José Eugênio Maciel
Carta para o mau velhinho

“A virtude da modéstia é, decerto, na invenção considerável para velhacos,

 pois, em conformidade com ela, cada um tem de falar de si mesmo como

 se fosse  um deles, uma vez que produz a impressão de que não há

 absolutamente  nada além  de velhacos”.

Schopenhauer

            Corro para os Correios! Aliás, os Correios, ao menos no Rio de Janeiro, não entregam mais nada em áreas que eles declararam inseguras para os carteiros. Será que a minha carta chegará? Que o destino dela é área que o carteiro poderá entregá-la?

            O destino é local de muitos criminosos sobretudo os de colarinho branco.

            Tenho que colocar todo o endereço completo, com CEP e tudo? Se escrever no envelope apenas Brasília e “Complexo Penitenciário da Papuda”, o carteiro sabe o endereço? Ele terá medo de ser roubado?

            É Natal! O bom velhinho todo mundo sabe, recebe milhares, milhões de cartas.   

            Mas minha carta é para o mau velhinho. Ele tem 86 anos! E muito (mas não tudo) leva a crer que ele irá passar o Natal e a virada do ano, preso.

            Duas imagens dele contrastantes: uma, a caminhar em direção ao carro, belo e saltitante para se entregar. A outra é ele, lentamente, apoiando-se nos ombros amigos e numa bengala, “à disposição da justiça”. Claro que tem uma diferença crucial, uma ele não sabia que estava sendo filmado e a outra ele tinha certeza que sim.

            Apenas para se referir a um processo de condenação e ao último com sentença, teve que devolver aos cofres públicos 10 milhões de reais, conforme acordo com um banco. O dinheiro irá para a prefeitura de São Paulo, capital.

            Generoso o velhinho. O velhaco fez acordo e devolveu 10 milhões!

            Condenado a quase oito anos, ao longo de pelo dos menos 40 anos ele foi dando um jeito de escapar da Justiça. Alegando, sem provar, que não deve nada, que é honesto.

            Se tiver mesmo doente, com câncer, tem direito a tratamento. E a Penitenciária tem médico e psiquiatra para atendê-lo.

            Os 86 anos de Paulo Maluf, sinceramente desejo-lhe que sejam de plena saúde! Porque que é que eu desejaria a ele mau e mal? Toda a saúde para Maluf!

            Saúde para que cumpra a pena na prisão, com toda – bem mais do que muita – saúde. O que ajudou a Maluf a driblar a cadeia é os eleitores de São Paulo, com sucessivos mandatos como deputado, além de prefeito da capital e ainda aqueles pleitos que não ganhou, mas foi bem votado para governador. Valeu-se do foro privilegiado. 

            Malufar é verbo praticado pelo próprio com o dilema, “rouba mas faz”.

            Na cela de pouco mais de 30 metros ele terá a companhia próxima de um gordinho que tem cara, jeito, saco... de Papai Noel. E se estivesse solto, poderia convencer que todo o dinheiro “dele” seria distribuído agora no Natal. Mas a grana do Geddel Vieira, mais de 51 milhões, era só para a ceia da família dele.

            Muita saúde para esses maus velhinhos! Bons velhacos! Que o Gilmar Mendes não passe o Natal despachando lá no Supremo... Para os velhinhos ficarem na cadeia.

            Saúde aos velhacos!             

Fases de Fazer Frases

            Enquanto não tiver aquarela, alegre-se com a cor que tiver. Pinte a imaginação.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Finalmente, após tanto procurá-la, consigo encontrá-la. Parecia não acreditar. Olho bem para ela. Ajeito-me todo. Tenho certeza, não iria deixá-la por um bom tempo. Com cuidado e rapidez, entro com tudo! Bem encaixadinho.

Como é linda a vaga de estacionamento que encontrei numa avenida mourãoense. Utilizei por um tempão. Graças a ela comprei presentes, todos que precisava. Com uma vaga não se divaga.

Caixa Pós-tal

            Do João Pedro Neto de Cuiabá, Mato Grosso: “Começo a ler a sua Coluna pelas partes curtas, as frases, comentários e só depois vô para o prato principal”.

Reminiscências em Preto e Branco

            O que fica do passado é o que nós não deixamos passar. .

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Tiririca e titica

“Dito acontecimento arranca também as últimas gargalhadas de seus eleitores, que vingaram, na pessoa do palhaço, das expectativas desmentidas ou rejeitadas que o povo brasileiro sempre mantém em relação aos compatriotas do legislativo”.

José Maria Couto-Moreira – jornalista

            Eleito e reeleito, a campanha eleitoral, “se você não sabe o que faz um deputado, vote em mim que eu te conto”, gracejava o palhaço Tiririca. Discursou por quase seis minutos e pela primeira vez: não será candidato. Mas não relatou o que fez, deixou de fazer nesses quase oito anos de deputado. Nada disse sobre robusta verba pública que usou para viajar e dar espetáculos. Sem projetos ou outras iniciativas parlamentares, afirmou, sem citar fatos e nomes, condenar os políticos, para ele sem virtudes cívicas, e que o povo brasileiro é deixado de lado.

            Anunciar que não concorrerá é oportunismo. Tiririca deveria renunciar. Sem ter trabalhado seriamente, a atividade maior é posar para fotos a pedido de políticos Brasil a fora despreocupados em serem úteis na Brasília. Tiririca segue a usufruir das vantagens do cargo, se valer do dinheiro público a atuar como palhaço deputado/deputado palhaço (piores sentidos duplos de tais termos).

            Foram mais de um milhão e 300 mil paulistas que deram a ele estrondosa votação, grande parte dos votos obtidos movidos pela crítica à classe política, cansados de votar em políticos tradicionais e de eleitores fãs do palhaço.  

            Palhaçada foi dos eleitores com o próprio voto, aliás, por duas vezes! Os paulistas protagonizaram eleitoralmente outra gaiatice quando deram enorme votação ao rinoceronte Cacareco, do Zoológico paulistano (quando tinha-se que escrever na cédula o nome do candidato ou o número). Os cariocas deram a maior votação para o macaco Tião.  

            Sobram motivos para enumerarmos quão é negativo o exercício de mandatos, a frustração com a classe política, haja vista escândalos de corrupção, privilégios, apadrinhamentos. Entretanto, a maneira de agir, expressar a crítica não é nem será a de não levar a sério nossa escolha pelo voto.

            A galhofa gerou lamentável situação, o discurso demagógico e hipócrita do Tiririca, que não fez nada, sem se responsabilizar pelos próprios atos omissivos, ainda parlamentar no gozo do mandato.

            O gozo dele é para gozar do povo, especialmente dos paulistas que votaram nele na maior gozação. Voto chistoso, ou facécia, como escreveu o jornalista  José Maria Couto-Moreira.           

Fases de Fazer Frases

            Nenhuma vida é inteiramente vivida se que outra dela faça parte.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Dia oito, sexta retrasada, o escrevinhador aqui foi surpreendido por dois elogios públicos no mesmo evento, Colégio Estadual de Campo Mourão. O vereador mourãoense Sidnei Jardim (PPS), rememorou o tempo que fizemos parte da administração municipal, da legislatura e por eu ser professor. (Tem mais a este respeito, em Reminiscências em Preto e Branco (II).

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O secretário estadual do Esporte e Turismo do Paraná, deputado estadual Douglas Fabrício, também ao usar da palavra na mesma solenidade de anúncio de obras, falou: “O professor José Eugênio Maciel é o melhor orador que eu já ouvi, de enorme conhecimento”.

            Torno público, bem mais do que o registro, os meus agradecimentos aos dois. 

Caixa Pós-tal

            “Não esqueça de contar aquelas boas histórias desta Coluna”, frisa José Augusto Pereira. 

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Ao discursar no evento do Colégio Estadual de Campo Mourão, (Olhos, Vistos do Cotidiano I e II), o vice-prefeito Beto Voidelo lembrou ter estudado lá, “há 36 anos! Fui do velho pavilhão de madeira que tinha o apelido de 'galinheiro'”.  

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Aluno do Estadual (1979 a 1986) o vereador Sidnei Jardim tem outra ligação com o Colégio através do pai dele, Osmar de Souza Jardim, falecido em 2008, funcionário zeloso e popular entre todos os frequentadores do estabelecimento de ensino. Seu Osmar era exemplar cumpridor de deveres, sério, de confiança, meu testemunho é próprio, o conheci à época do movimento estudantil.       

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Esmorecer sem merecer é morrer sem ser.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Mérito ao mestre assabido

“O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria

se aprende com a vida e com os humildes”.

Cora Coralina

 

            São quantos os Assabidos? O filho. O padre. O cristão. O professor. O mestre. O literato. O marido. O pai. O avô. O homem. Referência à nota 10 são 10 as qualidades gizadas em respeito ao Assabido Rhoden. Nesta segunda-feira ele lançará o seu novo livro. Comandada pela Academia Mourãoense de Letras, da qual ele é membro. Ao homenageá-lo, celebrando o dia 11 os 91 anos do nascimento, é ele que presenteará a todos com o autógrafo na sua obra.

            O filho. Nasceu no Rio Grande do Sul, descendente de alemães. Em 1926, dia 11 de dezembro em Selbach. Mais do que herdar dos pais a profunda fé cristã, o legado, já desde menino, tornou-se, ao mesmo tempo e intensamente, uma conquista devidamente consciente e honrada.         

            O padre. Vocação, devoção, ação, convicção sacerdotais do peregrino que anuncia e é. 

            O cristão. Assabido deixou de ser padre pela decisão de contrair matrimônio, autorizado pelo Vaticano. Mas não deixou de ser absolutamente cristão, mantidas muitas atribuições inerentes a tais funções. Sem deixá-la tem nele a Igreja numa vereda só, a fé.

            O professor. Nos anos 70 quando chegou a esta região e ao deixar a batina, começou a expandir o mister de educador na condição da sala de aula. Assabido sabia que podia ensinar porque tinha enorme e rico conhecimento. Na sua cátedra não se punha nalgum pedestal, pois suas aulas eram diálogos fecundos. Elevava-se pelo saber e levava ao alto todos àqueles dispostos a aprender.     

            O mestre. O tempo que dedicarmos a alcançar a inteligência, ele será atingida, questão de tempo, cada ser humano ao seu modo, circunstâncias e capacidade. Basta busca-la, a inteligência semeada brotará, será cultivada e frutificará. Já a sabedoria é fruto da meditação sobre o saber e aplicação ao longo do tempo da vida. Assabido é professor dos mestres, é mestre das gerações.   

            O literato. Citações e análises bíblicas que comportam a Filosofia também em sentido amplo, além da religiosa, reúnem nas obras dele um legado para as gerações de agora e a aquelas que virão nos vários decêndios. É a reflexão acadêmica, primada e aprimorada.    

            O marido. “Amor e ajuda”, palavras dele para a esposa Clotilde, expressas no livro As Exigências do Mistério de Cristo, amada sempre, sendo não existir instante algum em que ela tenha ficando de fora dos pensamentos e ações de Assabido.  

            O Pai. Carlos Alberto, Ricardo, Ana Claudia e Fernanda foram criados com “açúcar e com afeto, doce predileto”, na canção do Chico Buarque. A doçura do pai que soube segurá-los pelas mãos e, à medida que cresciam, soltá-los. Com as mãos passarem a expressar o aceno à vida adulta. Remédios amargos? Pouquíssimos na missão de educá-los, raras advertências. Tiveram eles a educação pelo exemplo eloquente do Assabido e Clotilde, caráter e humildade são alguns traços.      

            O Avô. As gerações que formou na vida religiosa e educacional transpuseram filhos, filhos dos filhos, netos e netos. Em casa encontram Assabido de coração e braços abertos para acolher a criançada miúda que tem nele o velho senhor renovado com um vigor de menino feliz.  

            O homem. Assabido é um só homem na multiplicidade de muitos papeis, afazeres e seres. Justo, íntegro, capacidade de compreender, perdoar. Assabido é soma nas somas da vida de divisões e multiplicações. 

            Feitas as dez referências ao Assabido aludindo à nota máxima, 10! É preciso acrescer mais uma, para totalizar 11, sendo 11 o dia do aniversário dele. E 11 como reunião das demais 10 referências para um total esplêndido:

            O Amigo. Universal e específica que tem, tão bem cativa: amizade. Aqui a  homenagem.    

Fases de Fazer Frases

            Se não tiver intenção, o olhar é só um olhar? Se o olhar não for intenso.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Uma das piores e mais antigas mentiras do comércio natalino: “três vezes sem juros”.

Caixa Pós-tal

            “Gosto do que escreve, é como se falasse com cada um que lê”, diz Bianca Rodrigues Silva.

Reminiscências em Preto e Branco

            Poeira tempo varrida pela memória-vassoura. Ela levanta para cair noutro-idem lugar.     

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Saudação para o Nilson

    A morte – esse pior que tem por força que acontecer;

                                          Esse cair para o fundo do poço sem fundo;

                                          Esse escurecer universal para dentro;

(...)

                                        E é areia sem corpo escorrendo-me por entre os dedos

                                         O pensamento e a vida.

                                         A gare no deserto, deserta;

                                         O intérprete mudo;

(…)

A Partida - Alvaro Campos (Fernando Pessoa

            Fui levar o que imaginava ter, consolo.

            No velório a dor sentida buscaria amenizá-la com a dos familiares. 

            O que a morte diz? Silêncio, responde ela.

            “Ele é luz!”, sintetizava a senhora que irá em abril completar 90 anos.

            Marcas do tempo, as mãos dela tocavam as do filho sem vida. 

            Alternava-as ao segurar o livro de orações e cantos. Pulso firme da fé

            Dona Lourdes Piacentini continuará a ser mãe dele e dos demais. Dos amigos dele.

            A dor em meio a busca, assimilar a perda do filho para o céu, vida eterna.

            Nilson André Piacentini era filho dos pioneiros de Campo Mourão Avelino (saudosa memória) e da dona Lourdes. Amigo de infância, tínhamos de então uma convivência cotidiana. Já contei aqui o fato marcante quando Nilson e eu fomos jantar na famosa Churrascaria Marabá, propriedade do pai dele. Seu Avelino nos serviu com a mesma fidalguia como atendia a todos, e  nos ensinou o cultivo da amizade. Cravada na memória aquela noite, dois piás a saborear a vida.

            Crescemos, nos tornamos gente grande. O Nilson tinha uma perdulariedade, a gargalhada ou o sutil sorriso, cativantes. O abraço fraternal nos transportava até o tempo da infância. Nilson sintetizou a Campo Mourão que tínhamos, “podíamos atravessar a avenida sem olhar para lado algum, eram poucos os carros e  pessoas circulando”. Disse-me ainda, “conhecíamos todo mundo, e todos conheciam a gente, filhos da dona Lourdes, da dona Elza (em memória), éramos irmãos”.

            Sempre à vontade, para quem pudesse duvidar da amizade, a senha era como ele me chamava desde garoto e que o Nilson prosseguiu: Gudé. Temos praticamente a mesma idade, 54 e ele 53.

            Perdi o amigo de infância. Ele leva, como deixa, a lembrança à italiana do bom humor, solidário e fraternal.

            “Leio o que você escreve, me sinto em Campo Mourão. É como se continuássemos aquelas nossas conversas daqueles tempos”, escreveu, morando em Curitiba. 

            Desde o 19 último não mais está aqui, bem disse vossa mãe, agora “é luz”. Nilson, espero que leia esta (intenção) de homenageá-lo. Como biólogo dedicado, cuide daí da vida, regue com a chuva do céu todas as plantas. Olhe para a sua mãe. Continuaremos amigos, Nilson.                 

Fases de Fazer Frases

            Estrada. Entrada. Estada. Caminhos sem ou com data.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            A fiscalização visa cumprir o Código de Defesa do Consumidor, promete o Procon mourãoense. Vem a calhar nessa época de vendas natalinas. É fragrante o abuso publicitário das lojas ao não informarem preços, juros e o total do valor final da compra. Quando tem, as letras são miúdas. Exceções existem, raras como as letrinhas.  

Caixa Pós-tal

            Texto instigante, ávido, muito bom, me fez lembrar da minha avó paterna que usava este termo para seus apliques em suas costuras. Melhor mesmo: 'a vida é um quebra cabeça que o coração consegue montar'. Será? Manifesta Estter Piacentini, se referindo ao tema principal desta Coluna (Bocete), semana anterior. E, especificamente sobre o Fases de Fazer Frases, a presidente da Academia Mourãoense de Letras indaga se é mesmo o coração que consegue montar, o quebra cabeça. Ela assimilou o duplo sentido do coração em ser o que cria ou desmonta o quebra cabeça.

Reminiscências em Preto e Branco

            O ditado não é velho para quem acaba de conhecê-lo.    

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Bocete

Nenhum pensamento é imune à sua comunicação, e basta já expressá-la

num falso lugar e num falso acordo para minar a sua verdade.

Theodor Wieseneirud Adorno

            Foi a primeira e única vez que estive diante dela. Com esse nome.

            Nunca achei possível uma nova situação que então me levaria a lembrá-la.

            O dito impossível acontece. Obviamente se ocorre não é mais impossível.

            Exclamaria, é incrível, na verdade querendo afirmar, é crível.

            Rememoro a artesã a dizer ser o mais belo bocete.

            Mais ainda, segundo a mesma artesã, por estar junto ao vestido.

            Nunca seria eu a duvidar da bela artesã. Fosse um artesão, talvez.

            A artesã tinha a convicção da beleza, no caso única, em relevo, róseo.

            Nada reparei. Continuaria a ser ignorante total ante à nova e antiga palavra: bocete.

            Indiretamente ela está presente no nosso Hino Nacional, o florão da América.

            A palavra natural e instantaneamente  lançada ao esquecimento. 

            Mas não! Ela vem com a força da memória viva: bocete.

            Não lembrá-la? Não garanto a mim e ao caro leitor, com todo o respeito. 

            Porém, julgo que não serei levado a lembrar se carecer ocasião. 

            Só caso a artesã provocar... 

            Ela intimamente ligada à artesã, tecer o que é, bocete.

            O mais lindo que vi em toda minha vida:

            Ornato circular, como cabeça de prego convexa posta em antigas saias de malha e couraça.

            Bocete dá beleza, ornamenta ricamente o florão, toque sublime.       

Fases de Fazer Frases (I)

            A vida é um quebra-cabeça que o coração consegue montar.

Fases de Fazer Frases (II)

            Tristeza maior é não perceber poder alegrar-se.

Fases de Fazer Frases (III)

            Vir toda a virtude é vir em virtude de vir.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Toda a mancha se desmancha. Desmanchado pelo manchado nem sempre achado. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Por acaso existe a criação de velhos empregos? Ora, a própria palavra criar pressupõe algo que dá origem; formar; fazer existir; algo de inédito.

            A propaganda do governo federal enaltece ele mesmo, ao se referir à retomada da economia, “criação de novos empregos”. Ninguém viu na agência de publicidade? Dos que foram encarregados de ver, analisar e definir a peça publicitária para aprová-la, ninguém reparou?  Se é criar, só pode ser mesmo algo novo.    

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Aproveitando o embalo do subtítulo acima, em Campo Mourão tem uma lanchonete com uma enorme placa de anúncio do estabelecimento: Montes Claro. É claro, faltou o s.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Ainda no embalo das duas notas acima, tem um erro que não parece ser fácil eliminar e por parte daqueles que devem primar pela correção da comunicação, os jornalistas. Dizem muitos deles – não todos, é verdade! - “Quais são os seus planos para o futuro? Indago ao caro leitor, tem quem faça planos para o passado

Caixa Pós-tal

            Reginaldo Vieira escreveu: “Gosto da variedade, quando talvez esperamos um texto sobre política, você escreve sobre o social. Ou ainda sobre cultura, quando esperaria sobre economia. A surpresa é boa, obrigado!”. O agradecimento é mais meu pelo prestígio.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            A velocidade tecnológica é tão célere que o novo em bem pouco tempo se torna antigo, ultrapassado pelas novas descobertas e invenções que mudam a vida humana, humana vida que emana de mudanças.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            No fogão à lenha a chama aquece a água da chaleira que irá aguar o chá que espalha o aroma na chalaça de palha parecida com chalé, bebida servida, sorvida por todos enquanto a chalrear. 

Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Impulso, sem relógio no pulso

Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo

é uma invenção da morte: não o conhece a vida – a verdadeira – em que basta

um momento de poesia para nos dar eternidade inteira.

Mário Quintana

            Por estar no conserto o meu relógio, eu verificava as horas no celular. Em viagem recente a nossa capital, a bateria do celular começou a dar problema, muita demora para carregá-la e rapidamente a carga evaporava. Pifou de vez.

            O jeito era perguntar a hora para outros. No hotel,  para não perder a hora, pedi ao funcionário que ligasse na hora marcada para eu despertar. Notei,  ele achou estranho, provavelmente se trata de um serviço em extinção.

            Tentei me virar. Presumi inicialmente, seria fácil consultar as horas no público. O único relógio visível e imenso o da Rua XV de Novembro, a famosa Rua da Flores. Passando rápido por ela fui comprar um relógio de pulso. Estava a trabalho e, voltei a Campo Mourão de ônibus. Ainda em Curitiba, observei no Terminal Rodoviário, que foi modernizado (principalmente com escada rolante) por causa da Copa do Mundo. E, confortável por ter agora um relógio de pulso, notei que o Terminal não tem mais aqueles enormes e bem visíveis relógios colocados no alto. Se não tivesse meu novo de pulso, teria que indagar a hora, ou ficar atento aos avisos de partida.

            Não consegui ficar sem o relógio de pulso. Tentei.

            O motivo maior para continuar com tal relógio é o fato de ser professor. Devemos ser exemplos para os estudantes, caso consultasse as horas pelo celular em sala de aula, eu geraria a dúvida, o professor usa-o e não permite que eles o utilizem. Transparência é não bastar agir corretamente, é necessário demonstrá-la claramente. 

            Um senhor me pergunta as horas. Fiz questão de dizê-la com gentileza e simpatia.   

Fases de Fazer Frases (I)

            A verdade que se conta conta a verdade?

Fases de Fazer Frases (II)

            Entardecer.

            É descer.

            É tarde ser.

            E tarda ser.

            É um tar de ser!

Fases de Fazer Frases (III)

            Pode-se escolher  o relógio, não as horas.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O simples é filho do complicado. Por vezes é complicado ser simples.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Os 20 anos da Escola Municipal Florestam Fernandes (o Caic), me levam a lembrar da inauguração ter sido marcada para um sábado, dia que seria possível a presença do filho do sociólogo. O filho, jornalista com o mesmo nome do pai, prontamente aceitou o convite, feito por mim em nome do prefeito, na semana da perda do pai, um dos mais importantes professores e sociólogo brasileiros, morto em 1995. Veio a Campo Mourão com a  esposa. Como a capital paulista, Campo Mourão foi uma das primeiros cidades a  homenageá-lo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, tem dinheiro esbanjado na propaganda do governo. Apelo aos candidatos para não perderem a hora, em vez de mais incentivo e informações.          

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Ainda que não seja novidade: como na internet não é aceito o c com cedilha (ç), ao digitar faça ela “vira” outra palavra: faca. Há quem faça faca.   

Caixa Pós-tal

            “Morei em Araruna e lia a sua Coluna, principalmente o 'Fases de Fazer Frases'”, declarou Carlos Barbosa, controlador de estoque em Apucarana.

Reminiscências em Preto e Branco

            Tema principal da Coluna, relógio, lembro do meu saudoso pai Eloy. Se precisava acordar bem cedo, madrugada, pedia-lhe que me despertasse.Sem usar despertador, ele estava à beira da minha cama, delicadamente a mexer o dedão do meu pé: José Eugênio, acorda piá.     

"Como é que eu vou comer?"

Miséria maior é não saber que tem riqueza.

A riqueza de não precisar dela.

A riqueza de ser digno da

 própria riqueza, a da

riqueza sem ser rico,

só rico de dignidade

 que pode ser

 dada sem

 perdê-la

 de si.

Estive Nólocal (b.d.C.)

            Além da indagação “como é que eu vou comer?”, disse ela, ainda, “Como é que vou beber? Como é que vou calçar?” E, para quem tomava conhecimento, já poderia bastar para a indignação, ela declarou mais o seguinte: “E cabelo, maquiagem?”.

            Graças ao Jornal O Estado de São Paulo a notícia se espalhou feito rastilho de pólvora. E imediatamente outros meios de comunicação registraram, mais do que o mesmo fato, a reação da opinião pública, indignada.

            E eis que ela, que alegou ser o trabalho dela análogo ao de escravo, desistiu diante da pressão da opinião pública. E não veio imediatamente dar alguma satisfação.

            Irá continuar no cargo. Ao menos por enquanto. Se tivesse vergonha não teria pedido o que pediu. Nem proporcionaria desarranjadas desculpas.   

            Se tivesse vergonha, deveria demitir-se.

            Mas prosseguirá, sabe se lá até quando, como ministra dos Direitos Humanos.

            Luislinda Valois recebe mais de 30 mil reais e queria acumular tais ganhos com a de ministra, para ter na conta dela mais de 60 mil reais, o que é proibido pela Constituição Federal.

            Não é qualquer pessoa, embora seja a partir de agora uma pessoa qualquer, que menciona trabalho escravo – “nem dá pra comer” – mas é uma ministra, ela que deseja mais do que “direitos”, deseja “direitos a mais” e para ela.

            Desembargadora aposentada entrou para o governo Temer quando a pressão sofrida pelo presidente era enorme no início, pois ele não tinha nomeado nenhuma mulher para o primeiro escalão. A qualidade de ser mulher não pode ser dissociada da qualidade de ser digna, sobretudo no desempenho público.

            Caberia, quem sabe, uma pausa ao “fora Temer” com todas as vaias. Para aplaudir o presidente, desde que ele demita a desafortunada ministra, que não será esquecida pelo ato estúpido e oportunista, ávida pelo dinheiro alheio.

Fases de Fazer Frases (I)

            Nossas razões são ações que motivam.

Fases de Fazer Frases (II)

            Nossos motivos às ações que dão razão.

Fases de Fazer Frases (III)

            Nossas ações motivam à razão.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Não espere. Aspire. Inspira à ação. Transpire.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Restam míseros minutos para enviar o texto ao Jornal. Como acabou o espaço.

Caixa Pós-tal

            “Antes eu lia meio sem querer, aí virou costume. Agora não deixo de ler sua Coluna. Sempre boa!” É o registro do peabiruense José Antônio de Oliveira Mathias.

Reminiscências em Preto e Branco

            Se fores, leve flores.

            Se fores, deixe flores.

            Sem dores, Dolores.

            Flores para as dores de Dolores

            Dores que as flores são de Dolores.

            Odores de Dolores. Odores das flores.  

Não conseguimos

“...criança que brinca, corre, pula e grita mostra ao mundo como

se deve viver em cada momento, feliz, como quem acredita

em um mundo melhor que ainda vai haver”.

Lauro Kisielwicz

            O título pode levar alguns leitores a concluir inicialmente que assunto é a recusa da Câmara dos Deputados autorizar o STF – Supremo Tribunal Federal a investigar o presidente Michel Temer (PMDB) ante às denúncias de corrupção. A maioria dos parlamentais federais decidiu arquivar. O NÃO CONSEGUIMOS poderia ser clamor popular contra a corrupção.

            Na verdade o NÃO CONSEGUIMOS refere-se à derrota que só foi uma discreta notícia.  

            NÃO CONSEGUIMOS acabar com o trabalho infantil no Brasil. O país se comprometeu a erradicar tal exploração até 2016. Entretanto, de acordo com a ONU - Organização das Nações Unidas, através do ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a meta não foi alcançada.

            O pior: a extinção está prevista lá para 2025.

            Desafio maior é na faixa entre cinco e nove anos, idade agravada de exploração. O trabalho infantil tinha, em 2013, 61 mil crianças, número aumentado em 2015: 79 mil!.

            Também NÃO CONSEGUIMOS diminuir a evasão escolar. São 821,5 mil entre 4 e 5 anos matriculados que pouco frequentaram as aulas ou sequer compareceram.

            Ao invés da escola elas são exploradas, mão de obra barata incólume à fiscalização e sempre junta à impunidade.

            Crianças a um só tempo excluídas da educação ou sequer inclusas na sala de aula. 

            A notícia é mais do que triste, é revoltante. São crianças brutalizadas pela estrutura social perversamente injusta. Não deveriam pegar em ferramentas, mas sim ter nas mãos brinquedos para poderem praticar e vivenciar a infância, além da formação educacional familiar e escolar.

            Sem o lúdico vivenciam o real mundo adulto do conflito, da ausência de perspectivas.

            Nas últimas semanas o noticiário destacou a então nova portaria do Ministério do Trabalho, na prática flexibilizando o trabalho escravo, para atender os donos dos meios de produção, eles que querem ainda mais, ávida e fortemenente os tentáculos do desumano trabalho. A portaria foi suspensa por decisão da ministra do STF Rosa Weber. 

            Se fôssemos um país sério em sua maioria, estaríamos todos cobrando explicações, nos movimentando social e politicamente contra tais fatos.

            Estaríamos envergonhados. Bem mais tristes do que a derrota imposta pelos alemães na Copa do Mundo. Os 7X1 do jogo nada seria se comparado com crianças sem escola, sem sonhos, sem conhecerem a justiça, vítimas inocentes do desrespeito ao direito de serem crianças.

Fases de Fazer Frases (I)

            Quem contém toda alegria retém toda tristeza.

Fases de Fazer Frases (II)

            Só poderia perdoar uma única vez quem só tivesse um único pecado.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Acompanhei a professora de Artes Eliana Ferreira Geraldo e um grupo de estudantes na exposição de quadros do saudoso professor Roque Leite de Medeiros Filho, na Biblioteca Pública  de Campo Mourão (visita até terça, 31). Didaticamente ela explicou a concepção do artista.        Enquanto eu a ouvia, vieram muitos quadros como lembranças do Roque, nossa amizade do tempo juvenil e recente como colegas professores, lecionamos nos mesmos Colégios, no ATO e no Rondon.  

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

             Sequência do subtítulo acima, para abrir a exposição, fui convidado a participar, falar aos presentes, mas infelizmente o horário de aulas me impediram. Agradeço a gentileza da Biblioteca em providenciar o texto desta Coluna sobre o professor Roque, lido no evento.

            Transcrevo o início do Artigo, publicado 28.07.2014, (ele morreu aos 54 anos, 23): "A sensação é a de estar diante de uma folha em branco, papel a espera de uma imagem que retrate o que ele foi a sua vida.…"

Caixa Pós-tal

            Da mourãoense Maria A. Cipriano: “Gosto quando torna temas 'pesados', claros'”.

Reminiscências em Preto e Branco

            O passado não volta. É o rememorar que não o deixa partir.   

Aécio e Senado não prestam

Em política, o importante não é ter razão, mas que a deem a alguém

Konrad Adenauer

 

            Ao Senado cabia tomar a decisão política, é essencial do parlamento a política. Assegurado o amplo direito de defesa, no caso mera formalidade, o Senado deveria cassar Aécio Neves (PSDB-MG) pela falta de decoro, por razões políticas ele não poderia continuar sendo senador, tanto de noite quanto de dia.

Há meses o punga Romero Jucá (PMDB-RR), pego numa ligação telefônica, disse “é preciso estancar essa sangria”, referindo-se à operação Lava a jato. Para o bem da corja senatorial e péssimo para o Brasil, Aécio está são e salvo. São 44 senadores investigados pela Justiça que votaram pelos mesmos interesses escusos.

Nem é preciso rememorar os fatos envolvendo Aécio pedindo dinheiro a turma ladra da JBS, imagens do amigo próximo recebendo a grana e a irmã do tucano, que chegou a ser presa, nada disso foi suficiente para cassá-lo.

O chamado foro privilegiado é tão amplo e estimulador à prática de ilicitude que, não importa qual seja ele, vai para o Supremo e lá dorme em berço esplêndido.

Tem casos de parlamentares homicidas, mandantes e comandantes de crimes que continuam a exercer mandatos públicos! Com que moral?!

Não poderiam ser cassados em razão do mandato, tais como nos casos de crime de opinião ou qualquer cerceamento da sua atuação no cargo público.        

Mandato público de há muito tem sido alcançado – com o voto do povo – como escudo para não sofrer restrições, muitos parlamentares apanhados roubando dinheiro público e outros crimes comuns a eles, tão comuns quanto livres para prosseguir nas práticas delituosas.

“Ficha-Limpa!”. Sim ou não, e o mandato sujo?! 

Fases de Fazer Frases (I)

            É o Aécio o ócio do Senado. 

Fases de Fazer Frases (II)

            É o Senado o osso do Aécio.

Fases de Fazer Frases (III)

            É o cio. É o cioso. São má ciosos.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Dia de ontem não se adia. Há o dia de ontem. É a tarde tardia?

Fases de Fazer Frases (V)

            A demora em compreender e perdoar eleva o fardo do sofrimento.

Fases de Fazer frases (VI)

            O degrau mais importante é o primeiro ou o último? Depende. Subindo ou descendo?

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Fila do banco, uma senhora me observa quando inicio a leitura da Tribuna (costumo ler bem cedo mas não deu tempo). O tempo passa e eu continuo lendo. O passa tempo daquela senhora é simpaticamente me observar. Nada de me incomodar. A certa altura resolvo oferecer o exemplar para ela, “pode ficar para a senhora!” – disse-lhe.

            Para a minha enorme surpresa, ela considerou um enorme presente, que leria em casa a manhã toda, “com muita alegria, sempre gostei de ler, mas nunca achei que ganharia um jornal, obrigada”.

            A vida é, basta notar, em muitos fatos, simples, como a jornada que torna conhecidos quem há pouco sequer pareciam existirem um ante a outro.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            A confeiteira conta o sonhos para uma pessoa. Em seguida vende alguns deles.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            É notícia. É o testemunho dos fatos recentes: árvores derrubadas pelo vendaval!

E as matas, florestas dizimadas pela ação do homem?

Olhos, Vistos do Cotidiano (IV)

            Mágoas. Magoas. Águas que aguam. Vão e vem. Evaporam.

Caixa Pós-tal

“Moral da História: As estrelas necessitam da treva para revelar todo o seu brilho”, escreveu o poeta Oswaldoir Capeloto, sobre a Coluna anterior, A LUZ MAIS IMPORTANTE NAQUELA AULA.    Por se referir ao Colégio Estadual, muitos estudantes e professores comentaram sobre o texto.     

Reminiscências em Preto e Branco

            Se o tempo cura todas as feridas, é o contratempo que as abre.    

A luz mais importante naquela aula

Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras

São Francisco de Assis

                A vida é feita de surpresas. O inesperado existe, pronto para entrar em cena. Positiva ou negativamente, o inusitado poderá nos marcar para sempre.

            Era para ser uma aula normal, noite de calor, quinta-feira, 28 de setembro passado. Estudantes do quarto ano do Curso Técnico em Administração (profissional) tinham iniciado a apresentação para a turma. No momento, como nas atividades anteriores, foram orientados, a inteira responsabilidade da aula era deles. Minha tarefa, ser aluno, ainda que eles fossem alvo da avaliação. Os temas pesquisados às análises, apresentação e debate foram Discriminação; Preconceito e Estigma.

            Apresentação em curso a energia do Colégio Estadual de Campo Mourão acaba. Tão rápida quanto à interrupção, os estudantes claramente expressaram o desejo de prosseguir com a aula e imediatamente acenderam a luz do celular, seguidos pelos demais da turma, igualmente interessados. Não fiz qualquer objeção, e, ao contrário, deixei-os à vontade para lecionarem. Já próximo do fim da primeira explanação, bate na porta o zeloso servidor Antônio Leite da Silva Neto que informa, provavelmente a luz não voltaria logo, um automóvel atingiu um poste, “os alunos estão todos indo embora”. Ainda assim, os estudantes optaram por exegese, sem interferência minha. O outro grupo teve igual iniciativa, se apresentou com ávido conhecimento, motivação e aplicação.

            Alternando meu olhar à apresentação e para toda a sala, as luzes dos aparelhos móveis, o brilho nos olhos de todos os estudantes retratava luminosamente uma das grandes lições que aprendi como professor de Sociologia. Luz que faltara da COPEL foi substituída por aqueles celulares direcionados a clarear a aula e a assimilação.  

            A verdadeira luz, mais importante, que mais brilha fecunda, é a luz própria. Própria da mente e coração daqueles estudantes, a luminosidade linda que expressaram com saber que ampliaram com diversidade.

Luz, como a da vela a queimar é susceptível a brisa, poderá ser apagada. Mas é ela que induz e conduz o aprender a ficarem impregnados na memória e no fazer do saber. Enalteci todo aquele ambiente escolar, a grandeza e espiritualidade dos jovens se maravilhando e se descobrindo cada vez mais capazes.  

A luz volta, faltavam poucos minutos a terminar a aula e ainda por insistência do primeiro grupo foi exibido um vídeo de curta duração.

Hoje é dia do Professor. Talvez nem fosse intenção registrar a data, que tantas vezes aqui escrevi. Tal narrativa foi uma lição, repito, que aprendi com eles, afinal – sobretudo em relação a mim – o verdadeiro professor é aquele que ao ensinar, antes tem que saber. Ao ensinar, aprende com a turma, com cada estudante, como foi o 4º BI. E se eles foram professores apenas por algumas aulas, em mim as marcas por ter aprendido muito com eles, serão sempre alvo da minha evocação, aqui com o devido registro.

O melhor caminho humano civilizado é ser autor e ator da direção ao se apropriar das grandes lições que acresce e cresce no hábito do aprendizado.

Fases de Fazer Frases

            É mais sábio quem sabe e transmite a sabedoria para aprender.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Enquanto se considera a história mera referência ao passado, por enquanto desconheceremos o futuro que poderíamos melhor fazer.      

Caixa Pós-Tal

            Lindo e verdadeiro o texto homenagem a Campo Mourão. Obrigada pelas suas palavras, diz Ana Maria A. Oliveira, que se considera uma mourãoense legítima. Ana se refere à Coluna anterior, CAMPO MOURÃO, 70 ANOS DE VIBRAÇÃO.

Reminiscências em Preto e Branco

            “Veio a calhar à biografia do escritor Lima Barreto quanto aos 49 anos desta Tribuna, eis trecho sobre hierarquia nos jornais: O redator despreza o repórter, o repórter, o revisor; este por sua vez, o tipógrafo, o impressor, os caixeiros do balcão”.