José Eugênio Maciel
A luz mais importante naquela aula

Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras

São Francisco de Assis

                A vida é feita de surpresas. O inesperado existe, pronto para entrar em cena. Positiva ou negativamente, o inusitado poderá nos marcar para sempre.

            Era para ser uma aula normal, noite de calor, quinta-feira, 28 de setembro passado. Estudantes do quarto ano do Curso Técnico em Administração (profissional) tinham iniciado a apresentação para a turma. No momento, como nas atividades anteriores, foram orientados, a inteira responsabilidade da aula era deles. Minha tarefa, ser aluno, ainda que eles fossem alvo da avaliação. Os temas pesquisados às análises, apresentação e debate foram Discriminação; Preconceito e Estigma.

            Apresentação em curso a energia do Colégio Estadual de Campo Mourão acaba. Tão rápida quanto à interrupção, os estudantes claramente expressaram o desejo de prosseguir com a aula e imediatamente acenderam a luz do celular, seguidos pelos demais da turma, igualmente interessados. Não fiz qualquer objeção, e, ao contrário, deixei-os à vontade para lecionarem. Já próximo do fim da primeira explanação, bate na porta o zeloso servidor Antônio Leite da Silva Neto que informa, provavelmente a luz não voltaria logo, um automóvel atingiu um poste, “os alunos estão todos indo embora”. Ainda assim, os estudantes optaram por exegese, sem interferência minha. O outro grupo teve igual iniciativa, se apresentou com ávido conhecimento, motivação e aplicação.

            Alternando meu olhar à apresentação e para toda a sala, as luzes dos aparelhos móveis, o brilho nos olhos de todos os estudantes retratava luminosamente uma das grandes lições que aprendi como professor de Sociologia. Luz que faltara da COPEL foi substituída por aqueles celulares direcionados a clarear a aula e a assimilação.  

            A verdadeira luz, mais importante, que mais brilha fecunda, é a luz própria. Própria da mente e coração daqueles estudantes, a luminosidade linda que expressaram com saber que ampliaram com diversidade.

Luz, como a da vela a queimar é susceptível a brisa, poderá ser apagada. Mas é ela que induz e conduz o aprender a ficarem impregnados na memória e no fazer do saber. Enalteci todo aquele ambiente escolar, a grandeza e espiritualidade dos jovens se maravilhando e se descobrindo cada vez mais capazes.  

A luz volta, faltavam poucos minutos a terminar a aula e ainda por insistência do primeiro grupo foi exibido um vídeo de curta duração.

Hoje é dia do Professor. Talvez nem fosse intenção registrar a data, que tantas vezes aqui escrevi. Tal narrativa foi uma lição, repito, que aprendi com eles, afinal – sobretudo em relação a mim – o verdadeiro professor é aquele que ao ensinar, antes tem que saber. Ao ensinar, aprende com a turma, com cada estudante, como foi o 4º BI. E se eles foram professores apenas por algumas aulas, em mim as marcas por ter aprendido muito com eles, serão sempre alvo da minha evocação, aqui com o devido registro.

O melhor caminho humano civilizado é ser autor e ator da direção ao se apropriar das grandes lições que acresce e cresce no hábito do aprendizado.

Fases de Fazer Frases

            É mais sábio quem sabe e transmite a sabedoria para aprender.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Enquanto se considera a história mera referência ao passado, por enquanto desconheceremos o futuro que poderíamos melhor fazer.      

Caixa Pós-Tal

            Lindo e verdadeiro o texto homenagem a Campo Mourão. Obrigada pelas suas palavras, diz Ana Maria A. Oliveira, que se considera uma mourãoense legítima. Ana se refere à Coluna anterior, CAMPO MOURÃO, 70 ANOS DE VIBRAÇÃO.

Reminiscências em Preto e Branco

            “Veio a calhar à biografia do escritor Lima Barreto quanto aos 49 anos desta Tribuna, eis trecho sobre hierarquia nos jornais: O redator despreza o repórter, o repórter, o revisor; este por sua vez, o tipógrafo, o impressor, os caixeiros do balcão”.  

Campo Mourão, 70 anos de vibração

“Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações”.

Vinícius de Moraes

 

            Existiu um dia o silêncio? Na densa mata e antes do desbravador no inóspito deste lugar?

            Quais foram as primeiras vibrações desta terra?

            Vibração é som, tinido do vento que toca árvores, expande nos campos, ondula rios.

            É timbre do canto dos pássaros. O ruído dos animais.

            Vibrar tinido, movimento na vila das primeiras casas toscas e caminhos vicinais.

            Do tempo passado, presente e a vibração do que virá.

            É a voz dos mourãoenses,  expressões da gente reunida, entrelaço de gerações. 

            A que trago desde o nascer aqui, viver e convicto mourãoense.

            A reminiscência em preto e branco e colorida, trajetória de sons.

            O tique-taque do relógio na parede da sala de espera do escritório contábil do meu pai.  

            Do tempo fracionado, minutos, horas. Somatório engendrado dos anos, décadas.

            Dormir, acordar com ruído da serra fita cortando toras, tábuas na Serraria Trombini.

            Da janela do meu quarto via filas de caminhões aguardando a vez de descarregar.

            Na mesma empresa soava forte a sirene anunciando início, fim da jornada laboral. 

            Da casa dos meus saudosos pais Elza e Eloy, no mesmo quarteirão o encher da caixa d'água.

            Ela abastecia com sobra toda a cidade, juntamente com a do Lar Paraná. Ambas presentes.    

            O badalo do sino da Igreja Matriz, (não era Catedral), ainda tijolos à vista: fé e hora.  

            No chafariz, jorro d'água em aspersão. Cenário do retrato de toda a família:

            Eu no colo da minha mãe, então éramos 10, ganharia mais dois irmãos na prole.

            Chafariz próximo da rodoviária, hoje Biblioteca, ponto de táxi:

            O estridente barulho do telefone tocando, misturado ao da estação.  

            Sinar acionado pelo seu Pedro da Escola Adventista, está no mesmo lugar, não de madeira.   

            Da nossa pioneira Colmeia na nota de falecimento, uma pausa que silenciava:

            Todos que  estivessem ouvindo o rádio, para saber quem  morreu.

            O som das antigas máquinas, datilografia e impressão desta Tribuna.

            Dos entregadores diários no início da madrugada e antes do amanhecer.

            Exemplares arremessados nos jardins, pátios, colocados debaixo das portas.

            Lida a notícia, ela corre de boca em boca, “tá na Tribuna

            A toada do Jornal que hoje faz 49 anos!

            Som ouvido há 29 anos a partir  e notadamente desta Coluna.  

            A melodia da nossa gloriosa Banda Municipal. A famosa alvorada que tocava bem cedo:            A despertar Campo Mourão no  aniversário de emancipação política e administrativa...

            … Campo Mourão, modelo do Paraná!

            Quais são nossos sons de hoje?

            As vibrações do amanhã?

            O choro ao nascer de novos mourãoenses.

            O choro da despedida enlutada.

            Do engenho mecânico que semeia, cultiva, colhe e transporta o que vem do campo. 

            Do diálogo, mourãoenses reunidos à realizar sonhos.

            Vibrações inquietas ou aplausos. 

            A algaravia dos estudantes de todas as escolas de todos.

            A voz da expedição, dos pioneiros, primeiros moradores.

            A entonação da História que segue, se ergue, prossegue.  

            O som do desenvolvimento harmônico.

            O som dos sinos da paz.

            Como vibração da música, da poesia, da prosa.

            Toda a arte das palavras contadas, romanceadas, das crônicas.

            Da dicção da saudação entre mourãoenses.

            Som eloquente das mãos irmanadas de e para Campo Mourão:

            Parabéns! É a entoação dos 70!               

O papel do jornal de papel

“Todos os nossos jornais têm portais e não queremos perder o bonde da história

com as mudanças que acontecem de forma muito rápida. Penso ainda que

o jornal impresso ainda tem uns 20 anos de vida, no mínimo”.

Nery José Thomé – presidente da ADI-PR – Associação dos Jornais Diários do Paraná

            “Qual o caminho a seguir?” Foi uma das indagações do Seminário O momento do jornal e seu futuro, promovido pela ADI-PR – Associação dos Jornais Diários do Paraná, realizado em Curitiba dia 26, com intuito de refletir o futuro dos jornais impressos.

            Transcrito acima, Nery José Thomé, intermediador do debate, crê, o jornal de papel existirá por pelo menos 20 anos. Cabe ressaltar, acrescentando ao argumento dele, há pelo menos 10 anos muitos tinham decretado o fim do meio impresso, sobretudo diário.

            Neste espaço fiz abordagens em torno da importância dos meios de comunicação, mesmo ante à concorrência acirrada, cada qual a exigir linguagem própria tão peculiar quanto o próprio meio de informar e narrar a notícia. Mas ainda se nota rádio tentando ser televisão e vice-versa; internet como revista.

            Com 29 anos aqui nesta Coluna vivenciei a trajetória da Tribuna do Interior bem como acompanhei outros veículos de comunicação como a pioneira Rádio Difusora Colmeia. Tantos  outros surgiram, efêmeros ou se consolidaram na comunicação mourãoense e nas cidades da região.

            Eles integram o cotidiano das pessoas e têm contribuído para o desenvolvimento, a maioria atenta e tendo que se adaptar às novas tecnologias e comportamentos. A Tribuna age, se antecipa às transformações. Cultura, palavra-chave inerente ao papel do jornal, ambos imprescindíveis.            

Fases de Fazer Frases (I)

             Não sobra tempo para jogar fora horas vagas.

Fases de Fazer Frases (II)

            Todo o infinito tem começo.

Fases de Fazer Frases (III)

            Todo o começo é finito.        

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            “Acabou. O jornal Gazeta do Povo deixa de existir depois de cem anos. O grupo já conseguira enterrar outros jornais de papel que incorporou nos últimos anos: Estado do Paraná, Tribuna do Paraná, e em Londrina o Jornal de Londrina que definhou até desaparecer. Hoje, para maquiar o fim, a família Cunha Pereira Filizola, fez uma apresentação com o lero do 'sistema de entrega da informação'. Para não fechar o caixão, a Gazeta do Povo confirma que passa a circular em papel apenas uma vez por semana, aos sábados”. A notícia está na Coluna do jornalista Fábio Campana, semana anterior, com imagem da sede do Jornal em Curitiba, quando era retirada a enorme placa “Gazeta do Povo”.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O fim da Gazeta do Povo, se não chegou a se arrastar, foi lento e contínuo. Há meses em Campo Mourão deixou de ser o impresso. Neste espaço fiz o comentário quanto a tentativa frustrante da Gazeta ter querido se tornar um jornal de nível nacional, em vão. Embora tenha  tentado eliminar a concorrência, ao fundar o Jornal de Londrina para enfrentar a Folha de Londrina, mas sucumbiu, como ao adquirir O Estado do Paraná.   

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Ainda sobre a Gazeta e ao considerar a internet como meio de comunicação, o que faltou a ela foi se preparar para os novos tempos, como fizeram e prosseguem jornais como a   Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, eles mantêm o impresso e estão bem articulados com o digital.      

Caixa Pós-tal

            “Fiquei muito feliz em rever a poesia dessa poetisa na sua Coluna”, manifestou o poeta mourãoense Oswaldoir Capeloto. Ele se refere à Coluna anterior O FIM DO CORTE É PARA VALER?, nela transcrita o poema da ararunense Julieta de Oliveira (tia Júlia), publicado no Sítio Tá Sabendo, sobre a árvore da casa dela, que, além de belo, veio a calhar com o conteúdo principal deste espaço, a alteração do código de arborização de Campo Mourão, que torna mais rigoroso a sanção para o corte e extração de árvores indevidamente.  

Reminiscências em Preto e Branco

            A honra alheia só é ofensa para quem não a tem.

O fim do corte é pra valer?

“Vou contar a história de uma árvore

Que era minha fonte de inspiração

Um dia ela foi destruída

Vocês prestem bem atenção

Onde está aquela árvore frondosa

Que avistava de minha janela

Os primeiros raios do sol

Ela ficava ainda mais bela

Quando chegava a primavera

Como um ouro parecia

Com seus lindos cachos amarelos

Que de muito longe se via

As abelhas faziam festa

O vai e vem de beija flor

Sua sombra aconchegante

Que protegia do calor

Esta árvore foi eliminada

Não foi por acaso, porque quis

Está destruindo o muro e a calçada

Com suas profundas raízes

Depois de cortada a a madeira

Foi levada em um caminhão

Com destino a ser queimada

E ser transformada em carvão

O que aconteceu com a árvore

Com o homem não é diferente

Nascemos vivemos e morremos

Tudo passa tão rapidamente”.

Julieta de Oliveira (tia Julia), poetisa ararunense. Texto extraído do Sítio Tásabendo  

            Campo Mourão tem uma nova lei para a política de expansão da arborização urbana. As novas diretrizes e competências do Código preconizam expressamente a proibição de  qualquer tipo de corte, ou seja, poda e extração de árvore. São 95 artigos que passaram a valer desde o último dia seis de setembro. A atualização do Código contou com entidades e profissionais ambientais que introduziram critérios mais rígidos.

            Vai ser para valer? Se era necessário meio legal mais adequado a disciplinar a arborização urbana, a questão é se existirá, por exemplo, fiscalização do poder público local.

            O desafio é preservar todas as árvores existentes, não mais permitindo que elas fiquem vulneráveis à prática da poda fora de época e sem profissional habilitado, mutilação e o extermínio indiscriminado, fatos infelizmente marcantes e em abundância, que contaram com a conivência da própria prefeitura nas gestões passadas. Cenas comuns de matança em série de árvores para principalmente atender a comerciantes que priorizaram o fachada publicitária das empresas deles. Sem árvores, idiotas acham mais prático colocar toldos para combater o sol.

            O que tinha passado da hora é termos de fato política urbana de arborização, tarefa da prefeitura mas que deve ser incentivada e exigida a participação de cada mourãonse. 

            Sem sombra não tem água fresca natural. Contra cortes até não ser cortês será válido. 

Fases de Fazer Frases (I)

            Penso, posso me apossar do pensar. Pensar que o pensar se apossa de mim.

Fases de Fazer Frases (II)

            Meu erro me acerta. É certo que erro.                                                 

 Olhos, Vistos do Cotidiano

            Cresceu o número de tornozeleiras ou é o de condenados a praticar crimes com elas?

Caixa Pós-tal

            “Quanto tempo não entramos em contato, sinto saudades dos grandes ensinamentos pelo senhor dentro da sala de aula. Por onde passo, quando converso com alguém sobre a arte de ser professor, me refiro ao senhor como o melhor professor que já tive”, escreveu o jovem Matheus Gabriel, que mora em Campo Mourão mas tem vínculos familiares em Roncador. Obrigado pelas palavras, elas servem para aumentar a responsabilidade e me estimulam aprender mais para ensinar. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Morre a palavra. Não desaparece no túmulo. na lápide do dicionário antigo.

Última

                                             “Chega um dia em que o dia se termina

                                               antes que a noite caia inteiramente.

                                               Chega um dia em que a mão, já no caminho,

                                               de repente se esquece do gesto.

                                               Chega um dia em que a lenha não chega

                                               para acender o fogo da lareira.

                                               Chega um dia em que o amor, que era infinito,

                                               de repente se acaba, de repente.

                                               Força é saber amar, perto e distante,

                                               com o encanto de rosa livre na haste,

                                               para que o amor ferido não acabe

                                               na eternidade amarga de um instante”

A aprendizagem amarga – Thiago de Mello

           

                        Antes a última. Sem o depois.

                        Principia o fim. Acabado o começo.

                        O que não goteja evapora.

                        Escuridão definitiva antes da luz temporária.

                        Dias contados. Descontado o adiado.

                        Vestígio do vestido. No corpo nu.

                        Fogo apagado. Brasa sem brisa.

                        Entender. Estender. Tudo tende. Tudo pende.

                        Último aperto. Perto do último.

                        Vagais com palavras vogais. Vagões vagos.

                        Memória da última história. Vitória sem ganho.

                        Pão de massa. Amassado sem assado.

                        Mastigação ante, antes, engolir. Bocado e bocanha.

                        Tropeços e saltos. Sobressaltos.

                        Botadas todas as cores. Desbotadas.

                        Não mais qualquer ato. Sem fato.

                        Cometido. Come dito. Medito.

                        Última palavra. Não escrita. Não lida.

                        Palavra não ouvida. Nem palavra foi.

                        Final vivido. À vida que vai. Esvai.

                        Não era para escrever nada disso. Mas é disso que é escrito o nada. 

Fases de Fazer Frases (I)

            A ausência mais sentida é a falta maior.

Fases de Fazer Frases (II)

             Pesadelo é desistir do sonho sem ter outro.

Fases de Fazer Frases (III)

            Arrepio de pássaro é pio.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Só tem volta aquilo que não foi ainda.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Em Apucarana, viagem a trabalho, paramos na praça Rui Barbosa, centro da cidade, para perguntar sobre restaurante na proximidade. Bem solícito, um dos vendedores indica dois e comenta, “Aquele lá a comida é requentada!. A colega de trabalho Cristiane Real Ramos, assistente social, logo percebeu efetivamente o que queria dizer o vendedor.  Ele se referia a requinte.

            Mais um caso da nossa linda língua, palavras parecidas foneticamente mas com sentido diferente, que gera confusão algumas vezes. Como ratificar e ratificar.

Caixa Pós-tal

            O ubiratanense Josué Moreira cumprimenta o conteúdo da Coluna. “Se não me fizesse pensar, refletir, não teria sentido ler”, aponta.

Reminiscências em Preto e Branco

            A falta de algo é mais notável em relação ao contrário dela. Como agora, calor e sol intensos elevam o desejo da chuva.          

Pátria párea, parida

“I - Quando arrombou o imóvel/ De Geddel em Salvador, /O agente da Polícia
Foi tomado de um torpor: - Nós entramos foi num banco! –,/ Disse ele no corredor.
II - Havia grana em toda parte,/ Uma cortina foi feita/ Com a quantia de 1 milhão/
III - Testemunhando os trabalhos,/ Convocaram João Tenente,/Que conhecia Geddel Desde quando era carente:Juntou dinheiro tomando/ De quem via pela frente. (...)
V - Furtou a bacia de um cego/ Na Ladeira de São Bento,/ Assaltou um aleijado/
Na esquina do convento/ E despojou Carga Torta/ Do único bem: um jumento.(...)
Fazia como Tio Patinhas/ (…) No dia que estava triste,/ Se deitava no dinheiro.
VII - Guardava dinheiro em malas,/ Em travesseiro e colchão,/ (…)/
Escondido num caixão/ Que ele tomou de uma velha/ Numa visita ao Sertão.
VIII - De tanto tomar do povo,/ Geddel foi se acostumando: Quanto mais ele amava, amava,/ Uma fortuna ia juntando.
IX - Desde os tempos de ACM,/ Passando em FHC,/ Tendo seu cartaz em alta/
No governo do PT,/ Geddel se achou imbatível/ Na arte de enriquecer./
X - Só que veio a Lavajato/ Pôr ordem no cabaré: Na esquerda ou na direita, /
Não tem mais/ querequequé,/ Roubou é investigado,/ Finda preso e algemado,!/ (...)

Miguezim de Princesa – Como Geddel Juntou Dinheiro -   (Coluna Diário do Poder)

            Rápida e direta troca de mensagens eletrônicas entre mim e o Henrique Thomé, responsável pela edição da Tribuna. Na quarta eu queria saber se era para enviar o texto da Coluna, caso não fosse circular o jornal na sexta. A objetividade (minha e dele) me atrapalhou, “pode mandar”, foi a resposta à minha pergunta. Mas eu fiquei com mais dúvida, “mandar hoje ou sexta?”.

            Faz sentido citar o fato, pois tinha decidido escrever sobre o Sete de Setembro e os casos de corrupção. Só iria citar notícias desta semana, caso tivesse que antecipar o envio do texto.  

            O que mudou de quarta até sexta? (dia de encaminhar a Coluna). As malas de dinheiro com 51 milhões encontradas em um apartamento vazio em Salvador, que levou o dia inteiro para ser contado com maquininhas, foi a maior apreensão em dinheiro vivo feita no Brasil. E pensar que a maior mala de dinheiro era do paranaense Rocha Loures, ex-deputado (PMDB).    

            Da última quarta até esta sexta (quando escrevo a Coluna), o dono do dinheiro foi preso!  Geddel Vieira Lima estava em prisão domiciliar sem tornozeleira. Dispensa apresentações, ele tem processos deste quando entrou na política, tornando-se conhecido no Brasil como dos mais ativos  “Anões do Orçamento”.

            Se esta Coluna tivesse sido publicada, estaria desatualizada. O texto não mencionaria outro fato, o depoimento em audiência do Antônio Palocci, então todo poderoso ministro da Casa Civil, braço direito de Lula e Dilma. Preso há quase um ano e condenado a 20 anos, ele abriu o verbo, enumerou dinheiro e mais dinheiro para campanha e para o bolso do Lula e Dilma, só para citar os dois ex-presidentes. Fortunas repassadas pelo empresário construtor Emílio Odebrecht.

            O Paraná infelizmente é manchete nacional devido a denúncias de corrupção.  PT e PSDB envolvidos, a senadora petista Gleisi Hoffann e o governador tucano Beto Richa. Pesam sobre eles graves acusações, talvez não saiam sem culpa de nada.  

            Concluo a Coluna. Advirto o caro leitor, o conteúdo deverá ficar desatualizado devido a  desdobramentos, novos detalhes, e também ante a novos casos, denúncia, investigação.

            Pátria Independente, Grito do Ipiranga, gritante corrupção. Roubam, brava gente brasileira.          

Fases de Fazer Frases

            Para sorver sopa não carece usar dentadura.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Não somos independentes? Independentemente do que somos?

Caixa Pós-tal

            A advogada e educadora social, servidora pública Ana Cláudia Padilha, declarou a emoção que sentiu ao ler a Coluna anterior ULIANA, PAZ QUE DEIXA. Uliana era bisavó dos filhos da Ana. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Quando alguém estava na pior tinha uma referência comum nos meus tempos de meninice, “está tão ruim para o fulano que ele está comendo de marmita”. Marmita era típico dos trabalhadores braçais como os da construção civil, os de beira de estrada, (barnabés). Atualmente, não, é até de bom gosto (duplo sentido), prática, econômica. Os restaurantes há tempo oferecem marmita e entregam. Enfim, coisa de pobre, coisa de rico.   

Uliana, paz que deixa

                                                     “Tu tens um medo: Acabar.

                                                       Não vês que acabas todo o dia.

                                                       Que morres no amor. (…). Na dúvida. No desejo.

                                                       Que te renovas todo o dia. No amor. (…) Na tristeza. (...)

                                                       Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas.

                                                       Até teres medo de morrer. E então serás eterno”.

                                                                              Cecília Meireles

            Preparou-se para levantar da cama. O sol ainda era alguns raios nas frestas da janela. O sono nem sempre a repousava inteiramente, não pela idade e sim ante os seres que amava. Generoso, o coração de puro afeto não deixou que ela saísse do quarto, da cama. O sono agora é eterno. O coração terno silencia no infinito. O descanso da incansável batalhadora veio depois do sereno invernal, mansamente e pouco antes da estação primaveril, repousa como brisa. Escolhera ou foi poupada da despedida última. O destino encenado silenciosamente. Antes que as novas flores chegassem, que ela contemplaria, elas hão de homenageá-la.

            Autenticamente brasileira, ainda assim conservava o sotaque italiano, sobretudo carregado nas palavras verbalizadas como se estivesse numa colônia da Calábria ou na Sicília, evidentemente pelos gestos largos dos braços, mãos, do olhar e voz que acolhia o mundo a partir do pitoresco. Provinda do Rio Grande do Sul, Veranópolis trouxe o sonho de edificar a família com o esposo, de saudosa memória. Foi paranaense sem deixar de ser gaúcha, como ser brasileira sendo italiana.

            A paz é a palavra que alicerçou toda a trajetória de vida. A paz que acalentava. A paz que concebia e concedia no partilhar. A paz que não era apenas ausência de conflito. Tinha ela a paz da inquietação, da consciência que não sossegava se alguém carecesse de um gesto fraternal. Independente, resoluta, altiva, a Nona era peculiar no cuidar das plantas, colher hortaliças, cozinhar, bordar e tinha seu oratório, rogava por todos.

            Nasceu em 1920, 13 de julho, Uliana Facchin Sartor nesses 97 anos sofreu perdas que deixaram marcas profundas, mas que não levaram a sucumbir. Ficou viúva e perdeu dois filhos tragicamente em acidentes automobilísticos. Tornou-se mãe de netos criados com a educação exemplar, palavras claras de discernimento, lições éticas, tudo envolto no sentimento cristão e da dignidade humana. 30 de agosto, derradeira despedida, para sempre a ser enaltecida. 

Fases de Fazer Frases

            Deixe-se de se deixar sozinho. Só não deixar-se sozinho.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Donos, da avenida, das árvores, donos do espaço (que seria?) público. Eles fecharam a avenida e puseram mataram árvores. Revoltante, fato registrado no Sítio Boca Santa, com imagens posterior explicação da prefeitura, segundo ela o corte não foi autorizado. Donos de mais o quê? 

Caixa Pós-tal

            “A sua última Coluna me mandaram. Parece que você sabe do meu caso”, finalizou a mourãoense Maria Isabel Braga, sobre a última Coluna, DEVOLVA “foi compartilhada por muitos”. Faço o registro, agradeço em especial à Maria e a todos os demais, ainda sem saber quem são.   

Reminiscências em Preto e Branco – AS VOCAÇÕES DE JOSÉ HAITO DOI

            Vocação é talento, capacidade nata ou adquirida. São três as vocações destacadas nele, agora reminiscências eloquentes para evocá-lo numa saudação à memória, conteúdo de valor que não se pode precisamente estimar. A vocação de ser humano franco, leal, austero nos valores como decência. Assim formou os filhos com exemplos cotidianos de caráter. Outra vocação, a profissional, medicina pautada bem mais do que o mister laboral, foi a de orientar, assistir, socorrer o paciente para cessar, amenizar dor, sofrimento. Dedicava-se a medicina como a cuidar de um pomar, cada árvore, cada fruta com zelo, sapiência cirúrgica. Deixa pomares, legado harmônico: familiares, amizades, pacientes, comunidades. E a terceira vocação era servir, cooperar fraternalmente, somando-se socialmente com empenho. Ao exercer cargos públicos, vereador e secretário municipal, fixou equilíbrio entre a saúde privada e pública, buscava a junção com a experiência de estudar, ouvir, falar, consultar e ser consultado a partir do paciente. Era enérgico, veemente com prescrição ele dirigia com vigor, e que poderia inicialmente não agradar, mas era uma atitude daquele que não conseguia – nem tentava – só atender e, o paciente virava as costas, Doi agiria igual. Paranaense de Cambará, pioneiro como médico, fundou o Hospital Anchieta de Campo Mourão, década de 60. Aos 83 anos, é, (30 de agosto) ausência e saudade eternas, sentidas.        

Devolva

“Quem empresta e não devolve, não presta.

Quem se presta a não emprestar, presta”.

Estive Nólocal (b.d.C)

            “Quem bate esquece, quem apanha, não”, o ditado muito conhecido dá para aplicar quando se tratar de empréstimo. Quem recebe um empréstimo, esquece, mas quem emprestou, não esquece.

            Quem tiver algo para devolver, devolva! Fazer-se de esquecido do tipo não se lembrar, mesmo, que emprestou dinheiro ou algum objeto, é comportamento errado, lesar ao se apropriar de algo que foi apenas cedido. Apropriação indevida. Desmerecer e abusar da confiança.

            Antes – ou depois – que o caro leitor pense, o texto não tem qualquer motivação e intenção pessoais. Sequer possuo algum fato para contar relacionado a empréstimo e a não restituição. 

            Formas sutis ou diretas são sugestões dadas para quem pretende ter de volta o que emprestou, não faltam. Além do objeto emprestado, tem um aspecto que exerce influência e bem maior ou de maior valor, o orgulho ferido. Quem emprestou tem a autoestima atingida, daí a ofensa poder alcançar proporções tão elevadas que são comuns desfechos trágicos.

            Caso exista quem tenha me emprestado algo, dinheiro, objeto..., sei lá mais o quê, por favor, se manifeste do tipo, “ô, Maciel, devolve aí”. “Te emprestei e não me devolve mais!”.

            Vou devolver! Vô dá jeito de reparar o dano. Tenham paciência. Lembrem-me o que devo. 

            Nunca é tarde para devolver. Mesmo que simbólico, devolver, muito tempo depois, pode ser que tenha a ver com drama de consciência.

            Há anos li a notícia sobre uma pessoa que, passados mais de 30 anos, devolveu o livro emprestado de uma biblioteca chinesa. O exemplar era igual a muitos com o mesmo título. É possível que na biblioteca ninguém mais tenha notado a falta, embora constado no registro a não devolução.

            A pessoa que tinha tal dívida, estava no leito de morte e foi a última vontade, entregar o livro para o acervo da biblioteca.

            À época e como agora estou intrigado e continuo sem saber: Qual o título e nome do autor do livro? E o surrupiador, leu ou não leu o livro?

Fases de Fazer Frases (I)

            A inveja por não ter sorte é o maior azar.

Fases de Fazer Frases (II)

            Estranho é achar tudo normal. Normalmente não é estranho.

Fases de Fazer Frases (III)

            Bom da idade é bondade. Mal da idade é maldade.           

Fases de Fazer Frases (IV)

            Mar das incertezas é preferível, ao leito seco do pessimismo.

Fases de Fazer Frases (V)

            A vida é troca. A vida é toca. A vida não é oca.      

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Falta de dinheiro ou falta de prestígio? Ainda que tenha passado semanas, não deixa de ser surpreendente o fato de a Copel e a Sanepar deixarem de patrocinar o Basquete de Campo Mourão. Não é só a nossa região que perde e sim o Paraná em termos nacionais nessa modalidade. Se as duas companhias controladas majoritariamente pelo governo estadual alegam não ter dinheiro, a impressão é que foi fácil a aceitação por parte das nossas ditas lideranças regionais. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Um assunto puxa o outro (em relação à nota acima), faz lembrar o presídio em construção em Campo Mourão. Quando paralisada a obra por longo o tempo, o silêncio foi geral. Bastou retomarem a construção para tudo mundo aparecer e posar para a foto. Embora ninguém deseje, mas, caso venha acontecer outra paralisação ou atraso, ninguém (ou quase) aparecerá para o retrato.

Caixa Pós-tal

            Rafael Carlos Eloy Dias, professor em Santa Catarina, dá notícias ao escrevinhador aqui, tio dele, e comenta: “Não liguei porque meu celular está no conserto (se ele estivesse no concerto, estaria no teatro municipal, não na assistência!). O doutor em Química também sabe do idioma.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Relógio sem hora certa é questão de tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Não lembrar da memória, largá-la num lugar para não ser achada, alargada.

Sem carteira, o duplo péssimo sentido

“Pensei que o mais difícil era encontrar emprego, mas estou vendo que a dificuldade maior

será conseguir a Carteira de Trabalho. Preciso da Carteira de Trabalho para entrar

no Jovem Aprendiz e ingressar no mercado de trabalho”.

Adolescente A.H.F, 15 anos

            O lugar que dá mais trabalho; ou não dá trabalho algum é a Agência do Ministério do Trabalho e Emprego em Campo Mourão. A Tribuna destacou na primeira página matéria do jornalista Clodoaldo Bonete, dia oito. A Agência nem sempre atende, literalmente é comum a porta fechada. Faltam, além de mais funcionários, carteiras de trabalho, internet com boa conexão, impressora com tinta e ainda tempo para atender todas as pessoas que vão à repartição dita pública.

            O problema não é novidade, é crônico e não se tem em vista solução que restabeleça o direito do trabalhador, empregado ou não, de ser cidadão. Segundo a reportagem, a responsável não tem autorização para conceder entrevista.

            A declaração, (abaixo do título), o adolescente evidencia estarrecimento ao procurar a Agência e não ser atendido, assim como  outro jovem, Rafael Grella, relatou o fato de a funcionária não ter comparecido ou por não ter material. Em tempos de desemprego - mais de 14 milhões - , quando as raras oportunidades surgem, é um absurdo que um brasileiro possa perder vaga por não ter carteira de trabalho.

            A Agência só tem o nome de Emprego e Trabalho. O vereador Edílson Martins (PR) requereu informações ante ao descaso. O que farão as autoridades públicas e os sindicatos patronal e o dos empregados? 

            Absolutamente indigno uma pessoa perder o que sequer obteve, um trabalho, por não ter  carteira profissional, direito negado ante à irresponsabilidade  seja lá de quem for: Intolerável! 

Fases de Fazer Frases (I)

            Se a moral alheia é só invejada, ela é falsa.  

Fases de Fazer Frases (II)

            O que vem a calhar não vai encalhar.

Fases de Fazer Frases (III)

            Viagem é com g. Viajo é com j.

            Dirijo é com j. Dirigir é com g.

            Ao destino leve mala. Amar a palavra destina, amá-la.    

Fases de Fazer Frases (IV)

            Vi elas nas vielas.

            Vê-las sem velas.

            Vão elas. É delas as vielas sem elas?

            Elas sem as vielas?

            Todas elas são vielas.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O jovem Eliel Dias Soares Júnior dá um salto enorme na carreira, ser selecionado para um curso técnico da Escola de Artes Circenses. Nível nacional, com méritos, foi aprovado no exame teórico-prático pela Funarte – Fundação Nacional de Artes. 19 anos, é professor da Escola de Circo de Campo Mourão, larga experiência cênica, educador, é notável a paixão dele pela lona, picadeiro. Talento, dedicação, entusiasmo, características decisivas nessa merecida vitória, sem surpreender quem o conhece. Parabéns ao meu ex-aluno no Colégio Estadual Campo Mourão.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            “O Rio do Campo está morrendo”, título do texto na “Tribuna Livre”, (sexta anterior) do Félix Santiago de Souza, aborda o risco iminente do rio desaparecer. O escritor, com vários livros publicados, apela à sociedade para ações concretas visando salvar a ainda corrente natural de água.   

Caixa Pós-tal

            ...”sempre lembro das suas palavras na sala de aula, além de professor, advogado e sociólogo, um homem humilde e sábio onde transforma as palavras na realidade”, escreveu o  jovem Gilberto Bazzo. De Araruna, foi meu aluno quando lecionei lá no Colégio Estadual Princesa Isabel. Bazzo é formado em Gestão Tecnológica e Recursos Humanos, um batalhador esforçado  para o trabalho. Almeja colocação compatível com a formação dele.

Reminiscências em Preto e Branco

            Meu pai, a sua falta é sempre presente. Os pais, a presença de quem nunca falta.

A música sem o Melodia, Pérola Negra

“Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio
O Estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
Trago não traço, faço não caço
O amor da morena maldita do Largo do Estácio
Fico manso, amanso a dor
Holliday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor
Holliday eu já não penso mais”

Luiz Melodia – Estácio, Holly Estácio

            A música brasileira está inteiramente triste. Notas espedaçadas. Uma nota só. Com a melodia e sem o Melodia. Estácio, o morro, lugar carioca, da escola de samba, do samba de escola, onde nasceu, foi lapidada a pérola negra. Tudo agora é Brasil, somos Estácios vazios, sem estações. Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia morreu na madrugada desta sexta. Tinha 66 anos, câncer de medula óssea.  

            Morreu de amor. De amor viveu. Amor compôs. Amor cantou. Interpretou singularmente a melhor música, vivências felizes, tristezas, perdas, saudades. Quantas foram às morenas malditas que conheceu ou que no cenário do morro narrou, bem no compasso, bem junto ao passo do passista da escola de samba. Foi passista pacifista.

            Fazia questão de ser tão original como compositor e intérprete magistral. Letras, conteúdo de uma simplicidade bela, expandidas pela voz única, identidade do artista da palavra, da letra, da poesia, da música, espetáculo maior: a canção da nossa cultura.

            As cantoras Gal Costa e Maria Bethânia foram fundamentais para abrir espaço ao jovem compositor. Pérola Negra, 1971, possibilitou que o sucesso da canção levaria Melodia a subir ao palco, e sempre, também a cantar, Pérola, foi a sua primeira e mais lembrada marca. Bethânia, ano seguinte, lançou Estácio, Holly Estácio e assim Melodia não mais sairia do palco e, sem descer/esquecer-se do morro, Estácio tornou-se mais conhecido pelos brasileiros, como Juventude Transviada nosso retrato bem mais que carioca, nossa nacionalidade, lava roupa todo o dia, que agonia.

            Além da voz ímpar, sonoridade límpida, foi maestro, o caracterizava em todos os seus álbuns, harmonia dos instrumentos, acordes, acústica que reverberava canções que se tornaram, e permanecerão certamente como patrimônio de nossa melhor música.           

Fases de Fazer Frases

            Ideias podem polemizar. E polinizar.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Na edição de ontem, o colunista Walter Pereira destaca a notícia desta Tribuna sobre o risco de acabar o Proerd – Programa Estadual de Resistência às Drogas, matéria do dia 13 do mês passado, quanto ao deputado estadual (PMDB) Nereu Moura ter requerido informações ao governo estadual. Na Coluna deste escrevinhador aqui, o tema foi abordado QUESTÃO (NÃO) FECHADA, citando a reportagem e tecendo comentário. O assessor do parlamentar Moura, Gilmar Cardoso, ex-prefeito do Farol, me enviou cópia do requerimento.

Caixa Pós-tal

            “Gosto de ler palavras que não tenho ideia ou pouco sei na sua Coluna, aí procuro saber o significado. Você escreve como se fosse um diálogo”, destacou o cascavelense, terapeuta José Luís Oliveira. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Melodia não era o nome na certidão de nascimento de Luiz Carlos dos Santos (tema principal da Coluna de hoje). Nem musicalmente e de propósito adotado por ele. Melodia era como ficou conhecido o pai dele, Oswaldo, compositor e cantor reverenciado na Estácio, mas que não fez sucesso, (apenas na vida boêmia). O filho Luiz herdou e bem conquistou o legado musical, até no apelido.