José Eugênio Maciel
Refugiados amados, ou não?

Olho por olho, e o mundo acabará cego.

Mahatma Gandhi

            Cerca de 880 venezuelanos chegam ao Brasil todos os dias. Já são mais de 52 mil, número que dobrou em menos de um ano. A maioria absoluta deles vem a pé. Eles caminham os 220 quilômetros para chegarem à Boa Vista, capital de Roraima. A cidade tem cerca de 400 mil habitantes e já conta com 10 por cento de imigrantes oriundos daquele país. Evidentemente que os 40 mil venezuelanos não conseguem o que buscam, trabalho, renda, moradia, condições para viverem como famílias.

            E o Brasil, o que tem a ver com tal situação? Ainda que possa parecer que a pergunta é sem respeito, educação e até autoritária, na prática está a exigir uma reflexão, bem mais além da questão venezuelana no Brasil.

            O Brasil é hospitaleiro, solidário, concepção que na prática não se pretende mudar. Não faltam brasileiros dispostos ajudar, haja vista, para citar outro exemplo, o terremoto no Haiti, quando acolhemos centenas deles.

            Segundo o que divulgou o IBGE na última sexta-feira, são 26 milhões os brasileiros a procura de emprego, trabalho que possa garantir renda e condições de se manterem economicamente. Não é preciso tecer maiores comentários o que a falta de emprego e renda gera,  ausência de perspectivas, colocando as pessoas na vala comum do violento desnível social, gerador da miséria e dos conflitos.

            Não estamos em condições de resolver, sequer atenuar nossos próprios problemas de imediato e de todos, quanto mais a de todos que já estão ou tem chegado como imigrantes.

            Não se trata de repartir o pão, dividir o prato de comida, o cômodo da casa com os imigrantes. Estamos repartindo o que não temos para todos os irmãos brasileiros, ou seja, o pão que falta, a comida que não temos para todos.

            Também nesta semana, quarta anterior, a CUT – Central Única dos Trabalhadores lançou uma nota na qual ela repudia os que usam a palavra refugiados. Na linha tosca, defendem que a Venezuela tem um governo legitimamente eleito. E que é preciso respeitar a soberania da Venezuela.

            Os venezuelanos é que estão espontaneamente fugindo de lá, expulsos pela fome, miséria que se espraia e derruba a maioria dos moradores do país. Refugiados são aqueles que se encontram na iminência de fugirem das condições que não mais conseguem inverter.

            O discurso autoritário dos que defendem a Venezuela e o regime não admitem nem um pouco a incompetência do governo causador de tanta desesperança.

            Não se trata de comparar o Brasil com a Venezuela, seja em qualquer nível. Mas é certo que temos problemas de mais para enfrentar, sem podermos absorver o que Maduro não consegue, a pobreza cada vez maior no país vizinho. 

Fases de Fazer Frases (I)

            O começo do infinito é só o início do fim.

Fases de Fazer Frases (II)

            Esteticamente a beleza não é estaticamente bela.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Denúncia, prisões, processos, o pedágio nas rodovias no Paraná (privatizadas estaduais e federais) é bem mais do que escândalo de corrupção. São vinte anos de elevados preços e, agora prestes a terminar o contrato, as empresas correram fazer obras para mostrar serviços, também para não ficarem desabilitadas à futuras concorrências. 

            Contratos secretos e secretamente modificados. Planilha de custos enrustidos. O que tem a dizer as concessionárias? A Assembleia Legislativa? O Tribunal de Contas? O Ministério Público? Abram ou fechem as cancelas?

Caixa Pós-tal

            Rosicléia Aparecida Pereira, Parabéns pelos seus textos. Não é de graça que o senhor escreve há muitos anos na Tribuna. É verdade quanto ao tempo, este ano completo três décadas.

Reminiscências em Preto Branco

            Sou do tempo em que o tempo não me pertencia. Hoje pertenço ao tempo que não me tem.

Mélqui, o sorriso canino

"Olhei para os animais abandonados no abrigo... os renegados da sociedade humana. Vi em

 seus olhos amor e esperança, medo e horror, tristeza e a certeza de  terem  sido traídos.

Eu me revoltei e rezei:- Deus, isso é horrível! Por que o Senhor não faz nada a respeito?

 E Deus respondeu:- Eu fiz. Eu criei você.

Jim Willis

            Numa manhã chuvosa estudantes do Colégio Estadual Prefeito Antônio Teodoro de Oliveira, localizado no grande Lar-Paraná em Campo Mourão, se agitavam para assistir o recolhimento de um cãozinho que se encontrava no terreno baldio do outro lado da rua daquela escola. Ele estava muito magro, pulguento, pouca pelagem, costelas visíveis, arriado. Ainda assim o cão ladra, encontra força para não ser pego. Com muito jeito e paciência maior ainda, o homem da carrocinha estava ali para realizar o trabalho dele, dedicado e zeloso. Um menino, com aproximadamente seis anos, estava atento a cada ação daquele senhor, o garoto procurava entender, apreensivo, o que aconteceria com o animal.

Olhos se entrecruzam, do cão a latir bravamente, se contradizendo ao perceber que não escaparia ou por sentir que seria melhor para ele encontrar abrigo e sair das ruas molhadas, da chuva fria que encharcou seu franzino corpo. Olhares do menino que sentia que a preocupação dele – do cão e de si próprio – não tinham mais motivos. Tais dois olhares que se interligaram com o homem da carrocinha a apanhar o animal. Aquele homem, sem dizer uma palavra, transmitiu ao cão e ao menino o sentimento que ambos poderiam confiar nele, estava ali para acolher, mais do que recolher o cãozinho.  

Despediram-se. O cão veio ao encontro do Mélqui, sem antes deixar de olhar para o menino que acenou para o animal. Aceno daquele garoto que foi também endereçado para o homem que cuidaria dele.

A amizade pode brotar da adversidade, da incerteza e do infortúnio. Da compaixão e do socorro. Recordo o que parecia em mim depositado no esquecimento, mas emergiu noutro dia chuvoso, do carnaval, cenário no qual foi noticiada a morte do Melquisedec Ramos Santos, dia 12 passado. Chuva que descia suavemente no dia do enterro, a me lembrar de outra, aquela próxima ao colégio.

Mélqui era uma das pessoas mais queridas de Campo Mourão, por trabalhar com afinco incansável, a recolher animais, a dar-lhes o que não tinham, perderam ou nunca conheceram, o olhar de consideração.

O sorriso sempre de afeto, de gentileza e de amizade era uma marca dele, maior que o trabalho que realizava. Assim para com todos, ao cumprimentá-lo, a simpatia fora sempre nascente dos olhos impregnados de respeito. E não apenas nós, seres humanos e principalmente aqueles que o conheciam, sabíamos disso, o sorriso dele era de acolhimento sincero pelos animais errantes, que ele os fazia certos.

Fases de Fazer Frases

            Opostos são elo do duelo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O trabalho no Brasil não tem a menor importância e ficou para depois do carnaval. Pelo menos no âmbito do governo federal, passado um mês sem que a anunciada ministra da pasta conseguisse tomar posse, situação levada aos tribunais. A indicada, deputada federal Cristiane Brasil é fruto do loteamento de cargos partidários, filha do comandante da sigla, o PTB, ex-deputado Roberto Jefferson. O próprio nome-título do Partido não poderia indicar outro trabalhista? Não, o nome é só fachada. A pendenga jurídica foi provocada por um grupo de advogados trabalhistas e apontou, a deputada é descumpridora das leis. O Ministério do Trabalho ou qualquer política do trabalho não é sério no governo Temer, fosse assim outro nome já teria assumido.

Caixa Pós-tal

            Do goioerense José Roberto Gomes, Basta eu começar a ler e não deixo de ir até o fim do texto, parabéns!.

Reminiscências em Preto e Branco

            O passado também é uma tábua agarrada pelo náufrago.    

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Vaidade só para aparecer

Deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exigir.

Honoré de Balzac

            Resolvi contar, 28 fotos! Imagens de um único dia. A certeza que amanhã, literalmente, tem mais e mais. É assim. As 28 não são diferentes umas das outras, tem uma em que ela está piscando, a outra já piscou e por aí vai.

            Se de fato é comum nos jovens, adolescentes, o caso citado se refere a uma pessoa que já passou tal fase da vida, ao menos cronologicamente. Ela espera avidamente comentários, e tão vaidosa que não chega a responder, ou faz como se estivesse num pedestal.

            Quando é elevado o sentido da vaidade, o extremo apego narcisista se caracteriza pelo  cuidado exagerado com a aparência.

            O vaidoso precisa ostentar orgulhosamente o que ele deseja que apareça, notável. Bom lembrar, imagem pode não corresponder ao conteúdo. 

            Ao deixar de lado o exemplo visual e não só das redes sociais, tem uma vaidade sutil, porém não é difícil perceber. É a de títulos. Pessoas que querem fazer parte de grupos sociais, de entidades classistas, agremiações apenas para enriquecer o currículo da vaidade.

            O problema não é apenas a aspiração. É quando a vaidade exclusivamente a de  colecionar títulos e exibi-los. Tão logo ingressam nessas organizações, não mais aparecem. Não dão satisfação. Porém, no currículo delas estão tão lá numerosas referências da pessoa a fazer parte disso e mais aquilo.

            Ego inflado chega a um ponto que determinada o aumento constantemente desejado pelo vaidoso: aparecer!. Mais do que ser visto, quer se destacar, se possível e sempre mais que os outros.

            Uma parte deles é de obstinados, caso não sejam observados, não se desanimam, aumentam as estratégias para aparecer. Se usassem um estandarte como símbolo, o pavão serviria, ainda que não a altura deles. 

            Alegria da folia carnavalesca está em se divertir, extravasar. Para o vaidoso é pouco, ele precisar aparecer em primeiro lugar, abrindo, fechando alas. O dono e mestre da escola de samba.

            A vaidade mais invejada é a do vaidoso dependente dela.      

Fases de Fazer Frases (I)

            Quem esquece de tomar remédio para a memória é porque ele não é bom. Nem ela.

Fases de Fazer Frases (II)

            Mãe sempre tem razão, a razão é o nome dela.        

Fases de Fazer Frases (III)

            O sábio não ignora a falta de conhecimento. Ele aprende com ela.

Fases de Fazer Frases (IV)

            O calado tem bom gosto por não abrir a boca.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Muitas imagens. Imagens das câmaras comprovaram o furto e identificaram o homem de 32 anos, segundo publicou esta Tribuna. Ele carregava a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Outra imagem com ele, estampada na camiseta, também furtada. Local da apreensão, uma rua do Jardim Santa Nilce. Para se livrar das grades o homem poderá rezar e pedir ajuda divina. Sem poder adorar as imagens, que foram devolvidas.

Caixa Pós-tal

            Parabéns pela sua Coluna. Não deixo de ler, escreve o mourãoense Antônio R. Silva.  

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Não levará muito tempo e dentadura fará parte do passado. O implante dentário, moderno, ágil e seguro, também vai ficando acessível economicamente. Aquele imagem – que não deixa de ser mórbida – de um copo d'água, em cima do criado mudo, recipiente onde repousava a dentadura enquanto o dono dormia. Sempre sorrindo.  

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Tempos de roça no Brasil então em sua maioria rural, banheiro inexistia, quando muito uma casinha fora da casa. E quando apertava, debaixo da cama tinha o chamado penico, também conhecido de urinol. Pois bem, se no caso do segundo nome, embora como tal, não servia só pra fazê xixi.   

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Todas as frases de 2017 (FINAL)

Nenhuma vida é intensamente vivida sem que outra dela faça parte.

            Com as 35 frases de hoje, todas reunidas e somadas às duas listas das Colunas anteriores, encerra-se a republicação, recorde: 115 Fases de Fazer Frases.

            Caro leitor, desejo boa leitura! Além disso, toda manifestação será bem-vinda, quanto a frases e a tudo que vier a ser escrito neste espaço.

2018 será de fatos marcantes em todos nós brasileiros. Ano de eleições. Escolheremos presidente, governadores, deputados federais e estaduais e dois senadores. Sobretudo para presidente o quadro é complexo e até aqui caracterizado pela imprevisibilidade. No futebol a Copa do Mundo na Rússia mobilizará torcedores brasileiros do país todo. Iremos amenizar o vexame da seleção que jogando em casa sequer foi a final? Perdeu de 7X1 para os alemães! Vergonha mesmo que não tivemos suficientemente ainda é o número de estádios construídos, reformados com custo maior que o dobro, faraônicos tão monumentais quanto à corrupção vencedora de goleada!  

             81. Penso, posso me apossar do pensar. Pensar que o pensar se apossa de mim.

            82. Meu erro me acerta. É certo que erro.

            83. Não sobra tempo para jogar fora horas vagas.

            84. Todo o infinito tem começo.

            85. Todo o começo é finito.

            86. É mais sábio quem sabe e transmite a sabedoria para aprender.

            87. É o Aécio o ócio do Senado.

            88. É o Senado o osso do Aécio.

            89. É o cio. É o cioso. São má ciosos.

            90. Dia de ontem não se adia. Há dia de ontem. É à tarde tardia?

            91. A demora em compreender e perdoar eleva o fardo só sofrimento.

             92. Degrau mais importante é o primeiro ou o último? Depende. Subindo ou descendo?

            93. Quem contém toda a alegria retém toda tristeza.

            94. Só poderia perdoar uma única vez quem só tivesse um único recado.

            95. Nossas razões são ações que motivam.

            96. Nossos motivos às ações que dão razão.

            97. Nossas ações motivam à razão.

            98. Não espere. Aspire. Inspira à ação. Transpire.

            99. A verdade que se conta conta a verdade?

           100. Entardecer.

           É descer.

           É tarde ser.

           E tarda ser.

           É um tar de ser!

           101. Pode- se escolher o relógio, não as horas.

           102. O simples é filho do complicado. Por vezes é complicado ser simples.

           103. A vida é um quebra-cabeça que o coração consegue montar.

           104. Tristeza maior é não perceber poder alegrar-se.

           105. Vir toda a virtude é vir em virtude de vir.        

            106. Toda mancha se desmancha. Desmanchado pelo manchado nem sempre achado.

           107. Estrada. Entrada. Estada. Caminhos sem ou com data.

           108. O pessimismo é modo de tornar a realidade pior.

           109. A saudade é acompanhada da solidão. Mas sentir saudade é estar só.

           110. O deixado para trás, tempo carrega. O que se carrega, tempo não encarrega.

           111. Palavra não escolhe o silêncio. Ela, dita, silencia.

           112. Delicadeza é não reparar na grosseria.

           113. Se não tiver intenção, o olhar é só olhar?

           Se o olhar não for intenso.

           114. Nenhuma vida é intensamente vivida sem que outra dela faça parte.

            115. Enquanto não tiver aquarela, alegre-se com a cor que tiver. Pinte a imaginação.   

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Todas as frases de 2017 (II)

Mar das incertezas é preferível, ao leito seco do pessimismo.

(JEM – 2017)

São 115 frases de 2017. Um recorde, conforme balanço feito na última Coluna, início da publicação de todas as frases reunidas, 35. Hoje são mais 45: Boa leitura!    

36. Esperar por nada? Se possível esperar, nada não será nada.

37. Pensar não vale nada? Nada a pensar vale o quê?

38. Palavras o tempo apaga, ele escreve, descreve.

39. Das Mães é o Dia, de hoje, do Ontem, do Amanhã.

40. Todo o arroto está no roto como a emenda que não se emenda.

41. És todo astuto? É tudo, astuto. Susta tudo que o assusta?

42. Fazer de conta é mais difícil do que fazer conta.

43. Quem conta presta, presta conta?

44. Não confundamos: Guarda a tua mala; com o guarda da Guatemala.

45. Não confundamos: Estupefato; com o estúpido fato.

46. Não confundamos: Acrobacia; coma cor da bacia.

47. Não confundamos: O mor mente; com o mormente.

48. Não confundamos: O ver ver-me; com o ver do verme.

49. Não confundamos: A tenuidade; com o nu e idade.

50. Vida é abreviar o tempo. Ela já é breve.

51. Vida é ser.

      É ter-se. Vida é tecer.

      Ter que ser o que a vida é.

52. Volto meus olhos para as voltas que não vi.

53. Vem a visar. Visa suave ou intensa, sopro que traz o frio: no ver o inverno.

54. Soa o som do sino. Sino que soa só. Só o som é do sino.

55. Despistar palavras é despi-las.

56. Aonde a Íria iria eu não iria sem a Íria.

57. Direis que ireis? Dirás que irás? Digamos, iremos. Sem irarmos.

58. Separar bem ideias é o melhor argumento para juntá-las.

59 Tudo à vida assiste. Tudo na vida consiste.

60. Experiência, lição capaz de solução.  

61. Antes flores, sem vaso. Antes, vazo, sem flores.

62. Monólogo é fato por si ante a alheia mudez.

63. Mais se aproxima da morte quem se distancia da vida.

64. Ideias podem polemizar. E polinizar.

65. Se a moral alheia é só inveja, ela é falsa.

66. O que vem a calhar não vai encalhar.

67. Viagem é com g. Viajo é com j.

      Dirijo é com j. Dirigir é com g.

      Ao destino leve mala. Amar a palavra destina, amá-la.

68. Vi elas nas vielas.

      Vê-las sem velas.

      Vão elas. É delas as vielas sem elas?

      Elas sem as vielas?

      Todas elas são vielas.

69. Diga-me com quem andarás e lhe direi quem poderá ser.

70. A inveja por não ter sorte é o maior azar.

71. Estranho é achar tudo normal. Normalmente não é estranho.

72. Bom da idade é bondade. Mal da idade é maldade.

73. Mar das incertezas é preferível, ao leito seco do pessimismo.

74. A vida é troca. A vida toca. A vida não é oca.

75. Deixe-se de se deixar sozinho. Só não deixar-se sozinho.

76. Para sorver sopa não carece usar dentadura.

77. A ausência mais sentida é a falta maior.

78. Pesadelo é desistir do sonho sem ter outro.

79. Arrepio de pássaro é pio.

80. Só tem volta aquilo que não foi ainda.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Todas as frases de 2017 (I)

Vida é ser.

É ter-se. Vida é tecer.

Ter que ser o que a vida é.

(JEM – 2017)

            Cada Fase uma Frase, ao menos uma Frase. Média de duas Frases cada Coluna. Após o tema-título, primeiro subtítulo é Fases de Fazer Frases, proposital som (fonética) com palavras também graficamente parecidas. 2017 registra o maior número delas, recorde, portanto: 115 Frases. Reunir todas começou há seis anos. O menor número foi em 2011, 36. Eis os todos dados: 2012: 104; 2013: 106; 2014: 108; 2015:113 e 2016: 109.

            Antes desta lista das Frases reunidas iniciada hoje, uma triste coincidência. Em 2017 fiz menção à bela canção do Belchior composta com outro cearense, Fagner: Aquela estrela é dela/vida vento vela leva-me daqui, música intitulada Mucuripe (1976). Sem imaginar a morte do Belchior, foi ela que me levou a homenageá-lo no Artigo APENAS UM RAPAZ... VINDO DO INTERIOR, (edição 6-8,  maio).

            Eis as Frases de 2017 em ordem cronológica, hoje são 35:

  1. Esquecer-se do tempo é não deixar que o relógio lembre.
  2. Sobre viver: mais que sobreviver.
  3. Ali Alice aliciava. Alice nunca foi aliciada.
  4. Para o melhor fazer é preciso fazer-se melhor. Ser melhor é o melhor do fazer
  5. Vi o vigia que me vigia.

Fingia que não via o vigia que me vigia.

Via o vigia sem vigiar o que ele não vigiava.

  1. Não me tragam palavras: as que tenho me tragam.
  2. Afinal, restará o começo do final?
  3. Não é só encontro que marca. Marcado é o encontro não marcado.
  4. Pressa maior é de quem nunca teve ou desprezou calma possível.
  5. O machado machuca o macho. Não é do macho machucado o machado
  6. O aprendiz aprende e diz. E diz aprender.
  7. Conserve o que serve, se sirva do que se sirva. Sorva antes de sorvar.
  8. Quem em nada graça, corre mais risco de encontrar desgraça.
  9. Quem costuma falar sozinho nem sempre se opõe quando todos o deixam sozinho a falar.
  10. Eva porá água.

Evaporará a água da Eva?

Que vá a água da Eva.

Que não vá a Eva com água.

Que não virá a Eva com água.

  1. Não verá nada o olhar para o tempo quando o tempo não tiver nada olhando.
  2. O botão da florista abriu. O da flor dela? Ou o dela?
  3. Vi a vidente com o dente evidente. Evidentemente o dente da vidente eu vi.
  4. O almirante Prestes estava prestes ao mirante.
  5. Quem é vivo sempre aparece. Quem é morto padece.
  6. Só faltam palavras quando faltam ideias.
  7. O que é conseguido primeiro: aumentar a inteligência ou diminuir a ignorância?
  8. Para o Bastião basta chamá-lo de Tião.
  9. Custa o ódio do Custódio?
  10. O Homero é mero e não homérico.
  11. Só o alho caiu no soalho: ato falho.
  12. Não confundamos: encompridar com em cumpre dar.  
  13. Palavras dizem o que não se quer dizer, escritas e não lidas.
  14. Não espantem os pássaros: esperem que voem. Pousarão humana imaginação.
  15. Alvorecer, alvo do ser.
  16. Na corrida contra o tempo, é o tempo que conta.
  17. Paira no ar a poeira. Se chover, vira lama.
  18. Ter asas para a imaginação... Mas aonde pousam as ideias?
  19. Para ser notado, o mais importante é a chegada ou o ir embora?
  20. Para não ser interrogado? Basta tirar o sinal de interrogação.

 

Últimos puxar e empurrar

                        Devagar abri a gaveta/ um forte cheiro de flor/ tomou conta da sala

                        Na penumbra de um fim de tarde/ meu coração acelerou/ minhas mãos tremularam

                        (…)

                        Lembranças que ainda incomodam/ verdades que religam o passado/ ao presente onde                            sobrevivo à duras penas

                        Palavras vivas e libertas que saltam/ de dentro da gaveta cheirando a passado/ desnudando                    minha alma inquieta

                        Um frio me abate e num impulso/ fecho a gaveta tentando conter o instante/ tentando                               segurar as fugitivas lágrimas

                        Lágrimas de ousar, de ir além...

Às Escuras – Nídia Cintra

            O tema não é o desafio à esta última Coluna do ano. É a abordagem. Como expor o assunto previamente definido, e dele não escapar, instigando o escrevinhador aqui a encará-lo. Pautar-se por conteúdo original, evitar lugar-comum. 

            É sempre assim, não ter inspiração que se apresente e me acompanhe. Ela que me abandona antes de estar comigo, toda vez que chega esta data, última Coluna. São 29 anos a viver experiência de ter que escrever a respeito do último ato, no caso o 2017.

            Este último encontro do ano não poderia ser ignorado.  

            Diante do computador, sem vaga ideia, da cabeça vazia nada sai que valha digitar, a aparecer na tela com mínima criatividade.

            Levanto da cadeira subitamente, olho pela janela do escritório em casa. Depois a estante de livros. Nada enxergo. Pensamentos inexistem.

            Decido abrir uma gaveta. Mente vazia, sequer procuro por procurar. Idêntico jeito que abro a gaveta fecho-a. Quantas gavetas temos. Para que elas servem, sabemos. Como as usamos, conhecemos? Guardamos. Esquecemos o que está dentro delas, além delas propriamente ditas. O que é útil ou não, as gavetas sabem tanto ou mais do que nós.

            Caixa embutida em um móvel, desliza no abre e fecha. Nalgum momento (talvez este) é propício abrir a gaveta e olhar, observar, revirar o que tiver dentro. Organizar novamente para que objetos não fiquem no mesmo lugar. Noutra gaveta, seja o caso. Acaso arrancá-las, pô-las (lembram ampolas) de cabeça para baixo, fazer um monte.

            O que deve e como ficará guardado. Quais as gavetas com chave? Algumas cheias, outras nem tanto, e ainda as que estarão vazias, por quanto tempo?

            O tempo engaveta tudo e tudo ele desengaveta.

            2017, final breve, puxar todas elas, arrumá-las. Desfazer-se do que não precisarmos guardar. É necessário espaço para o novo. Empurrar ao e o longo do novo ano. 2018, novidade. Ainda.

            Único cuidado, evitar que gavetas emperrem. Tenham volume desnecessário. No puxar e empurrar, deslizem. 

            Continuarão sendo elas. Gavetas que impedirão que sejamos as mesmas pessoas.               

Fases de Fazer Frases (I)

            Só aviso, o persuasivo não é evasivo.

Fases de Fazer Frases (II)

            Homem prudente é um covarde às avessas.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Palavra chuva, do latim pluvia, sinônimo de pluvial. E quanto ela está caindo!

Caixa Pós-tal

            Toda manifestação do leitor desta Coluna é registrado, daí o subtítulo acima. Na íntegra ou síntese. Acrescento fatos relativos ao leitor, profissão, onde mora etc. Mas tem quem eu não sei nada e indago. Para não deixar de registrar, publico, mesmo assim. É ocaso a seguir. Vale ressaltar: a citação pressupõe agradecimento a cada um dos caros leitores. Parabéns pela coluna, acompanho toda a semana, escreve Vitor G. C.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Vê-se melhor o novo tempo vir a partir do velho tempo que vai.  

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Tempo não tem lacuna. Lacuna é memória.  

Carta para o mau velhinho

A virtude da modéstia é, decerto, na invenção considerável para velhacos,

 pois, em conformidade com ela, cada um tem de falar de si mesmo como

 se fosse  um deles, uma vez que produz a impressão de que não há

 absolutamente  nada além  de velhacos.

Schopenhauer

            Corro para os Correios! Aliás, os Correios, ao menos no Rio de Janeiro, não entregam mais nada em áreas que eles declararam inseguras para os carteiros. Será que a minha carta chegará? Que o destino dela é área que o carteiro poderá entregá-la?

            O destino é local de muitos criminosos sobretudo os de colarinho branco.

            Tenho que colocar todo o endereço completo, com CEP e tudo? Se escrever no envelope apenas Brasília e Complexo Penitenciário da Papuda, o carteiro sabe o endereço? Ele terá medo de ser roubado?

            É Natal! O bom velhinho todo mundo sabe, recebe milhares, milhões de cartas.   

            Mas minha carta é para o mau velhinho. Ele tem 86 anos! E muito (mas não tudo) leva a crer que ele irá passar o Natal e a virada do ano, preso.

            Duas imagens dele contrastantes: uma, a caminhar em direção ao carro, belo e saltitante para se entregar. A outra é ele, lentamente, apoiando-se nos ombros amigos e numa bengala, à disposição da justiça. Claro que tem uma diferença crucial, uma ele não sabia que estava sendo filmado e a outra ele tinha certeza que sim.

            Apenas para se referir a um processo de condenação e ao último com sentença, teve que devolver aos cofres públicos 10 milhões de reais, conforme acordo com um banco. O dinheiro irá para a prefeitura de São Paulo, capital.

            Generoso o velhinho. O velhaco fez acordo e devolveu 10 milhões!

            Condenado a quase oito anos, ao longo de pelo dos menos 40 anos ele foi dando um jeito de escapar da Justiça. Alegando, sem provar, que não deve nada, que é honesto.

            Se tiver mesmo doente, com câncer, tem direito a tratamento. E a Penitenciária tem médico e psiquiatra para atendê-lo.

            Os 86 anos de Paulo Maluf, sinceramente desejo-lhe que sejam de plena saúde! Porque que é que eu desejaria a ele mau e mal? Toda a saúde para Maluf!

            Saúde para que cumpra a pena na prisão, com toda – bem mais do que muita – saúde. O que ajudou a Maluf a driblar a cadeia é os eleitores de São Paulo, com sucessivos mandatos como deputado, além de prefeito da capital e ainda aqueles pleitos que não ganhou, mas foi bem votado para governador. Valeu-se do foro privilegiado. 

            Malufar é verbo praticado pelo próprio com o dilema, rouba mas faz.

            Na cela de pouco mais de 30 metros ele terá a companhia próxima de um gordinho que tem cara, jeito, saco... de Papai Noel. E se estivesse solto, poderia convencer que todo o dinheiro dele seria distribuído agora no Natal. Mas a grana do Geddel Vieira, mais de 51 milhões, era só para a ceia da família dele.

            Muita saúde para esses maus velhinhos! Bons velhacos! Que o Gilmar Mendes não passe o Natal despachando lá no Supremo... Para os velhinhos ficarem na cadeia.

            Saúde aos velhacos!             

Fases de Fazer Frases

            Enquanto não tiver aquarela, alegre-se com a cor que tiver. Pinte a imaginação.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Finalmente, após tanto procurá-la, consigo encontrá-la. Parecia não acreditar. Olho bem para ela. Ajeito-me todo. Tenho certeza, não iria deixá-la por um bom tempo. Com cuidado e rapidez, entro com tudo! Bem encaixadinho.

Como é linda a vaga de estacionamento que encontrei numa avenida mourãoense. Utilizei por um tempão. Graças a ela comprei presentes, todos que precisava. Com uma vaga não se divaga.

Caixa Pós-tal

            Do João Pedro Neto de Cuiabá, Mato Grosso: Começo a ler a sua Coluna pelas partes curtas, as frases, comentários e só depois vô para o prato principal.

Reminiscências em Preto e Branco

            O que fica do passado é o que nós não deixamos passar. .

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Tiririca e titica

Dito acontecimento arranca também as últimas gargalhadas de seus eleitores, que vingaram, na pessoa do palhaço, das expectativas desmentidas ou rejeitadas que o povo brasileiro sempre mantém em relação aos compatriotas do legislativo.

José Maria Couto-Moreira – jornalista

            Eleito e reeleito, a campanha eleitoral, se você não sabe o que faz um deputado, vote em mim que eu te conto, gracejava o palhaço Tiririca. Discursou por quase seis minutos e pela primeira vez: não será candidato. Mas não relatou o que fez, deixou de fazer nesses quase oito anos de deputado. Nada disse sobre robusta verba pública que usou para viajar e dar espetáculos. Sem projetos ou outras iniciativas parlamentares, afirmou, sem citar fatos e nomes, condenar os políticos, para ele sem virtudes cívicas, e que o povo brasileiro é deixado de lado.

            Anunciar que não concorrerá é oportunismo. Tiririca deveria renunciar. Sem ter trabalhado seriamente, a atividade maior é posar para fotos a pedido de políticos Brasil a fora despreocupados em serem úteis na Brasília. Tiririca segue a usufruir das vantagens do cargo, se valer do dinheiro público a atuar como palhaço deputado/deputado palhaço (piores sentidos duplos de tais termos).

            Foram mais de um milhão e 300 mil paulistas que deram a ele estrondosa votação, grande parte dos votos obtidos movidos pela crítica à classe política, cansados de votar em políticos tradicionais e de eleitores fãs do palhaço.  

            Palhaçada foi dos eleitores com o próprio voto, aliás, por duas vezes! Os paulistas protagonizaram eleitoralmente outra gaiatice quando deram enorme votação ao rinoceronte Cacareco, do Zoológico paulistano (quando tinha-se que escrever na cédula o nome do candidato ou o número). Os cariocas deram a maior votação para o macaco Tião.  

            Sobram motivos para enumerarmos quão é negativo o exercício de mandatos, a frustração com a classe política, haja vista escândalos de corrupção, privilégios, apadrinhamentos. Entretanto, a maneira de agir, expressar a crítica não é nem será a de não levar a sério nossa escolha pelo voto.

            A galhofa gerou lamentável situação, o discurso demagógico e hipócrita do Tiririca, que não fez nada, sem se responsabilizar pelos próprios atos omissivos, ainda parlamentar no gozo do mandato.

            O gozo dele é para gozar do povo, especialmente dos paulistas que votaram nele na maior gozação. Voto chistoso, ou facécia, como escreveu o jornalista  José Maria Couto-Moreira.           

Fases de Fazer Frases

            Nenhuma vida é inteiramente vivida se que outra dela faça parte.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Dia oito, sexta retrasada, o escrevinhador aqui foi surpreendido por dois elogios públicos no mesmo evento, Colégio Estadual de Campo Mourão. O vereador mourãoense Sidnei Jardim (PPS), rememorou o tempo que fizemos parte da administração municipal, da legislatura e por eu ser professor. (Tem mais a este respeito, em Reminiscências em Preto e Branco (II).

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O secretário estadual do Esporte e Turismo do Paraná, deputado estadual Douglas Fabrício, também ao usar da palavra na mesma solenidade de anúncio de obras, falou: O professor José Eugênio Maciel é o melhor orador que eu já ouvi, de enorme conhecimento.

            Torno público, bem mais do que o registro, os meus agradecimentos aos dois. 

Caixa Pós-tal

            Não esqueça de contar aquelas boas histórias desta Coluna, frisa José Augusto Pereira. 

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Ao discursar no evento do Colégio Estadual de Campo Mourão, (Olhos, Vistos do Cotidiano I e II), o vice-prefeito Beto Voidelo lembrou ter estudado lá, há 36 anos! Fui do velho pavilhão de madeira que tinha o apelido de 'galinheiro'.  

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Aluno do Estadual (1979 a 1986) o vereador Sidnei Jardim tem outra ligação com o Colégio através do pai dele, Osmar de Souza Jardim, falecido em 2008, funcionário zeloso e popular entre todos os frequentadores do estabelecimento de ensino. Seu Osmar era exemplar cumpridor de deveres, sério, de confiança, meu testemunho é próprio, o conheci à época do movimento estudantil.       

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Esmorecer sem merecer é morrer sem ser.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]

Mérito ao mestre assabido

O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria

se aprende com a vida e com os humildes.

Cora Coralina

 

            São quantos os Assabidos? O filho. O padre. O cristão. O professor. O mestre. O literato. O marido. O pai. O avô. O homem. Referência à nota 10 são 10 as qualidades gizadas em respeito ao Assabido Rhoden. Nesta segunda-feira ele lançará o seu novo livro. Comandada pela Academia Mourãoense de Letras, da qual ele é membro. Ao homenageá-lo, celebrando o dia 11 os 91 anos do nascimento, é ele que presenteará a todos com o autógrafo na sua obra.

            O filho. Nasceu no Rio Grande do Sul, descendente de alemães. Em 1926, dia 11 de dezembro em Selbach. Mais do que herdar dos pais a profunda fé cristã, o legado, já desde menino, tornou-se, ao mesmo tempo e intensamente, uma conquista devidamente consciente e honrada.         

            O padre. Vocação, devoção, ação, convicção sacerdotais do peregrino que anuncia e é. 

            O cristão. Assabido deixou de ser padre pela decisão de contrair matrimônio, autorizado pelo Vaticano. Mas não deixou de ser absolutamente cristão, mantidas muitas atribuições inerentes a tais funções. Sem deixá-la tem nele a Igreja numa vereda só, a fé.

            O professor. Nos anos 70 quando chegou a esta região e ao deixar a batina, começou a expandir o mister de educador na condição da sala de aula. Assabido sabia que podia ensinar porque tinha enorme e rico conhecimento. Na sua cátedra não se punha nalgum pedestal, pois suas aulas eram diálogos fecundos. Elevava-se pelo saber e levava ao alto todos àqueles dispostos a aprender.     

            O mestre. O tempo que dedicarmos a alcançar a inteligência, ele será atingida, questão de tempo, cada ser humano ao seu modo, circunstâncias e capacidade. Basta busca-la, a inteligência semeada brotará, será cultivada e frutificará. Já a sabedoria é fruto da meditação sobre o saber e aplicação ao longo do tempo da vida. Assabido é professor dos mestres, é mestre das gerações.   

            O literato. Citações e análises bíblicas que comportam a Filosofia também em sentido amplo, além da religiosa, reúnem nas obras dele um legado para as gerações de agora e a aquelas que virão nos vários decêndios. É a reflexão acadêmica, primada e aprimorada.    

            O marido. Amor e ajuda, palavras dele para a esposa Clotilde, expressas no livro As Exigências do Mistério de Cristo, amada sempre, sendo não existir instante algum em que ela tenha ficando de fora dos pensamentos e ações de Assabido.  

            O Pai. Carlos Alberto, Ricardo, Ana Claudia e Fernanda foram criados com açúcar e com afeto, doce predileto, na canção do Chico Buarque. A doçura do pai que soube segurá-los pelas mãos e, à medida que cresciam, soltá-los. Com as mãos passarem a expressar o aceno à vida adulta. Remédios amargos? Pouquíssimos na missão de educá-los, raras advertências. Tiveram eles a educação pelo exemplo eloquente do Assabido e Clotilde, caráter e humildade são alguns traços.      

            O Avô. As gerações que formou na vida religiosa e educacional transpuseram filhos, filhos dos filhos, netos e netos. Em casa encontram Assabido de coração e braços abertos para acolher a criançada miúda que tem nele o velho senhor renovado com um vigor de menino feliz.  

            O homem. Assabido é um só homem na multiplicidade de muitos papeis, afazeres e seres. Justo, íntegro, capacidade de compreender, perdoar. Assabido é soma nas somas da vida de divisões e multiplicações. 

            Feitas as dez referências ao Assabido aludindo à nota máxima, 10! É preciso acrescer mais uma, para totalizar 11, sendo 11 o dia do aniversário dele. E 11 como reunião das demais 10 referências para um total esplêndido:

            O Amigo. Universal e específica que tem, tão bem cativa: amizade. Aqui a  homenagem.    

Fases de Fazer Frases

            Se não tiver intenção, o olhar é só um olhar? Se o olhar não for intenso.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Uma das piores e mais antigas mentiras do comércio natalino: três vezes sem juros.

Caixa Pós-tal

            Gosto do que escreve, é como se falasse com cada um que lê, diz Bianca Rodrigues Silva.

Reminiscências em Preto e Branco

            Poeira tempo varrida pela memória-vassoura. Ela levanta para cair noutro-idem lugar.     

 

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]