que tínhamos que ler livros, jornais, estudar e a televisão não era o mais importante, embora a família se reunia em torno dela.

Fases de Fazer Frases (I)

            Tempo passado não cura presente. Tempo presente cura futuro.

Fases de Fazer Frases (II)

            Sentido das palavras. Sentindo as palavras. O que tem sentido? Palavras.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

Olhos, Vistos do Cotidiano

            A polêmica sobre o recape asfáltico nas vias públicas de Campo Mourão, se a obra tem a qualidade necessária, gera expectativa sobre o que de fato está certo, quem está, ou não, com a razão. É preciso aguardar. (Como Reminiscências em Preto e Branco), em 2014 a revitalização do calçadão mourãoense estaria sendo utilizado um pavimento fora das especificações de durabilidade. Virou denúncia! O  Ministério Público arquivou em 2016. Formalidades à parte, o paver se soltou todo? O calçadão virou ruínas?  Confesso minha ignorância ante aos dois fatos. São meus óculos?    

Caixa Pós-tal

            O paulistano Caique Meira Andrez estamos de braços abertos como brasileiros, mas sofremos muito com severas restrições e até humilhações em outros países, frisou ele, a propósito da Coluna anterior, Refugiados, amados, ou não?, que se refere ao crescente número de venezuelanos que chegam ao Brasil, cerca de 800 por dia.

Reminiscências em Preto e Branco

            Televisor é o certo quanto ao aparelho. É errado quando se diz a televisão como móvel. O rádio, que é mais antigo e de uma época que a escola tinha mais qualidade, não existe confusão. O rádio todo mundo fala corretamente como referência ao aparelho. E a rádio é a emissora. Quem  tem a televisão é o Sílvio Santos, a família Roberto Marinho.. Nós temos é o televisor!  

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]